Recently in Não Compreenda! Category

Representando a ausência de justiça que existe na esfera social - pois se habitasse a esfera jurídica seria incutido na idéia do justo -, existem atos previstos em lei, mas que fogem à análise criminal. Como exemplo, temos a morte provocada, ocorrida em situação de legítima defesa.

 

Nesta situação, o enquadramento não apenas se desloca ao artigo penal responsável, o "Matar alguém", mas se desloca para fora da esfera jurídica, deixando de existir até mesmo um enquadramento, já que passa a ser conduta estranha ao Direito, estranha à sua (im)possível determinação do que os juízes entendem por justo. Escapa às garras dos promotores e juízes carolas.

 

O mesmo efeito ocorre quando a prescrição atinge o ato. O prazo de lei que indica a prescrição, o último momento em que ainda poderia haver condenação, é resultado da multiplicação por dois, da quantidade máxima de tempo da pena.

 

Por óbvio se ressalta que quanto mais demorar o procedimento judicial investigativo e de veredicto judicial, mais se aproxima o dia em que, mesmo condenado, o réu não poderá sofrer pena.

 

Os juizados especiais deram imensa celeridade às condenações de casos de pena diminuta, não abarcando os crimes políticos ou de responsabilidade. Um ladrão de galinha vai rapidamente para a sentença condenatória, sem chance de ver sua condenação prescrita. Para a esfera civil é ótimo que se acelerem querelas diminutas.

 

Mas parece um tiro pela culatra sustentar uma justiça penal para casos que distribuem penas de alguma, senão quase nenhuma, função social educativa - a pena imposta deve ter, em tese, sanção educacional - e, por outro lado deixar que crimes políticos prescrevam devido ao tempo que o advogado do sujeito consegue postergar, somado à possível corrupção do juiz.

Esta corrupção quase-indetectável do juiz de direito, não se resume à aplicação distorcida da lei, a ação contra o sistema jurídico; mas se estende pela preferência do juiz em deixar o processo em sua mesa por anos, para que, condenando após decorrido duas vezes o tempo máximo da pena, não possa efetivar a condenação devido à prescrição intercorrente.

 

Daí surge a importância da malandragem e da mandinga. Um representante de município, estado União ou governo geral, quando agir inescrupulosamente (pois parece que todos começaram por assim agir, e não param), poderá aproveitar esta exclusão da análise jurídica para se beneficiar.

 

Soma-se ao erro de sustentação do molde jurídico o vulto de despolitização, que durante a campanha política as pessoas insistem em fundir com alinhar-se ao candidato menos pior.

 

Insiste-se, no nosso meio eleitoreiro, em esquecer erros, apagar passados e apoiar alguém que algo valha, mesmo que muito pouco.

 

Mas o que primeiro surgiu? Nossa capacidade de, enquanto eleitores, esquecer erros políticos, ou seria esta capacidade resultado pleno da educação advinda da justiça que ignora erros políticos desde que com bons recursos nos bolsos de um bom advogado e um juiz apaziguador, corruptor?

 

Só responderia a questão o ser humano que tenha um tipo de mente extremamente incomum, capaz de analisar o óbvio.

OAB/SC - órgão que precisa transpirar democracia

| | Comments (0) | TrackBacks (0)

Novos advogados, assim como novos estagiários, receberam suas carteiras em mais uma solenidade promovida pela OAB em Florianópolis, em 30/09/2009, ocasião em que tive a honra de receber minha carteira, com número já beirando os 30.000.

 

Finda a ocasião, senti desprazer por haver testemunhado uma afronta prestada pelos representantes do órgão de classe dos advogados. E, contra todos os discursos incentivadores proferidos, foi com infelicidade e falta de esperança que adentrei o rol de advogados de Santa Catarina.

