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    <title>Consenso, só no paredão!</title>
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    <title>Auto-Jabá</title>
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    <published>2009-01-03T13:22:34Z</published>
    <updated>2009-01-03T13:29:13Z</updated>

    <summary>Já está no ar a versão virtual do primeiro número do Sopro, jornalzinho de resenhas e verbetes que criei e edito junto com minha companheira, Flávia Cera. Terá periodicidade quinzenal e a versão impressa será distribuída gratuitamente. Quem quiser colaborar,...</summary>
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        <![CDATA[Já está no ar a versão virtual do primeiro número do <a href="http://www.culturaebarbarie.org/sopro">Sopro</a>, jornalzinho de resenhas e verbetes que criei e edito junto com minha companheira, Flávia Cera. Terá periodicidade quinzenal e a versão impressa será distribuída gratuitamente. Quem quiser colaborar, pode enviar um email para sopro@culturaebarbarie.org . Neste primeiro número, uma resenha minha sobre o <i>Crítica Acéfala</i>, de Raúl Antelo e dois verbetes dos amigos do <a href="http://flanagens.blogspot.com/">Flanagens</a>.<br /><br />Saiu hoje, no caderno <i>Cultura </i>do <i>Diário Catarinense, </i><a href="http://www.clicrbs.com.br/diariocatarinense/jsp/default2.jsp?uf=2&amp;local=18&amp;source=a2354862.xml&amp;template=3898.dwt&amp;edition=11426&amp;section=1323">uma resenha minha</a> sobre o belíssimo livro de Eduardo Sterzi, <i>A prova dos nove.</i><br /> ]]>
        
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    <title>Frases Feitas (VIII): &quot;Políticos&quot;</title>
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    <published>2008-08-14T14:31:50Z</published>
    <updated>2008-08-14T14:45:23Z</updated>

    <summary>-Jovem estudante: &quot;Vocês, políticos, são todos iguais.&quot;-Fernando Gabeira: &quot;Eu sou o Fernando Gabeira, tenho 50 anos de vida pública, não sou um político qualquer.&quot;(Fonte: G1)LEGENDA&quot;Tenho 40 anos de vida pública e ninguém pode apresentar qualquer prova contra a minha honestidade....</summary>
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        <![CDATA[-Jovem estudante: "Vocês, políticos, são todos
        iguais."<br />-Fernando Gabeira: "Eu sou o Fernando Gabeira,<b> tenho
        50 anos de vida pública</b>, não sou um político qualquer."<br />(<i>Fonte: <a href="http://g1.globo.com/Eleicoes2008/0,,MUL720981-15693,00-PROVOCACAO+DE+ESTUDANTE+IRRITA+GABEIRA+EM+CAMINHADA+NO+RIO.html">G1</a></i>)<br /><br /><b>LEGENDA</b><br />"<b>Tenho 40 anos de vida pública</b> 
e ninguém pode apresentar 
qualquer prova contra a minha 
honestidade. Podem falar do 
meu temperamento, mas nunca 
de falta de honestidade. Esse é 
meu trunfo"<br /><i>(ACM, PFL,14/03/2000)</i><br /><br />"Não vou perdoar 
criminosos e quero que a lei 
seja cumprida. Não vou 
permitir que <b>meus 38 anos 
de vida pública</b> sejam 
achincalhados." 
<br /><i>(Jorge Bornhausen, PFL, 28/10/2005)</i><br /><br />"<b>Depois de 40 anos de vida pública</b>, do dia para a noite, fui 
transformado no chefe do "mensalão", em bandido, no maior corrupto desse país"<br /><i>(Zé Dirceu, PT, 01/12/2005)</i><br /><br />"Os recursos que recebi não eram 
"propina", como afirma o jornalista, incorrendo em calúnia. <b>Tenho quase</b> <b>30 
anos de vida pública</b> e jamais esse termo 
foi usado em referência a mim e/ou a minha atuação na política."<br /><i>(João Paulo Cunha, PT, 09/12/2005)</i><br /><br />"<b>Depois de 32 anos 
de vida pública</b>, não tenho 
patrimônio, e o que me acusam é porque a minha mulher usou um vestido que depois doou para uma entidade"<br /><i>(Geraldo Alckmin, PSDB, 20/10/2006)</i><br /><br />"É um parlamentar <b>com mais de 20 
anos de vida pública</b>, marcada pela correção de seus atos 
e o compromisso com a democracia e justiça."<br /><i>(Nota do PSC sobre o parlamentar Mário de Oliveira, acusado de mandar matar o também deputado Carlos Willian, 27/06/2007)</i><br /><br /> "<b>Tenho 30 anos de 
vida pública</b> honesta, não tenho 
nenhum tipo de denúncia."<br /><i>(Carlos Lupi, PDT, 11/03/2008)</i><br /><br />"<b>Tenho 41 anos de vida 
pública</b> sem uma condenação."<br /><i>(Paulo Maluf, PP, 20/06/2008)</i><br /><br /><i>etc. etc. etc.<br /></i><br />Fonte: <a href="http://www.uol.com.br/fsp">Folha de S. Paulo</a><br /> ]]>
        
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    <title>Enciclopédia Ilustrada: Mercado</title>
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    <published>2008-07-17T16:12:23Z</published>
    <updated>2008-07-17T18:11:37Z</updated>

    <summary> Normal 0 21 false false false MicrosoftInternetExplorer4 /* Style Definitions */ table.MsoNormalTable {mso-style-name:&quot;Tabela normal&quot;; mso-tstyle-rowband-size:0; mso-tstyle-colband-size:0; mso-style-noshow:yes; mso-style-parent:&quot;&quot;; mso-padding-alt:0cm 5.4pt 0cm 5.4pt; mso-para-margin:0cm; mso-para-margin-bottom:.0001pt; mso-pagination:widow-orphan; font-size:10.0pt; font-family:&quot;Times New Roman&quot;; mso-ansi-language:#0400; mso-fareast-language:#0400; mso-bidi-language:#0400;} (Inauguro, com este post, a nova seção...</summary>
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<p class="MsoNormal"><i>(Inauguro, com este post, a nova seção deste blog, em
parceria com meu amigo e colega <b>Christiano Balz</b>, desenhista de primeira. A
idéia para esta primeira entrada da Enciclopédia partiu - isto é, foi roubada -
de uma fala de <b>Carlito Azevedo</b>, a quem vai dedicada).</i><br /><br /></p><meta http-equiv="Content-Type" content="text/html; charset=utf-8"><meta name="ProgId" content="Word.Document"><meta name="Generator" content="Microsoft Word 11"><meta name="Originator" content="Microsoft Word 11"><link rel="File-List" href="file:///C:%5CDOCUME%7E1%5Cuser%5CCONFIG%7E1%5CTemp%5Cmsohtml1%5C01%5Cclip_filelist.xml"><o:smarttagtype namespaceuri="urn:schemas-microsoft-com:office:smarttags" name="PersonName"></o:smarttagtype><!--[if gte mso 9]><xml>
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<![endif]--><span class="mt-enclosure mt-enclosure-image" style="display: inline;"><a href="http://www.culturaebarbarie.org/blog/baby-42.html" onclick="window.open('http://www.culturaebarbarie.org/blog/baby-42.html','popup','width=916,height=1276,scrollbars=yes,resizable=yes,toolbar=no,directories=no,location=no,menubar=no,status=no,left=0,top=0'); return false"><img src="http://www.culturaebarbarie.org/blog/assets_c/2008/07/baby-4-thumb-320x445.jpg" alt="baby-4.jpg" class="mt-image-left" style="margin: 0pt 20px 20px 0pt; float: left;" width="320" height="445" /></a></span><p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"><b>Mercado</b>: Bebê gigante que governa
os homens da Terra. Tem variações horríveis de humor, passando de calmo a
nervoso <st1:personname productid="em instantes. Quando" w:st="on">em
 instantes. Quando</st1:personname> seu nervosismo aflora, só é aplacado pela
ação de meia dúzia de engravatados que quebram meia dúzia de países
insignificantes, geralmente de população majoritariamente não branca, situados
no terceiro sub-solo global - o que se costuma chamar de Terceiro Mundo. A
calmaria, por sua vez, traz muitos benefícios para todos os bem-aventurados -
leia-se, as nações cultas e bem desenvolvidas, o Primeiro Mundo. Atualmente, é
objeto de culto de uma nova religião, o neoliberalismo, que tem como Dez
Mandamentos o Consenso de Washington, e como bispo representante no Brasil, o
Príncipe da Moeda, FHC, e a sua ideologia, o Petucanismo. Possui representantes
em todas as áreas, em especial na mídia, que adora divagar sobre as suas
alterações humorais e divulgar as benesses que produz. Mimado que é, quer toda
a atenção para si, e por isso não se importa em se alastrar para todos os
campos humanos, introduzindo seus métodos gerenciais no Estado, na cultura, na
resolução de conflitos sociais, e mesmo no amor. <i style="">O Mercado é a verdadeira democracia, aquela que premia os mais
competentes. Não há vida fora do Mercado.<o:p></o:p></i></p>

