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Política Sobre Virtude

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Virtude e Representação (Política)

 

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A Virtude, enquanto característica do homem em sociedade republicana, e não tomado individualmente, com próprios propósitos,  

"designa uma capacidade do homem no domínio moral. Deve tratar-se de uma capacidade uniforme ou continuativa como já declarava Hegel, porque um ato moral não constitui virtude. Essa condição, porém, nem sempre é respeitada, e Locke por exemplo, fala de Virtude e de vício no sentido de atos morais isolados. As definições de Virtude nesse sentido estão compreendidas nas seguintes rubricas: a) capacidade de realizar uma tarefa ou uma função; b) hábito ou disposição racional; c) capacidade de cálculo utilitário;  d) sentimento ou tendência espontânea;  e) esforço".*1

"Hegel (*2) observava que no seu tempo já não se falava tanto de Virtude, pois "falar de Virtude beira facilmente a declamação vazia, pois assim se fala apenas de algo abstrato e indeterminado"; e que o discurso sobre a Virtude destina-se ao indivíduo como arbítrio subjetivo. A observação de Hegel também se aplica aos nossos tempos, em que a discussão do problema moral deixou de ter forma de discurso sobre a Virtude, para assumir a forma de discurso sobre valores e normas [tecnocracia?], de um lado, e sobre atitudes e modos de vida [burocracia?], de outro". *3

A partir desta subjetividade, apenas aparente para Hegel, Badiou encara na Virtude a incondicionalidade de subjetividade necessária para tornar determinável um elemento que se distingue da noção de Bem. "Virtue is an unconditioned subjective prescription, one that refers to no other objective determination" but "'best' does not constitute a subjective determination. It is a well-defined category, one that is absolutely conditioned by the objective figure of property". Como acusa Badiou, o princípio da Virtude tem em seu oposto a figura da proteção à propriedade, interesse individualista nunca legitimamente soberano. "In this case the name of the interest is property". *4

"As Virtudes platônico-aristotélicas (justiça, amizade, coragem etc.) são tipos de conduta enraizados nas comunidades em pauta e nos valores da tradição. A Virtude moderna é uma abstração anistórica de cunho iluminísticokantiano, ou seja, um ens rationis metacontextual a que o indivíduo deve obedecer, independentemente do seu projeto de vida especifico e da sua identidade pessoal concreta.

"O que conta, nesta fase, é a construção de formas locais de comunidade em cujo interior a civilização e a vida moral e intelectual possam ser conservadas através dos novos séculos de escuridão que já nos impendem. E se a tradição das Virtudes conseguiu sobreviver aos horrores da última era de obscuridade, não estamos de todo desprovidos de fundamentos para a esperança. Dessa vez, porém, os bárbaros não esperam do outro lado das fronteiras: já nos governaram por bastante tempo".*5

 

Compreendendo-se representação por sua significação que permeia, a partir da Virtude, a fixação a uma imagem de algo, expressar (ou imaginar) características e propósitos limita a cognição de representação às características que possa expressar de si mesma e que pertença ao objeto representado. Não apenas expressivas, mas capazes de gerar cognição, pois é "idéia ou imagem que concebemos (...) de alguma coisa" *6. Desta forma relaciona-se intrinsecamente com o poder de cognição (imaginação) do corpo (indivíduo ou sociedade), e em conseqüência direta, relaciona-se com a compreensão de o que é remeter ao outro através de expressão: representar algo que em outro está, através do que dele se imagina, ou se concebe. Neste sentido, não há razão para que não se possa, talvez a fortiori, definir Representação em se admitindo, para esta, possibilidade de caráter educativo como condição de sentido devido às relações de representar com esclarecer através de figurar ao outro que se deva, de um terceiro (imagem ou pessoa apresentada), tomar conhecimento de algo.