 

Ao início da cerimônia se apresentou o Dr. Paulo Marcondes Brincas, Vice-Presidente da OAB/SC, informando que presidiria a mesa, tendo em vista o período eleitoral em que o presidente da seccional catarinense da OAB concorre à reeleição e, assim, impede-se.  Porém, o real motivo só foi revelado mais tarde.

 

A empolgação cresceu ao passo em que juramos: "prometo exercer a advocacia com dignidade e independência" e "observar a ética" e "defender a ordem jurídica do Estado democrático de direito".

 

Eu, que para conclusão de curso escolhi o tema "Democracia e Oligarquia: A Representatividade ante o Objetivo Fundamental de Erradicar a Pobreza", estava extasiado enquanto jurava pela democracia.

 

Para prestigiar a importante ocasião, muitos familiares estavam presentes no evento e, por ocasião, o filho do Presidente da OAB/SC recebia sua carteira de estagiário. Lamentavelmente, o evento transformou-se numa enorme afronta à democracia, com fins sabidamente eleitoreiros.

 

Sendo chamada cada pessoa para receber sua carteira, era anunciado cada nome, e a pessoa se dirigia ao presidente da mesa para receber em mãos, sem diferenciação à entrega.

 

A indignação se deu ao chamarem o filho do candidato Paulo Borba. Eis que, então, a pompa mudou, o ambiente se transformou, as luzes ficaram mais fortes, os holofotes se acenderam, os anjos fizeram o sol brilhar mais; e, para apresentar este ser iluminado, o presidente da mesa tomou o microfone e, como antes não havia feito, passou a mostrar as garras, dizendo que diante de tão ilustre personagem, se sentia compelido - agradecido - a cumprimentar todos os familiares presentes, prestigiando o amor paterno e o valor daquela família bem sucedida, em nome de todos os que estavam recebendo sua carteira.

 

E gostou de fazê-lo homenageando e chamando para a pompa o Dr. Paulo Borba e sua esposa, certamente para apresentá-los e, em nome de todas as famílias, pedir que carinhosamente entregassem a carteira de estagiário a seu filho. Enquanto outros pais não tiveram a chance de entregar e tirar foto com o filho no momento da entrega.

 

Confesso que não tive coragem, ou civismo, para cantar o hino de Santa Catarina após o ocorrido.

 

Sem mais fé na instituição democrática da OAB, aguardo a próxima gestão. E que não se repita o Estado de Privilégio brasileiro, dos malandros, de mambembe, de sacanagem circense, de idolatria, de puxa-saquismo.

 

Não conheço o candidato Tullo Cavallazzi Filho, mas ao receber, com grande esperança, a informação de que seu Plano de Gestão vaticina independência e despolitização da instituição, e defesa intransigente da Ética, tive convicção de que sua gestão deve superar as demais.

 

Ao atual presidente e ao vice, desejo ética, disciplina, e conhecimento acerca do que é democracia.

 

Atenciosamente, e decepcionado com a gestão do órgão de classe.

 

Ramon Brescovici

OAB/SC 28.940

Chapecó - SC

Desconforto tamanho-padrão Quadriculado

| | Comments (0) | TrackBacks (0)
Fazia calor à tarde, e a visita era digna: o parceiro de copo e de cruz, Guerrero, tem piscina.
Infelizmente no dia em que a piscina finalmente ficou banhável, choveu.
No dia anterior havíamos saído para refrescar a memória - CERVEJA! - e no posto precisei tirar a agua do joelho, por assim dizer.
Fiquei impressionado!
Um quadriculado de papel higienico, normal, com várias folhas dobradas; porém, nao havia apenas um centro de sujeira. A merda estava pelo papel inteiro, como quem apanha do chão uma sujeira tão grande que o pano nao consegue abarcar completamente. O marronzinho ia da ponta extrema superior direita  até a inferior esquerda! BINGO!
Deve ser muito chato ser muito gordo!

Será que o cara sujou a mão?

