Uma nova política: o que sobrou do primeiro turno

| | Comentários (66)
marina0310.jpg
Estamos em primeiro lugar de um nova política que se inaugura no Brasil.
Marina Silva

Como a maioria dos leitores desse blog sabe, eu votei na Marina Silva e o fiz sem arrependimentos. Eu gostaria de deixar claro, porque não parece óbvio para as pessoas, que votei em Marina Silva e não em José Serra. Não fui eu quem colocou José Serra nenhum no segundo turno.

A bobagem de atribuir a ida de Serra ao segundo turno a quem votou na Marina é tremenda. Primeiro porque pensam que a verdade da bondade, o que mais li ultimamente era que o bem venceria com Dilma, está toda com o PT e quem está contra ele está contra o Brasil, contra os pobres, contra tudo e todos. Em muitos casos, eu sei, tem o calor da hora e é absolutamente compreensível que se radicalize em algum momento. Mas daí a atribuir um quase acefalismo ou uma verve religiosa cega, estúpida, mal esclarecida, entre outras milhares de qualificações que foram jogadas ao vento, é demais. A conotação dos julgamentos tem o mesmo fundo religioso e moralista com os quais se atacam os eleitores de Marina e a própria Marina. A mesma coisa se aplica quando acusam Marina de ser uma traidora. Quem ela traiu?

Tem gente que pensa que a radicalização evangélica é uma novidade. Por favor... Não é de hoje que o evangelismo cresce e que seu discurso se expande para os mais recônditos cantos do Brasil. A merda da Igreja Católica que, na sua incorporação silenciosa em todos os discursos, manda e desmanda ninguém coloca em questão. Sobre a questão evangélica o Idelber Avelar já falou aqui (e é sempre bom lembrar que Dilma também tem uma fatia desse eleitorado). Creio que seja mais do que suficiente para acabar com essa percepção míope e preconceituosa.

Votei em Marina porque acredito no seu projeto. Porque ela tem um projeto. Porque ele é adequado a realidade que vivemos. Porque ele suspende esse tempo de puro progresso, para pensar passado, presente e futuro. E porque, ao pensar assim, ele se torna intempestivo, mas não menos possível. Cheio de conflitos, mas não menos harmonioso. Porque, como disse Viveiros de Castro, é um projeto político que faz jus a esse nome. Se sou ingênua a pensar assim, tudo bem. Eu prefiro as possibilidades às determinações.
 
Dilma vai ganhar as eleições e para isso vai ter que sentar para conversar com Marina Silva, o que é ótimo para o país. Vai ganhar, e se isso importa a essa altura do campeonato, com o meu voto. Então, aos que esbravejam contra os que votaram em Marina, meu mais profundo danem-se. Desprezo-os como desprezo José Serra.
 
E se depois disso tudo ainda quiserem cobrar a dívida do segundo turno de mim, eu devolverei: quem pagará a conta no Maranhão com a reeleição de Roseana Sarney? Então, ficam os meus mais tristes "parabéns" ao PT por essa conquista de "base", de "apoio", e porque não, "ideológica", do governo Maranhão. Nem tudo é preto no branco, não é? E falar assim parece real demais, não parece? Marina Silva não é o bastião da ética nem quer ser, assim como o PT também não (quero crer).
 
Enfim, depois de hoje, e mais do que nunca, tive a certeza de que existe um outro mundo no qual vale a pena acreditar; um outro mundo construído de afetos e desejos. Tão possível e concreto quanto o que vivemos.



66 Comentários

Aqui em Florianópolis, Marina Silva citou Vitor Hugo. Nada é capaz de deter uma ideia cujo tempo chegou. Não sei se o tempo chegou, mas a ideia está aí. A eleição do Gabeira a prefeito do Rio em 2008, em parte, e essa bela vitória de Marina hoje, mostram que é possível disputar de um jeito diferente e ser competitivo.

Vão dizer cobras e lagartos do Gabeira e falar da aliança com o PSDB, eu sei. Mas naquela eleição apoio veio nas condições que Gabeira impôs e não um mero rateio de futuro poder.

Hoje, um em cada cinco votos válidos pra presidente da República foram dados a uma candidata com base eleitoral no Acre, abrigada em uma partido nanico, com 1min30s na televisão e uma ideia: dá pra fazer política diferente.

Apostei nisso porque apesar dos avanços dos últimos 16 anos, eu não posso me conformar com um mundo em que o tráfico de minutos no horário eleitoral é o único norte na hora de fazer dois partidos negociarem uma aliança. Um mundo em que o que o velho conservador vira um aliado progressista em um passe de mágica.

Eu não sei como Marina Silva governaria se eleita. Só sei que a coalizão com o atraso em nome do desenvolvimento criada por Fernando Henrique e aprofundada por Lula não me emociona.

É bom saber que existe esperança de outra coisa. Nada é capaz de deter uma ideia cujo tempo chegou. E vai chegar.

Concordo com todas as suas palavras, Flávia. Votei em Dilma no 1º turno e, evidentemente, nela votarei no 2º. Todavia, esse terrorismo eleitoral de uma parcela dos petistas me irritou desde o momento em que se iniciou, quando Marina saiu do PT e se filiou ao PV. Hoje, além do binarismo, percebi também uma característica tipicamente brasileira nesse rancor contra os eleitores de Marina, sobretudo os de esquerda: nossa dificuldade para assumir responsabilidades, principalmente em relação a nossos equívocos e fracassos. Os petistas precisamos desesperadamente encontrar um culpado, porque é reconfortante, ao invés de assumirmos os erros e repensarmos não apenas as estratégias de campanha, mas também o projeto político e o programa de governo. Essa atitude poderia nos conduzir ao reconhecimento de que existem outros horizontes, outras vias de esquerda, e que nosso horizonte e nossa via não são, necessariamente, os únicos possíveis, tampouco, talvez, os melhores. Lamentavelmente, muitos são os que não estão dispostos a tentar dialogar com Marina e seus eleitores. Afinal, como é possível dialogar com quem responsabilizamos por nosso fracasso - como se a obtenção de cerca de 47% dos votos válidos no primeiro turno pudesse ser considera um fracasso - e representamos como nosso traidor e nosso inimigo? Para piorar, alguns petistas não culpam Marina e seu eleitorado somente pelo segundo turno, mas também por uma possível vitória de Serra.

Um abraço!

PS: Vivemos ou não vivemos em uma democracia? Se vivemos temos que aceitar que votar em José Serra é uma escolha legítima e que os eleitores de Marina que escolherem Serra como candidato à Presidência estão exercendo, democraticamente, sua liberdade de escolha.

Quanto a quem é Marina, tenho poucas dúvidas. Já escrevi trocentas vezes que sua história pessoal e política é admirável, a ponto de achar que em alguns momentos da campanha ela esteve perto de colocar fora tudo o que construiu, quando esboçou fazer coro ao udenismo protagonizado por aqueles setores da mídia de sempre e pelo tucanato mais reacionário (leia-se, a turma de FHC). Mas acho que estes exageros e intensidades ocorrem de todos os lados no calor da disputa, até eu que me considero calminho andei discutindo no facebook... facebook!!!! Deuzulivre!

Quanto ao PV tenho seríssimas dúvidas; até agora é uma nebulosa ideológica/programática e tem uma instabilidade impressionante. Aqui no RS (e, arrisco dizer, no Brasil), nos últimos 10 anos, o PV já foi vários partidos diferentes, de cores diferentes, com propostas e pessoas que vem e vão como criança em festa de aniversário, muitos sorrisos, vontade de agitar, mas a coisa acaba rápido para recomeçar logo ali. De qualquer forma, talvez a presença de Marina ajude a amadurecer o PV, o que será bom para o país. Falar em "nova esquerda", neste momento, pra mim, é muitíssimo temerário - lembremos o PPS...

Há duas questões que me intrigam: a primeira é o voto evangélico. Eu não acho que dê pra relaxar não, ao contrário de você, cara Flávia. Acho que o voto pouco racional, baseado em preconceitos, dogmas, demonização e fundamentalismo religioso é um problema das democracias em todo o mundo. Vejo aí um germe fascista(não o único, bem entendido). Isso, é claro, está mais nítido nos EUA, com os malucos que já saíram das tocas há um bom tempo. Temo que esse fenômeno ganhe força por aqui. Não estou generalizando, acho que o mundo evengélico é vasto e diverso e há fenômenos e pessoas muito interessantes aí; mas o preconceito e muitas vezes a raiva contra quem se diz ateu ou é a favor da descriminalização do aborto ou dos direitos dos homossexuais ou de pesquisas com células tronco embrionárias é uma realidade e assusta um pouco. Os setores religiosos fervorosos gostam muito de cruzadas e de derrotar "o mal"(sentido como absoluto e seguidamente muito bem delimitado, como o capitalismo para os velhos comunistas, que também adoravam o finalismo moral das cruzadas). Vale a pena se debruçar sobre isso antes de se precipitar e acreditar que trata-se de algo pouco importante. Também acho que não dá pra comparar com a igreja católica, viu Flávia? Olha só, são mundos diferentes - historicamente, socialmente e até na forma de viver cotidianamente sua fé e no impacto cotidiano da vida do "fiel". O fervor evangélico, no geral, não pode ser comparado com o cansaço católico. Conheço isso bem de perto.
Bem, a segunda questão que me interessa é o quanto uma parcela dos votos para Marina se deve a setores seduzidos pelo marketing (mesmo que incidental) do "novo" e que não quiseram se comprometer com o PT, digamos, um voto mais "leve", mais "puro", mais "do bem".
Para terminar, acho que há um fascínio intelectual pelo discurso de Marina, porque ele rompe com o desgaste da realidade petista,sua excessiva flexibilização e alianças escrotas. Mas no nível do discurso é sempre mais fácil, e deve mesmo ser; é esse o fascínio que as utopias têm, né? O que há de consistência e verdade aí, o tempo dirá.
Bem, acho que agora é esperar como Marina vai se posicionar. A verdade é que o PV contou muito pouco para esses quase 20% de votos. O Brasil, com seu presidencialismo, gosta mesmo de pessoas, né?, Mais do que ideias, pautas polítcas ou partidos. Getúlio, JK, Lula, Fernando Collor, agora Marina e Dilma(bombada por Lula, é verdade). Todos ultrapassaram, de um jeito ou de outro, a política pela via pessoal.
É isso.
Ao segundão...

