Seria simples...

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Marina Silva foi considerada uma das 50 pessoas que podem salvar o planeta. Isso é público e notório. Daí vai para Copenhagen discutir meio-ambiente uma comitiva do governo capitaneada por Dilma Rousseff que, convenhamos, não liga muito para essas coisas (vide seu ato falho: "O meio ambiente é uma ameaça ao desenvolvimento sustentável"). Lá estão também Marina Silva e José Serra. Marina propõe a contribuição de US$ 1 bi para os países pobres. José Serra assina embaixo e sai dando coletiva como se estivesse muito preocupado com isso. Enquanto ele se aproveita da Marina, que é colocada em reuniões em que previamente não estava incluída, dada a sua relevância. Dilma resolve alfinetar Marina dizendo que US$ 1 bilhão não faz nem cócegas e blábláblá. Chega Lula, hoje, e diz que vai contribuir não com US$ 1 bi, mas com US$ 5 bi. Ora, se a mesa de negociações, como bem disse Dilma, estava em US$ 120, US$ 150 e até US$ 500 bi, cinco ou um não faria nem as cócegas que Dilma se negou a fazer. Mas, felizmente, não é assim que pensa Lula porque, sim, o gesto é muito importante. Não seria mais simples (e mil vezes mais inteligente) se o governo convidasse Marina Silva para a sua comitiva e sentasse para ouvir o que ela tinha a dizer e fizesse uma proposta junto com a sua ex-Ministra? Mas não, prefere optar pela precipitação e rompantes de Dilma que, no final das contas, acaba sendo desautorizada pelo presidente. Enquanto isso. Serra dá entrevistas coletivas, diz que apóia Marina, ou seja, pega carona. Em 2010, se Dilma perder e Serra ganhar, ainda vai ter gente dizendo que foi por causa da candidatura da Marina. Agora, pergunto, isso fará sentido?

8 Comentários

Sentido nenhuma na lógica do bom senso, mas todo o sentido na articulação política.

A ausência de Marina Silva nos debates de Copenhague a favor do Brasil é a clara situação de que Dilma quer representar para seus possíveis eleitores de que é capaz de traçar uma estratégia eficiente na pasta do desenvolvimento sustentável.

Serra se aproveita dessa simbólica competição para favorecer sua candidatura, motivada pelas pseudo-pesquisas encomendadas pelos jornalões que o apoiam.

De qualquer maneira, concordo com você e com Lula: qualquer doação é um grande ato, principamente neste mundo materialista que vivemos.

Parabéns pelo blog. Voltarei mais vezes!
Abraço!

Tiago

Oi Tiago, concordo que faz sentido na articulação política, mas faz sentido também quando pensamos na máxima política de "cuidar bem do país" e ampliando, "cuidar do planeta". Esse é um assunto muito sério para comportamentos "birrentos". Dilma é um horror em assuntos ambientais, sem o menor tato e bom-senso e Marina foi ministra de Lula. É complicado entender a que ponto chega essas brigas partidárias que, para mim, sempre acabam na bobagem irresponsável de que os fins justificam os meios. E o Serra é uma catástrofe pegando carona no discurso da Marina, mas de qualquer modo, ele é esperto. Sim, todo gesto desarticula o materialismo, ele tem a capacidade de deixar o outro sem ação. Mas é muita sensibilidade, nesse caso, para Dilma. Seja bem-vindo e volte sempre. Obrigada pelo comentário. Um abraço.

Oi, Fávia

Eu já te disse lá no twitter que discordo de quase tudo o que você escreveu aqui. Precisaria de mais tempo para comentar tudo que gostaria, e talvez até o faça ainda, pois se tem alguém com quem vale a pena discutir é você :-). Mas tem um lance no seu post que eu considero particularmente infeliz e que de forma inversa pode ser usada contra a sua candidata.Você diz que Dilma "não liga muito para essas coisas" e sugere que Lula e Dilma deveriam encampar a proposta de Marina; é mais ou menos a mesma coisa de numa discussão sobre desenvolvimento e inclusão social alguém dizer que é melhor Marina ficar na dela ou, no máximo, perguntar a Lula e Dilma o que dizer, já que ela não entende muito desses assuntos, por estar mais preocupada com o destino do mico-leão dourado.

Esse negócio de dizer que Dilma é um trator, que passou por cima de Marina, tadinha, tão doce... Bem, a mesmíssima Dilma é ministra-chefe da casa civil e o atual ministro do meio-ambiente vem fazendo um trabalho, convenhamos, melhor que o da Marina, pelo menos é isso que os números têm mostrado.

Bom, tô numa correria danada. Depois comento mais ou escrevo um post sobre isso.