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    <title>Drops</title>
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    <published>2008-07-10T21:07:51Z</published>
    <updated>2008-07-10T22:46:17Z</updated>

    <summary>Champagne pelo OrelhudoA prisão do orelhudo Daniel Dantas, além de ser motivo de comemoração, revela uma das diferenças cruciais entre a Era FHC I, do Príncipe da Moeda, e a Era FHC II, do Sapo Barbudo: a atuação republicana da...</summary>
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        <![CDATA[<b>Champagne pelo Orelhudo<br /></b>A prisão do orelhudo Daniel Dantas, além de ser motivo de comemoração, revela uma das diferenças cruciais entre a Era FHC I, do Príncipe da Moeda, e a Era FHC II, do Sapo Barbudo: a atuação republicana da Polícia Federal. Os melhores veículos pra se entender este mafioso que fez fortuna com a privataria são o <a href="http://www.paulohenriqueamorim.com.br/">Conversa Afiada</a> do Paulo Henrique Amorim - que se aliaria ao Diabo para derrotar DD, se estivessem no Inferno -, a <a href="http://www.cartacapital.com.br/">Carta Capital</a>, e a <a href="http://terramagazine.terra.com.br/index.html">Terra Magazine</a>, do Bob Fernandes. A grande mídia está toda nas mãos do Orelhudo, como sempre argumentam os veículos supra-citados e <a href="http://projetobr.com.br/web/blog/5">Luís Nassif</a> - e como se pode ver no <a href="http://www.idelberavelar.com/archives/2008/07/operacao_satiagraha_o_ranking_do_nervosismo.php">delicioso ranking de nervosismo feito pel'O Biscoito Fino</a>.<br /><br /><b>Do Light ao Zero</b><br />O amigo Leonardo D'Ávila, do Quarentena, <a href="http://www.culturaebarbarie.org/quarentena/2008/07/do-light-ao-zero.html">escreveu um excelente post, a partir da nova "Lei Seca" pátria, sobre a passagem da sociedade Light à sociedade Zero</a>. Este clima de assepsia, já visível na ostensividade do anti-tabagismo vigente, não é sem relação com o fascismo (vale a pena ler, neste sentido, <a href="http://www1.folha.uol.com.br/folha/pensata/ult2707u1.shtml">uma coluna antiga de João Pereira Coutinho na Folha Online sobre as "patrulhas higiênicas,</a> escrito a partir da leitura de <i>The Nazi War on Cancer</i> de Robert Proctor).<br /><b><br />Mercado</b><br />Carlito Azevedo esteve aqui em Florianópolis duas semanas atrás. Da sua fala, gostaria de destacar a ótima sacada que teve em relação ao "nervosismo" ou o "bom humor" do Mercado: se uma catástrofe acontecesse extinguindo a humanidade e seres alienígenas viessem parar no Planeta, teriam a impressão, lendo nossos jornais, de que éramos governados por um Bebê gigante e superpoderoso, o "Mercado" que, de acordo com o seu humor, poderia acabar com o mundo. O poeta destacou também que, ao lado desta "humanização" do discurso econômico, há uma "economização" do discurso das relações humanas - "estou investindo nesta relação", por exemplo. O "Mercado" teria, assim, dominado todas as esferas humanas, causando uma despolitização nas discussões de todas as searas - na literária, o reflexo disso seria a idéia de que um bom soneto equivale a um bom poema concreto, pelo critério de "qualidade" -, uma espécie de consenso (que, fazendo uma ponte com a idéia da Sociedade Zero, é violentíssima, asséptica, uma forma de censura). E é contra este consenso que se voltaria a atividade editorial de Carlito: a Inimigo Rumor, que completa 10 anos com o seu vigésimo número, seria justamente isso: um pequeno balbucio, um murmúrio (como toda a poesia) <i>contra o consenso.<br /><br /></i><b>Indicações<br /></b>O amigo Victor da Rosa, no seu Notícias de Três Linhas, publica, além de seus ensaios sempre muito bem escritos, posts maravilhosos e muito engraçados, como o <a href="http://victordarosa.blogspot.com/2008/06/literatura-de-morto.html">Literatura de Morto</a> e <a href="http://victordarosa.blogspot.com/2008/07/trs-aforismos-na-van.html">Três Aforismos na VAN</a>. Vale a pena ler. <br /><br /><a href="http://flanagens.blogspot.com/2008/06/bares-proletrios.html">Bares proletários:</a> que post maravilhoso no Flanagens!<br /><br />Raúl Antelo lançou, no último dia 9, em Buenos AIres, o <i>Crítica Acéfala, </i>pela <a href="http://www.grumos.org/">Grumo</a>. No lançamento, falaram Gonzalo Aguilar e Daniel Link - e o belíssimo texto deste último está reproduzido em <a href="http://linkillo.blogspot.com/2008/07/ral-antelo.html">versão curta</a> e <a href="http://linkillodraftversion.blogspot.com/2008/07/ral-antelo.html">completa</a>.<br /><i>&nbsp;</i><br /> ]]>
        
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    <title>Sobre a inutilidade da literatura (ou, sobre o monopólio da mentira)</title>
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<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;" align="right"><font style="font-size: 0.8em;"><i style=""><span style="" lang="EN-US">"Who he was who first,
without ever having gone out to the rude chase, told the wandering cavemen at
sunset how he had dragged the Megatherium from the purple darkness of its
jasper cave, or slain the Mammoth in single&nbsp; combat and brought back its
gilded tusks, we cannot tell, and not one of our modern anthropologists, for
all their much-boasted science, has had the ordinary courage to tell us. Whatever
was his name or race, he certainly was the true founder of social intercourse."<o:p></o:p></span></i></font></p>