Tá figadal o negócio.

Eu pensaria o contrário: não foi a Marina que impediu a vitória de Dilma no primeiro turno, foi a Dilma que impediu a vitória da Marina. Traidores!
=D

Flávia, respeito sua opinião e até concordo, em partes com ela. Apenas alguns reparos. Eu, particularmente, esperava mais, muito mais, de Marina no Ministério do Meio ambiente. E é falsa a idéia de que ela foi podada pela Casa Civil e o agronegócio, representado no governo pelo Ministério da Agricultura. Não é que ela não teve forças, ela foi incapaz mesmo de se impor. Ora, uma personalidade como ela, com a penetração internacional que tem, poderia ter feito mais, muito mais. Sua pífia atuação no MMA consolidou, pelo menos para mim, algo que já vinha amadurecendo há muito tempo: a insuficiência do discurso verde para dar conta dos problemas atuais na sociedade, na economia e na política. Basta ver como andam os verdes europeus - caminhando celeremente para o centro política, quase tangenciando a direita - para entender o que estou dizendo. E o que é pior, Fábio Feldman criticando duramente a Petrobrás e Belo Monte, todavia, silenciando sobre o crime de lesa-humanidade da British Petroleum, é dose para elefante. Por tudo isso, e embora a respeite, mas, para mim, a posição de Marina nestas eleições foi de puro oportunismo politica. Pela sua trajetória, ela merecia algo maior. Não pense ela queopoderá influenciar alguma coisa neste segundo turno. Os verdes Penna, Gabeira, Feldman et caterva, passarão por cima dela com tratores, loucos para sentar no colo tucano (que está com a "barraca" armada para dar eles o que tanto procuram). O desempenho eleitoral de Marina não está ligado a uma nova consciência politica (mais humana, mais respeitosa com o meio ambiente, etc. e tal), não, seu desempenho deve-se, sim, à ênfase no discurso religioso; basta lembrar que em todas as oportunidades de procunciamentos públicas, ela sempre começava com o "eu, que sou uma mulher cristão..." (não que tenha algo contra isso, pelo contrário, sou umbandisda e a tolerância é a minha bandeira. Apenas acho que as pessoas deveriam apresentar-se como verdadeiramente são, sem subterfúgios e nem máscaras). Parabéns pelo blog.

Bela analise!! Vim parar aqui pelo Blog do Alexandre Nodari. Como comentei no dele, acho louvável tal posicionamento. Apesar dos Verdes(a cupula), estarem voltados para o Serra e o Gabeira com certeza declarará apoio aberto.

Também publiquei no meu, sobre o assunto!! Qualquer coisa, de uma lida!

abraços e parabens!

Upiara, querido:

você completa lindamente meu raciocínio. Dá pra fazer política diferente porque ela está mais além dessa lógica do "tráfico de minutos". Tem-se um preço a pagar por isso, é claro, e eu nunca estive mais disposta a pagá-lo que hoje. Quem sabe o grande feito de Marina seja esse mesmo: o de criar um novo tipo de esperança. Uma esperança factível. Um beijo.

Concordo inteiramente com o post da Flávia. A meu ver, o essencial na discussão mais eleitoral é perceber uma coisa: Dilma não perdeu votos. Essa foi a primeira eleição dela. Intenção de voto em pesquisa não é voto. 2 mil pessoas ouvidas não equivalem aos milhões de eleitores. É a velha cantilena: pesquisa é tendência. Ou seja, Dilma não perdeu, mas deixou de ganhar. Agora, colocar a culpa nos outros é fácil e se achar "roubado" (de algo que não se tinha) é simples. Tô completamente de acordo com o Fabiano: é preciso pensar onde o PT errou e não onde ele foi "assaltado". Sorte que tem gente do PT - Tarso Genro e outros - que já apontando nesse sentido. Pautar a eleição toda na continuidade ou não de Lula, e não pelo menos no aprimoramento de seu projeto, foi um erro, pois a Marina, mesmo quando só aparecia com 10% das intenções de voto, quebrava essa lógica plebiscitária. Há dias da eleição, Emir Sader, "intelectual" petista e suplente do Lindberg, concede uma entrevista descendo a lenha na Marina. Que cálculo político, hein. Ah, mas a culpa foi do spam que o Sader recebeu...

Fabiano,

absolutamente de acordo. Mas infelizmente dá pra contar nos dedos quem pensa assim. Se a baixaria dessas eleições vieram de José Serra e sua falta de escrúpulos, por outro lado não foi menos baixaria colocar todos os eleitores de Marina Silva como descerebrados. Sim, é um tanto irreponsável, com o perdão da redudância, responsabilizar os outros pela derrota (que concordo com você, 47% está longe de se figurar como derrota) sem jamais passar pela cabeça de que há alguma coisa errada dentro do próprio discurso. O que me enfureceu mesmo foi a estratégia de neutralizar vozes diferentes, os "dilmistas radicais" esqueceram que se tinha no primeiro turno um inimigo comum e resolveram agredir quem pensava diferente. Diferente, sim e não o exato oposto, como era o caso de José Serra. Foi uma grande decepção.
Enfim, seja muitíssimo bem-vindo a este blog. Foi uma imensa alegria ler seu comentário e agradeço muitíssimo. Um beijo.

Ah, mais uma coisa que surgiu no Twitter agora e que diz respeito aos erros do PT no primeiro turno. Quando surgiu a candidatura da Marina, ela foi bombardeada por perguntas relacionadas à posição dela sobre casamento gay e aborto. Os dilmistas fizeram uso disso pra desmerecê-la, dando magnitude a uma questão que, numa eleição, tende a se simplificar e virar munição para guerra pesada. Agora, estão provando do próprio veneno (em sentido oposto). É uma pena, pois não se debate o aborto ou o casamento gay, mas se usa os dois temas como rótulos para demonizar ou satanizar (nas duas direções).

Maurício,

que bom você aqui além dos 140 caracteres =)
Quanto ao udenismo da Marina, já discutimos, né? Ela acredita na transparência, no combate a corrupção, etc. Na mesmíssima coisa acreditava o PT. Era seu (do PT) o discurso da transparência e que por decisões que tiveram que tomar (que não são ilegítimas) e pelos rumos da governança, abandonaram. Mas essa é a posição de todo candidato: não façamos o povo de bobo, toda falcatrua tem que ser investigada. Até a Dilma falou, o que é ótimo. Sabe que quando estourou o caso de Erenice, achei bom para a Dilma porque a primeira coisa que eu pensei, e olha que não votei nela no primeiro turno, foi nas diferenças de postura: um filho da Dilma não faria isso e se fizesse ela mesma pediria o pescoço. O que acho mais que louvável.
O PV é uma merda retumbante. E não foi por acaso que ontem, quando Marina fez o discurso depois do resultado, ela disse que era necessário fazer uma plenária para discutir a posição no segundo turno. O que ela está dizendo é que o partido não vai sair por aí assumindo posições levianamente. No caso do PV, é preciso separar as coisas. Mas, Maurício, foi o único partido que quis ouvi-la, No PT ela jamais seria ouvida, ela jamais teria 20% de apoio dentro do partido, quem dirá no país inteiro. Daí se é justificável ou não, podemos conversar. Mas a verdade, tristemente, é essa.
E não acho tão ruim quanto você falar em nova esquerda (lembra que Deleuze e Guattari eram entusiastas do PT justamente porque eles representavam uma nova esquerda? tá, foi um apelo emocional, confesso rsrs). Acho que a nova esquerda, pelo menos enquanto discurso, serve para desnaturalizar um modelo de esquerda que novamente se consolidou. Não vejo problemas. Acho que isso é a política mesmo: forças que atuam para tirar a política da sua pura forma.
Ah, os evangélicos... Não acho que dê para relaxar também. O post não é uma mea culpa evangélica. Mas mantenho minha posição: a Igreja Católica é tão nefasta quanto às evangélicas, ela toma conta silenciosamente do imaginário brasileiro. Você lembra daquela confusão lamentável do PNDH 3, né? Quem escreveu uma declaração repudiando o casamento gay, o aborto, a prostituição, etc, foi a CNBB. Foi ela quem fez o Lula recuar: aqui a declaração. Foram eles também que escreveram uma carta orientando os fiéis a não votar em Dilma. Ao passo que os evangélicos estavam dizendo que a Marina iria "recuar religiosamente" diante do casamento gay e aprová-lo. Por outro lado, tentando conquistar os "fiéis" estavam os eleitores de Dilma alertando os cristão que Marina era a favor do casamento gay e que seu partido, o PV, era a favor da liberação da maconha como uma crítica severa à Marina. Não era pra serem bons esses posicionamentos? E agora? Então, acho importante estabelecermos uma diferença: se estamos falando de setores fervorosos como Silas Malafaia, estamos falando de outra coisa, e não de Marina. Estamos falando de José Serra.
Quanto ao fascínio intelectual, tem mesmo. Não posso deixar de dizer que na Marina encontrei a conciliação mais interessante entre teoria e prática. A fórmula deleuziana (rs) de que essas duas coisas só podem andar juntas, porque política é mais que pragmatismo, é desejo.
Sim, o Brasil gosta de pessoas, e está aí uma ótima leitura para explicar a adesão maciça à religião. O Brasil precisa de um santo pra se agarrar e depois massacrar.
Vamos ao segundão, e vou mais feliz do que nunca, porque acredito que, definitivamente, uma nova política está sendo inaugurada no Brasil. E já que não deu com a Marina, farei todos os esforços para que ela venha com Dilma.
Meu colega do Partido da Imanência: apareça sempre é muito bom poder conversar assim, demoradamente. Um beijo!

