Novos advogados, assim como novos estagiários, receberam suas carteiras em mais uma solenidade promovida pela OAB em Florianópolis, em 30/09/2009, ocasião em que tive a honra de receber minha carteira, com número já beirando os 30.000.
Finda a ocasião, senti desprazer por haver testemunhado uma afronta prestada pelos representantes do órgão de classe dos advogados. E, contra todos os discursos incentivadores proferidos, foi com infelicidade e falta de esperança que adentrei o rol de advogados de Santa Catarina.
Ao início da cerimônia se apresentou o Dr. Paulo Marcondes Brincas, Vice-Presidente da OAB/SC, informando que presidiria a mesa, tendo em vista o período eleitoral em que o presidente da seccional catarinense da OAB concorre à reeleição e, assim, impede-se. Porém, o real motivo só foi revelado mais tarde.
A empolgação cresceu ao passo em que juramos: "prometo exercer a advocacia com dignidade e independência" e "observar a ética" e "defender a ordem jurídica do Estado democrático de direito".
Eu, que para conclusão de curso escolhi o tema "Democracia e Oligarquia: A Representatividade ante o Objetivo Fundamental de Erradicar a Pobreza", estava extasiado enquanto jurava pela democracia.
Para prestigiar a importante ocasião, muitos familiares estavam presentes no evento e, por ocasião, o filho do Presidente da OAB/SC recebia sua carteira de estagiário. Lamentavelmente, o evento transformou-se numa enorme afronta à democracia, com fins sabidamente eleitoreiros.
Sendo chamada cada pessoa para receber sua carteira, era anunciado cada nome, e a pessoa se dirigia ao presidente da mesa para receber em mãos, sem diferenciação à entrega.
A indignação se deu ao chamarem o filho do candidato Paulo Borba. Eis que, então, a pompa mudou, o ambiente se transformou, as luzes ficaram mais fortes, os holofotes se acenderam, os anjos fizeram o sol brilhar mais; e, para apresentar este ser iluminado, o presidente da mesa tomou o microfone e, como antes não havia feito, passou a mostrar as garras, dizendo que diante de tão ilustre personagem, se sentia compelido - agradecido - a cumprimentar todos os familiares presentes, prestigiando o amor paterno e o valor daquela família bem sucedida, em nome de todos os que estavam recebendo sua carteira.
E gostou de fazê-lo homenageando e chamando para a pompa o Dr. Paulo Borba e sua esposa, certamente para apresentá-los e, em nome de todas as famílias, pedir que carinhosamente entregassem a carteira de estagiário a seu filho. Enquanto outros pais não tiveram a chance de entregar e tirar foto com o filho no momento da entrega.
Confesso que não tive coragem, ou civismo, para cantar o hino de Santa Catarina após o ocorrido.
Sem mais fé na instituição democrática da OAB, aguardo a próxima gestão. E que não se repita o Estado de Privilégio brasileiro, dos malandros, de mambembe, de sacanagem circense, de idolatria, de puxa-saquismo.
Não conheço o candidato Tullo Cavallazzi Filho, mas ao receber, com grande esperança, a informação de que seu Plano de Gestão vaticina independência e despolitização da instituição, e defesa intransigente da Ética, tive convicção de que sua gestão deve superar as demais.
Ao atual presidente e ao vice, desejo ética, disciplina, e conhecimento acerca do que é democracia.
Atenciosamente, e decepcionado com a gestão do órgão de classe.
Ramon Brescovici
OAB/SC 28.940
Chapecó - SC