Assim, a representação, termo idealista (*7) que encontra na ética guia para a conduta humana a despeito de uma possível ausência de verificabilidade empírica de tais prescrições morais, habita também os litígios propostos para questionar pertinência de finalidades como guia valorativo de meios de informação (*8) e conhecimentos públicos genéricos (aparentemente contrários ao citado positivismo científico); assim se eximindo o termo de condizer apenas com a atuação ou idealismo dos atuantes eleitos, mas permeando um corpo Estatal ativo  por excelência(mesmo quando convém ou abstêm-se). Pertence à representação, assim, também a apatia, aparentemente negativa da representação, como expressão que do Estado tem-se na população.

Apenas após a decorrência deste processo de entendimento do termo admite-se que representar possa ser substituir, ou agir no lugar de alguém após reconhecer e reproduzir as características daquele. Isto para esclarecer que representar é em si indissociável de Ensinar, pois é Mostrar, e revela um dever relacionado ao dever do Estado: Educação como benefício primário para si. Assim, ao passo que representação torna-se Política, torna-se moralmente atingida por conceitos políticos e sociais, em especial, Igualdade e Liberdade, e Educação na Fraternidade.

Tomada a representação em bela poesia, por Górgias, este "degrau" de comunicação remonta-se sofístico,

 "nada, diz ele, é; aliás, se é, é incognoscível; aliás, se é e se é cognoscível, não pode ser mostrado a outros. (...) Pois, se não ser é não ser, o não-ente seria não menos que o ente: com efeito, o não-ente é não-ente assim como o ente, ente, de modo que são, não mais do que não são, as coisas efetivas". *9

Parmênides, assim como Heidegger,

"designa por natureza (...) aquilo que cresce e vem assim à presença: o ente. Assim, a identidade do título acompanha a inversão mais extrema: falar da natureza não é, como todos eles acreditam, falar do ente, mas, antes, tratar do não-ente; é o que não é que está em vias de brotar". *10

Podendo, em si, nunca se manifestar.

O sofisma remonta à construção do ente (em análise a representação) por seu efeito, e, nestes dizeres confusamente esclarecidos, nos permite figurar que a natureza de representar, como expressar o outro, é tanto representar, quanto não representar. Apesar de parecer permear apenas o campo das idéias este dizer remete à compreensão de que algo bem representado é tão representado quanto algo mal representado, se não for diferida a execução de seus efeitos. Isto por ser inteiramente subjetivo julgar se bem ou mal representado, tendo mais objetividade analisar os efeitos de tal. Tomar a representação por seus efeitos é paliativo. Assim, sem relação direta dos efeitos da representação com a capacidade de reivindicar diferente representação nem os efeitos parecem ser alvo de mensura. Este problema reside em admitir que a falta de qualificação da representação a torna ilegítima. De forma que a falta de conhecimento sobre ela surte o mesmo efeito.

Identificar, então, a representação é admiti-la "em uma interpretação de si mesma, (...) a presença se compreende a si mesma de imediato a partir da tradição" (*11), temporalmente ligada à evolução do termo. Com isso, a verdade sobre a representação, não é senão a falsidade de sua existência. Implica-se, portanto, a possibilidade de uma obscuridade permanente de representação, que lhe pertence devido ao costume, mas que lhe nega a possibilidade de representar a si mesma de forma verdadeira, como se pertencente a um nível exigido de capacidade de entendimento que torna inviável sua concepção: a idéia que se faz da idéia que seja figurar (representar) uma idéia. Este caráter da representação serve para tomar-lhe com desconfiança dentro de cada contexto, sendo estes os meios em que se faz em "vias de brotar".

*1  Virtude: Dicionário de Filosofia - Nicola Abbagnano. Há severas considerações a definir e discorrer sobre Virtude: "com o desenvolvimento das ciências e das técnicas (em relação à religiosidade política medieval, o estado não-laico), Deus cede lugar a outras entidades tutelares que concebem o bem e o mal, o verdadeiro e o falso e agem em conseqüência disso." (MAFFESOLI, 2005 . p. 46) Este agir em conseqüência do bem é que gera a Virtude. O bem, em si, é algo estereotipado pela concepção teleológica de certo e errado. Porém a Virtude não se destina a negar o mal, e assim não se identifica com o bem. É, por alto, algo intangível, como que referencial, e virtual na medida em que não se "adéqua" à sua concepção histórica, mas representa um ideal de melhora não limitado ao bem nem à concepção que se tem de bondade.