<p class="MsoNormal"><font style="font-size: 0.8em;">(<span style="" lang="EN-US">Oscar
Wilde, <a href="ftp://ftp.ucc.ie/pub/celt/texts/E800003.009.sgml">The Decay of Lying</a>)</span></font></p><p class="MsoNormal"><br /></p><p class="MsoNormal"><meta http-equiv="Content-Type" content="text/html; charset=utf-8"><meta name="ProgId" content="Word.Document"><meta name="Generator" content="Microsoft Word 11"><meta name="Originator" content="Microsoft Word 11"><link rel="File-List" href="file:///C:%5CDOCUME%7E1%5Cuser%5CCONFIG%7E1%5CTemp%5Cmsohtml1%5C01%5Cclip_filelist.xml"><!--[if gte mso 9]><xml>
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</p><p class="MsoNormal" style="text-align: justify;">A recente operação de libertação
de Ingrid Betancourt (ou, ao menos, a versão oficial dela: militares se
infiltraram por um bom tempo entre as FARC e, aproveitando-se da acefalia e
falta de informação derivada da morte e prisão dos líderes - cabeças - da organização,
iludiram os guerrilheiros, dizendo estarem transferindo os reféns) é mais uma
prova do erro que há na idéia de considerar a literatura (em sentido amplo) inútil
- tese defendida não só por obreiristas de esquerda e direita, mas igualmente
por letrados da mais alta categoria. Ou melhor, uma prova dos efeitos
perniciosos que gera a inutilidade da literatura, entendida esta restritamente como
um campo autônomo - romances, contos, poesia, crônica, movimentos, em suma, o
que se aprende na escola sob a embalagem da disciplina "Literatura" (os "Clássicos",
o que se ensina nas classes). Se aceitamos como base comum da arte (fazendo uso
de uma definição grosseira, mas muito aproximada) a ficção, isto é, o (auto-)fingimento,
a (auto-) fabulação, o (auto-)mascaramento (daí a <i style="">Autopsicografia</i> muito conhecida de Pessoa: "O poeta é um
fingidor..."), teremos como conseqüência que ela não se limita aos campos
estritamente artísticos, mas dominam todas as esferas da vida cotidiana, a começar
pela política. Isto fica mais evidente na "sociedade do espetáculo" e na importância
que adquiriram os marketeiros nas campanhas eleitorais, mas é tão antigo quanto
a <i style="">polis </i>grega. Hannah Arendt, ao
comentar o "espanto" que se abateu sobre a sociedade norte-americana indignada
com as mentiras de seus dirigentes após a revelação dos "Pentagon Papers" (um
relatório-calhamaço que demonstrava que o serviço de inteligência estava bem
consciente do que se passava no Vietnã - ou seja, de que a vitória lá não só
era quase impossível, mas mesmo sem necessidade econômica ou estratégica), faz
questão de sublinhar, antes de mais nada, que o "uso da falsidade deliberada e da
mentira definitiva como meios legítimos para alcançar fins políticos estiveram
conosco desde o começo da história documentada": "Uma característica da ação
humana é que ela sempre inicia algo novo, e isto não significa que se pode começar
<i style="">ab ovo</i>, que se possa criar <i style="">ex nihilo</i>. Para abrir caminho para a ação,
algo que estava ali antes deve ser removido ou modificado. Uma tal mudança
seria impossível se não pudéssemos mentalmente nos remover de onde fisicamente
estamos localizados e <i style="">imaginar </i>que as
coisas possam também ser diferente do que elas de fato são. Em outras palavras,
a negação deliberada da verdade factual - a habilidade de mentir - e a
capacidade de mudar os fatos - a habilidade de agir - estão interconectados;
eles devem sua existência à mesma fonte: a imaginação". A grande contribuição
da análise da política grega por Arendt se centra neste ponto - para ela, a <i style="">polis </i>grega é uma espécie de espetáculo
público (que teria, na modernidade, se privatizado), regido pelo direito de ver
e ser visto pelos iguais (o Panóptico, por sua vez, cinde desigualmente esta
reciprocidade: permite ver sem ser visto, no caso dos vigias, e obriga os disciplinados
a serem vistos sem ter direito a ver quem os olha) (Maria Rita Kehl escreve sobre o assunto na coletânea - a quatro mãos com Eugênio Bucci -
<a href="http://www.boitempo.com/livro_completo.php?isbn=85-7559-055-3">Videologias</a>). Não interessa tanto que se possa chegar a um acordo dialógico
(como a leitura habermasiana consensualista tão em voga hoje acredita) através
da fala, mas que esta se constitua enquanto agir no ato mesmo de sua manifestação
- ou seja, a fala é antes performance do que comunicação: "falar era
compreendido <i style="">a priori</i> como uma
espécie de agir. É verdade que o homem não pode proteger-se contra os golpes do
destino, contra os golpes dos deuses, mas pode opor-se a eles e retrucar-lhes
no falar e, se bem que esse retrucar não adianta nada, não mude a infelicidade
nem atraia a felicidade, essas palavras pertencem ao acontecer como tal". É
neste contexto que podemos propor ainda outra interpretação sobre o ato de
censura arquétipo para o Ocidente que é o banimento dos poetas da <i style="">República </i>de Platão (há uma t<a href="http://www.gutenberg.org/etext/1497">radução para o inglês disponível no Projeto Gutenberg</a>). Se, por um lado, no
livro X, sob o argumento da efeminização que provoca a poesia, por esta se
limitar a um ponto de vista (o que pode ser remediado pelo cálculo, isto é, por
uma perspectiva asséptica - cisão que dura até hoje na prática acadêmica), ela
não deve ser admitida, a não ser na forma de hinos aos deuses e louvores aos
homens famosos, no livro III fica mais claro o que está em jogo: a poesia se
baseia na mentira e esta é um <i style="">pharmakon</i>,
uma droga (veneno-remédio) que, como tal, não deve ficar à disposição dos indivíduos
privados, mas sim dos governantes que, no trato com os inimigos, ou mesmo com
os cidadãos, podem mentir para o bem público. Carlos Astrada identificou aí a
invenção da "mentira patriótica" (<a href="http://www.abanico.org.ar/2007/10/astrada.meta.html">link para o artigo no original em espanhol</a>) - eu iria mais longe e diria que estamos
diante da invenção do monopólio da mentira. É o poder político que reside na
ficção - negar a realidade, imaginar outra - que está sendo seqüestrado pelo "Estado"
platônico. Que hoje o "capital-parlamentarismo" (expressão de Badiou) detenha,
nas palavras de Guy Debord, o "monopólio da aparência" é uma mera conseqüência deste
gesto inaugural. Por outro lado, que as FARC tenham nascido com um intuito
revolucionário, isto é, ficcional, e sejam enganadas por um truque barato, prova
a sua degeneração, a redução de seus integrantes a uma milícia incapaz de
literatura, adepta por demais da hierarquia, sem capacidade de identificar a
mentira (afinal, eles a deixaram ser monopilizadas pelos seus chefes). A
literatura, a ficção não é inútil. Nunca foi. Ela é, sempre, <i style="">a priori</i>, política, independente de seu
conteúdo (não se trata aqui de arte engajada ou não). Inútil é achar que só é
literatura o que se ensina nas disciplinas com este nome. Inútil é achar que
uma literatura em sentido estrito, inutilizada em seu isolamento, possa
contrapor qualquer coisa. Tal isolamento inútil coaduna com o monopólio da
mentira pelo Estado (ou pelo Capital): acostumados a vê-la em um canto específico
da biblioteca, somos incapazes de ver como ela governa o mundo.</p>

<br /><span style="" lang="EN-US"><o:p></o:p></span>

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    <title>Todo dia é um Bloomsday (Resenha)</title>
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    <published>2008-06-16T21:32:53Z</published>
    <updated>2008-06-16T22:20:56Z</updated>

    <summary>Teoría del BloomTiqqunTradução para o espanhol: Mónica Silvia NasiEditora: Melusina[sic] Ano: 2005 [2000] &quot;El Bloom es la Nada enmascarada, razón por la cual sería absurdo celebrar su aparición en la historia como el nacimiento de un tipo humano particular; el...</summary>
    <author>
        <name>Alexandre Nodari</name>
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    </author>
    
        <category term="Resenhas" scheme="http://www.sixapart.com/ns/types#category" />
    
    
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        <![CDATA[<img alt="10.gif" src="http://www.culturaebarbarie.org/blog/10.bmp" class="mt-image-left" style="margin: 0pt 20px 20px 0pt; float: left;" height="267" width="150" /><strong>Teoría del Bloom<br /></strong>Tiqqun<p>Tradução para o espanhol: Mónica Silvia Nasi<br />Editora: <a href="http://www.melusina.com/"><font color="#ffffff">Melusina[sic]</font></a> <br />Ano: 2005 [2000]<br /></p>

