Brincadeira tem hora

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Sou absolutamente a favor da televisão. Assisto várias séries americanas, dou uma olhadela na novela das oito, na boa. Adoro. Agora, se tem uma coisa que não consigo entender é aquele reality show No Limite que passa na Globo. Coisa mais idiota para se fazer. Sem contar que, passando na Globo, não posso deixar de pensar no seu caráter exemplar: "todos podem sobreviver com pouco, desde que tenham um objetivo na vida". Ideologia branca e burguesa, própria da emissora. Nesta edição, duas meninas justificaram o abandono do programa porque presenciaram uma cena degradante, que disseram ser "o limite": encontraram um mamão podre, dividiram com todos da "tribo" que, por sua vez, comeram como se fosse um manjar dos deuses. A artificialidade, a necessidade forçada, do programa consegue elevar à última potência a essência da sociedade do espetáculo: o reino das aparências. Porque ali existe a possibilidade de desistir, como também se sabe que ninguém sairá morto, ou seja, o programa não é medido pela força, mas sim pela capacidade de abstração de cada um. Além disso, a conjugação entre técnica e natureza é sua marca distintiva. Os participantes do programa estão em um "paraíso", como chamam, e são vigiados por câmeras durante as 24 horas do dia. A denominação de tribo, para remeter a um primitivismo, é conjugada com a escatologia (comer olho de bicho, por exemplo) que, na verdade, também revela o propósito do jogo: levar as pessoas ao "limite", ao éskhatos. Enfim, é um show de horrores. Paradoxos atrás de paradoxos que minam o imaginário coletivo, como se pode perceber muito bem nos comentários do blog mantido pelo programa. Lá se pode encontrar: "era eu quem deveria estar aí" "vocês precisam democratizar a seleção dos participantes", "vocês deveriam punir os desistentes","tem muita gente que não tem o que comer e fica feliz só de saber que vai acordar no outro dia vivo" e blábláblá. Resumindo: tem gente que gostaria que as privações fossem bem maiores, outros que gostariam que os selecionados representassem melhor a "bravura" do povo brasileiro que se fode dia e noite, outros que queriam um aumento no valor do prêmio, e por aí vai, um absurdo atrás do outro. Lembrei então, a propósito da fome, que algumas tribos indígenas mantêm a estratégia de parar de comer para resistir. Essa ação Flávio de Carvalho denominou como Resistência Passiva. Para não cederem, para não saírem vencidos, os índios se negam a comer. É uma estratégia de sobrevivência em tempos de guerra. Agora, abordar a sobrevivência num jogo em que os telespectadores, até então, decidiam, em última instância, quem deveria viver (ficar no jogo) e quem deveria morrer (sair do jogo) mostra o ponto degradante que a sociedade conseguiu chegar e revela o gozo que se tem sobre uma situação que, sabemos, não é fictícia, ao contrário, é predominante em muitos lugares, uns mais perto e outros mais longe de nós. Só que com uma diferença definitiva: nesses lugares, é a vida que está em jogo.

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Eu já acho que a televisão não tem mais jeito. Ou se faz uma emissora pública séria, com editais e tal, ou, o que seria mais próximo, se coloca só bunda, torta na cara, Silvio Santos, etc. No entanto, a gente vê realmente que há uma crescente "preocupção social" nas emissões. Esse do programa No Limite parece um caso bem explícito. Mas tem outros mais sutis, como aquele do Luciano Hulk, com um apelo à emoção tremendo. A Globo é cada vez mais uma empresa cidadã, um termo bem nojento que escancara um mega dispositivo. Sempre no apelo à emoção e à piedade. O espetáculo também aparecia quando o povo todo votava no Brother mais pobre, lembra? Ajudar o próximo mandando um SMS, pra quê coisa mais louca. (Apesar de agora ser todo mundo mais ou menos bonitão e com grana...) Esse moralismo às avessas além de ser um absurdo já encheu o saco. Eu queria mesmo era novela com Coronel do bem x Coronel do mal.

Dávila, quem vai fazer essa novela é a Record. hahaha. É só acompanhar o barraco que estão as duas emissoras estão mantendo. Que se matem mesmo. Eu concordo com você. E odeio o Luciano Huck, aquela porcaria que ele faz de Lar doce lar em que as pessoas tem que cumprir provas pra ver se ganharão a reforma ou não. A mesma coisa que ele fazia pra reformar os carros. Ui, odeio. É a velha história da superação, blablablá. Patético demais para o meu pobre coração. bj

Não assisto esse No limite atual, já vi aquele primeiro que fizeram na Globo uns anos atrás, mas é tudo esse simulacro, enquanto isso a gente fica mesmo com cara de palhaço, falando mal da corrupção e se distraindo contraindo as entranhas por causa de "desconhecidos ilustres" que mostram apenas o seguinte: quem gosta de merda é m... Bjs!