"A concepção da V. como hábito ou disposição racional constante encontra-se em Aristóteles e nos estóicos, sendo a mais difundida na ética clássica. Segundo Aristóteles, a V. é o hábito que toma o homem bom e lhe permite cumprir bem a sua tarefa; é um hábito racional e, como todos os hábitos, uniforme ou constante" (Dicionário de Filosofia - Nicola Abbagnano). Aristóteles enumera a V. como um de três títulos de comunidade (os outros dois são a riqueza de poucos, e a liberdade que pertence ao povo). Estas três combinadas proporcionam o bem comum, para ele, mas negligenciando a incapacidade de mensurar seus princípios, segundo Rancière, "sem perceber que puro e impuro podem misturar seus efeitos. O que é na verdade o título detido por cada uma das partes? (...) O único título que se deixa facilmente reconhecer: a riqueza dos oligoi" (RANCIÉRE, 1996. p. 22).

Há ainda, "a V. como capacidade de cálculo utilitário (...) por Bentham, que definia a V. como disposição para produzir felicidade (Deontology). Apesar de ser peculiar ao empirismo, esse conceito de V. foi compartilhado por Espinosa: "Para nós, agir absolutamente segundo a V. nada mais é que agir, viver e conservar o próprio ser (três coisas que significam o mesmo) segundo a orientação a razão com fundamento na busca da utilidade" (Dicionário de Filosofia - Nicola Abbagnano).

"Rousseau falava da piedade como "V. natural", que é "uma disposição conveniente a seres tão frágeis e sujeitos a tantos males quanto os homens", que antecede a reflexão; no mesmo sentido, Voltaire considerava que V. outra coisa não é senão "fazer o bem ao próximo". A ética do positivismo ateve-se a essa concepção, considerando a V. como manifestação do instinto altruísta (C0MTE, SPENCER). Na filosofia contemporânea, pode-se distinguir concepção análoga na chamada "moral aberta" de Bergson" (Ibidem).

"Rousseau dizia: "Não existe felicidade sem coragem, nem V. sem luta: a palavra V. deriva da palavra força; a força é a base de toda virtude. A V. pertence apenas aos seres de natureza fraca, mas de vontade forte: exatamente por isso homenageamos o homem justo; também por isso, mesmo atribuindo bondade a Deus, não dizemos que Ele é virtuoso, porque suas boas obras são por ele cumpridas sem esforço algum. Nesse espírito, Kant definiu a V. como "intenção moral em luta", que não teria sentido caso o homem tivesse acesso à santidade, ou seja, à coincidência perfeita da vontade como lei" (ibidem).