<p><br />"<i>El Bloom es la Nada enmascarada, </i>razón por la cual sería absurdo celebrar su aparición en la historia como el nacimiento de un tipo humano particular; el hombre sin atributos <i>no es</i> un determinado atributo de hombre, sino por el contrario <i>el hombre en cuanto hombre,</i> la realización final de la esencia humana genérica, que es precisamente privación de esencia, pura exposición y pura disponibilidad: <i>larva</i>".<br /><br /><font style="font-size: 0.8em;"><br />(Os números entre parêntesis abaixo se referem&nbsp;à página do livro resenhado)</font><br /></p><p class="MsoNormal" style="text-align: justify;">Hoje, 16 de junho, se comemora o
Bloomsday (<a href="http://www.centopeia.net/eventos/index.php">aqui em Florianópolis, organizado por Sérgio Medeiros, Dirce Waltrick Amarante e
Victor da Rosa</a>). Para o <i style="">Tiqqun </i>("órgão
consciente do Partido Imaginário", ou ainda, "<i style="">meio</i>, um meio para constituir energicamente uma <i style="">posição </i>(...) anonimamente. Pois o
próprio de qualquer oposição verdadeira é o anonimato" (136)), não haveria
exatamente UM bloomsday, pois todos os dias seriam dias do(s) Bloom(s). <span style="" lang="ES-AR">Segundo Giorgio Agamben, com o termo
Bloom, o <i style="">Tiqqun </i>nomeia <i style="">"</i><em><span style="font-style: normal;">a los nuevos sujetos anónimos, a singularidades
cualquiera, vacías, dispuestas a todo, que pueden difundirse por todos lados
pero permanecen inasibles, sin identidad pero reidentificables en cada momento.
El problema que se plantean es: '¿Cómo transformar el Bloom? ¿Cómo operará el
Bloom el salto más allá de sí mismo?'". </span></em>O<em><span style="font-style: normal;"> Bloom seria, por tanto,
aquilo </span>que resta</em><em><span style="font-style: normal;"> da dissolução das noções de identidade, comunidade, sujeito,
propriedade, qualidade, experiência: "</span>el hombre sin raíces, </em><em><span style="font-style: normal;">el hombre que se siente en
el exilio como en casa, que se ha arraigado en la ausencia de lugar, y para
quien el desaraigo ya no evoca el destierro, sino, por el contrario, la
normalidad" (45). </span></em></span><em><span style="font-style: normal;">Mas não se trata de lamentar esta condição, ou
melhor, este Stimmung da ausência de Stimmung, tonalidade afetiva da ausência
de tonalidades afetivas, forma-de-vida da ausência das formas de vida, mas de
ver que o Bloom, enquanto abertura de possibilidades, "lleva en sí la ruina de
la sociedad mercantilista. </span></em><em><span style="font-style: normal;" lang="ES-AR">Descubrimos en él esse
carácter ambivalente, ese sello que llevan todas las realidades a tráves de las
cuales se manifiesta </span></em><em><span style="" lang="ES-AR">la superación de la sociedad mercantilista en su propio terreno</span></em><em><span style="font-style: normal;" lang="ES-AR">" (93). </span></em><em><span style="font-style: normal;">Ou seja, mais do que lamentar a identidade perdida do sujeito, o </span>Tiqqun,
</em><em><span style="font-style: normal;">com sua </span>Teoria
do Bloom </em><em><span style="font-style: normal;">("La
teoría no es del pensamiento, cierta cantidad coagulada, manufacturada, de
pensamiento. </span></em><em><span style="font-style: normal;" lang="ES-AR">La teoria es un </span></em><em><span style="" lang="ES-AR">estado</span></em><em><span style="font-style: normal;" lang="ES-AR">, un estado de </span></em><em><span style="" lang="ES-AR">estupefación. </span></em><em><span style="font-style: normal;" lang="ES-AR">Teoría </span></em><em><span style="" lang="ES-AR">del </span></em><em><span style="font-style: normal;" lang="ES-AR">Bloom donde el Bloom no es el objeto de la teoría [,] donde la teoría
no es sino la actividad más familiar, la tendencia </span></em><em><span style="" lang="ES-AR">espontánea</span></em><em><span style="font-style: normal;" lang="ES-AR"> de una criatura esencialmente </span></em><em><span style="" lang="ES-AR">teórica</span></em><em><span style="font-style: normal;" lang="ES-AR">,
de un Bloom. La teoría NO TIENE FIN. De ahí, la necesidad de PONERLE FIN, </span></em><em><b style=""><span style="" lang="ES-AR">decididamente</span></b></em><em><span style="font-style: normal;" lang="ES-AR">" (126-127)), pretende </span></em><em><span style="" lang="ES-AR">fazer uso </span></em><em><span style="font-style: normal;" lang="ES-AR">desta condição: "Romper con la antigua angustia del 'quién soy
realmente?', en beneficio del conocimiento de mi situación y de su </span></em><em><span style="" lang="ES-AR">uso</span></em><em><span style="font-style: normal;" lang="ES-AR">
posible": "No luchar contra el estado esquizoide dominante, contra </span></em><em><span style="" lang="ES-AR">nuestro </span></em><em><span style="font-style: normal;" lang="ES-AR">estado esquizoide, sino </span></em><em><span style="" lang="ES-AR">partir de ahí, </span></em><em><span style="font-style: normal;" lang="ES-AR">usarlo como pura facultad de subjetivación y de desobjetivación, como
aptitud para la experimentación" (128). O grande problema, porém, são os modos
pelos quais o Biopoder e o Espetáculo, conjugados na "forma contemporánea de la
dominación (...), esencialmente </span></em><em><span style="" lang="ES-AR">productiva</span></em><em><span style="font-style: normal;" lang="ES-AR">"
("Por una parte, rige todas las </span></em><em><span style="" lang="ES-AR">manifestaciones </span></em><em><span style="font-style: normal;" lang="ES-AR">de nuestra existencia (el Espectáculo); por otra, administra las </span></em><em><span style="" lang="ES-AR">condiciones </span></em><em><span style="font-style: normal;" lang="ES-AR">de ésta (el Biopoder))" (29), conseguem deter a potência
histórico-genérica do Bloom. Um destes dispostivos de captura é a Metrópole
("Nunca se había visto reunido semejante número de hombres, pero tampoco
estuvieron nunca hasta tal punto separados" (48) - sobre o assunto, conferir a
<a href="http://flanagens.blogspot.com/2008/05/metropolis.html">aula magna de Agamben</a>, traduzida pelo amigo Vinícius Honesko, no <a href="http://flanagens.blogspot.com/">Flanagens</a>);
outro é a Mobilização Total, a exceção permanente: "La primera de estas
contradicciones [produzidas pela Mobilização Total] se debe a que su desarrollo
exige, en un mismo movimiento, la producción de posibilidades cada vez más
amplias y la prohibición general de su actualización. La dominación
mercantilista debe pues producir, al mismo tiempo que una sobreabundancia de
medios, la sobreabundancia de </span></em><em><span style="" lang="ES-AR">terror </span></em><em><span style="font-style: normal;" lang="ES-AR">necesaria
para que nadie se sirva de ellos. El Bloom es el hombre de este terror, quien
lo infunde y quien lo sufre: el </span></em><em><span style="" lang="ES-AR">co-laborador</span></em><em><span style="font-style: normal;" lang="ES-AR">"
(64-65). Ou seja, ao contrário dos discursos de senso comum que insistem na </span></em><em><span style="" lang="ES-AR">imediaticidade</span></em><em><span style="font-style: normal;" lang="ES-AR"> da mídia, o espetáculo é a produção constante de mediações, que
inviabilizam o acesso àquilo que prometem: "Cada desarrollo de la sociedad
mercantilista exige la destrucción de cierta forma de inmediatez, la separación
lucrativa en una </span></em><em><span style="" lang="ES-AR">relación</span></em><em><span style="font-style: normal;" lang="ES-AR"> de aquello que estaba unido. Es
esta escisión lo que la mercancía viene luego a investir, lo que mediatiza y de
lo que saca provecho" (42). O resultado só pode ser uma galvanização da
identidade, em que afirmação e guetificação, cultura e mercado se confundem:
"El febril entusiasmo por la producción industrial de </span></em><em><span style="" lang="ES-AR">kits</span></em><em><span style="font-style: normal;" lang="ES-AR"> de personalidad, identidades desechables y demás naturalezas
histéricas parece ineluctable. En lugar de considerar su vacío central, los
hombres, en su mayoría, retroceden ante el vértigo de una ausencia total de </span></em><em><span style="" lang="ES-AR">propiedad, </span></em><em><span style="font-style: normal;" lang="ES-AR">de una indeterminación radical y, por consiguiente, en el fondo
retroceden también ante la sima de su libertad. Prefieren incluso sepultarse en
la mala substancialidad, hacia donde, ciertamente, todo los empuja. Podemos
prever cómo descubrirán, en el recodo de una depresión larvada de forma
desigual, tal o cual raíz enterrada, tal o cual pertenencia espontánea, tal o
cual incombustible atributo. Francés, marginal, mujer, artista, homosexual,
bretón, ciudadano, bombero, musulmán, budista o parado; todo sirve si les
permite berrear de un modo u otro, parpadeando hacia el infinito, el milagroso
'YO SOY...'" (66-67). Diante disto, a tarefa política consistiria em desativar
estes dispositivos de captura do nada que é o Bloom, ou seja, o comunismo,
entendido como "una disposición a dejarse afectar, en contacto con otros seres,
por lo que nos es común. Una disposición </span></em><em><span style="" lang="ES-AR">a compartir lo común" </span></em><em><span style="font-style: normal;" lang="ES-AR">(133). Dar a ver o </span></em><em><span style="" lang="ES-AR">comum</span></em><em><span style="font-style: normal;" lang="ES-AR">, produzir o </span></em><em><span style="" lang="ES-AR">comum, </span></em><em><span style="font-style: normal;" lang="ES-AR">a abertura genérica (o cancelamento das determinações, i.e., a
possibilidade de fazer história) que caracteriza o homem: </span></em><em><span style="" lang="ES-AR">assumir o Bloom</span></em><em><span style="font-style: normal;" lang="ES-AR">: "Último hombre, hombre de la calle, hombre de la multitud, hombre de
las masas, hombre-masa, así es como en un principio UNO<span style="">&nbsp; </span>nos había presentado al Bloom: como el triste
producto del tiempo de las multitudes, como el hijo catastrófico de la era
industrial y del fin de todos los hechizos. Pero entre esas designaciones,
también hallamos ese estremecimiento. UNO se estremece ante el </span></em><em><span style="" lang="ES-AR">infinito misterio del hombre común. </span></em><em><span style="font-style: normal;" lang="ES-AR">Cada cual presiente que tras el teatro de sus atributos se esconde </span></em><em><span style="" lang="ES-AR">una potencia pura</span></em><em><span style="font-style: normal;" lang="ES-AR">; una potencia pura que </span></em><em><span style="" lang="ES-AR">supuestamente </span></em><em><span style="font-style: normal;" lang="ES-AR">todos
hemos ignorado. Queda la inevitable inquietud que creemos apaciguar
exigiéndonos unos a otros la rigurosa ausencia de sí, ignorando esta potencia </span></em><em><span style="" lang="ES-AR">común </span></em><em><span style="font-style: normal;" lang="ES-AR">que, por ser anónima, se ha vuelto incalificable. El Bloom es el nombre
de ese anonimato" (12-13). </span></em><em><span style="font-style: normal;">O comunismo não é uma reorganização da produção,
mas a desativação de toda produção, a conversão do mundo em uma festa, ou
melhor, a conversão de todo dia <st1:PersonName productid="em um Bloomsday." w:st="on">em um Bloomsday - onde todo homem é Bartleby e, como Macunaíma, irreparavelmente "sem nenhum caráter".</st1:PersonName> <o:p></o:p></span></em></p>

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<entry>
    <title>Dicionário de Bolso: Bloom</title>
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    <published>2008-06-16T17:41:29Z</published>
    <updated>2008-06-16T21:43:20Z</updated>

    <summary><![CDATA[ "Bloom: [blum] n.m. - v. 1914; origen desconocido, acaso del ruso&nbsp;Oblomov, del alemán Anna Blume, o del inglés Ulises - 1) Stimmung final de una civilización inmovilizada en su propio lecho, que sólo consigue distraerse de su naufragio mediante...]]></summary>
    <author>
        <name>Alexandre Nodari</name>
        <uri>http://www.culturaebarbarie.org/blog</uri>
    </author>
    