GROO

| | Comments (0) | TrackBacks (0)
       Alguem conhece este patife,
    quero dizer, putardo
        quero dizer, estúpido
 quero dizer, habilidoso assassino
                     é um personagem de quadrinhos
      Groo é burro
             Grro é estúpido
                    Não, Groo é humano!!!!
  Groo é....
afff
leia quadrinhos de Groo, você vai entender, se for esperto para ver que Groo é burro


Groo:

"Que isso lhe sirva de lição de VIDA, não estivesse ela terminando, agora!"

Impostos 009.JPG
Impostos 010.JPG
Eegoísmo ou não, as vezes confundimos as importancias daVIDA

Impostos 015.JPG



FREE THINKING RENEGATES SOCIAL*

| | Comments (0) | TrackBacks (0)

Poderia traduzir por "Pensamento liberal renega o social".

A origem da frase é de uma música, chamada Head Full of Ghosts (Cabeça cheia de fantasmas). Permita-me admitir que a frase não seja exata, mas para isto serve o Palimpsesto: trocar, riscar, reescrever, mudar.

"O que é o cérebro humano senão um palimpsesto imenso e natural? Meu cérebro é um palimpsesto e o seu também, leitor. Inúmeras camadas de idéias, de imagens, de sentimentos caem sucessivamente sobre seu cérebro, tão docemente como a luz. Pareceu que cada uma sepultava a precedente. Mas nenhuma, na realidade, pereceu."  Baudelaire, Charles. Les fleurs du mal.1972

Do original "Free thinking renegade social", surgiu a insípida idéia de que o pensamento livre realmente renega (re-negates) o pensamento social.

Re-escrever, re-pensar, re-planejar, re-viver. Sempre alternando, alterando, reformulando.

Pensar livremente, permaneça claro durante esta intenção, não é o oposto a pensar o que mandam, mas opõe-se a não pensar apenas em si. "Pensar social".

Se dever cívico pressupõe um dever, então pressupõe pensar, formular, estipular (ETIFICAR! MORALIFICAR!) uma forma. Liberdade econômica carrega consigo a possibilidade de ganhar tanto dinheiro quanto se pensar poder, renegando qualquer idéia de dever.

Falamos, por aí, em dever cívico, dever social, e até há algumas placas por aí confundindo dever cívico com dever econômico. "Quem dá esmola não dá futuro". Absurdo.


Erradicar a pobreza não significa em si aumentar vertiginosamente o consumo daqueles que hoje pouco consomem por incapacidade monetária, mas diminuir a capacidade e vontade de consumo como regra geral da nação diante de um perigo que acusa ser necessário renunciar

"a essa corrida louca para um consumo cada vez maior. Isso não é apenas necessário para evitar a destruição definitiva do meio ambiente terrestre, mas também, e sobretudo, para sair da miséria psíquica e moral dos homens contemporâneos. Seria, pois, necessário que, a partir de agora, os seres humanos (refiro-me agora aos países ricos) aceitassem um nível de vida decente, mas frugal, e renunciassem à idéia de que o objetivo central de suas vidas é de que seu consumo aumente em 2% ou 3% ao ano." E "uma verdadeira democracia comportando a participação de todos na tomada de decisões, uma outra organização da Paidéia para formar cidadãos capazes de governar e de serem governados, como disse admiravelmente Aristóteles"*1.

 

Pensar em si mesmo, econômica e livremente, renega o dever econômico social.

 

Faz-me lembrar de nossos colonizadores, tanto espanhóis quanto portugueses (pois refiro-me à América latina). Deram-se a liberdade de usufruir de todas as riquezas destas terras. Exterminaram índios, incas... até me arrepio com isso tudo. Pior ainda o que fizeram com os africanos. Porém, hoje, quando um latino, ou um africano, tenta entrar em seus países, são barrados, porque são mão de obra excedente, não os querem, não os necessitam, não os suportam.

 

Se assim pensado seja o liberalismo, usufruir até que possível, e depois negar responsabilidade, entao se isto é pensamento liberal! Libertem-se!