2  Hegel, 1770-1831.


3   Dicionário de Filosofia - Nicola Abbagnano.


4   BADIOU, 2005. p. 132.


5   "Essa substituição das V. no plural pela V. no singular foi acompanhada por várias tentativas de "fundar" a ética nas paixões (Hume, Diderot), na razão (Kant) e na escolha (Kierkegaard). Tentativas que terminaram no cabal malogro da pretensão de fornecer uma justificação racional e publicamente comungável da ética: "Exatamente como Hume procura fundar a moral nas paixões porque os seus argumentos excluíram a possibilidade de fundá-la na razão, Kant a funda na razão porque os seus argumentos excluiram a possibilidade de fundá-la nas paixões, e Kierkegaard, na escolha fundamental desprovida de critérios devido àquilo que ele considera o caráter cogente das considerações que excluem tanto a razão quanto as paixões. A justificação de cada posição baseava-se, portanto, principalmente no malogro das outras duas, e a soma total que resultou da crítica eficaz de cada posição por parte das outras foi o malogro de todas. O projeto de fornecer justificação racional da moral falira decididamente [...] e o fato de a filosofia ter malogrado na tentativa de fornecer aquilo que a religião já não estava em condições de dar foi uma das causas importantes de ela ter deixado de desempenhar papel cultural fundamental e de ter-se transformado num argumento marginal, estritamente acadêmico" (Dopo la virti. Saggio di teoria morale, Feltrineffi, Milão, 1988, n.e. 1993, pp. 67-8). No auge desse processo, que acabou por ver no indivíduo a única fonte autorizada da ação, encontramos a doutrina nietzschiana do super-homem (que reduz a moral a um jogo relativista da vontade de poder) e o subjetivismo emotivista de tendência analítica (que reduz a moral a uma série de opções extrateóricas). Donde a alternativa de fundo: ou Nietzsche ou Aristóteles. Ou a V. em sentido subjetivista e relativista, ou a V. em sentido solidarístico e comunitário. Ou a V. como expressão de indivíduos separados, ou a V. como manifestação de tradições coletivas. Felizmente, nem todo o mundo moderno foi condicionado pelos maléficos efeitos do projeto iluminista. Maclntyre lembra algumas exceções (reais ou narradas) que tiveram o mérito de propor de novo, em toda a sua força, "a tradição clássica das V.". Por exemplo, os jacobinos (com os valores de liberdade, fraternidade, igualdade, patriotismo etc.); W. Cobbett (com as V. praticadas nas pequenas comunidades agrícolas) e J. Austen (com as V. cultivadas em minúsculos espaços sociais e culturais)" (Dicionário de Filosofia - Nicola Abbagnano).

ibidem.


6   Dicionário da língua portuguesa Houaiss. Rio de Janeiro. Editora Objetiva, 2001.


7  E aqui se admite a incidência de ambas as concepções do termo: Platônica: "doutrina segundo a qual a realidade apresenta uma natureza essencialmente espiritual, sendo a matéria uma manifestação ilusória, aparente, incompleta, ou mera imitação imperfeita de uma matriz original constituída de formas ideais inteligíveis e intangíveis". E na forma Kantiana: "no sentido gnosiológico (...) considera o sentido e a inteligibilidade de um objeto de conhecimento dependente do sujeito que o compreende, o que torna a realidade cognoscível heterônoma, carente de auto-suficiência, e necessariamente redutível aos termos ou formas ideais que caracterizam a subjetividade humana." (ibidem).


8  "É fato marcante de nossa época que os sistemas de comunicação e informação são fonte relevante de poder. Sua influência cotidiana já é avassaladora e tende a crescer indefinidamente [sic]. Talvez tenham já mais influência que a própria escola, e alguns diriam que mais que a própria família. A postura do cidadão-objeto, de mero expectador distante, é deliberadamente cultivada, sob as formas de aliciamento da propaganda e do consumismo." DEMO, 1991, p 31.



9  CASSIN, Efeito Sofístico, 2005.  p. 278.


10  CASSIN, Efeito Sofístico, 2005.  p. 16-17.


11  HEIDDEGER, 1997. p. 48.


Diabo Legal!

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Preocuparia deus(es) a obediência a regras? Não questiono se o onipotente tudo pode, ou se o onipresente sempre está, ou se deus(es) tem a caligrafia correta, mesmo que escreva durante um ataque epilético.

Nem implico que para deus(es) não há regra. Destarte, se houvessem deuses, e não apenas um, haveria ética, ou limite de poder - devido sua concretude ser comparada a termos humanos -, que resulta no mesmo: inter-relação entre iguais exige costume, ou seja, moral e ética.

Diversidade de compreensão sistemática se encontra nos termos aplicados após meta. Como a meta-política, meta-física. Sem contudo englobarem colóquios chatos sobre o que não existe. Veja o "suplicio do papai noel" (Levi-strauss), e encontre objetivo - mitos, conforme seu objetivo, e não por seus termos; e envolto por paradigmas implementados como sabedoria, mas em parábolas!