        <category term="Dicionário de Bolso" scheme="http://www.sixapart.com/ns/types#category" />
    
    
    <content type="html" xml:lang="pt" xml:base="http://www.culturaebarbarie.org/blog/">
        <![CDATA[

<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"><span style="" lang="ES-AR">"<b>Bloom: </b>[blum] n.m. - v. 1914;
origen desconocido, acaso del ruso&nbsp;<i style="">Oblomov</i>,
del alemán <i style="">Anna Blume</i>, o del inglés <i style="">Ulises </i>- 1) Stimmung final de una
civilización inmovilizada en su propio lecho, que sólo consigue distraerse de
su naufragio mediante la alternancia de frases cortas de histeria tecnófila y
largas playas de astenia contemplativa. <i style="">Era
como si la masa exsangüe de asalariados viviera en el Bloom. '¡Muerte al Bloom!'
</i>(J. Frey); 2) Fig. Forma de vida crepuscular, vacante que, por lo general,
afecta a los humanos en el mundo de la mercancía autoritaria </span><span style="font-family: Wingdings;" lang="ES-AR"><span style="">à</span></span><span style="" lang="ES-AR"> <i style="">bloomesco,
bloomitud, bloomificación</i>; 3) por ext. Sentimiento de ser póstumo. <i style="">Sentir el bloom; </i>4) Acta de defunción de
la política clásica; 5) Acta de nacimiento de la política extática;<span style="">&nbsp; </span>6) Hist. Aquello cuya asunción determinó la
formación de los distintos focos del Comité Invisible, conjura anónima que,
mediante sabotajes y levantamientos, acabó liquidando la dominación mercantil
en el primer cuarto del siglo XXI. 'Cuando pasa el tren, los espectadores se
quedan petrificados.' (K.)"<o:p></o:p></span></p>



<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"><i style="">Tiqqun (órgão consciente do Partido Imaginário</i>), <a href="http://www.melusina.com/autor.php?idg=4921">Teoría del Bloom</a>
(tradução ao espanhol por Mónica Silvia Nasi - Editora Melusina[sic], 2005). </p>

 ]]>
        
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    <title>Frases Feitas (VII): &quot;Soberania&quot;</title>
    <link rel="alternate" type="text/html" href="http://www.culturaebarbarie.org/blog/2008/06/frases-feitas-vii-soberania.html" />
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    <published>2008-06-04T04:20:05Z</published>
    <updated>2008-06-04T04:27:54Z</updated>

    <summary>&quot;O risco da soberania é com áreas que podem ser separadas do território brasileiro. ONGs internacionais e grupos indígenas podem solicitar essa divisão política. Pode ser a mesma situação que ocorreu no Kosovo. É uma preocupação de todos.&quot;(General Márcio Matheus...</summary>
    <author>
        <name>Alexandre Nodari</name>
        <uri>http://www.culturaebarbarie.org/blog</uri>
    </author>
    
        <category term="Frases Feitas" scheme="http://www.sixapart.com/ns/types#category" />
    
    
    <content type="html" xml:lang="pt" xml:base="http://www.culturaebarbarie.org/blog/">
        <![CDATA["O risco da soberania é com áreas que podem ser separadas do território
brasileiro. ONGs internacionais e grupos indígenas podem solicitar essa
divisão política. Pode ser a mesma situação que ocorreu no Kosovo. É
uma preocupação de todos."<br /><i>(General Márcio Matheus Madureira, chefe do Estado Maior do Comando Militar do Leste, em referência a reserva indígena Raposa/Serra do Sol, 16 de abril de 2008 - <a href="http://oglobo.globo.com/pais/mat/2008/04/16/general_diz_que_politica_indigenista_do_governo_um_caos_alerta_para_risco_soberania-426883967.asp">Fonte: O Globo Online</a>)</i><br /><br /><b>LEGENDA</b><br />"Os direitos deles precedem 
os nossos. Nós reconhecemos 
isso ao dar aos índios direitos 
históricos sobre as terras que 
ocupam. Essa discussão é inteiramente viciada por uma mistura de interesses, que estão se 
fundindo na imaginação e na 
mídia, dos grandes produtores 
de arroz, cana e soja, que não 
têm em mente a pátria como 
questão. Entre os patriotas 
profissionais e os empresários, 
cujo única religião é o dinheiro, 
está havendo uma estranha 
convergência de opiniões, que 
só pode estar baseada num 
equívoco e na ingenuidade, que 
eu não diria recíproca."<br />(<i>Eduardo Viveiros de Castro, antropólogo, em entrevista a Folha de S. Paulo, 01 de junho de 2008 - <a href="http://www1.folha.uol.com.br/fsp/brasil/fc0106200811.htm">Link (só para assinantes)</a>,onde também diz, a respeito da agressão sofrida por um engenheiro da Eletrobrás pelos índios: "</i>Talvez 
o que redima os índios, e o que 
os tem mantido vivos até hoje, 
seja o fato de não estarem excessivamente acostumados à 
humildade e à obediência e que 
ainda conseguem reagir"<i>)</i><br /> ]]>
        
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    <title>Excesso, exceção, censura</title>
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    <published>2008-06-04T01:41:58Z</published>
    <updated>2008-06-04T22:42:13Z</updated>

    <summary><![CDATA[ Este blog tem como seu propósito principal buscar, na forma de um&nbsp;work-in-progress discutido e debatido, um conceito de censura que não se limite à "mera" proibição ou restrição, uma idéia de censura, para dizê-lo em poucas palavras, intimamente ligada...]]></summary>
    <author>
        <name>Alexandre Nodari</name>
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        <category term="Intervenções" scheme="http://www.sixapart.com/ns/types#category" />
    
    
    <content type="html" xml:lang="pt" xml:base="http://www.culturaebarbarie.org/blog/">
        <![CDATA[

<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;">Este blog tem como seu propósito
principal buscar, na forma de um&nbsp;<i style="">work-in-progress</i>
discutido e debatido, um conceito de censura que não se limite à "mera" proibição
ou restrição, uma idéia de censura, para dizê-lo em poucas palavras,
intimamente ligada ao consenso. Acredito, porém, que esta reconceituação - e recontextualização
- da censura como prática que visa o consenso, também permite ler melhor as
proibições, a censura em sentido estrito. Por isso, me aventuro a falar duas ou
três coisas sobre a recente proibição, pelo Judiciário, da exibição, em blogs,
de <i style="">banners</i> em apoio a candidatura de
Fernando Gabeira à prefeitura do Rio de Janeiro (por exemplo, o de <a href="http://pedrodoria.com.br/2008/05/29/o-weblog-foi-censurado-pela-justica/">Pedro Dória</a>). Mas ao invés de uma análise
pontual do caso (afinal, já estava tudo ali há <a href="http://www.idelberavelar.com/archives/2008/03/judiciario_brasileiro_inventa_a_campanha_eleitoral_sem_internet.php">dois meses atrás</a>, como bem
previu Idelber Avelar, anti-apocalíptico declarado, mas nada ingênuo), prefiro
inseri-lo numa série maior de censuras vindas do Judiciário - o <a href="http://www.idelberavelar.com/archives/2007/05/a_fogueira_de_livros_do_rei_roberto_1.php">caso Roberto
Carlos/Paulo César Araújo</a>, a <a href="http://www.midiaindependente.org/pt/red/2008/02/411063.shtml">proibição de uma ala e de um carro alegórico da
Viradouro</a> esse ano (mas também o caso do banner Xô Sarney!, o caso do vídeo da
Cicarelli, etc) -, série esta que está longe de terminar; antes, tem tudo para
crescer exponencialmente. Por que? </p>



