Existem coisas que nos deixam sem palavras. Encontrar um documento genial em um arquivo, por exemplo, pode bloquear o pensamento. Uma grande idéia pode não sair da cabeça. Reencontrar alguma coisa perdida no tempo pode bagunçar tudo. Acontece, as vezes, de ficarmos sem ter como dizer nada. O silêncio, diria Blanchot, é o que não cessa de dizer na obra. As vezes é ele quem nos diz coisas que não podemos ler. Deve ser o tal encontro com o Real de Lacan. Quando a linguagem é, definitivamente, insuficiente. O desejo só pode ser dito com o corpo. Hélio Oiticica conseguiu juntar todas essas coisas quando definiu um objetivo para a arte: a felicidade. Irrepresentável, incomunicável e inapreensiva.
MUNDO-ABRIGO é proposição
o dia-dia experimentalizado
não exclui
dirige-se ao
que é vida. Hélio Oiticica
o dia-dia experimentalizado
não exclui
que é vida. Hélio Oiticica
Flávia Cera é doutoranda em Teoria Literária na UFSC.
O desenho que abriga este blog é de Christiano Balz, colorido e tratado digitalmente.
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