 

Houvesse um juízo justo e bom, internacional, condenaria a Inglaterra, a França, Portugal, outros tantos, a pagarem o roubado ouro com correção monetária, juros, e má-fé em benefício dos extorquidos, exterminados africanos e americanos, teríamos que ter nova concepção de valor, pois capital nenhum seria suficiente.

 

Mas eles negam até mesmo um visto de turismo, extraditam, e continuam extorquindo economicamente, um imperialismo escuso, escondido, subliminar, censurador.

 

Em NOSSA sociedade (poxa, não gosto de admitir que pertenço à esta sociedade inóspita) pensar livremente, ou seja, adquirir economicamente tudo quanto se consegue, é renegar o social.



1 CASTORIADIS, 2002, p. 111.

Política Sobre Virtude

| | Comments (0) | TrackBacks (0)

Virtude e Representação (Política)

 

PoliticoJura.jpg

A Virtude, enquanto característica do homem em sociedade republicana, e não tomado individualmente, com próprios propósitos,  

"designa uma capacidade do homem no domínio moral. Deve tratar-se de uma capacidade uniforme ou continuativa como já declarava Hegel, porque um ato moral não constitui virtude. Essa condição, porém, nem sempre é respeitada, e Locke por exemplo, fala de Virtude e de vício no sentido de atos morais isolados. As definições de Virtude nesse sentido estão compreendidas nas seguintes rubricas: a) capacidade de realizar uma tarefa ou uma função; b) hábito ou disposição racional; c) capacidade de cálculo utilitário;  d) sentimento ou tendência espontânea;  e) esforço".*1

"Hegel (*2) observava que no seu tempo já não se falava tanto de Virtude, pois "falar de Virtude beira facilmente a declamação vazia, pois assim se fala apenas de algo abstrato e indeterminado"; e que o discurso sobre a Virtude destina-se ao indivíduo como arbítrio subjetivo. A observação de Hegel também se aplica aos nossos tempos, em que a discussão do problema moral deixou de ter forma de discurso sobre a Virtude, para assumir a forma de discurso sobre valores e normas [tecnocracia?], de um lado, e sobre atitudes e modos de vida [burocracia?], de outro". *3

A partir desta subjetividade, apenas aparente para Hegel, Badiou encara na Virtude a incondicionalidade de subjetividade necessária para tornar determinável um elemento que se distingue da noção de Bem. "Virtue is an unconditioned subjective prescription, one that refers to no other objective determination" but "'best' does not constitute a subjective determination. It is a well-defined category, one that is absolutely conditioned by the objective figure of property". Como acusa Badiou, o princípio da Virtude tem em seu oposto a figura da proteção à propriedade, interesse individualista nunca legitimamente soberano. "In this case the name of the interest is property". *4

"As Virtudes platônico-aristotélicas (justiça, amizade, coragem etc.) são tipos de conduta enraizados nas comunidades em pauta e nos valores da tradição. A Virtude moderna é uma abstração anistórica de cunho iluminísticokantiano, ou seja, um ens rationis metacontextual a que o indivíduo deve obedecer, independentemente do seu projeto de vida especifico e da sua identidade pessoal concreta.

"O que conta, nesta fase, é a construção de formas locais de comunidade em cujo interior a civilização e a vida moral e intelectual possam ser conservadas através dos novos séculos de escuridão que já nos impendem. E se a tradição das Virtudes conseguiu sobreviver aos horrores da última era de obscuridade, não estamos de todo desprovidos de fundamentos para a esperança. Dessa vez, porém, os bárbaros não esperam do outro lado das fronteiras: já nos governaram por bastante tempo".*5

 