<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;">Creio ser essencial entender o
cenário jurídico em que estas decisões se situam. Como tem pesquisado com muita
propriedade o amigo <a href="http://www.culturaebarbarie.org/quarentena">Leonardo D'Ávila</a> (uma pequeníssima amostra do seu argumento
pode ser encontrada <a href="http://www.idelberavelar.com/archives/2008/05/decisao_sobre_porte_de_drogas_pode_criar_importante_precedente_juridico.php#c28118">em comentário a um post d'O biscoito fino e a massa</a>),
vivemos um estado de inflação normativa, cuja contrapartida é a ausência de
qualquer parâmetro decisório. <i style="">Excesso </i>de
regras: para dar conta da "aceleração do tempo", da demanda criada por novas
situações "supostamente" não-reguladas (e a rede é um caso paradigmático neste
sentido), da complexificação da vida, etc, proliferam-se regras jurídicas de
todos os níveis, mas como o processo legislativo em sentido estrito - a criação
de leis pelo Legislativo - é, naturalmente, lenta (independentemente da vontade
dos legisladores), geralmente a resposta vem em regulamentos, instruções,
resoluções, portarias (uma inflação de regras que ultrapassa qualquer cenário kafkiano),
etc., em suma, em uma série de normas jurídicas que não são propriamente leis,
mas que são aplicadas como se tivessem força de lei. <i style="">Exceção </i>decisória: o recurso, pelo Judiciário, aos princípios, a um
nível supra-legal <span style="">&nbsp;</span>(as decisões dos casos
da Cicarelli, Roberto Carlos/Paulo César Araújo, e Viradouro se inserem aqui), ou
à regulação infralegal (o caso mais recente dos blogs/Gabeira - devemos lembrar
que o TSE criou a resolução que a própria Justiça Eleitoral aplicou; Código
Eleitoral, i.e, lei pra quê?) se dá justamente porque o cenário de inflação
normativa arruína o parâmetro de legalidade, arruína a lei, em sentido estrito,
como parâmetro, como um marco ao redor do qual uma estabilidade, uma
normalidade podem ser estabelecidos (não é o caso aqui de sublinhar que mesmo a
lei não é um parâmetro tão estável, na medida em que toda decisão judicial,
mesmo enquanto aplicação de uma norma a uma situação, implica discricionariedade
ou mesmo arbitrariedade, em suma, de ficção - senão poderíamos facilmente
substituir nossos juízes por máquinas e abdicar do processo legal -; em todo
caso, a lei é um ponto muito mais fixo em torno do qual discutir as decisões
judiciais do que a nuvem de gafanhotos em que se converteu a nossa normatividade
atual). Na ausência (ou melhor, na "suposta" ausência) da lei, as decisões
judiciais, cada vez mais, se sustentam em níveis infra ou supra legais, ou
seja, decidem sobre situações não <i style="">normais</i>,
mas excepcionais, utilizando não leis, mas normas que aplicam como se tivessem
força de lei. <i style="">Poder de polícia: </i>é
aqui que entra a proliferação de decisões censoras. Como o parâmetro de
legalidade está arruinado, como a lei que, no fundo, não passa de um limite,
isto é, demarca o que é proibido e o que é permitido, não está disponível, a
decisão sobre o que pode e o que não pode recai cada vez mais nas mãos dos juízes
que - desculpem a repetição, mas não custa enfatizar - não tendo o instrumento
legal em que se apoiar, atuam como censores, isto é, decidem caso a caso o que
pode e o que não pode. Devemos lembrar que a censura sempre se prolifera em
situações de exceção - não só nas ditaduras, mas nas emergências fabricadas,
como o McCartismo que acabou com o comunismo norte-americano -, onde a lei é
suspensa e vige somente uma força de lei sem lei (e o estado de inflação
normativo que atravessamos gera esta situação de exceção). É preciso que o
princípio de que ninguém pode alegar/invocar o desconhecimento da lei faça
algum sentido (o que hoje não faz) para que a censura não se espraie. Na exceção,
a política (a lei) se converte em polícia (força de lei). Quanto ao poder de
polícia: 1) como descreveu Walter Benjamin, a polícia se caracteriza não só por
impor uma ordem, como por criar uma ordem para uma situação não prevista; 2) não
devemos confundir polícia com a instituição uniformizada: por muito tempo, a ciência
da administração pública era conhecida como "polícia", e até hoje, no direito
administrativo se fala em poder de polícia: de fiscalização, de registro de
atos, de discricionariedade, de aplicação de sanções, e de autocoercibilidade, ou seja, de aplicar a
norma ou de criar uma norma para uma nova situação; 3) devemos lembrar que o
censor, na Roma Antiga, é um cargo cujas funções são justamente estas (fiscalizar,
registrar, contabilizar, zelar, proibir - e daí a nada ambígua relação entre
censo (registro) e censura (proibição)), ou seja, ele encarna o poder policial.
Na exceção, os juízes não decidem tendo como base uma lei que pode ser discutida e é
conhecida por todas; na exceção o juiz é um policial, é um censor. <span style=""><br /></span></p><p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"><span style="">P.S.: O que quero sublinhar é que não acredito que seja útil discutir ISOLADAMENTE o caso de censura aos blogueiros apoiadores de Gabeira - resolve-se o problema aqui, ele emergirá acolá. Seria preciso repensar um marco de legalidade, resolver o problema da inflação normativa, etc. Pessoalmente, porém, não acredito que seja possível um "retorno" à legalidade. <br /></span></p><p class="MsoNormal" style="text-align: justify;">P.S.2: Devo a associação entre poder de polícia e censura a uma conversa que tive com Lyn Jackson Tatt, numa dessas maravilhosas experiências transoceânicas que a rede e o acaso&nbsp; conjugados podem proporcionar.<br /><br />P.S.3: Para uma descrição do poder de polícia tal como entedido pela ditadura instaurada em 1964, vale a pena ler o texto de Hely Lopes Meirelles: <a href="http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/revista/Rev_40/panteao.htm">Poder de polícia e segurança nacional</a>, conferência pronunciada na Escola Superior de Guerra em 1972. Não por acaso, ele continua sendo um dos autores mais citados no Direito Administrativo. <br /><span style=""> </span><span style=""> </span><i style=""><o:p></o:p></i></p>

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    <title>Dicionário de Bolso: Ação comunicativa</title>
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    <id>tag:www.culturaebarbarie.org,2008:/blog//2.34</id>

    <published>2008-06-01T18:25:04Z</published>
    <updated>2008-06-01T18:31:00Z</updated>

    <summary>&quot;1) Tômbola no Itamaraty; 2) tem produzido excelentes resultados na elevação do nível de interlocução e projeção da imagem externa do país; 3) gera consenso por compreensão mútua e reeleição; 4) faltou na Bósnia; 5) tem sobrado no Órgão de...</summary>
    <author>
        <name>Alexandre Nodari</name>
        <uri>http://www.culturaebarbarie.org/blog</uri>
    </author>
    
        <category term="Dicionário de Bolso" scheme="http://www.sixapart.com/ns/types#category" />
    
    
    <content type="html" xml:lang="pt" xml:base="http://www.culturaebarbarie.org/blog/">
        <![CDATA["1) Tômbola no Itamaraty; 2) tem produzido excelentes resultados na elevação do nível de interlocução e projeção da imagem externa do país; 3) gera consenso por compreensão mútua e reeleição; 4) faltou na Bósnia; 5) tem sobrado no Órgão de Solução de Controvérsias do Rotary Club Norte de Genebra"<br /><br /><i>Paulo Arantes, </i>Diccionario de bolso do Almanaque Philosophico Zero à Esquerda, <i>1997</i><br /> ]]>
        
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    <title>Bem vindos ao deserto do &quot;petucanismo&quot;</title>
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    <published>2008-06-01T00:31:44Z</published>
    <updated>2008-06-01T01:36:06Z</updated>

    <summary> &quot;Todos nós sabíamos que enterrávamos o nosso herói, o mais capaz de nós. (...) Todos sofríamos de saber que morria exatamente aquele que podia fazer mais, que podia criar mais. (...) Um Glauber. (...) É alguém que como artista...</summary>
    <author>
        <name>Alexandre Nodari</name>
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    </author>
    
        <category term="Intervenções" scheme="http://www.sixapart.com/ns/types#category" />
    
    
    <content type="html" xml:lang="pt" xml:base="http://www.culturaebarbarie.org/blog/">
        <![CDATA[<span class="mt-enclosure mt-enclosure-image" style="display: inline;"><img alt="glauber.gif" src="http://www.culturaebarbarie.org/blog/glauber.gif" class="mt-image-left" style="margin: 0pt 20px 20px 0pt; float: left;" height="190" width="250" /></span> 

<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"><i>"Todos nós sabíamos que enterrávamos o nosso herói, o mais capaz de nós. (...) Todos sofríamos de saber que morria exatamente aquele que podia fazer mais, que podia criar mais. (...) Um Glauber. (...) É alguém que como artista é capaz de exprimir o seu povo, é capaz de dar expressão não só à dor de viver, mas do gosto de viver do nosso povo."<br /></i>(Darcy Ribeiro, <a href="http://www.tempoglauber.com.br/v_darcy.html">depoimento sobre Glauber Rocha</a>)<br /></p><p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"><br /></p><p class="MsoNormal" style="text-align: justify;">No enterro de Brizola, Lula foi
recebido pela multidão com vaias e pelo trecho da música de Beth Carvalho: "Você
pagou com traição a quem sempre lhe deu a mão". O sentido desta traição
não deve ser lido no plano de curto prazo do político-partidário, mas no
processo de longa duração da dimensão estatal-imaginária, isto é, na disputa do
imaginário público. Lula traiu Brizola ao abdicar desta disputa, ao ceder à
visão imposta pelo consenso construído pela ditadura instaurada no golpe
civil-militar de <st1:metricconverter productid="1964. A" w:st="on">1964. A</st1:metricconverter>
redução da política à gerência - um fenômeno global, que tem sua ramificação brasileira no "petucanismo", termo cunhado por Gilberto Felisberto Vasconcelos - não pode ser
separada deste vácuo no imaginário deixado pela deposição de armas do PT e do
PSDB, pela recusa, que caracteriza a social-democracia, do conflito. Ou seja, o
petucanismo não só abdica de um projeto para o país, como de disputar o
imaginário. As duas coisas andam juntas. (Por isso, a importância que Brizola
atribuía ao "golpe" de Golbery, que garantiu a conversão do PTB em uma sigla
pelega - hoje nas mãos de Roberto Jefferson). A aceitação do imaginário imposto
pelo capital vídeo-financeiro, para usar outro termo de Gilberto Felisberto
Vasconcelos: não há como combater o poder financeiro, sem combater o poder
videológico. Brizola tinha consciência disso. No documentário "Muito além do
Cidadão Kane", de Simon Hartog, enquanto o "sapo barbudo" reclama vagamente do
monopólio da televisão por um só homem (sem mencionar o nome de Roberto
Marinho), o "velho caudilho" vai direto ao ponto: eleito presidente, diz, no
primeiro dia, na primeira manhã do mandato, a primeira medida seria começar a
desmontar o Império da Rede Globo. O resto é história: enquanto Brizola não
hesitou em bater de frente com os donos do monopólio da aparência (não só os
Marinho, mas os Civita, da Abril, de quem dizia serem os representantes
coloniais do Império - e basta ler a Veja para ver o quanto nada continua
sendo), recebendo como troco não só os editoriais nojentos do Jornal Nacional,
mas uma tentativa de golpe eleitoral (o caso Pro-Consult), Lula, eleito
presidente em 2002, co-apresentou o mesmo Jornal Nacional da escandalosa edição
do debate de 1989 com Collor. </p>



