Estou aqui imaginando o que os chegadinhos numa fumaça fariam agora dentro de um estabelecimento em São Paulo, no auge da sua bebedeira de quinta, para dar aquela tragadinha goxtosa. Durante a quinta-feira acompanhei a contagem regressiva dos portais de notícias da internet para a implementação da lei antifumo (a salvação da lavoura, a redução de R$ 90 milhão de reaus para a Saúde Pública. blablabla). Bom, então me deparo com uma coisa no mínimo curiosa no site da Uol: um Pub chamado O'Malley's que, paradoxalmente, se apresenta como "Your home away from home", no intuito de obedecer à lei, colocará a disposição seguranças armados com pistolas d'água para zelar pelas pobres vítimas da fumaça do cigarro alheio. Não fosse só contra-senso propagandístico (cara, se estou na minha casa fora da minha casa, logo eu posso fumar, porque fumar em casa é permitido, rará), os seguranças ainda vão metralhar água na cara da galera! Que é isso, minha gente?! E a descrição que o proprietário do bar oferece é que a pistola serve "para apagar, subitamente, o fumígeno ofensivo". É a banalidade do mal mesmo. Salve Hannah Arendt, que, alías, gostava de puxar um fuminho também. É claro que na matéria se explica que "a intenção é jogar água somente no cigarro, e não no rosto das pessoas", mas, convenhamos, vai ter mira boa assim lá na equipe do Capitão Nascimento. Bom, para completar e tornar menos agressiva a implementação da lei, o Pub reservou um espaço na calçada para os fumantes fumegarem desde que não levem bebida. Ô, reservar espaço na calçada? Onde já se viu uma coisa dessas? Na calçada se faz o que quiser, amigo. É uma barbaridade atrás da outra. O risco mesmo é morrer do coração, porque não dá para agüentar, né? Matar aos poucos por matar, deixe que fumem, né, Zé? Ou você quer autoria exclusiva?
Onde houver fumaça, haverá uma pistola d'água
3 Comentários
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o dia-dia experimentalizado
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que é vida. Hélio Oiticica
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Flávia Cera é doutoranda em Teoria Literária na UFSC.
O desenho que abriga este blog é de Christiano Balz, colorido e tratado digitalmente.
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Oi, desde ontem em qualquer jornal televisivo aparece pelo menos alguma menção à tal lei anti-fumo. Como não poderia deixar de acontecer, em uma das reportagens sobre o tema, retomava-se o exemplo de Nova Iorque, onde acaba de ser aprovada uma lei que proíbe os fumantes de passarem perto de hospitais e clínicas numa distância inferior a 5 m. Se passar, o fumante leva uma multa. Bom... até que me provem o contrário, não conheço nenhuma cortina de ar puro capaz de combater a cortina de fumaça em qualquer cidade. Lembro também que quando me vi numa disciplina de direito ambiental, o professor, famoso por motivar a petição contra o Shopping Iguatemi e, mesmo assim, assíduo frequentador dele, nos dizia que era vergonha inadmissível, num tempo tão consciente do problema ambiental, que os fumantes andassem por aí, fumegando... Bom, um detalhe bem interessante: esse professor era o mesmo que chegava para suas aulas a bordo de um jipão que, pelo que me consta, é um carro bem bebedor da boa e velha gasolina. Perguntado sobre seu automóvel e a poluição dele, o aluno foi categoricamente ignorado e a aula terminou. Sintomático.
Oi Flávia, aproveito o espaço para, além de acompanhar o teu diálogo no mundo-abrigo, trocar figurinha e deixar o link do blog onde recomeço a dividir alguns textos: linhasemcores.blogspot.com
Apareça, abraço!
Elise.
Diego: a hipocrisia toma conta mesmo. Não tem mais jeito!
Elise: querida, que bom que você acompanha o mundo-abrigo. E, claro, estarei presente no Linha sem Cores. Um abração.