Balé

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Era corpo sutil. Mas era corpo. Sempre chegava antes da cabeça. Quando aparecia, aparecia exacerbado pela comoção. Longe do natural. Mais deformador que o próprio símbolo. Ignorava a anatomia. Rodava, rodava. Até encontrar seu eixo. Sempre descentrado. Estendia a mão. Fazia um convite. O mundo o girava. Movimento e repouso. Movimento e repouso. Ia e vinha. Seus passos, passionais. Colava o rosto no vento. Estendia os braços. Punha-se a andar. Ele só tinha frente: o infinito. Não tinha verso. Trazia tudo com ele. Rodava, rodava. A vertigem dominou seu tempo. Passado, presente, futuro. Tudo concentrado. Naquele corpo.