<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"><o:p></o:p>Neste sentido, a verdadeira morte do
projeto nacional-popular varguista-janquista-brizolista não se dá em 2004, mas
em 1981, com a morte de Glauber Rocha (que, convém lembrar, planejava, conforme
lemos <st1:PersonName productid="em seu Teztamento" w:st="on">em seu <a href="http://www.tempoglauber.com.br/ma_teztamento.html">Teztamento</a></st1:PersonName>
de 1976, realizar um filme sobre Jango). <a href="http://www.tempoglauber.com.br/t_estetica.html">Eztetyka da Fome</a> e <a href="http://www.tempoglauber.com.br/t_esteticasonho.html">Eztetyka do Sonho</a>,
primitividade e utopia: o cinema de Glauber Rocha se caracteriza justamente
pela tentativa de escavar, através das imagens, na violência da fome,
estilhaços de transformação revolucionária - de um tempo outro, de um tempo
possível: "As revoluções se fazem na imprevisibilidade da prática histórica que
é a cabala do encontro das forças irracionais das massas pobres. (...) A
revolução é uma mágica porque é o imprevisto dentro da razão dominadora".
"O Povo é o mito da burguesia": a Nação é sempre uma cisão, um ser e
suas possibilidades de ser - "esse país tudo que podia ser e que não é", como
disse certa vez, durante um choro convulsivo a Darcy Ribeiro -, o Povo não é um
conceito unívoco, é uma construção, um conceito a ser disputado na esfera do
Estado e, não menos, das imagens: "A cultura popular não é o que se chama
tecnicamente de folclore, mas a linguagem popular de permanente rebelião
histórica". O petucanismo não tem projeto para o país porque seus
partidários não tem imaginação. Mais do à extinção da inteligência, como Paulo
Arantes caracteriza a situação atual, assistimos à extinção da imaginação. </p>

]]>
        
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    <title>Frases Feitas (VI): &quot;Objetividade&quot;</title>
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    <id>tag:www.culturaebarbarie.org,2008:/blog//2.32</id>

    <published>2008-05-30T23:33:32Z</published>
    <updated>2008-05-30T23:52:38Z</updated>

    <summary><![CDATA["Realmente, democracia é osso duro de roer. Quer um exemplo? O lamentável debate sobre nada, ou menos que nada, que acaba de ser protagonizado pelos ministros&nbsp;Cézar Peluso e Celso de Mello. Já havia seis votos pela improcedência da ação direta...]]></summary>
    <author>
        <name>Alexandre Nodari</name>
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    </author>
    
        <category term="Frases Feitas" scheme="http://www.sixapart.com/ns/types#category" />
    
    
    <content type="html" xml:lang="pt" xml:base="http://www.culturaebarbarie.org/blog/">
        <![CDATA[<p>"Realmente, democracia é osso duro de roer. Quer um exemplo? O
lamentável debate sobre nada, ou menos que nada, que acaba de ser
protagonizado pelos ministros&nbsp;Cézar Peluso e Celso de Mello. Já havia
seis votos pela improcedência da ação direta de inconstitucionalidade
3.510, como disse Celso de Mello,&nbsp;mas Peluso resolveu chiar porque seu
voto não foi incluído na soma. Ora, não tinha a menor importância
material para o resultado&nbsp;- seis votos já constituíam maioria. E
ficaram lá os dois ilustres causídicos, eminentes juristas, egrégios
ministros etc. debatendo o significado do verbo "declarar"... Façam o
favor.</p>
<p>Vai ser preciso esperar ainda muitas gerações&nbsp;para que nós,
brasileiros, aprendamos que ela&nbsp;funciona melhor&nbsp;quando os discursos vão
direto ao ponto. Se quiserem de fato melhorar a eficiência da Justiça
nacional, deveriam começar por aí: com cursos de objetividade e síntese
para juízes. Ganharíamos um tempo enorme."<br /><i>(Marcelo Leite, no <a href="http://cienciaemdia.folha.blog.uol.com.br/arch2008-05-25_2008-05-31.html#2008_05-29_19_13_21-129493890-25">post de seu blog</a> de 29 de maio de 2008, sobre a decisão do Supremo Tribunal Federal a respeito de uma fácil questão de ser sintetizada de forma objetiva, o conceito de vida) </i><br /></p><p><b>LEGENDA</b><br />"O "idiota da objetividade" é a falta de complexidade do sujeito que
diz só a coisa certa ou aparentemente certa e não vê que todo fato tem
uma aura."<br />(Nelson Rodrigues, "<i>A Desumanização da Manchete</i>")</p><p>"Contra Fatos, há Argumento"<br />(<i>Slogan da revista </i>Argumento, <i>publicação de oposição ao regime militar de 1964</i>)<br /></p> ]]>
        
    </content>
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    <title>&quot;Progresso&quot; (Resenha)</title>
    <link rel="alternate" type="text/html" href="http://www.culturaebarbarie.org/blog/2008/05/progresso-resenha.html" />
    <id>tag:www.culturaebarbarie.org,2008:/blog//2.31</id>

    <published>2008-05-29T17:41:20Z</published>
    <updated>2008-05-29T18:31:00Z</updated>

    <summary>Cinqüenta Dias a Bordo de um Navio NegreiroPascoe Grenfell Hill Tradução: Marisa MurayEditora: José Olympio (Coleção Baú de História)Ano: 2006 &quot;A ruptura histórica com o mundo matriarcal produziu-se quando o homem deixou de devorar o homem para fazê-lo seu escravo&quot;.(Oswald...</summary>
    <author>
        <name>Alexandre Nodari</name>
        <uri>http://www.culturaebarbarie.org/blog</uri>
    </author>
    
        <category term="Resenhas" scheme="http://www.sixapart.com/ns/types#category" />
    
    
    <content type="html" xml:lang="pt" xml:base="http://www.culturaebarbarie.org/blog/">
        <![CDATA[<span class="mt-enclosure mt-enclosure-image" style="display: inline;"><img alt="navio.jpg" src="http://www.culturaebarbarie.org/blog/navio.jpg" class="mt-image-left" style="margin: 0pt 20px 20px 0pt; float: left;" height="199" width="127" /></span><strong>Cinqüenta Dias a Bordo de um Navio Negreiro<br /></strong>Pascoe Grenfell Hill<br />
<p>Tradução: Marisa Muray<br />Editora: <a href="http://www.joseolympio.com.br/"><font color="#ffffff">José Olympio</font></a> (Coleção Baú de História)<br />Ano: 2006 <br /></p>
<p>"A ruptura histórica com o mundo matriarcal produziu-se quando o homem deixou de devorar o homem para fazê-lo seu escravo".<br />(Oswald de Andrade, <i>A Crise da Filosofia Messiânica</i>)<br /></p>
<p><font style="font-size: 0.8em;">*Esta resenha é uma parte modificada do texto " 'Todo camburão tem um pouco de Navio Negreiro' ", apresentado na mesa <i>Perisféricas: limiares literatura-mundo, </i>durante a II Semana de Letras da UFSC, maio de 2008.<br /><br />(Os números entre parêntesis abaixo se referem&nbsp;à página do livro resenhado)</font><br /></p><p>

