Da insubstancialidade humana

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Ela era oca. Enchia-se, por vezes, de vento. Era leve. Flutuava. Jamais corria. Ela era vazia. Nenhuma palavra a ocupava. Nenhum gesto a comovia. Ela tinha sido corroída por cupins. Descendia de uma pedra rara tailandesa. Pedra oca. Com um furo no meio. Nada a habitava. Sentia apenas calafrios. Mas era capaz de tocar. Sua morbidez era assustadora. Seu olhar distante era fascinante. Olhar oco. Um arco. Um bambolê. Círculo oco. Era uma passagem infinita. Um mosquito passava. Uma cobra passava. Um hipopótamo passava. De tão oca. Tomava banho às vezes. Tomava água que ia da boca ao chão. Mas era humana. Seu destino é o desaparecimento. Sua vocação é balançar os galhos das árvores. Seu desejo é poder dançar.

4 Comentários

oi flavia

que prosa gostosa de ler
escreva mais valeu?

ela era um tubo, um tempo, algo sem densidade
um CsO talvez. penso que era puro movimento.

um bom dia.

Victor e Maurício: merci beaucoup. Fico feliz que tenham gostado.

Cristiano: adorei a continuidade! Perfeita. Obrigada.