Compreendendo-se representação por sua significação que permeia, a partir da Virtude, a fixação a uma imagem de algo, expressar (ou imaginar) características e propósitos limita a cognição de representação às características que possa expressar de si mesma e que pertença ao objeto representado. Não apenas expressivas, mas capazes de gerar cognição, pois é "idéia ou imagem que concebemos (...) de alguma coisa" *6. Desta forma relaciona-se intrinsecamente com o poder de cognição (imaginação) do corpo (indivíduo ou sociedade), e em conseqüência direta, relaciona-se com a compreensão de o que é remeter ao outro através de expressão: representar algo que em outro está, através do que dele se imagina, ou se concebe. Neste sentido, não há razão para que não se possa, talvez a fortiori, definir Representação em se admitindo, para esta, possibilidade de caráter educativo como condição de sentido devido às relações de representar com esclarecer através de figurar ao outro que se deva, de um terceiro (imagem ou pessoa apresentada), tomar conhecimento de algo.

Assim, a representação, termo idealista (*7) que encontra na ética guia para a conduta humana a despeito de uma possível ausência de verificabilidade empírica de tais prescrições morais, habita também os litígios propostos para questionar pertinência de finalidades como guia valorativo de meios de informação (*8) e conhecimentos públicos genéricos (aparentemente contrários ao citado positivismo científico); assim se eximindo o termo de condizer apenas com a atuação ou idealismo dos atuantes eleitos, mas permeando um corpo Estatal ativo  por excelência(mesmo quando convém ou abstêm-se). Pertence à representação, assim, também a apatia, aparentemente negativa da representação, como expressão que do Estado tem-se na população.

Apenas após a decorrência deste processo de entendimento do termo admite-se que representar possa ser substituir, ou agir no lugar de alguém após reconhecer e reproduzir as características daquele. Isto para esclarecer que representar é em si indissociável de Ensinar, pois é Mostrar, e revela um dever relacionado ao dever do Estado: Educação como benefício primário para si. Assim, ao passo que representação torna-se Política, torna-se moralmente atingida por conceitos políticos e sociais, em especial, Igualdade e Liberdade, e Educação na Fraternidade.

Tomada a representação em bela poesia, por Górgias, este "degrau" de comunicação remonta-se sofístico,

 "nada, diz ele, é; aliás, se é, é incognoscível; aliás, se é e se é cognoscível, não pode ser mostrado a outros. (...) Pois, se não ser é não ser, o não-ente seria não menos que o ente: com efeito, o não-ente é não-ente assim como o ente, ente, de modo que são, não mais do que não são, as coisas efetivas". *9

Parmênides, assim como Heidegger,

"designa por natureza (...) aquilo que cresce e vem assim à presença: o ente. Assim, a identidade do título acompanha a inversão mais extrema: falar da natureza não é, como todos eles acreditam, falar do ente, mas, antes, tratar do não-ente; é o que não é que está em vias de brotar". *10

Podendo, em si, nunca se manifestar.

O sofisma remonta à construção do ente (em análise a representação) por seu efeito, e, nestes dizeres confusamente esclarecidos, nos permite figurar que a natureza de representar, como expressar o outro, é tanto representar, quanto não representar. Apesar de parecer permear apenas o campo das idéias este dizer remete à compreensão de que algo bem representado é tão representado quanto algo mal representado, se não for diferida a execução de seus efeitos. Isto por ser inteiramente subjetivo julgar se bem ou mal representado, tendo mais objetividade analisar os efeitos de tal. Tomar a representação por seus efeitos é paliativo. Assim, sem relação direta dos efeitos da representação com a capacidade de reivindicar diferente representação nem os efeitos parecem ser alvo de mensura. Este problema reside em admitir que a falta de qualificação da representação a torna ilegítima. De forma que a falta de conhecimento sobre ela surte o mesmo efeito.