Beijo

Oi Bruno, que bom ver você por aqui! Vou às respostas. Ah! Primeiro, você é quem diz que Marina é minha candidata, não fui eu quem falei ;-) Quanto ao meu argumento sobre Dilma: não me consta que Marina tenha falado que o mico leão dourado é mais importante que a humanidade (aliás, esse argumento não dá, né?). É justamente o oposto, Marina propõe uma agenda do meio-ambiente para preservar o planeta sem ter que sacrificar os seres humanos. Consequentemente o mico leão dourado salva-se também. Ao contrário de Dilma que dá de ombros para o meio-ambiente, basta ver o comportamento dela em Copenhagen. Quanto ao trator, pode ser que não tenha ficado claro no texto, mas eu me referia ao meio-ambiente e bom, pode ser a todo o resto também. Você acha que um trator político é inteligente, é civilizado? Ganhar todas a que preço? Um adendo, quem distribui renda é o bolsa-família, não é a Dilma. Isso existe para além da presença de Dilma no governo. Está maravilhoso o bolsa-família, mas e quando as pessoas começarem a assar? Sinceramente, acho uma distorção enorme atribuir esses ganhos de inclusão social à Dilma. Então o governo Lula só é bom porque a Dilma é ministra da casa civil? E era horríve quando a Marina era ministra do meio-ambiente? Da onde que o Minc é melhor que Marina? Os índices de desmatamento são uma verdadeira brincadeira, porque é a diminuição do crescimento. Isso não quer dizer absolutamente nada em termos de progresso dessa ação. Sem contar que Minc pegou índices muito melhores deixados por Marina. Podemos ver isso com mais detalhes. Acho que era isso. E, ó, quando tiver tempo, volta, viu?! Como sempre digo: é um prazer conversar com você. Beijos e obrigada pelo comentário.

Flávia,

Claro que eu exagerei propositalmente no lance do mico-leão dourado, do mesmo modo que você exagera que Dilma dá de ombros pro meio-ambiente. Ninguém a essa altura pode dar de ombros ao meio-ambiente. Eu esteriotipei Marina, como, na minha opinião,você esteriotipou a Dilma. Marina não disse que o mico-leão dourado é mais importante que a humanidade, nem Dilma disse que a floresta amazônica não serve pra nada, e vai passar um trator nela, e que as pessoas tem mais é que assar mesmo.

Você está certa: o bolsa-família distribui renda, assim como o aumento do salário mínimo. E Dilma é, sim, uma das responsáveis. Não dá pra negar isso. Eu não disse que o governo só é bom por que Dilma é ministra;mas é bom também por que ela é a ministra que vem coordenando, com muita competência, as obras de infra-estrutura que ajudaram o Brasil a enfrentar a crise. E não era horrível quando Marina era minitra, só que me parece que é melhor agora que ela saiu. Parece-me que Minc deu uma dinâmica maior ao governo e ainda diminuiu o avanço do desmatamento.

Acho que esse papo não vai parar por aqui.

Beijo

Oi Bruno. Ok. Você me provoca com o mico-leão, eu te provoco com o tratorzão :-) Bem, voltando ao caso. Eu não estereotipei Dilma, o que ela fez em Copenhagen foi dar de ombros. Sua manifestação mais contundente em relação ao meio-ambiente foi contradizer Marina afirmando que US$ 1 bi não faria nem cócegas e que a responsabilidade de dar dinheiro ao fundo não era do Brasil, era dos países desenvolvidos. Outra coisa, disse que na mesa de negociações estavam valores altíssimos. Pergunto: onde estarão esses valores? Ela teve a mesma postura que tiveram os líderes dos países que não estão nem um pouco interessados em negociar medidas ambientais. Convenhamos, foi isso que ela fez. Ela, realmente, dá de ombros. Também teve o ato falho que menciono no post. E vc, eu bem sei, é leitor de Freud e sabe o que isso quer dizer :-) Quanto ao Minc, entendo a sua defesa do governo, Bruno, mas cá pra nós, ele não é melhor que a Marina nem aqui, nem na China. Ele e Dilma, por exemplo, não fizeram absolutamente nada para barrar a MP da Grilagem. Aquilo é uma anomalia sem tamanho. É prova de uma falta de responsabilidade e de abrandamento de medidas punitivas com quem tomou posse ilegalmente das terras na Amazônia. Daí é claro, tudo fica mais dinâmico quando não se toma providências diante disso e quando se apressa os licenciamentos ambientais. Tudo corre no mais perfeito progresso. E daí volto para a sua afirmação: Dilma coordena com competência obras de infra-estrutura. Sim, absolutamente, e é só o que ela sabe fazer. Vixe! Esse papo não vai parar nunca ;-) Beijão

Flávia,

Não vou mais polemizar aqui :-) Continuo achando Minc melhor que Marina e poderia fazer uma nova provocação rebatendo a sua afirmação de que Dilma "só" sabe coordenar obras de infraestrutura (não é bem ela que sofre do mal de ter discurso único), mas não vou fazer isso não.

Bom, quanto ao que você classificou de ato-falho de Dilma, vou parodiar o velho Freud: "às vezes, um charuto é apenas um charuto" ;-)

Beijão

Bruno, é uma boa mesmo. Mas só para esclarecer: não acho que a Dilma seja uma política de discurso único. Só acho que, como ministra, ela pensa só pensa na infra-estrutura. E tampouco Marina tem discurso único, você sabe bem. Eu não classifiquei como ato falho da DIlma. Se aquilo não foi um ato falho, pior ainda. Mas enfim, Freud diz isso mesmo. Mas todo texto, toda fala tem um contexto. Resta-nos examinar sem olhos ingênuos. Continuemos esse debate em uma ocasião diferente. Pelo andar da carruagem, ocasiões não faltarão, né? Beijão.