Sopro 56

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O Sopro 56 está no ar. Nesse número, publicamos Maos ao alto: olhos armados, resenha de Remontages du temps subi (L'oeil de l'histoire, 2), de Georges Didi-Huberman, escrita por Vinícius Honesko. De Didi-Huberman já publicamos Atlas - Como levar o mundo nas costas?.

O verbete Quixotismo, de minha autoria, completa o número. Trata-se de um trabalho que apresentei no último Congresso da Abralic, mas que ainda é o esboço de uma hipótese, que pretendo começar a desenvolver em breve. No verbete, algumas coisas não ficaram muito claras, entre as quais: 1) o sentido de "iniciação"; 2) a relação entre romance e mito, e entre literatura, pensamento selvagem e sociedade contra o Estado (o que envolve a idéia de Saer de que a ficção é uma "antropologia especulativa"); 3) o sentido paradigmático que a "literatura" possui na idéia da "literatura como modo de vida", isto é, a literatura em sentido estrito (ficção e poesia) sendo um laboratório para entender a literatura em sentido amplo como modo de vida (para dar um exemplo mais claro do que estou querendo dizer: o marxismo seria talvez o caso mais emblemático da literatura como modo de vida, como religião profana, que possui suas cisões - facções ortodoxas e místicas -, expurgos, etc. Talvez o mais correto fosse dizer que o marxismo encarna duas tendências contrapostas: uma que pretende elevar um livro - O Capital - à condição de Livro, o que leva de volta à sacralização centrípeta; e outra que vê no marxismo uma forma de pensar não-dogmaticamente, ou seja, como força centrífuga); 4) pensar a literatura como sendo essencialmente contra o Estado não é uma exaltação dela, mas um modo de concebê-la estruturalmente, já que ela investiga também as distopias possíveis da passagem do Livro aos livros, e da literatura como modo de vida (pensemos na Biblioteca de Babel borgeana - sugestão de Rodrigo Lopes); 5) pensá-la como a teoria e prática da guerra civil continuada por outros meios é concebê-la como um laboratório para investigações muito mais complexas que os textos e tratados políticos em sentido estrito: desse modo, "A construção" de Kafka ensinaria muito mais sobre a guerrilha (e seus impasses) que os textos de Che Guevara;  6) por fim, como me sugeriu Diego Bentivegna, valeria a pena investigar o episódio de Dom Quixote em que Sancho se torna governador de uma "ilha" à luz da literatura utópica da época.

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"Direito de ser traduzido, reproduzido e deformado
em todas as línguas"

Alexandre Nodari

é doutorando em Teoria Literária (no CPGL/UFSC), sob a orientação de Raúl Antelo; bolsista do CNPq. Desenvolve pesquisa sobre o conceito de censura.
Editor do
SOPRO.

Currículo Lattes







Alguns textos

"a posse contra a propriedade" (dissertação de mestrado)

O pensamento do fim
(Em: O comum e a experiência da linguagem)

O perjúrio absoluto
(Sobre a universalidade da Antropofagia)

"o Brasil é um grilo de seis milhões de quilômetros talhado em Tordesilhas":
notas sobre o Direito Antropofágico

A censura já não precisa mais de si mesma:
entrevista ao jornal literário urtiga!

Grilar o improfanável:
o estado de exceção e a poética antropofágica

"Modernismo obnubilado:
Araripe Jr. precursor da Antropofagia

O que as datilógrafas liam enquanto seus escrivães escreviam
a História da Filha do Rei, de Oswald de Andrade

Um antropófago em Hollywood:
Oswald espectador de Valentino

Bartleby e a paixão da apatia

O que é um bandido?
(Sobre o plebiscito do desarmamento)

A alegria da decepção
(Resenha de A prova dos nove)

...nada é acidental
(Resenha de quando todos os acidentes acontecem)

Entrevista com Raúl Antelo


Work-in-progress

O que é o terror?

A invenção do inimigo:
terrorismo e democracia

Censura, um paradigma

Perjúrio: o seqüestro dos significantes na teoria da ação comunicativa

Para além dos direitos autorais

Arte, política e censura

Censura, arte e política

Catão e Platão:
poetas, filósofos, censores






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