Inferno, diriam uns, significa abaixo, referindo-se aos que estão enterrados a 7 palmos, para 'descansar', sem concluir que estejam cansados, mas que já viveram em absoluto. Não pressupõe um lugar, tampouco calor. Há supostas verdades cuja data de criação, ou melhor, de concepção, possa ser localizada ao longo dos anos de existência da fervorosidade religiosa, e mitológica.

Diabo e deus são reconhecimentos individuais da socialização! É social o ambiente em que seres questionam sobre certo e errado, costumeiro ou prejudicial. Kohlberg "identificaria" 6 níveis de consciencia humana, passando de fases em que apenas se copia o que os outros fazem, ou que apenas se revolta contra o que os outros fazem, até que a atitude provenha da consciência e da racionalidade do próprio. Habermas institui um sétimo nível, de racionalização social versus racionalização cultural.

Mas veja, a lei tenta evitar o diabo contido em cada individualidade - por que os humanos não são bons ou maus, mas coniventes ou revoltados com a situação social (cultural) que presenciam na ocasião da vida. Assim, apenas o diabo é legal, pois, se não for, vai preso. Deus, que seria representado pela ética, afasta-se da lei, ao ponto de, inútil lhe seja a ética, deixar de existir, senão por fervorosidade.

A lei deveria ser o parâmetro? Se ética, (e)ou costume(s), bastasse(m), não haveria lei, pois sequer seria preciso.

Porém, criando-se a lei, extingue-se a ética, não por causa literária, mas porque a ética não é mais reprimível, pois o ilegal, apenas, é reprovavel. O anti-ético, é apenas uma liberdade de escolha para viver em sociedade. Obvio, o que rege cada chamada personalidade.

A medida do correto não seria a lei, pois esta representa a medida do incorreto. O correto deveria existir junto à ética. Mas, cá pra nós, quem se preocupa com a ética, se a lei já predileciona o incorreto, criando para o correto uma referência torpe?
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CIÊNCIA

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"A observação da cegueira e da fraqueza humanas é o resultado de toda a filosofia, e ela nos encontra a cada momento, apesar de nossos esforços em eludi-la ou evitá-la."

David Hume 1748

 

"Embora a massa de conhecimento científico claramente cresça, o que dizer da ignorância? os problemas solucionados nos últimos trinta anos não existiam como questões abertas há um século. [...] não é possível, ou talvez até provável, que os cientistas contemporâneos saibam menos do que existe para ser conhecido sobre o seu mundo do que os cientistas do século xviii sabiam sobre o mundo deles? teorias científicas ligam-se à natureza apenas aqui e ali. não serão os intestícios separando esses pontos isolados maiores e mais numerosos atualmente do que jamais foram? até que possamos repsonder a mais questões como essas, não conseguiremos saber o que é propriamente progresso científico e não podemos, portanto, ter esperança de explicá-lo"

Thomas Kuhn 1974

 

"Agora que começamos a estudar seriamente a natureza [para heiddeger, natureza da coisa expressa não aquilo que ela apresenta, mas justamente o que não apresenta e que está prestes a apresentar, manifestar], começamos a perceber a amplidão das perguntas; a medir a distância a ser percorrida para tentar respondê-las. o grande perigo para a humanidade não é desenvolver o conhecimento. é a ignorância."

François Jacob 1997

 

"E agora, no fim de quase meio século de estudo quase exclusivo de economia, estou consciente de uma maior ignorância dela do que de início"

Alfred Marshall 1924

 

"O meu ponto de vista é que a maior parte dos indivíduos subestima a incerteza do mundo. isso é quase tão verdadeiro em relação aos economistas e outros especialistas quanto em relação ao público leigo. para mim, o nosso conhecimento acerca de como as coisas funcionam, na natureza ou na sociedade, vagueia numa névoa de obscuridade. enormes danos têm se seguido à crença na certeza, seja na inevitabilidade histórica, seja em esquemas diplomáticos ambiciosos ou em posições extremas sobre política econômica"