Oi, Marcos,

queria saber porque é falsa a idéia de que ela foi podada pela Casa Civil e pelo agronegócio. Para mim, que acompanhei de perto Marina a frente do MMA, isso não é uma idéia, tampouco uma idéia falsa. Senão a mais pura verdade.
E discordo de você que a atuação dela tenha sido pífia. Só uns exemplos: Marina bancou a reestruturação do Ibama que era uma zona. Lutou até cansar contra os transgênicos ou pelo menos pela sua regulamentação. Sua média mensal de licenciamentos ambientais eram de 4/mês, subiu para 7/mês com o Minc. Minc, aliás, que é um bom ministro, mas que não conseguiria ser se Marina não tivesse colocado as coisas em ordem. Para mim é indiscutível que Marina foi a melhor ministra do meio-ambiente que já existiu.
Concordo com você em relação ao Feldman. A carona que o PV pegou com a candidatura da Marina foi um desastre. Aqui em SC você não pode imaginar as barbaridades que surgiram...
Agora, oportunismo da Marina? Por que? A estratégia dela merecia algo maior, merecia sim. Mas em que lugar? No PT, impossível. No PSDB, menos ainda.
Quanto à questão religiosa: pra mim não cola. Escrevi na resposta para o Maurício, como você pode ver, que as coisas não são preto no branco assim. O bombardeio vem de tudo quanto é lado. Mas, para não ser precipitada, podemos esperar para ver se conseguimos rastrear os votos dos evangélicos radicais de alguma maneira. E se pensarmos em irracionalismo religioso, ele tem nome e sobrenome: José Serra com Silas Malafaia. Está certo, o lunático do Malafaia apoiava a Marina, mas deixou de fazê-lo quando, de uma vez por todas, percebeu que ela não tornaria o país uma Igreja. Para mim, é mais do que suficiente. Os argumentos cristãos todos eles usaram. Se é uma frente que temos combater, a religiosa ortodoxa, façamos, eu assino embaixo, mas não vamos concentrar isso na Marina Silva e nem generalizar as posições.
Marcos, obrigada pelo comentário. Seja muito bem-vindo e volte sempre. Um abraço.

Franklin,

obrigada pela leitura e pelo comentário. Passarei no seu blog, sim. A cúpula do PV é um cu (que) pula e não bem uma cúpula (rs). Fazer o que, né? Eles foram os únicos dipostos a bancar Marina. Pra mim está bom porque Marina é maior do que isso. Vejamos se o PV se reestrutura, agora temos mais tempo. Um abraço.

Alexandre Nodari, mon amour,

sabia que ia ser assim. Só falta agora dizerem que foi a Marina quem obrigou os dilmistas a encampar esse discurso. Porque agora ela TEM que conseguir o voto dos evangélicos, como se não os tivesse. So sad. Quando não se quer discutir política é assim mesmo. Mas Dilma é maior que isso, assim penso, não vou me deixar levar. Ou pelo menos tentarei. E já que tenho o sangue azul do Avatar, desconectarei minha trança dos discursos ferozes e reacionários para seguir em frente. Beijos

Flavia, quem tem uma fatia do eleitorado fundamentalista é o Lula, não a Dilma. Esse eleitorado fanático pula do barco da Dilma e viu na Marina um bom bote. Não é a Marina, é a campanha do horror que despolitizou essa campanha. Eu vejo esses spams, nenhum contesta posições programáticas. eles falam que a Dilma é comunista, terrorista, abortista e satanista.

Felipe,

seu raciocínio é tentador. Se eu fosse uma "marinista" descerebrada como tem gente que julga até adotaria (rs). Um beijo

Tiago,

por que na Marina? E não no Serra que, esse sim, é irredutível a questão do aborto, do casamento gay, da descriminalização das drogas, etc?
E como se explica isso, isso e mais isso? E esses não são spams que não se sabe de onde vem. Está lá: blog da Dilma 13. A baixaria tomou conta de todos os lados e o que deveríamos defender, virou ofensa. Mas não me convenço que sejam apenas os fundamentalistas evangélicos. Nossa caríssima CNBB pediu aos fiéis que não votassem na Dilma e declarou seu repúdio ao PNDH 3.
As posições programáticas acabaram, Tiago. Quem as tem paga o preço de não se eleger (o Brizola Neto, p.ex.). E isso é consequência, justamente, de não colocar essas posições na mesa de discussão (a Ideli aqui em SC foi isso: grudou no Lula - como se fosse o suficiente -, não disse nada com nada e entregou o estado na mão do DEM, de novo). Torçamos para que no segundo turno seja diferente. Um beijo.

Ok. Parabéns pelo texto. Achei teu post bem articulado, embora um tanto entusiasmado com externalidades que não indicam, claramente,um substrato confiável. Assim, que projeto tem a Marina? A mim, reles votante em potencial, não chegou nada além de generalidades. Além disso, este tal projeto para uma uma nova pactuação política com a sociedade brasileira é dela, Marina, ou de seu partido, cujo posicionamentos e "movimentações" ao longo de sua história, não refletem um pluralismo desejável, mas pura falta de identidade? Talvez seja melhor refletir se há mesmo um partido ideológicamente fundado (independente de matização política). O fenômeno eleitoral, sem dúvida, estabeleceu um ponto de corte, mas, ao menos por enquanto, restrito ao patrimônio pessoal de Marina. O futuro dírá se a "onda erde" amadurecerá, ou se apodrecerá antes disso. Como dizem, o tempo é o senhor a razão.

Marina é, ainda uma força, terceira no caso, mas nunca com os estereótipos que estão em voga na imprensa vulgar!! Excelente blog, Flávia

Na linha do que disse o Gilberto, comentei um post no blog do Idelber e reproduzo aqui.

Muitos dos textos de avaliação dos resultados das eleições (alguns dos quais citados por ti nesse post) estão apontando Marina como fator de uma "nova política" no Brasil, por oposição ao PT e ao PSDB. O estranho é que estão comparando uma pessoa a dois partidos, a dois grupos políticos. Na conta do PT debitam, por exemplo, as alianças com o PMDB. Ao PSDB lembram de FHC e do DEM. E à Marina? Aparentemente, nada. A que(m) interessa separar, em um caso, uma candidata de um partido e, nos outros, diluir os indivíduos em grupos políticos? Se isso é inevitável, avaliemos as vantagens mas também os perigos de Marina não ser reduzível ao PV. Ou vamos dizer que o seu PV, tal como existe hoje, não é parte dessa "nova política", que não é mais o mesmo PV balaio-de-gato? Ou será que a galerinha que já estava no PV não cresceu os olhos depois desse resultado? Mais: será que já podemos fazer apostas sobre os novos nomes que o PV vai ganhar para as suas fileiras no ano que vem? Marina Silva pode ser maior que o PV, mas não é separável dele.

O Emir Sader errou a mão em muitas das críticas (como o faz frequentemente, aliás), mas concordo com ele em um ponto: onde está o projeto de país do PV, para além do simbólico da "nova política", de ela supostamente representar um pensar do "passado, presente e futuro" (Flávia Cera), para além do "trato com a linguagem" (Wisnik) de que precisa o Brasil? Onde está o PV nesse projeto? Marina pode ser boa pra caralho, mas nem da preservação do jardim do Palácio do Planalto ela dá conta sozinha.

Onde enfiamos o PV nessa tal "nova política"?

"[...] avaliemos as vantagens mas também os perigos de Marina não ser reduTível ao PV"

Flávia:

E eu que andava meio desanimado! Mas com a descoberta (graças ao Idelber) deste belíssimo blog, veio um céu de brigadeiro.

