Das impossibilidades da vida

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Era quarta-feira e ela deveria estar trabalhando. Não devia perder o seu tempo com bobagens. Muito menos fazendo planos impossíveis. Tinha que ficar onde estava. Nenhum passo a frente. Nenhum passo atrás. Pensou que isso era natural. Como uma árvore plantada no meio de uma calçada. Era bem ali que ela ficaria, para sempre. Ingressou com um pedido de transplante de cérebro no SUS. Precisava mudar alguma coisa. Disseram que só atenderiam casos graves. Mas não existia caso mais grave que o dela. Avisaram que existia risco de morte. Mas ela pensava que viver era estar à beira da morte. Apressar ou retardar dependeria do contexto. Foi ler Os sofrimentos do jovem Werther. Porque acreditava no que seu professor do colégio contou: muitos se suicidaram lendo esse livro. Ela tomaria coragem. Pegou uma faca. Mas só arrancou as unhas com os dentes. Tudo que ela queria era sair dali. Mas era quarta-feira e ela deveria estar trabalhando.