</p><p class="MsoNormal" style="text-align: justify;">Antes de passar <i style="">Cinqüenta dias a bordo de um Navio Negreiro</i>
em 1842, Pascoe Grenfell Hill observa que em Quelimane, no Moçambique, "O
predomínio do tráfico de escravos (...) teve seu efeito costumeiro de impedir
qualquer tipo de empreendimento" (49). O negócio se mostra tão rentável que não
só o governador do distrito é "conivente no assunto" (48), como a própria Coroa
inglesa que empreende a caçada aos Navios Negreiros, participa indiretamente de
seu financiamento: assim, ficamos sabendo que Antônio Rodrigues Chaves, o
capitão do navio que será capturado pela comitiva de que Hill faz parte, foge e
retorna ao Rio de Janeiro "em uma brigue inglês, pois havia conseguido dinheiro
em uma casa comercial inglesa na Cidade do Cabo, como vinha conseguindo sempre"
(112). Não é por ironia nem por acaso que o barco do deposto Chaves se chame <i style="">Progresso: </i>o Navio Negreiro exige toda
uma lógica de gerenciamento, um saber técnico, especializado, o mesmo que
garante a predominância da potência britânica, o mesmo que permite a ela
espraiar seus ideais liberais. Depois de capturado pelos ingleses, e com a tripulação
do empreendimento presa, 175 dos 397 negros a bordo do <i style="">Progresso </i>morrem, 54 deles num único dia de tempestade, sobre o
qual Hill afirma "sem exagero que os gritos, o calor, a 'fumaça dos corpos
deles' que subia não podia ser comparada a nada do mundo" (67). "É bem evidente
que", lemos ao fim do relato, "sob circunstâncias semelhantes às que relatei, a
captura da 'presa' deve ser um evento muito mais desastroso para o escravo do
que para o traficante de escravos. Não se pode supor que o acúmulo de calamidades
que perseguiu esses pobres infelizes a bordo do <i style="">Progresso</i> ao serem transferidos para proteção dos seus
libertadores, teria tido lugar se eles tivessem continuado nas mãos dos seus compradores"
(113). "<i style="">Bien arreglados, no mueren"</i>,
na expressão de um dos tripulantes (71) . Este entrelaçamento entre cultura e
barbárie é o mote do <i style="">Das Sklavenshiff </i>de
Heine, onde o médico de bordo receita ao capitão do Navio Negreiro que faça os
negros dançarem à força para evitar, assim, o banzo e reduzir a alta taxa de
mortalidade (Heine, aliás, insistia que "Onde se queimam livros, acaba-se
queimando pessoas", lição que Rui Barbosa parece não ter atentado, ordenando a
queima de todos os documentos brasileiros referentes à escravidão, na intenção
de apagá-la de nossa história. Antes dele, encontramos o mesmo argumento em "Os
negros e as marionetes" de Béranger tematiza uma dança de marionetes promovida
pelo capitão de um Navio Negreiro, com o mesmo objetivo de "divertir" os
escravos, diminuindo a mortalidade a bordo - esta "solução" reaparecerá no <i style="">Navio Negreiro </i>de Castro Alves, mas com
um giro antropológico de 180 graus).<span style="">&nbsp; </span>O relato
de Hill parece refletir, portanto, outra viagem, a de Ulisses segundo Adorno e
Horkheimer, a <i style="">Dialética do Esclarecimento</i>.
Se a razão instrumental termina por produzir o seu oposto, o mito, a solução é
aumentar a dose do <i style="">pharmokon</i>, remédio
<i style="">e </i>veneno: "No entanto o predomínio da
escravidão nos países bárbaros onde ela funciona, existe antes do tráfico e
mesmo que este acabe, lá vai continuar. A única medida que pode acabar com este
mal é introduzindo entre as tribos selvagens os princípios da civilização e do
cristianismo com cujas bênçãos suas terras seriam parcialmente compensadas pela
supressão do tráfico de escravos. (...) Não há outra maneira de triunfar sobre
a escravidão" (117, 118). Aqui se resume, a grosso modo, o esforço iluminista
de que a Escola de Frankfurt é o "último instantâneo": não há nada de
intrinsecamente viciado no projeto moderno, basta corrigi-lo. Mas o recalcado
sempre retorna como sintoma. Em <i style="">Terra e
mar</i>, proto-texto literário de <i style="">O Nomos
da Terra</i> (grande tratado jurídico sobre a relação entre a tomada do Novo Mundo
e o advento de um Direito Internacional pela primeira vez global) dedicado a
sua filha Anima, e onde comparece, quase como protagonista, o <i style="">Moby Dick </i>de Melville, Carl Schmitt
descreve a troca de acusações e xingamentos em que se envolveram as potências
européias na disputa pelas terras do Novo Mundo: "Un solo reproche omitían,",
nota o jurista e "que era empleado com singular predilección contra los indios:
entre europeos-cristianos no se echaban en cara la antropofagia." Não é
fortuito, assim, que Hill se espante com a apatia - ou o banzo - dos negros
depois de "libertados" (Apesar da insensibilidade branca diante do
"espetáculo mais chocante da desgraça humana" reduzir-se a uma mera constatação
da "apatia em relação ao sofrimento dos outros que o próprio coração reluta em
querer aceitar" (p. 70)). Ele não consegue entender "a apatia total para tudo
ao redor" dos negros, e anota desapontado como era difícil "encontrar um olhar
de prazer em algum deles" (100), vendo somente "poucos sinais de alegria na
ocasião [do desembarque]. Dúvida e medo predominavam e seus semblantes pareciam
aqueles das vítimas condenadas" (106). "[D]esembarcados no cais, para
prosseguirem em vagões de carga para Cidade do Cabo"(105),<span style="">&nbsp; </span>libertados do <i style="">Progresso </i>para o trabalho, os negros sabem muito bem do que, em
verdade, se trata: "A primeira impressão deles no começo", lemos ao final do
relato de Hill, "foi a de que iam ser devorados pelos homens brancos e
relutavam em comer achando que estavam sendo engordados para aquela finalidade"(107).</p>

<p></p>]]>
        
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    <title>Frases Feitas (V): &quot;Cinema&quot;</title>
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    <published>2008-05-26T00:21:41Z</published>
    <updated>2008-05-26T00:32:00Z</updated>

    <summary>&quot;[Tropa de Elite] Virou uma referência, o que é ótimo. Compreendo perfeitamente essa idéia de o longa tentar ser neutro, de não se aliar ao protagonista, o Capitão Nascimento, mas também de não o condenar. É o anti- Glauber Rocha....</summary>
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        <![CDATA["[Tropa de Elite] Virou uma referência, o que é ótimo. Compreendo perfeitamente essa
idéia de o longa tentar ser neutro, de não se aliar ao protagonista, o
Capitão Nascimento, mas também de não o condenar. É o anti- Glauber
Rocha. O Glauber era um cara que opinava em cada diálogo, em cada
plano. E Tropa de Elite é o oposto. Essa estratégia tem muito mais
impacto na sociedade do que qualquer filme que o Glauber fez."<br />(<i>Fernando Meirelles, diretor de Cidade de Deus, em entrevista à </i>Bravo!, <i>onde ainda acrescentou a respeito de si e de José Padilha, diretor do Tropa de Elite, que </i>"O que fazemos é totalmente anti-Hollywood").<br /><br /><b>LEGENDA</b><br />"(...) enquanto a América Latina lamenta suas misérias gerais, o
interlocutor estrangeiro cultiva o sabor dessa miséria, não como sintoma
trágico, mas apenas como dado formal em seu campo de interesse. Nem o latino
comunica sua verdadeira miséria ao homem civilizado nem o homem civilizado
compreende verdadeiramente a miséria do latino. Eis - fundamentalmente - a situação das Artes no Brasil diante do mundo: até
hoje, somente mentiras elaboradas da verdade (os exotismos formais que
vulgarizam problemas sociais) conseguiram se comunicar em termos quantitativos,
provocando uma série de equívocos que não terminam nos limites da Arte mas
contaminam o terreno geral do político. Para o observador europeu, os processos
de criação artística do mundo subsesenvolvido só o interessam na medida que
satisfazem sua nostalgia do primitivismo, e este primitivismo se apresenta
híbrido, disfarçado sob tardias heranças do mundo civilizado, mal compreendidas
porque impostas pelo condicinamento colonialista."<br />(<i>Glauber Rocha, </i><a href="http://www.tempoglauber.com.br/t_estetica.html"><b>Eztetyka da Fome</b></a>)<br />]]>
        
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    <title>Dicionário de Bolso: Trabalho</title>
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    <published>2008-05-25T23:08:17Z</published>
    <updated>2008-05-25T23:12:26Z</updated>

    <summary>&quot;La ascendencia etimológica del trabajar castellano como la del travailler francés y del travagliare italiano es el vocablo latino tripaliare, del sustantivo trepalium, un artilugio de tortura formada por tres palos, al que se ataba a los condenados (gladiadores del...</summary>
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        <![CDATA["La ascendencia etimológica del trabajar castellano como la del travailler francés y del travagliare italiano es el vocablo latino tripaliare, del sustantivo trepalium, un artilugio de tortura formada por tres palos, al que se ataba a los condenados (gladiadores del circo romano y esclavos) para infligirles castigo. De donde, trabajar significaba estar sometido a tortura."<br /><br /><i>Carlos Astrada, filósofo argentino, </i>Trabajo y alienación<br />]]>
        
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