Dilma no primeiro turno, vejo agora, seria desastroso, maniqueista. Na minha opinião, as religiões ditas monoteístas são na verdade maniqueístas (ou duoteístas), religiões que frequentemente falam mais do deus Lúcifer do que do deus Jeová, dando a impressão de que aquele é mais poderoso do que este. E dando a impressão de que as hostes de Jeová querem ganhar a guerra usando a arma de Lúcifer - o dinheiro.

Com este segundo turno, vamos escapar do maniqueísmo, e, assim, da demonização do adversário. Quem sabe não devamos voltar aos deuses gregos?! E na campanha, que tal deixar, de verdade, Marina participar dela, como estrela e não como coadjuvante?

Quanto ao blog, belíssimo texto, complementado por comentários de altíssimo nível.

Muito boa a análise e o desabafo. Votei na Dilma e tenho convicção que ela ganhará a eleição com muitos votos originários da Marina. Admiro demais a trajetória política da Marina Silva e acho importantíssimo que ela e Dilma sentem para conversar. É bom para o Brasil mesmo.
Minha única crítica à Marina é que ela repercutiu sem nenhum critério o sem número de inverdades e factóides gerados pela grande mídia, com o único intuito de detonar a campanha petista. Divergências à parte, a Marina já esteve no PT e no governo, e sabe perfeitamente como a manipualção midiática funciona. Nisso, acho que a Marina errou, pois portou-se como inocente útil para a grande imprensa que, em verdade, é a cabeça da candidatura tucana.

Para mim, é um alívio ler uma posição como esta de um eleitor de Marina. Embora não concorde com todos os argumentos, se a maioria do eleitorado "verde" enriquecesse o debate dessa maneira, esse segundo turno realmente teria sido uma grande vitória política para o Brasil. Infelizmente, na prática, as coisas são menos animadoras. Entre os - muitos - eleitores de Marina que conheço (num universo de órgão público federal), a justificativa para o voto é o ódio ao PT (mesmo reconhecendo que o país melhorou - isso não importa para definir o voto) e a indisposição de votar diretamente em Serra (talvez seja esse o voto da direita envergonhada a que alguns se referem). Esses eleitores mal conhecem sua candidata para além da sua história de vida e seu engajamento ecológico. Por outro lado, trabalhando na periferia de Salvador durante as eleições, pude constatar que o voto em Marina - bastante expressivo, por sinal, e algumas vezes ganhando de Dilma - foi basicamente um voto evangélico sustentado pelos boatos mais primários, como o de que ela proibiria o culto evangélico se fosse eleita.
Então me parece que, infelizmente, não vão ser reivindicações positivas como a sua (de frear o desenvolvimentismo e a governabilidade a todo custo, por exemplo) que vão se beneficiar do poder que esses 20% de votos conferiram a Marina. Com pesar, constato que, haja o que houver no segundo turno, o Brasil já saiu perdendo. Votos como o seu, por mais conscientes que sejam, acabaram por emprestar representatividade numérica à agenda evangélica, a despeito das suas intenções e a despeito, inclusive, da própria Marina.

A propósito, os votos da "cruzada religiosa" dos católicos migraram para Serra; o dos evangélicos, para Marina (e só agora no segundo turno, provavelmente, para Serra). A razão para isso não me parece muito misteriosa.

Para mim, é um alívio ler uma posição como esta de um eleitor de Marina. Embora não concorde com todos os argumentos, se a maioria do eleitorado "verde" enriquecesse o debate dessa maneira, esse segundo turno realmente teria sido uma grande vitória política para o Brasil. Infelizmente, na prática, as coisas são menos animadoras. Entre os - muitos - eleitores de Marina que conheço (num universo de órgão público federal), a justificativa para o voto é o ódio ao PT (mesmo reconhecendo que o país melhorou - isso não importa para definir o voto) e a indisposição de votar diretamente em Serra (talvez seja esse o voto da direita envergonhada a que alguns se referem). Esses eleitores mal conhecem sua candidata para além da sua história de vida e seu engajamento ecológico. Por outro lado, trabalhando na periferia de Salvador durante as eleições, pude constatar que o voto em Marina - bastante expressivo, por sinal, e algumas vezes ganhando de Dilma - foi basicamente um voto evangélico sustentado pelos boatos mais primários, como o de que ela proibiria o culto evangélico se fosse eleita.
Então me parece que, infelizmente, não vão ser reivindicações positivas como a sua (de frear o desenvolvimentismo e a governabilidade a todo custo, por exemplo) que vão se beneficiar do poder que esses 20% de votos conferiram a Marina. Com pesar, constato que, haja o que houver no segundo turno, o Brasil já saiu perdendo. Votos como o seu, por mais conscientes que sejam, acabaram por emprestar representatividade numérica à agenda evangélica, a despeito das suas intenções e a despeito, inclusive, da própria Marina.

A propósito, os votos da "cruzada religiosa" dos católicos migraram para Serra; o dos evangélicos, para Marina (e só agora no segundo turno, provavelmente, para Serra). A razão para isso não me parece muito misteriosa.

Ótima análise, Flávia.
Boa contribuição para que o debate desse segundo turno não acirre o vale tudo que turvou o cenário nacional até agora.
Marina não é uma liderança que se pensa suficiente, e ao reconhecer os "núcleos vivos da sociedade" como ela chama, procura ampliar sua base para além do frágil PV, que tem agora uma oportunidade de dar a volta por cima e se construir como uma alternativa partidária.
Quem se deu ao trabalho de ler suas diretrizes de governo sabe que ali tem sim um projeto para o país, mas tem também o reconhecimento de que sozinho nem um partido dá conta do recado (não foi essa a conta da governabilidade que aproximou o PT do PMDB?).
Espero que o PT aproveite a oportunidade para refletir sobre o que pode oferecer de novo ao Brasil, ao invés de tentar minimizar o recado dado pelas urnas.

"pensam que a verdade da bondade, o que mais li ultimamente era que o bem venceria com Dilma, está toda com o PT e quem está contra ele está contra o Brasil, contra os pobres, contra tudo e todos"

aqui mais uma vez vejo a discussao restringindo-se e apequenando-se, o que creio ser uma das críticas da própria autora.

nao sou do pt, nunca fui do pt ...qto a isso, acho interessante colocar que seria mais acertado afirmar que pertenco à coligacao PRB / PDT / PT / PMDB / PTN / PSC / PR / PTC / PSB / *MEG* (entre outros tantos milhoes de anônimos nao vinculados a quaisquer partidos políticos, que desejam tao somente que o Brasil siga mudando, principalmente em termos econômicos e sociais, e acreditam que votar em Serra, ou simplesmente contribuirem para sua ida ao 2° turno, seja uma ameça real ao avanço de nosso país.)

"con duras cadenas
los pies todos juntos
hemos de vencer" Daniel Viglietti

Vamos à luta.

Meg

"pensam que a verdade da bondade, o que mais li ultimamente era que o bem venceria com Dilma, está toda com o PT e quem está contra ele está contra o Brasil, contra os pobres, contra tudo e todos"

aqui mais uma vez vejo a discussao restringindo-se e apequenando-se, o que creio ser uma das críticas da própria autora.

nao sou do pt, nunca fui do pt ...qto a isso, acho interessante colocar que seria mais acertado afirmar que pertenco à coligacao PRB / PDT / PT / PMDB / PTN / PSC / PR / PTC / PSB / *MEG* (entre outros tantos milhoes de anônimos nao vinculados a quaisquer partidos políticos, que desejam tao somente que o Brasil siga mudando, principalmente em termos econômicos e sociais, e acreditam que votar em Serra, ou simplesmente contribuirem para sua ida ao 2° turno, seja uma ameça real ao avanço de nosso país.)

"con duras cadenas
los pies todos juntos
hemos de vencer" Daniel Viglietti

Vamos à luta.

Meg

Gilberto,

a Marina tem um projeto que começa com a proposta de mudança dos meios de produção e de consumo. E isso não é pouco e envolve todos os setores. É claro que não acredito no PV na forma em que ele está. Não sou boba. Acho que eles pegaram uma carona histórica com a candidatura de Marina, mas por outro lado, não colou e eles cairam do cavalo. Mas acredito também que dá para repensar o PV, dá para re-fundar um partido desgastado. Como você mesmo disse: o futuro dirá.
Obrigada, Gilberto. Um abraço.

Sonia,

sua questão também é minha. Embora eu seja uma entusiasta da Marina não sou entusiasta do PV como ele está. Mas dadas as circunstâncias da filiação da Marina não vejo como associá-la a imagem do PV. Respondendo diretamente a sua pergunta: esse PV ainda é do balaio-de-gato. Sem dúvidas. Mas ela está perfeitamente separada dele, ainda. Quanto ao Emir Sader, que tb acho que errou a mão: a Marina tinha um projeto para o país, e se com isso tenho que dizer o PV eu digo, mas não com entusiasmo. Porque não sou cega, né? Mas acredito que o PV possa se reestruturar.
Não acho que seja apenas uma mudança simbólica, acho que a mudança simbólica ela já conseguiu porque tanto Dilma quanto Serra terão que incorporar sua proposta. A mudança era concreta: mudar os meios de produção e consumo, embora ela tenha focado na educação, está tudo muito conectado. Marina não planejou cuidar do jardim do Palácio do Planalto sozinha, muito menos do país inteiro. O que ela propunha era uma aliança "com os melhores do PT e os melhores do PSDB". Como isso se daria, não sei. Mas também não podemos fantasiar. Era uma proposta tão concreta quanto as outras.
Obrigada pelo comentário, Sonia e seja bem-vinda. Ainda mantenho algumas dúvidas, mas nada que não me faça apostar. Um abraço.