Identificar, então, a representação é admiti-la "em uma interpretação de si mesma, (...) a presença se compreende a si mesma de imediato a partir da tradição" (*11), temporalmente ligada à evolução do termo. Com isso, a verdade sobre a representação, não é senão a falsidade de sua existência. Implica-se, portanto, a possibilidade de uma obscuridade permanente de representação, que lhe pertence devido ao costume, mas que lhe nega a possibilidade de representar a si mesma de forma verdadeira, como se pertencente a um nível exigido de capacidade de entendimento que torna inviável sua concepção: a idéia que se faz da idéia que seja figurar (representar) uma idéia. Este caráter da representação serve para tomar-lhe com desconfiança dentro de cada contexto, sendo estes os meios em que se faz em "vias de brotar".

*1  Virtude: Dicionário de Filosofia - Nicola Abbagnano. Há severas considerações a definir e discorrer sobre Virtude: "com o desenvolvimento das ciências e das técnicas (em relação à religiosidade política medieval, o estado não-laico), Deus cede lugar a outras entidades tutelares que concebem o bem e o mal, o verdadeiro e o falso e agem em conseqüência disso." (MAFFESOLI, 2005 . p. 46) Este agir em conseqüência do bem é que gera a Virtude. O bem, em si, é algo estereotipado pela concepção teleológica de certo e errado. Porém a Virtude não se destina a negar o mal, e assim não se identifica com o bem. É, por alto, algo intangível, como que referencial, e virtual na medida em que não se "adéqua" à sua concepção histórica, mas representa um ideal de melhora não limitado ao bem nem à concepção que se tem de bondade.

"A concepção da V. como hábito ou disposição racional constante encontra-se em Aristóteles e nos estóicos, sendo a mais difundida na ética clássica. Segundo Aristóteles, a V. é o hábito que toma o homem bom e lhe permite cumprir bem a sua tarefa; é um hábito racional e, como todos os hábitos, uniforme ou constante" (Dicionário de Filosofia - Nicola Abbagnano). Aristóteles enumera a V. como um de três títulos de comunidade (os outros dois são a riqueza de poucos, e a liberdade que pertence ao povo). Estas três combinadas proporcionam o bem comum, para ele, mas negligenciando a incapacidade de mensurar seus princípios, segundo Rancière, "sem perceber que puro e impuro podem misturar seus efeitos. O que é na verdade o título detido por cada uma das partes? (...) O único título que se deixa facilmente reconhecer: a riqueza dos oligoi" (RANCIÉRE, 1996. p. 22).

Há ainda, "a V. como capacidade de cálculo utilitário (...) por Bentham, que definia a V. como disposição para produzir felicidade (Deontology). Apesar de ser peculiar ao empirismo, esse conceito de V. foi compartilhado por Espinosa: "Para nós, agir absolutamente segundo a V. nada mais é que agir, viver e conservar o próprio ser (três coisas que significam o mesmo) segundo a orientação a razão com fundamento na busca da utilidade" (Dicionário de Filosofia - Nicola Abbagnano).

"Rousseau falava da piedade como "V. natural", que é "uma disposição conveniente a seres tão frágeis e sujeitos a tantos males quanto os homens", que antecede a reflexão; no mesmo sentido, Voltaire considerava que V. outra coisa não é senão "fazer o bem ao próximo". A ética do positivismo ateve-se a essa concepção, considerando a V. como manifestação do instinto altruísta (C0MTE, SPENCER). Na filosofia contemporânea, pode-se distinguir concepção análoga na chamada "moral aberta" de Bergson" (Ibidem).

"Rousseau dizia: "Não existe felicidade sem coragem, nem V. sem luta: a palavra V. deriva da palavra força; a força é a base de toda virtude. A V. pertence apenas aos seres de natureza fraca, mas de vontade forte: exatamente por isso homenageamos o homem justo; também por isso, mesmo atribuindo bondade a Deus, não dizemos que Ele é virtuoso, porque suas boas obras são por ele cumpridas sem esforço algum. Nesse espírito, Kant definiu a V. como "intenção moral em luta", que não teria sentido caso o homem tivesse acesso à santidade, ou seja, à coincidência perfeita da vontade como lei" (ibidem).