Kenneth Arrow 1992

 

"A explosão de conhecimento ao longo dos anos tem servido apenas para tornar a vida mais incerta e o mundo mais difícil de ser compreendido"

Peter Bernstein 1996

 

"Uma crença forte demonstra apenas a sua força, não a verdade daquilo em que se acredita" Nietzsche 1878

 

"A intensidade da convicção de que um a hipótese é verdadeira nada nos diz sobre se ela é verdadeira ou falsa"

Peter Medawar 1979

 

"Tudo a que a mente agarra com avidez e tudo em que ela se demora com singular satisfação deve ser tomado com desconfiança"

Francis Bacon 1620

 

"Nossas paixões sempre se justificam, quer dizer, sugerem-nos opiniões que ajudam a justificá-las"

Malebranche 1674

 

"Todas as doutrinas que sejam favorecidas por nossas paixões devem ser objeto de suspeita"

David Hume 1755

 

"Nós "homens do conhecimento", somos enfim desconfiados em relação a toda espécie de crentes, nossa desconfiança gradualmente nos ensinou a concluir o inverso do que outrora se concluía: isto é, toda vez que a força de uma fé aparecer com grande evidência, concluir por uma certa fraqueza da demonstrabilidade, pela improbabilidade mesma daquilo que é acreditado"

Nietzsche 1887

 

"O cerne da postura científica é a recusa em considerar nossos próprios desejos, gostos e interesses como capazes de fornecer a chave para compreensão do mundo"

Bertrand Russel 1913

 

e termino com uma sutil ironia

 

"O que quer que seja desejável é factível, e tudo o que é desejável e factível é inevitável"

Jon Elster 1999






ps: inevitável é factível e desejável é o que "tudo" é, factível é desejável seja o que quer que for. quase jon elster, ou qualquer outro ignorante já citado...

Breve ensaio sobre a delonga na comunicação

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UM DEGRAU NA COMUNICAÇÃO

 

A comunicação deve ser explicada para que a compreensão do pensamento seja coerente, completo em sua possibilidade social.

 

A explicação contida na comunicação torna-a, por dispêndio provocado, mais longa, e escusas por estas presentes pretensas linhas.

 

Encurtamentos, da fala que almeja expressar o pensamento, são comuns a várias e diferentes espécies de situações comunicativas.

 

Na oportunidade de a comunicação ter por ambição a Educação, qual seja o crescimento cultural na parte que este não se identifica com a mensura do progresso de "vida" por seu grau de "felicidade" ou "satisfação" - ou uma estúpida idéia de IDH -, tal ambição encontra funesto fim se no desenrolar da comunicação os meios não forem pormenorizados com extremismo. E um antro pouco pormenorizado é o político.

 

O degrau que provoca o desentendimento - misunderstanding -, o entender errado, ou mesmo o entender não tudo, tem origem na própria abreviação da comunicação.                       [Além de outras origens, como o dolo ao usar as palavras, e também devido a alguns ISMOS culturais, como o cristianISMO, em que a culpa cristã - NINGUÉM É CRISTÃO SENÃO POR CULPA INERENTE! - ao se provar tão cogente e sinalagmática, funciona como ESCUDO que barra a comunicação. Há um exemplo no dramático modo como a cultura gerada pelos países de catolicismo exagerado (o nosso, por exemplo) lida com o assunto SEXO! A culpa, elemento central da fé jesuíta, evidencia que o ciclo "desejo e repúdio pelos próprios atos" permanece como experiência própria não compartilhável, pois reprimível, segundo instituições assumidas. Ora, assumir o ato, ante outra pessoa que o reprove, é culpar-se. E interprete a frase medieval "STRONG SHIELD OUR GOD IS STILL"!].

 

Maior tempo de explicação pormenorizada proporciona entendimento à maior número de ouvintes, mesmo que diferenciadas suas capacidades cognitivas, ou conhecimento prévio do assunto.