Valdir,

obrigada. Fico feliz que tenha gostado do blog e do texto.
Então, concordo com você em relação as religiões. São puro maniqueísmo. Assim como as eleições. E não sou tão otimista quanto você, acho que o segundo turno vai ser uma loucura de bem contra o mal. Essa é a notícia triste...
Também acho que a Marina deveria participar ativamente, mas não vejo muito espaço para ela no meio disso tudo. Mas vamos ver o desenrolar da coisa. O começo desse segundo turno já está sofrível o suficiente e só tende a piorar.
Seja bem-vindo Valdir e volte sempre =) Um abraço!

MF:

eu reconheço que em minha volta todos os eleitores de Marina, todos sem exceção, votaram nela porque acreditavam no seu projeto. Mas acredito no que você me conta do ódio ao PT e da "direita envergonhada". É que realmente não se aplica ao que vi. Nenhuma das pessoas que conheço aqui, por exemplo, votaram em Marina e no Raimundo Colombo. O que para mim era mais do que suficiente. Quanto aos evangélicos, eu acredito que a maioria desses votos migraram para o Serra. A Marina propunha, embora eu discorde, um plebiscito para o aborto e para a descriminalização das drogas. Quem é irredutível até a medula com isso é o Serra. O Antonio Luiz Costa escreveu sobre o voto da Marina na Carta Capital e mostra como a questão está pouco pouco vinculada aos evangélicos
Não acho que meu voto tenha emprestado representatividade numérica à agenda evangélica. E acho mais: se tem evangélico no país o que vamos fazer? Tem que lidar com eles, enfraquecer seu discurso ordinário e tal, mas tem que lidar. Não acho justo concentrarem isso na figura de Marina Silva. Não me parece que é ela quem representa a ortodoxia carola no Brasil.
Muito obrigada pela visita e pelo comentário. Volte sempre =) Um abraço.

Adriana:

"os núcleos vivos da sociedade", por nada não, mas Marina manda bem demais, né? Ótima lembrança, Adriana! Sim, eu concordo com você, a Marina tinha um projeto para o país que queria construir COM as pessoas. E esse significante COM é a coisa mais bonita da Marina. Ali está o centro da sua política.Também estou na torcida para que o PT a escute, embora eu acredite pouco nisso.
Obrigada pelo comentário e pela visita. Seja bem-vinda e volte sempre aqui.
Um abraço!

Meg:

meu recado foi justamente para os dilmistas radicais que achavam que o bem está com Lula e Dilma, vide o caso Netinho que se purificou e veio com um discurso feminista que tinha que ser engolido por todo mundo. Estou entre os outros milhões de anônimos que desejam que o Brasil siga mudando, mas que reflita suas mudanças. Sem pensamento crítico, sem autocrítica, você acaba com a política. A ameaça de Serra é viva e tem que ser combatida com propostas e não com a determinação de que tudo está certo e não precisa mudar.
Um abraço.

Fernando:

também acho que Dilma ganhará no segundo turno. E acho que ganhará de maneira mais consistente e não porque existe o Lula e ela vai continuar o que ele vinha fazendo. Tenho um amigo que disse que o discurso da continuidade é a despolitização da política, e concordo muito com ele. Será muito bom que as duas sentem para conversar.
Quanto aos factóides: a Marina não reproduziu inverdades, o sigilo da filha do Serra foi quebrado, a Erenice teve realmente problemas na casa civil. Marina queria que isso fosse investigado etc e tal, assim como a Dilma queria. E é o certo a fazer, sem moralismo, sabe? Mas é o certo a fazer mesmo. Que a mídia pegue o discurso dela e manipule é outra coisa, nojenta e inescrupulosa, por certo, mas é diferente.
Obrigada pela visita e pelo comentário. Um abraço!

Flávia,
Cheguei ao seu site através do post do Idelber. Já visitei também o site do Alexandre Nodari. Gostei muito dos dois.
Já briguei muito com os comunistas do partidão (antigo PCB) e também do PCB do B, quando eles integravam a base de apoio ao PMDB, à época da fundação do PT. Os argumentos que usavam contra nós baseavam-se na necessidade de fortalecer o "campo democrático", e isso só poderia ser feito através do então chamado "voto útil". Ou seja, o voto no PT era inútil, e (jargão da época) levava água para o moinho da direita.
O que levamos de pedrada quando Fernando Henrique perdeu a eleição para a Prefeitura de São Paulo para Jânio Quadros, por conta da votação de Eduardo Suplicy, não foi brincadeira (à época não existia segundo turno). O fato é que na, eleição seguinte, conseguimos a vitória de Luiza Erundina, porque o partido estava bem mais fortemente enraizado. Mas isso é outra história...
Enxergo nisso uma proximidade às críticas arrogantes que foram dirigidas por vários "luminares" do PT à Marina e a seus apoiadores, desqualificando sua opção por uma nova corrente política (que não é o PV, claro, mas o Movimento Marina Silva). A legitimidade de se tentar a construção de uma alternativa ao esquema plebiscitário PT X PSDB não pode ser colocada em dúvida.
No entanto, alguns reparos:
1. Como se pode falar em "projeto novo", pelo menos na área econômica, sabendo-se que os dois mentores do programa de Marina são os ex-tucanos Ricardo Paes de Barros e Eduardo Gianetti da Fonseca, notórios representantes da ortodoxia econômica e do Estado mínimo?
2. Marina me pareceu um pouco deslumbrada demais com a celebridade que desfrutou na mídia. É claro que isso fazia parte da tentativa de encher o balão da terceira via, porque, acho que você há de concordar, a grande mídia tem candidato, e não era a Marina. Seu comportamento no episódio "Erenice" me pareceu um pouco oportunista.
Enfim, é isso, acho que já escrevi demais.
Um abraço

Todos nós sabemos mesmo quem não mora em São Paulo o governo que o sr. serrote fez nesse estado, agora fica o partido a mercê com todo respeito de uma senhora magoada, dispeitada por não ser a escolhida de Lula para sua sucessão, todos nós sabemos quem esta por trás da candidata do PV "PIG", concordo com o Paulo Henrique, quando diz o "(Será que a Marina não se lançou candidata a Presidente porque sabia que seria derrotada para o Senado no Acre ?. E jogou-se no precipício de um degrau mais alto ?). O PV é um partido do tipo “barriga de aluguel” pelo país afora. Une-se ao “primeiro” que aparecer, com entusiasmo febril se o “primeiro” que aparecer surgir do lado direito do espectro político. Especialmente se esse “primeiro” dispuser de recursos fartos para financiar os elevados custos de diversos tipos de campanhas." O Brasil viveu 502 anos "ate a era fhc", com apenas 08 anos se conquistou respeito e atenção pelo mundo afora, resgatamos um dos nosso maiores patrimônio PT-BR, para entregar nas mãos dos gafanhotos, migradores, cortadores e destruidores, será simplesmente 08 anos em vão.

Ruy:

a história sempre retorna, né? A diferença de lá pra cá é pouca. Por isso que é preciso ter memória, coisa que muita gente não tem. Acho que Marina conseguiu cumprir o seu papel também, o da "terceira via", e surtiu um bom efeito. Quanto as suas objeções: sobre o projeto econômico eu acho que a proposta dela ganha por querer alterar os meios de produção e de consumo. Com isso ela conseguiria ampliar sua proposta para todas as áreas. Porque, a meu ver, esse é um dos grandes problemas: o progresso, custe o que custar, é a ordem do dia. E muita água já passou por debaixo da ponte para sabermos que não pode ser assim (em termos históricos, econômicos, filosóficos, etc). Há quem diga que a Marina era a candidata mais liberal de todas, eu discordo um pouco disso porque ela não descuidou nas propostas da grande necessidade de um programa social sólido para o Brasil. Não acho que ela encamparia um discurso de estado mínimo, ela tinha mais a "pegada" da educação para conquista da independência do cidadão, etc. Quanto ao segundo ponto: sim, a mídia tinha candidato. Mas a Marina queria ir para o segundo turno, então tiraria o deslumbramento para colocar um "aproveitamento" da mídia. Eu repudio completamente o comportamento da mídia, mas é um veículo que Marina precisava usar. Quanto ao caso Erenice, sim, pode ter sido excessivo, tanto que Dilma falou o que falou no debate da Record e com razão. Mas ela pedia investigação e isso até a Dilma pediu. Nada mais correto, eu acho.
E, não, você não escreveu demais. De jeito nenhum.
Apareça por aqui. Obrigada pelo comentário. Um abraço.

