Continuando o post de ontem. Minha reação ao ouvir o discurso do Lula de hoje em Copenhagen foi de um lamento profundo em constatar que Marina Silva e Lula não estejam mais, necessariamente, lado a lado. Foi um discurso lindíssimo, sobretudo quando ele disse que sua meta em 2003 era garantir as refeições para o povo brasileiro e que isso, para os países desenvolvidos, era coisa do passado, mas que para América Latina, África e muitos países da Ásia ainda é coisa do futuro. Jésus! É de chorar. Lula fez o exato oposto do que Dilma se propôs a fazer. Enquanto ela se recusava a qualquer gesto, recusava o acompanhamento dos índices, Lula foi em outra direção. Dilma apresentou um comportamento aparentemente irredutível com uma justificativa de fundo de que o Brasil não é mais um quintal dos países desenvolvidos. Dilma não foi nada diplomática, nem tampouco, demonstrou preocupação com o que estava sendo debatido. Digo isso mais no sentido de parecerem irrevogáveis as suas decisões. Eis que aparece Lula e, como eu disse ontem, desautoriza Dilma e toma decisões absolutamente opostas ao rumo que Dilma estava tomando, contribuições para os países pobres, definição de metas, investimento no Brasil, etc. Pois bem, temos o Lula para parar Dilma, porque senão ela passa o trator, e não é a primeira vez (e tomara que não seja a última) que essas coisas acontecem no que diz respeito ao meio-ambiente. Entristece-me saber que a união de Marina com Lula não será mais possível (Entre outros fatores, foi a política ambiental de Dilma que fez Marina sair do governo. Marina sabia que, se permanecesse no PT, não haveria a menor chance de ser ouvida e foi para o PV. E aí temos os dois lados com suas parcelas de culpa e erros). Enterra-se aí uma possibilidade (e não temos muitas) de "outro mundo possível".
P.S: Depois de escrever esse post, vi @caetano_pacheco falando que "a liberação da commodity do etanol a países subdesenvolvidos acaba de consolidar o povo dos países pobres como os pagadores da conta do aquecimento global". Ou seja, o Brasil não é mais quintal dos países desenvolvidos, mas, na qualidade de em desenvolvimento, transformará os países subdesenvolvidos no seu quintal, dada as condições de trabalho nas lavouras de cana. Lindo de ver, não?! Sendo assim, terei que rever minha opinião sobre o post acima. Mas deixo um palpite: se Marina Silva fosse a Dilma do Lula, as coisas ainda poderiam ser diferentes.
P.S: Depois de escrever esse post, vi @caetano_pacheco falando que "a liberação da commodity do etanol a países subdesenvolvidos acaba de consolidar o povo dos países pobres como os pagadores da conta do aquecimento global". Ou seja, o Brasil não é mais quintal dos países desenvolvidos, mas, na qualidade de em desenvolvimento, transformará os países subdesenvolvidos no seu quintal, dada as condições de trabalho nas lavouras de cana. Lindo de ver, não?! Sendo assim, terei que rever minha opinião sobre o post acima. Mas deixo um palpite: se Marina Silva fosse a Dilma do Lula, as coisas ainda poderiam ser diferentes.


Fantástico o discurso do presidente lula
Fantástico, seu carisma e corajem de dizer o que nenhum chefe de Estado teve corajem.
Lula vai além, ele se destaca de maneira assombrosa dos demais políticos.Li e assiti os dois discursos.
Doeu a quem devia doer, objetivo e direto.
Parabéns presidente
Pelo jeito, se Dilma Rousseff quiser mesmo assumir a liderança do Brasil, terá muito a aprender com Lula. A diferença está clara: Dilma, por mais inteligente e comprometida que seja, não tem nem uma parcela da ampla visão política de seu patrocinador Lula.
Espero que ela pelo menos aprenda com estes discursos do presidente, que também, de certa forma, me comoveram.
Abraços!
Tiago
Nilson, os discursos do Lula são brilhantes em sua maioria.
Tiago, pois é. Concordo com vc. Temos tempo para ver se as coisas mudarão. Ano de campanha é ano de campanha. Mas, de qualquer modo, espero que o discurso mude mesmo para que essa diferença se reduza e Lula não tenha que virar um espectro. Um abração.