Era corpo sutil. Mas era corpo. Sempre chegava antes da cabeça. Quando aparecia, aparecia exacerbado pela comoção. Longe do natural. Mais deformador que o próprio símbolo. Ignorava a anatomia. Rodava, rodava. Até encontrar seu eixo. Sempre descentrado. Estendia a mão. Fazia um convite. O mundo o girava. Movimento e repouso. Movimento e repouso. Ia e vinha. Seus passos, passionais. Colava o rosto no vento. Estendia os braços. Punha-se a andar. Ele só tinha frente: o infinito. Não tinha verso. Trazia tudo com ele. Rodava, rodava. A vertigem dominou seu tempo. Passado, presente, futuro. Tudo concentrado. Naquele corpo.
MUNDO-ABRIGO é proposição
o dia-dia experimentalizado
não exclui
dirige-se ao
que é vida. Hélio Oiticica
o dia-dia experimentalizado
não exclui
que é vida. Hélio Oiticica
Flávia Cera é doutoranda em Teoria Literária na UFSC.
O desenho que abriga este blog é de Christiano Balz, colorido e tratado digitalmente.
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