Well Costa:

Se você concorda com o que PHA disse, sinto muito, você veio ao blog errado. Estou discutindo uma candidatura política séria e não as iras de um jornalista que não faz autocrítica. Abraço.

Olá Flavia,

Primeiro quero te cumprimentar pela ótima análise. Depois, te dizer que citei teu post em meu blog, onde também procuro refletir sobre os últimos acontecimentos eleitorais. Segue o ling: http://bit.ly/9q6V7J

Abs

Cheguei até seu blog através do Idelber Avelar. E discordo completamente de seu texto.

Quando você diz: "Votei em Marina porque acredito no seu projeto. Porque ela tem um projeto. Porque ele é adequado a realidade que vivemos. Porque ele suspende esse tempo de puro progresso, para pensar passado, presente e futuro. E porque, ao pensar assim, ele se torna intempestivo, mas não menos possível. Cheio de conflitos, mas não menos harmonioso." está escrevendo bonito mas não está dizendo nada. O projeto "marineiro" é vazio e seu discurso é profundo como um pires.

Flávia, se você acha que Marina Silva tem projeto, leia esse texto do Vladimir Safatle: http://sergyovitro.blogspot.com/2010/10/vladimir-safatle-marina-silva-em-wall.html

Plínio estava certo ao dizer que Marina Silva é uma ecocapitalista. Como buscar o desenvolvimento sustentável aliando-se ao grande capital, que não quer nada a não ser mais capital?

Você erra também ao escrever: "E se depois disso tudo ainda quiserem cobrar a dívida do segundo turno de mim, eu devolverei: quem pagará a conta no Maranhão com a reeleição de Roseana Sarney?". Erra porque esquece que um dos próceres do PV é o Zequinha Sarney!! Ou seja, o PV tem ligações fortes com o atraso, com a mesma família Sarney que você bota no colo do PT.

Eu diria que Marina Silva, apesar de sua longa trajetória como ambientalista, acabou criando o "ecopopulismo". O discurso é politicamente correto, aparentemente progressista, mas esconde a manutenção do "tudo que está aí". Não diria que Marina Silva é traidora, mas oportunista apenas. Saiu do governo esquecendo-se de que o Ministério do Meio Ambiente não é dela, e sim do governo. Todos os Ministérios tem de estar submetidos ao projeto do governo, do partido que detém o governo. Mas Marina Silva foi personalista. Por isso mesmo, anti-republicana. Mostrou que não é pessoa de partido. Que seu projeto pessoal de poder está acima de partidos. Isso a torna populista, totalmente populista. Uma "Jânio Quadros" evangélica, que não bebe e faz coleta seletiva de lixo.

Daniel,

não sei porque você afirma que não estou dizendo nada. Pode não fazer sentido para você, e não me surpreende que algumas pessoas não entendam. A manutenção de tudo que está aí (governo Lula) era o que pretendia a campanha de Dilma no primeiro turno, mas se os resultados das eleições não lhe disseram nada, sinto muito. Quanto ao artigo do Safatle: as categorias são as mesmas dos marxistas economicistas que pululam por aí. A prova de que, às vezes, até as pessoas de inegável inteligência não conseguem olhar para além do muro contábil.

Marcelo,

obrigada. Passarei lá! Um abraço.

Ao Daniel Perry:

Os dilmo-petistas argumentam de um jeito muito parecido. O que é bom "é porque somos diferentes". O que não é bom "é porque somos iguais".

Ressuscitam Plínio para chamar Marina de "eco-capitalista". Não vejo motivos pra negar o rótulo. Mas se o padrão é esse, o governo Lula pode ser chamado de "assistêncio-capitalista". Aposto que o Plínio assinaria. Mas é típico do dilmo-petismo aproveitar o argumentador quando lhe serve e desconstruí-lo quando não.

Sigo adiante, misturo-me a vocês. Acho vocês uns amores.

Se ponto é Sarney, falemos dele. Tem um sarneyzinho no PV. É verdade, tem. Está lá desde 2000 - nove anos antes da filiação de Marina. Quero acreditar que existe uma diferença entre ter um Sarney Filho filiado a seu partido e salvar um Sarney pai de uma cassação (e até mesmo de uma investigação).

Lembrando tudo que a base lulista fez pra salvar Sarney da degola, lembro da mesma operação feita para salvar Renan Calheiros. E lembro sabe do quê, Daniel? De que no governo Fernando Henrique foram cassados (ou renunciaram pra escapar da cassação) Luiz Estevão, Arruda, Jader Barbalho e Antônio Carlos Magalhães. Sem que em nenhum desses casos a salvação ou não do parlamentar se tornasse algo crucial para a governabilidade.

É típico do dilmo-petismo igualar os desiguais. Não somos iguais, não. Apontar o dedo para chamar Marina de personalista ignorando que o único capital eleitoral da candidata petista é um presidente com 80% de aprovação chega a ser desfaçatez. Marina, que você acusa de criadora de um pretenso eco-populismo, tornou-se popular durante o horário eleitoral, por conta das ideias que expôs nos três minutos que tinha na televisão _ dia sim, dia não.

Como Dilma Rousseff tornou-se popular no Brasil, Daniel? Pelo dedaço de um líder popular que não pode concorrer, né? Isso é muito republicano, provavelmente.

Você diz que Marina não é uma pessoa de partido, que privilegia um projeto pessoal. Interessante o ponto de vista. E o presidente Lula, que escolheu o sucessor como quis e quando quis? Ele foi partidário ao escolher alguém com menos de 10 anos de filiação para seguir seu projeto? Ele foi petista ou foi lulista na hora em que escolheu uma auxiliar em vez de um petista de verdade para sucedê-lo?

É muito fácil apontar o dedo sujo pros outros e listar incoerências. Foi assim que o PT chegou ao poder, prometendo fazer diferente. Fez diferente no modelo de desenvolvimento de país, realmente. Mas foi igualíssimo na hora do "como governar".

Eu não vou patrulhar o voto alheio. É muito feio isso. Mais, é anti-democratico. Tenho certeza absoluta de que Dilma Rousseff é uma burocrata bem intencionada e pode ser uma boa presidente.

Mas não nos iguale, por favor. Nós, os marineiros, somos do time que acha que fazer aliança com o atraso em nome do desenvolvimento não é suficiente. "Tudo que está aí" é o que nos promete Dilma, é o que Serra pode nos oferecer. Nós achamos os dois uns amores, mas temos a utopia de um governo sem Sarney, Renan e Bornhausen. Porque se for assim, que fiquem lá petistas ou tucanos, alternadamente. Não vai fazer diferença.

Não nos iguale, por favor.

A Marina tomou bronca do Santayana por ser candidata de gente que quer internacionalizar a Amazônia.

A propósito, a conta do horrível apoio da cúpula do PT à Roseana pode ser cobrada do filho do Sarney que apoia Marina.

A política é feia. A política brasileira é mais feia ainda. E ninguém está a salvo da 'feiura'.

E te digo mais.
Marina e aquele jatinho milionário. Dilma e suas jóias caríssimas. Serra e seu enriquecimento mais que suspeito. De todos, o que mais admiro como pessoa é Plínio (embora eu não tenha votado nele - pq a vida é feia. E o pragmatismo é feio! rs).

Em certo sentido, parte do voto Marina é um voto Plínio mais ao centro. É a busca de uma política mais limpa, de "mais". Digo que é o voto Plínio "mais ao centro" pois acredito que é meio utopia querer uma mudança muito rápida.

Lula melhora o país, mais devagar do que deveria. Mas talvez na velocidade que dê pra fazer. Estamos vendo a dificuldade que há no Brasil: não se consegue discutir nada. A mídia age como defensora dos agentes privados em discussões públicas. É terrível.

De aborto à taxa Selic, toda discussão é emperrada ou instrumentalizada para fins de golpe midiático. Lula toma um impeachment por dia na Grande Mídia.

O Nassif fala muito isso: nenhuma das grandes reformas do Brasil será (bem) feita se não houver uma reforma da Mídia.

Enfim, por isso creio que Marina refletiu um anseio justo de muitas pessoas. Mas não acredito que ela fosse fazer diferente (para melhor). Especialmente levando em conta aquele partido dela.

Eu respeito a história de Marina e sempre a tive no mais alto conceito. Porém, apesar de acharem que é necessário a mudança, em grande parte ela já veio nesses 8 anos (se não em todos os sentidos) mas pelo menos num sentido fundamental que é pensar nas pessoas em primeiro lugar. Quando se pensa no meio ambiente em primeiro lugar pode-se pensar num meio ambiente saudável apenas para uma minoria.
O que está em jogo não é apenas o modelo de desenvolvimento, mas também quem pode governar governar este país. De uma lado, um grupo que sempre esteve no poder, representado por Serra e que, consciente ou inconscientemente, nunca trabalhou concretamente para melhorar a vida dos mais pobres. Aliás, um dos incômodos dos mais ricos deste país é o fato de atualmente a nova classe média conviver com eles em shoppings, aviões, etc. Vocês acreditam que sendo esse um incômodo, esse modelo de desenvolvimento inclusivo continuará com Serra?
Não sou do PT, mas tenho consciência de que perdemos a chance de ganharmos no primeiro turno e encerrarmos a baixaria que retornará e é uma ameaça, exatamente por falta de visão de futuro. A conquista do meio ambiente sustentável para todos, deve ser uma luta permanente, gradual.... somente assim se concretizará, e não se pode esquecer que a primeira bandeira do desenvolvimento sustentável foi do PT e não dos Verdes, mas ligados a um processo de internacionalização de "nichos ambientais" como a amazônia.

