Como controlar baderneiros

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Ieda era professora da rede estadual na cidade Feliz localizada no vale do Caí no Rio Grande do Sul. Ocupava-se com crianças de 4 a 6 anos. Era uma mulher que costumavam chamar de correta, ia à Igreja todos os domingos, doava roupas e cobertores no inverno, brinquedos nos dias das crianças, essas coisas. Ieda era uma mulher muito sozinha e exalava certo mistério quando olhava para as suas criancinhas. Até aí tudo bem, mas um certo dia as crianças começaram a chorar e berrar nomes de monstros que costumavam assombrá-las de noite quando cruzavam o olhar com Ieda. Pais e professores acharam estranho e mandaram investigar. Ieda tinha uma boa reputação até o dia que ligaram às queixas às suas desaparições que sempre aconteciam às quartas e sextas. Começaram a persegui-la. Eram agentes do governo do Estado. Primeiro viram que Ieda ia para uma pista clandestina onde pousavam aviões de pequeno porte. Ieda embarcava em um jatinho e partia para São Paulo. Lá, encontrava-se com outros parceiros. Os agentes ouviram os nomes de alguns: José, Fernando, Aécio, outro Fernando, usando trajes de banho. Pensaram, a princípio, que era uma festa a fantasia, porque um vampiro, um príncipe e um aquaman, não se juntavam assim a toa. Porém, o que soava esquisito era o local da festa: a Estação Pinacoteca. Estava tudo muito misterioso para os agentes da inteligência estadual que voltaram para o Rio Grande do Sul e procuraram a governadora. Eles relataram o caso e disseram que tudo aquilo não passava de uma festa ou, sabe lá, um jogo de RPG. A governadora, esperta como uma lebre, mandou seus agentes voltarem e descobrirem o que era a Estação Pinacoteca.Voltaram na sexta de manhã e fizeram uma visitinha. Descobriram que o local abrigou outrora o DEOPS. Procuraram as inscrições dos seus parentes na parede, e depois descobriram que era dos presos e não dos agentes. Ficaram arrasados. Mas, mesmo assim, foi um dia mágico, pensar em tudo aquilo dava sentido às suas funções. Mais tarde, estavam lá apertadinhos no corredor onde os presos tomavam sol e esperando Ieda e sua gangue aparecer. Era nesta sexta que descobririam o que Ieda aprontava. Iriam desmascarar a boa moça da cidade Feliz. Eis que ouvem palavras em língua estrangeira. Uau! A missão acabara de se transformar em internacional! Demorou um pouco, mas entenderam que lá estavam agentes de Guantánamo ensinando práticas de tortura para a professora e seus associados aplicarem nas crianças. Os agentes não se assustaram tanto e até gostaram. As táticas eram incríveis, crianças ajoelhadas no milho, nunca mais! Agora era pra se ajoelhar em cacos de vidro mesmo. Mas que beleza, pensavam, Feliz será a cidade do futuro. Voltaram para o Rio Grande do Sul e procuraram a governadora. Por um momento ela pensou em institucionalizar o método, mas depois alguém a lembrou que seria crime e que as coisas já não andavam boas para ela. Disse que os agentes podiam ir embora e que ela pensaria no que fazer. No dia seguinte, uma manifestação na frente da sua casa a deixou enlouquecida. O que essa gente vem fazer aqui? Eu, uma mulher transparente em minhas ações? A governadora não pensou duas vezes: vou denunciar a professora da rede estadual e suas práticas, assim desvio a atenção do meu governo. Foi para dentro de casa e escreveu num cartaz: "Vocês não são professores. Torturam crianças. Abram alas que minhas crianças têm aula". Depois disso, o batalhão de Operações Especiais e a Brigada Militar foram até o local. Seus agentes observavam de longe pensando que o método da professora Ieda seria bem interessante para não criar esses monstrinhos que fazem baderna. Qualquer fato histórico é mera coincidência.

4 Comentários

Flavia,


Ri muito, muito bom!

Aquaman é hilário! E a ambientação na Pinacoteca tem tudo a ver.

Não sei por que me lembrei de uma ave. Seria um gavião? No creo...


Agora, Ieda, que medo!!! Looooooucaaaaa!

Um abraço,
Maurício.

Parece até que a última tentativa de amenização da figura da professora Ieda parece ser uma possível insanidade mental. Ao menos só assim se justificam as imagens publicadas pelos amiguinhos da Ieda. Claro, coitada da professora, ficou louca por causa dos pestinhas de seus alunos ou dos outros professores que não a deixam trabalhar em paz e, sobretudo, participar das festas com trajes de banho. HAHAHA

Maurício: o gavião, é verdade! Fugiu do elenco! Ieda é louca mesmo, só esqueceram de internar. Cartazinho patético, não é? Obrigada pela leitura. Volte sempre. Um abraço.

Dávila: e a expressão facial dizia tudo, né? Vou montar um book da professora Ieda para corrobar a sua tese de insanidade. Tudo a ver! Um abração.