Breve ensaio sobre a delonga na comunicação

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UM DEGRAU NA COMUNICAÇÃO

 

A comunicação deve ser explicada para que a compreensão do pensamento seja coerente, completo em sua possibilidade social.

 

A explicação contida na comunicação torna-a, por dispêndio provocado, mais longa, e escusas por estas presentes pretensas linhas.

 

Encurtamentos, da fala que almeja expressar o pensamento, são comuns a várias e diferentes espécies de situações comunicativas.

 

Na oportunidade de a comunicação ter por ambição a Educação, qual seja o crescimento cultural na parte que este não se identifica com a mensura do progresso de "vida" por seu grau de "felicidade" ou "satisfação" - ou uma estúpida idéia de IDH -, tal ambição encontra funesto fim se no desenrolar da comunicação os meios não forem pormenorizados com extremismo. E um antro pouco pormenorizado é o político.

 

O degrau que provoca o desentendimento - misunderstanding -, o entender errado, ou mesmo o entender não tudo, tem origem na própria abreviação da comunicação.                       [Além de outras origens, como o dolo ao usar as palavras, e também devido a alguns ISMOS culturais, como o cristianISMO, em que a culpa cristã - NINGUÉM É CRISTÃO SENÃO POR CULPA INERENTE! - ao se provar tão cogente e sinalagmática, funciona como ESCUDO que barra a comunicação. Há um exemplo no dramático modo como a cultura gerada pelos países de catolicismo exagerado (o nosso, por exemplo) lida com o assunto SEXO! A culpa, elemento central da fé jesuíta, evidencia que o ciclo "desejo e repúdio pelos próprios atos" permanece como experiência própria não compartilhável, pois reprimível, segundo instituições assumidas. Ora, assumir o ato, ante outra pessoa que o reprove, é culpar-se. E interprete a frase medieval "STRONG SHIELD OUR GOD IS STILL"!].

 

Maior tempo de explicação pormenorizada proporciona entendimento à maior número de ouvintes, mesmo que diferenciadas suas capacidades cognitivas, ou conhecimento prévio do assunto.

 

O fim político "progresso cultural" apenas atinge amplo público se evitar adesões a códigos prontos de comunicação, como p. ex. aderir ao desenrolar do jogo de forças de partidos e executivos políticos - e algum dia verão que política não pode ser profissão? Neste contexto cultural há excesso da falta de ostracismos. Isto porque o ostracismo é apenas mais uma força política que aderiu aos costumes e códigos de conduta não pormenorizados.

 

Mas principalmente, diminuiria o intento em "tornar-se político" desses profissionais a manifestação - toda manifestação é política - contra a carreira eletiva, rechaçando velhos lobos do poder, causando-lhes maior chance de falhas e descrédito.

 

Não explicar, ou seja, permitir a não compreensão, é pratica de dominação, visto que passa a diferenciar o povo com conhecimento daquele sem tal qualidade, trata-se de capacidade decorrente da possibilidade (ou falta dela), e não de interesse latente.

 

Assim, permitir que haja um degrau, um vão, ou mesmo um desentendimento de obrigações públicas ou função e dever político é falhar o fim através dos meios, qual seja o próprio meio ou veículo de comunicação. Alguns, talvez, insistissem que debato cidadania, contudo para mim cidadão somente significa que é possível provar que nasceu, com vida, na Terra! (não é pleonasmo, refiro-me à lei civil brasileira).

 

Este degrau enseja perpetuação a si na medida em que, acolhido e permitido - não distante da culpa cristã - exige novo esclarecimento, que não é dado já que a comunicação busca rapidez em lugar de cultura. Já que o primeiro esclarecimento não fora dado. Já que pouco esclarecido, o povo contém-se.

 

Assim os ouvintes não apenas não entendem o discurso, mas também deixam de tomar conhecimento da própria maneira de ser do discurso, do erro provocado pela maneira de ser e se apresentar do discurso.

 

A ignorância (e me considero um ignorante) atinge proporções não apenas quanto às virtudes do declarante, mas ainda quanto à existência de um degrau contido na comunicação como meio. Tendo, obviamente, a cultura ou o conhecimento, por fim.

 

Assim, o fim educação, corolário da igualdade como dever político, exige dos discursantes da política, através do meio comunicação melhor e mais pormenorizada explicação de feitos do governo e intenções políticas.

 

Caso o Presidente vá "ao ar" seja ao vivo, ou em noticiários televisivos ou radioativos, fala tão pouco que nem serve para dizer quando o miojo ficou pronto na panela.

 

E se a função dos poderosos é enganar, qual a função dos sem poder?

 

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