Giorgio Agamben tem uma das definições de amor mais bonitas que já li. Está no Idéia da Prosa, um livro cheio de idéias como diz o próprio título.
Viver na intimidade de um ser estranho, não para nos aproximarmos dele, para dar a conhecer, mas para o manter estranho, distante, e mesmo inaparente - tão inaparente que seu nome possa conter inteiro. E depois, mesmo no meio do mal-estar, dia após dia não ser mais que o lugar sempre aberto, a luz inesgotável na qual esse ser único, essa coisa, permanece para sempre exposta e murada.
Amar não significa, portanto, se fundir em um só. Ao contrário, significa ser-dois, viver-junto, estar lado-a-lado. Em outro livro, O tempo que resta, ele diz que a única lei do mundo, segundo São Paulo, seria a lei do amor. Uma lei que suspenderia todas as outras leis. Seria esse o "verdadeiro estado de exceção" que fala Walter Benjamin. Entretanto, o amor é um termo muito carregado. A tradição cristã se fundamenta no amor incondicional ao próximo, com pedidos esdrúxulos de amar o inimigo, blábláblá. O amor se fundamenta ali, enfim, como Lei. Mas isso implica considerar que no amor não existisse a dimensão do desejo, justamente. Sorry, eu não posso amar meu inimigo.
Tudo isso para dizer que o modo mais bonito de se dizer eu te amo, o modo que expressa essa dimensão do desejo e que implica o corpo, é o da língua espanhola: yo te quiero. Porque o amor se realiza e não se cumpre como lei.
Viver na intimidade de um ser estranho, não para nos aproximarmos dele, para dar a conhecer, mas para o manter estranho, distante, e mesmo inaparente - tão inaparente que seu nome possa conter inteiro. E depois, mesmo no meio do mal-estar, dia após dia não ser mais que o lugar sempre aberto, a luz inesgotável na qual esse ser único, essa coisa, permanece para sempre exposta e murada.
Amar não significa, portanto, se fundir em um só. Ao contrário, significa ser-dois, viver-junto, estar lado-a-lado. Em outro livro, O tempo que resta, ele diz que a única lei do mundo, segundo São Paulo, seria a lei do amor. Uma lei que suspenderia todas as outras leis. Seria esse o "verdadeiro estado de exceção" que fala Walter Benjamin. Entretanto, o amor é um termo muito carregado. A tradição cristã se fundamenta no amor incondicional ao próximo, com pedidos esdrúxulos de amar o inimigo, blábláblá. O amor se fundamenta ali, enfim, como Lei. Mas isso implica considerar que no amor não existisse a dimensão do desejo, justamente. Sorry, eu não posso amar meu inimigo.
Tudo isso para dizer que o modo mais bonito de se dizer eu te amo, o modo que expressa essa dimensão do desejo e que implica o corpo, é o da língua espanhola: yo te quiero. Porque o amor se realiza e não se cumpre como lei.


Mas que coisa linda, Flávia! Certa vez, estava Hugo velho a falar da vida com uma amiga dele - falando sobre as baboseiras filosóficas de sempre -, quando começou a chover, ficamos lá, nos beijamos e, naquela tarde, tudo fez todo sentido - o que não sei se pode ou deve se repetir, mas lendo esse teu post, do amor enquanto verdadeiro estado de exceção, bem, é uma bela explicação para aquilo; o modo como aquele ato fugaz, porém profundo, se deu, e como ele, ao pôr nossa relação de cabeça para baixo para no fim desvenda-la, há de corresponder ao verdadeiro estado de exceção ao qual se referia Benjamin.
Oi, Hugo, querido. Que lindo esse verdadeiro "estado de exceção". Eu penso isso mesmo, esses momentos de felicidade são criados, a felicidade se constrói, num beijo, numa chuva, em um momento que poderia ser eternizado mas que, feliz ou infelizmente, foge de nossas mãos como se nunca mais fosse ter a intesidade que teve. É isso que moverá nosso desejo sempre e para sempre. Um beijo.
Parabéns pelo blog:)
Afetos & palavras, sempre uma bela sintonia!
Luciane