Flávia Cera,

Se os "marineiros" imaginavam que Marina Silva ia promover grandes mudanças caso eleita, realmente são ingênuos.

Achei muito bonitinho isso: "Se sou ingênua a pensar assim, tudo bem. Eu prefiro as possibilidades às determinações." É o jeito "Hello-Kit" de fazer politica! Fofíssimo!

A realidade é que, pertencendo a um partido tão fraco como o PV, Marina teria que negociar com os principais partidos. Imagino que ela tentaria formar um governo de coalizão. No Brasil, a última tentativa de se fazer algo do tipo foi na época do Sarney, com o famigerado centrão. Assustador, né?

Olá Upiara Boschi

O "marino-pvismo" (já que vc criou o dilmo-petismo) é um fenômeno interessante. Não se considera direita nem esquerda. Acha que PSDB e PT são iguais (PSol, PSTU e PCO também acham, mas eles são de extrema-esquerda mesmo). Então, o "marino-pvismo" é o extremismo de centro!

Para os "dilmo-petistas" o centro é perigoso. O centro lembra-nos aquele grupo de deputados sem opiniões muito claras, que durante a Revolução Francesa foi chamado de Pântano. E qual foi a postura do Pântano naquele momento decisivo de aprofundamento das mudanças em curso? Apoiaram um regresso conservador, mostrando sua verdadeira face.

Na verdade, os marineiros fazem o jogo do conservadorismo. Igualar PT e PSDB é desconhecer a História do Brasil. É ignorar a comparação entre os governos FHC e Lula. E apoiar Serra agora é apoiar o atraso.

Já declarar-se neutro é covardia. E parece que sua "líder" fará isso. Vai se apequenar. Pessoas de opinião clara sabem bem a diferença entre esquerda e direita e tomam posição, como Brizola e Covas no 2º turno em 1989.

Creditar a escolha de Dilma como candidata a um "dedaço" de Lula é não somente ignorar a trajetória política de uma ex-guerrilheira, militante progressista e feminista há décadas e eficiente burocrata (por que não?) de governos de esquerda, como também reproduzir o discurso vazio da Veja, por exemplo.

Entender a participação de Lula na campanha como anti-republicanismo é esquecer que, no regime presidencialista, o presidente é Chefe de Estado e de Governo, continuando a ser um homem de partido.

Por fim, devo ressaltar que para assemelhar-se a movimentos como o tenentismo da década de 20, só falta ao "marino-pvismo" se considerar superior aos demais.

Ah! Não falta não. Você mesma me pediu para não igualá-los aos outros. Desculpe. Esqueci da excepcionalidade dos "marineiros". Vocês tem um "destino manifesto". São o povo escolhido!

ó, vou tentar discutir com argumentos do texto. eu sei q já passou, mas é q eu não consigo ver objetivamente a que propostas da marina o povo está se apegando. ou está se apegando só a um sentimento? é só afeto e desejo? melhor deixar isso pra votação do seu big brother favorito
primeiro acho o texto confuso. a parte da verdade da bondade não diz nada com nada.
aí tem a parte da traição. mas vamos lembrar, qdo a marina saiu do pt? foi por causa dos ogm? não. foi por causa do mensalão? não. saiu pq não foi a escolhida pelo lula.
radicalização religiosa. ok, ela não é fonte. mas se apoiou conscientemente nisso, a cada agradecimento a Deus no debate. e a questão do aborto e dos gays: sempre a evasiva do plebiscito. ora, pena de morte seria aprovada em plebiscito no BR. e aí, é uma boa?
projeto político. sério, alguém já leu o programa da marina? é uma coleção de banalidades e generalidades, com o agravante de que a perte econômica é feita por neoliberais que querem reduzir o Estado. procurem pelo currículo e textos de gianetti da fonseca.
Não acho que erros nas alianças do pt justifiquem os erros de marina. Afinal, ela é a candidata po “possível” ou não é. Realpolitk por realpolitik eu prefiro a do pt, que já deu resultados e sei como é. A marina andou hesitando inclusive em defender programas sociais como o bolsa família, inclusive caindo na esparrela de que é preciso substituí-lo por educação. Ou seja, laranja com bananas. Então renda mínima só é legal qdo feita pela suécia?

Se o Serra ganhar, podemos voltar aqui para te puxar a orelha? rs ...

Ok! Sabe, acho que foi bom termos o segundo turno, apesar dos riscos. tenho arrrrepios de que o Serra(DEM/TFP/Dantas), em função de alguma tragédia erigida sobre múltiplas bizarrices, imprevistos ou surto coletivo, vença; sabes o que isso significaria... Por isso fiquei triste, mas agora entendo que foi bom assim, talvez algo análogo a 2006. Talvez os motivos para haver o segundão pudessem ser melhores, mas, enfim...
Quanto a alguns setores evangélicos e também católicos (por mais que mais "cansados"), bem, lembrei de algo que Jung escreveu em 1928, ele estava bem assustado com algo que poucos estavam na época - uma certa disposição que estava começando a se organizar na Alemanha; ele previu uma tragédia porque, na sua opinião, naquele fervor ainda desorganizado estava contido um germe muito potente - isso em 1928! Sabemos o que ocrreu 10 anos depois (entonces, talvez eu esteja exagerando muito, mas já vi umas coisinhas fortes nesta área, não custa ficar atento). Depois veio Reich inovar e dizer que o povo desejou o fascismo e Deleuze/Guattari sempre lembram isso. O microfascismo do desejo é um tema e tanto, né?
Abração.
É sempre legal passar por aqui.

Flávia Cera, gostei do seu texto e com ele concordo em quase tudo. No que discordo, quero comentar sobre a enfatização do projeto de Marina e do PV.

Com todo o respeito a você e sem eu querer ser arrogante (porque sei que o que vou falar é o que um arrogante diria), acho que você e Marina estão iludidas com o ambientalismo como muita gente da extrema esquerda está iludida com o socialismo. Quando o Plínio chamou Marina de ecocapitalista, não foi somente para fazer graça. Tá, pode ser que o obtuso seja eu, então ensinem-me de novo todas as ciências humanas e econômicas, mas não consigo conceber um mundo capitalista ambientalmente sustentável. E falo isso para muito além da ironia sem-graça de quem diz "você acha que ecobags vão salvar o mundo?".

Estrutura social de produção, que atualmente é o capitalismo global, não se muda na base da canetada e do decreto. Não dá. Se eu não estiver redondamente enganado, isso só é possível na base da fé, mesmo. Isso comprovaria a suspeita de que quem quer acreditar, acredita em qualquer coisa.

Por fim; gostei muito deste blog, parabéns!

Oi, Rafael:

que me consta a Marina não saiu do PT porque não foi indicada à presidência. Onde saiu isso? Sim, ela era evasiva com o plebiscito, nisso eu concordo. Mas meu argumento é: isso era melhor que o José Serra irredutível, entende? Eu já li o programa da Marina, e não acho que a proposta de investir 7% do PIB na educação seja uma banalidade. Também não acho que um erro justifica o outro, não foi o que eu disse. Se querem colocar na minha conta a ida do Serra para o segundo turno, terei em contrapartida um monte de coisas para colocar na conta do PT que agiu muito mal no primeiro turno. A questão era justamente mostrar que nem tudo é preto no branco, que não é uma conta lógica e precisa. Nisso eu fui clara. Substituir o bolsa-família por educação deve ser o caminho natural, se o PT não pensa em fazer isso é um grande erro. E, não, claro que não, o renda mínima é um projeto muito bonito que apóio aqui ou na Suécia.
Obrigada, Rafael. Um abraço.

Maurício, querido!

Estou de acordo. Só pra deixar mais claro: eu também sou receosa com o evangelismo todo. Não acho que seja assim, plenamente bom. O crescimento das Igrejas se deve também ao fato de elas chegarem onde o Estado não chega, sabe? O que vem mudando, evidentemente, com o governo Lula. Essa do Jung é uma boa (ou terrível) lembraça. O microfascimo do desejo é um super tema. Vou me valer da psi porque acho que Lacan foi genial quando apontou a queda do Nome-do-pai: cada um a seu modo de gozo. É um perigo latente, sempre. Um beijo e obrigada =)

Daniel:

você é um chato (rs)! Mas me fez rir demais com o jeito Hello Kitty. Volte sempre aqui ;-)

Fábio,

só pode se for com carinho =)

Thiago,

imagina! Não tem nada de arrogância, não.
Não discordo totalmente de você, não. Na verdade, eu concordo bastante. Porém o que eu acho significativo é começar a mudar algumas coisas antes que catástrofes irreversíveis aconteçam. Aí é optar pelo ruim ou pelo menos ruim. Eu acho menos ruim pensar de maneira sustentável do que pensar no meio-ambiente de uma forma contingente. Talvez não tenha como mesmo. Lembro de um livro que eu li que se chama O mito do desenvolvimento sustentável, faz tempo já, mas lembro que eu acreditei. Era uma época em que as pautas de "responsabilidade social" das empresas estava super em alta. Talvez seja um mito mesmo, assim como não pode existir responsabilidade social, de fato, das corporações. Mas uma coisa é certa: o meio-ambiente está na ordem do dia e se não prestarmos atenção, sabe lá o que vai acontecer.
Thiago, obrigada pelo comentário. Seja muito bem-vindo ao blog e volte sempre. Um abraço.

