Ele diz: eu só sei como as coisas são. Não pergunte como poderiam ser, como seriam, como serão. Ele só sabe viver no presente. Arrasta-se. Não sabe dizer do amanhã. Nem pensa. Nem imagina. Levanta-se todo o dia como se fosse o primeiro. Ele não tem memória. Cria sempre um universo ao redor de si. Para lhe dar conforto. Que se apaga. Quando fecha os olhos. Cria seus afetos. Simula conversas. Seleciona seus gostos. Ele é pura invenção. Conheceu uma pessoa nova. Velha conhecida. Queria que aquele momento durasse para sempre. Precisava congelar o tempo. Tentou nunca mais dormir. Ele não tinha futuro. Mas queria sentir saudades.
MUNDO-ABRIGO é proposição
o dia-dia experimentalizado
não exclui
dirige-se ao
que é vida. Hélio Oiticica
o dia-dia experimentalizado
não exclui
que é vida. Hélio Oiticica
Flávia Cera é doutoranda em Teoria Literária na UFSC.
O desenho que abriga este blog é de Christiano Balz, colorido e tratado digitalmente.
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