 

O fim político "progresso cultural" apenas atinge amplo público se evitar adesões a códigos prontos de comunicação, como p. ex. aderir ao desenrolar do jogo de forças de partidos e executivos políticos - e algum dia verão que política não pode ser profissão? Neste contexto cultural há excesso da falta de ostracismos. Isto porque o ostracismo é apenas mais uma força política que aderiu aos costumes e códigos de conduta não pormenorizados.

 

Mas principalmente, diminuiria o intento em "tornar-se político" desses profissionais a manifestação - toda manifestação é política - contra a carreira eletiva, rechaçando velhos lobos do poder, causando-lhes maior chance de falhas e descrédito.

 

Não explicar, ou seja, permitir a não compreensão, é pratica de dominação, visto que passa a diferenciar o povo com conhecimento daquele sem tal qualidade, trata-se de capacidade decorrente da possibilidade (ou falta dela), e não de interesse latente.

 

Assim, permitir que haja um degrau, um vão, ou mesmo um desentendimento de obrigações públicas ou função e dever político é falhar o fim através dos meios, qual seja o próprio meio ou veículo de comunicação. Alguns, talvez, insistissem que debato cidadania, contudo para mim cidadão somente significa que é possível provar que nasceu, com vida, na Terra! (não é pleonasmo, refiro-me à lei civil brasileira).

 

Este degrau enseja perpetuação a si na medida em que, acolhido e permitido - não distante da culpa cristã - exige novo esclarecimento, que não é dado já que a comunicação busca rapidez em lugar de cultura. Já que o primeiro esclarecimento não fora dado. Já que pouco esclarecido, o povo contém-se.

 

Assim os ouvintes não apenas não entendem o discurso, mas também deixam de tomar conhecimento da própria maneira de ser do discurso, do erro provocado pela maneira de ser e se apresentar do discurso.

 

A ignorância (e me considero um ignorante) atinge proporções não apenas quanto às virtudes do declarante, mas ainda quanto à existência de um degrau contido na comunicação como meio. Tendo, obviamente, a cultura ou o conhecimento, por fim.

 

Assim, o fim educação, corolário da igualdade como dever político, exige dos discursantes da política, através do meio comunicação melhor e mais pormenorizada explicação de feitos do governo e intenções políticas.

 

Caso o Presidente vá "ao ar" seja ao vivo, ou em noticiários televisivos ou radioativos, fala tão pouco que nem serve para dizer quando o miojo ficou pronto na panela.

 

E se a função dos poderosos é enganar, qual a função dos sem poder?

 

NÃO COMPREENDA

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NÃO COMPREENDA!

O palimpsesto surge para amparar semanticamente a pior grafia do, e no, ser humano.

Fosse marcado a ferro e fogo, e ainda cognitivamente, apenas o jugo físico subsistiria. É o cérebro humano um simples expressivo alvo de acepções inconstantes e retroalimentares.

Não fosse capaz de entender, ainda assim qualquer cérebro humano seria capaz de assumir.

Quanto mais informações, mais abaladas suas importâncias eidéticas. Assim, o reformular não é, senão, sendo, o oposto de suficiência. E se "ser" fosse oponível, não seria o cérebro humano qualquer relação de si mesmo, mas de expressões momentâneas corrigidas pela raspagem da velha cera ou do papiro.

O papel, e atualmente os bytes, são não empíricas e verdadeiras memórias, e fonte de orgulho humano - em demasiado para historicistas. Assumem função de reescrever o cérebro humano.

"A tradição (diria Marx) de todas as gerações mortas oprime como um pesadelo o cérebro dos vivos".

A melhor grafia do cérebro, então, só o é se dele externado, sem, contudo, conseguir lhe comunicar. Destarte uma pessoa educada forçosamente já esqueceu muita coisa!

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A crescente alternância de opiniões, gosto, receios e desejos, leva o cérebro a reforçar sentimentos, e desejos, escondendo insanidades para contrabalancear, encolhendo a si mesmo.

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