Flávia,

Impossível não se render à sua elegância. Compreendo porque você é muito querida pelos blogs por aí. Claro que voltarei a lê-la, com o maior prazer.

Flávia,

Endosso o Daniel, muito obrigado pela acolhida =]

Grande abraço!

Flávia, parabéns pelo blog/postagem e por reunir comentaristas tão bons, expressando opiniões diversas e discutindo democraticamente.

Concordo com quase tudo que vc colocou, e gostaria de comentar:

Marina representa a esperança de algo novo e melhor na política brasileira, e todo ser humano vive também de sonhos e de poesia. Eu também acreditei nisso, mesmo que a concretização esteja talvez distante e a viabilidade pareça tão improvável hoje. Uma constatação que pode estar incomodando a muitos militantes é de que uma idéia nova se impõe por sí só quando chega a hora, vem do inconsciente coletivo. E uma minoria pensante e consciente pode acabar movendo montanhas, atingir uma massa crítica subitamente - como naquela experiência de aprendizado dos macacos em ilhas distantes umas das outras.
É incumbência dos que acreditam, dar apoio e fazer por onde ajudar neste parto, e espero que Marina se mantenha neutra agora para podermos construir para 2014.

Por outro lado, o Brasil é maior do que tudo isso, maior até do que Lula, embora ele não ache isso, com certeza. Aliás, a vaidade de FHC também é descomunal - diz Millôr que FHC é o aumentativo de PhD...
Nosso país está melhorando desde Getúlio, a partir da Revolução de 30, e cada governo tem dado algum tipo de contribuição - parece que temos aprendido as lições e evoluido, devagar e sempre.
Por isso considero que fará relativamente pouca diferença quem ganhe neste 2º turno: o mais importante é que se preserve a democracia, pois assim continuaremos progredindo.
Recomendo a leitura do lindo artigo da Rosiska "Livre terra de livres irmãos", ponderado e emocionante -> http://riocomovamos.org.br/rosiska/

Se Dilma ganhar, a responsabilidade dela será enorme em relação ao que já foi feito e às expectativas, porque terá maioria no Congresso e o grande desafio de promover as reformas que estão travando nossa evolução. (Lula, com todo o seu prestígio, disse que tentou, em vão)
Se Serra ganhar não será pior do que episódios anteriores como os de Janio, Goulart e Collor, e além disso as instituições são sólidas e duvido que tenhamos um novo "Engavetador" Geral da República como na era FHC. A democracia até sairia fortalecida com uma alternância e não acredito que os projetos em andamento possam ser travados, a menos que se sucedam crises financeiras mundiais como nos anos 80 e 90.

Há que se preservar também a liberdade de expressão, pois mal ou bem ela é a linha de frente da Liberdade em geral. Há coisas que incomodam aos governantes e quando os êrros são muitos fica mesmo parecendo perseguição. Mas o próprio Lula declarou no começo de seu governo que "Notíca é o que a gente [o governo] quer esconder, o resto é propaganda", que tal? Críticas são necessárias, desde que com ética.

Espero que este clima de partida final de campeonato de futebol "nós contra eles" - mais acentuado nas hostes petistas - seja superado e evolua para termos mais harmonia, mais útil para o bem do país.
JUNTOS, PELO BRASIL QUE QUEREMOS!

Seu texto é ótimo, o que não me surpreende, afinal é seu. Surpreendente, no entanto, é o destaque que alguns comentários deram - não só aqui, é claro, mas aqui eu não esperava - ao “eleitorado evangélico” de Marina. Aliás, a uma coisa chamada “eleitorado evangélico” em geral.
Pois bem, eu queria dizer que essa coisa não existe, assim como não existe uma coisa chamada o eleitorado católico, kardecista, umbandista, judeu, islâmico, ateu. Tampouco existe um ser chamado o candidato evangélico, como nunca ninguém pensou em chamar um candidato de ateu ou católico, nem mesmo quando se trata de um padre. Aliás, essa diferenciação por si só evidencia o juízo de valor e o preconceito que este tipo de classificação implica. Mais preconceito ainda porque a alcunha de evangélico a um candidato ou eleitor quase sempre pressupõe conservadorismo, atraso e, principalmente, esvaziamento, como se todo evangélico votasse só pela questão religiosa. Se isso fosse verdade, Marina teria tido muito mais do que 20%, porque os evangélicos no Brasil, me parece, já são mais de 30% da população e porque nem todos os votos de Marina são de evangélicos, é claro... a soma teria dado Marina pro 2º turno (o que seria mais do que fantástico).
Os evangélicos não são uma massa homogênea, mesmo porque não há homogeneidade em lugar nenhum, muito menos numa igreja, quem dirá em todas as igrejas que se intitulam evangélicas: Universal do Reino de Deus não é o mesmo que Igreja Luterana e entre esses dois extremos há zilhões de matizes. Assim como Pastoral da Terra não é TFP; nem Leonardo Boff, Frei Betto ou Richard Shaull (presbiteriano marxista considerado um precursor da Teologia da Libertação) são o Bispo Gonzaga Bergonzini; nem Mano Brown – para deixar mais radical a diferença – é o Pastor Edir Macedo, e por aí afora. Aliás, a própria CNBB não é uma coisa só, e a briga ali dentro não é pequena. Eu lembro de um tempo (não tão distante) em que a gente ia pra rua lutar contra os desmanches de FHC com o apoio da CNBB, que estava sempre envolvida nos movimentos do Reage Brasil, e agora o bispo de Guarulhos é capaz de pregar um boicote à Dilma no próprio site da instituição.
Enfim, para tentar resumir, o que eu queria dizer é que as pessoas não são conservadoras por causa de suas igrejas, elas votariam em Serra mesmo se fossem atéias, porque acham (e sempre acharam) que os petistas comem criancinhas (as criancinhas mudaram, antes era a reforma agrária, agora elas são fetos, mas eles ainda as comem), ou simplesmente porque confiam na Veja mais do que na Bíblia.

P.S.: Sobre a questão do aborto, vale lembrar que Obama (assumidamente evangélico) liberou o financiamento governamental a entidades pró-aborto.

Francisco,

eu também acho que Marina representa uma proposta de mudança consistente. Mas não é simples aderir a ela. Ainda mais com toda a confusão partidária: o PV é um horror! E também espero que Marina fique neutra, embora a essas alturas sua neutralidade seja apenas aparente porque todas as falas (está na hora de termos uma mulher na presidência, ou quando ela chora ao falar do PT) sinalizam um apoio à Dilma.
Pois então, eu ainda vejo uma diferença embora concorde com você que a possibilidade de termos um "engavetador" seja remota. Meu problema é com o Serra, mas estou pensando muito no primeiro debate do segundo turno, em que ele foi um imenso idiota. Então, Dilma acaba sendo uma opção. Não voto com todo o entusiasmo que votei na Marina, confesso, mas vou de Dilma. Lamentavelmente o clima de futebol permaneceu, é bem esse "nós contra eles", que você aponta, que está em jogo. O que é uma perda para o país e para a discussão política. Mas Marina volta em 2014, estou aguardando ansiosamente.
Seja bem-vindo e volte sempre. Obrigada pelo comentário.
Um abraço.

Ana:

sairam análises mostrando que isso não existe no caso Marina Silva. Concordo com tudo que você disse e acrescento: nesse preconceito contra os evangélicos tem preconceito de classe. As diferenças são imensas, mas precisavam escolher um bode expiatório e foi a Marina e seu "fundamentalismo". O que é lamentável. Não contente, endurecem o discurso achando que tudo é massa de manobra. Pois é, é assim que tratam o eleitorado. A Marina dizia uma coisa muito bonita: que ela tiraria o eleitor do anonimato. Estava aí o que ninguém pode suportar. Quando ela dizia isso ela estava dizendo que essa "massa homogênea" falaria cada um ao seu modo. E alguém pode com isso? Não, né? Fica pra 2014!
Um beijão, queridona!

Hey there, You've done an excellent job. I’ll definitely digg it and personally recommend to my friends. I am confident they will be benefited from this web site.

Good post. I study something more difficult on different blogs everyday. It can always be stimulating to read content material from different writers and observe a little one thing from their store. I’d desire to use some with the content material on my blog whether or not you don’t mind. Natually I’ll provide you with a hyperlink in your net blog. Thanks for sharing.

Can I simply say what a relief to seek out someone who actually is aware of what theyre talking about on the internet. You positively know the best way to convey a problem to gentle and make it important. More individuals have to learn this and perceive this side of the story. I cant consider youre no more fashionable because you positively have the gift.

Deixe um comentário