E era assim quando sentávamos para brincar. Régua na mão. Olhos fixos no que fingíamos ser um quadro. Giz roubado da escola. Guarda-roupa todo pintado. As frestas cheias de pó. Mãe berrando da sala. Escondia-me. Era muito mais esperta que você. Eu ficava com a máquina de calcular. Você com papel e lápis na mão. A régua batia no guarda-roupa. Você não presta atenção?! Imensos olhos azuis arregalados. Imensos olhos azuis abaixados. Crescemos. Eu continuo com a calculadora na mão. E você nem precisa mais de lápis e papel.
ElaRafa
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MUNDO-ABRIGO é proposição
o dia-dia experimentalizado
não exclui
dirige-se ao
que é vida. Hélio Oiticica
o dia-dia experimentalizado
não exclui
que é vida. Hélio Oiticica
Flávia Cera é doutoranda em Teoria Literária na UFSC.
O desenho que abriga este blog é de Christiano Balz, colorido e tratado digitalmente.
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(Tu ainda é mais esperta que eu, e a sorte é de quem? rá!)