Desde pequenos ouvimos que é preciso ter esperança. Se você quer muito um brinquedo, por exemplo, tem o Papai Noel no Natal e toda a expectativa de que naquele dia você vai ganhar o tal brinquedo. Daí, claro, tem as regras para que nossas esperanças não sejam vãs: temos que nos comportar bem durante o ano, ou pelo menos a partir da data do pedido. Sempre existe uma condicional imposta por alguém para que possamos alimentá-la. Com a escola as coisas vão endurecendo. Tem o tal do esforço pessoal, a modulação dos comportamentos, a castração e o planejamento de longo prazo: o que eu vou ser quando crescer é um exemplo deles.
Depois, quando crescemos, continuamos com as condicionais: os índices de produtividade, as regras sociais, a manutenção da estabilidade, etc, que pensamos obedecer porque queremos, porque escolhemos. É o início de uma fase que se pressupõe "responsabilidade", então, teoricamente, você sabe o que está fazendo. (Bullshit). Até o momento em que começamos a perceber as coisas que perdemos no caminho, a frustração que é tentar planejar o futuro que, para ajudar, nos deixa oscilando infinitamente entre a sorte e o azar, acompanhado de doses cavalares de ansiedade. Temos a impressão de ter controle do nosso desejo, até que ele vem e te sabota feiamente. Quando crescemos temos pressa: queremos as respostas pra ontem, as chances parecem limitadas demais para as demandas da vida. As pessoas pedem prudência, calma, mandam você pensar bem. Daí você olha pra elas disfarçadamente e elas estão roendo as unhas como você. E você repete tudo que elas te disseram: prudência, calma, pensa bem, blábláblá. E assim racionalizamos tudo, vamos para análise, mantemos uma crença tosca no progresso, na ordem cronológica do tempo. Nos imunizamos de todos os males existentes e virtuais. Perdemos a capacidade de compartilhar os sonhos, de imaginar o dia equivalente ao da entrega do presente na infância. Enfim, perdemos a esperança, achamos bobagem falar em felicidade se ela não pode ser calculada no método da relação custo/benefício, mais bobagem ainda falar em mudar o mundo, a história. Teimamos em polarizar as coisas, em deixar tudo meio tedioso e inóspito até chegar ao anti-depressivo. Mas não estou dizendo pra desbundar, não. "Viver a vida adoidado" é sessão da tarde. Estou falando em criar possibilidades, em alimentar as esperanças, se deixar afetar, e lembrar da finitude da vida. Isso tem a ver com paixão e não com a bobagem de que "quem espera sempre alcança". É para criar o acontecimento: construir o presente rememorando o passado e imaginando o futuro, tudo ao mesmo tempo.
Depois, quando crescemos, continuamos com as condicionais: os índices de produtividade, as regras sociais, a manutenção da estabilidade, etc, que pensamos obedecer porque queremos, porque escolhemos. É o início de uma fase que se pressupõe "responsabilidade", então, teoricamente, você sabe o que está fazendo. (Bullshit). Até o momento em que começamos a perceber as coisas que perdemos no caminho, a frustração que é tentar planejar o futuro que, para ajudar, nos deixa oscilando infinitamente entre a sorte e o azar, acompanhado de doses cavalares de ansiedade. Temos a impressão de ter controle do nosso desejo, até que ele vem e te sabota feiamente. Quando crescemos temos pressa: queremos as respostas pra ontem, as chances parecem limitadas demais para as demandas da vida. As pessoas pedem prudência, calma, mandam você pensar bem. Daí você olha pra elas disfarçadamente e elas estão roendo as unhas como você. E você repete tudo que elas te disseram: prudência, calma, pensa bem, blábláblá. E assim racionalizamos tudo, vamos para análise, mantemos uma crença tosca no progresso, na ordem cronológica do tempo. Nos imunizamos de todos os males existentes e virtuais. Perdemos a capacidade de compartilhar os sonhos, de imaginar o dia equivalente ao da entrega do presente na infância. Enfim, perdemos a esperança, achamos bobagem falar em felicidade se ela não pode ser calculada no método da relação custo/benefício, mais bobagem ainda falar em mudar o mundo, a história. Teimamos em polarizar as coisas, em deixar tudo meio tedioso e inóspito até chegar ao anti-depressivo. Mas não estou dizendo pra desbundar, não. "Viver a vida adoidado" é sessão da tarde. Estou falando em criar possibilidades, em alimentar as esperanças, se deixar afetar, e lembrar da finitude da vida. Isso tem a ver com paixão e não com a bobagem de que "quem espera sempre alcança". É para criar o acontecimento: construir o presente rememorando o passado e imaginando o futuro, tudo ao mesmo tempo.