2  Hegel, 1770-1831.


3   Dicionário de Filosofia - Nicola Abbagnano.


4   BADIOU, 2005. p. 132.


5   "Essa substituição das V. no plural pela V. no singular foi acompanhada por várias tentativas de "fundar" a ética nas paixões (Hume, Diderot), na razão (Kant) e na escolha (Kierkegaard). Tentativas que terminaram no cabal malogro da pretensão de fornecer uma justificação racional e publicamente comungável da ética: "Exatamente como Hume procura fundar a moral nas paixões porque os seus argumentos excluíram a possibilidade de fundá-la na razão, Kant a funda na razão porque os seus argumentos excluiram a possibilidade de fundá-la nas paixões, e Kierkegaard, na escolha fundamental desprovida de critérios devido àquilo que ele considera o caráter cogente das considerações que excluem tanto a razão quanto as paixões. A justificação de cada posição baseava-se, portanto, principalmente no malogro das outras duas, e a soma total que resultou da crítica eficaz de cada posição por parte das outras foi o malogro de todas. O projeto de fornecer justificação racional da moral falira decididamente [...] e o fato de a filosofia ter malogrado na tentativa de fornecer aquilo que a religião já não estava em condições de dar foi uma das causas importantes de ela ter deixado de desempenhar papel cultural fundamental e de ter-se transformado num argumento marginal, estritamente acadêmico" (Dopo la virti. Saggio di teoria morale, Feltrineffi, Milão, 1988, n.e. 1993, pp. 67-8). No auge desse processo, que acabou por ver no indivíduo a única fonte autorizada da ação, encontramos a doutrina nietzschiana do super-homem (que reduz a moral a um jogo relativista da vontade de poder) e o subjetivismo emotivista de tendência analítica (que reduz a moral a uma série de opções extrateóricas). Donde a alternativa de fundo: ou Nietzsche ou Aristóteles. Ou a V. em sentido subjetivista e relativista, ou a V. em sentido solidarístico e comunitário. Ou a V. como expressão de indivíduos separados, ou a V. como manifestação de tradições coletivas. Felizmente, nem todo o mundo moderno foi condicionado pelos maléficos efeitos do projeto iluminista. Maclntyre lembra algumas exceções (reais ou narradas) que tiveram o mérito de propor de novo, em toda a sua força, "a tradição clássica das V.". Por exemplo, os jacobinos (com os valores de liberdade, fraternidade, igualdade, patriotismo etc.); W. Cobbett (com as V. praticadas nas pequenas comunidades agrícolas) e J. Austen (com as V. cultivadas em minúsculos espaços sociais e culturais)" (Dicionário de Filosofia - Nicola Abbagnano).

ibidem.


6   Dicionário da língua portuguesa Houaiss. Rio de Janeiro. Editora Objetiva, 2001.


7  E aqui se admite a incidência de ambas as concepções do termo: Platônica: "doutrina segundo a qual a realidade apresenta uma natureza essencialmente espiritual, sendo a matéria uma manifestação ilusória, aparente, incompleta, ou mera imitação imperfeita de uma matriz original constituída de formas ideais inteligíveis e intangíveis". E na forma Kantiana: "no sentido gnosiológico (...) considera o sentido e a inteligibilidade de um objeto de conhecimento dependente do sujeito que o compreende, o que torna a realidade cognoscível heterônoma, carente de auto-suficiência, e necessariamente redutível aos termos ou formas ideais que caracterizam a subjetividade humana." (ibidem).


8  "É fato marcante de nossa época que os sistemas de comunicação e informação são fonte relevante de poder. Sua influência cotidiana já é avassaladora e tende a crescer indefinidamente [sic]. Talvez tenham já mais influência que a própria escola, e alguns diriam que mais que a própria família. A postura do cidadão-objeto, de mero expectador distante, é deliberadamente cultivada, sob as formas de aliciamento da propaganda e do consumismo." DEMO, 1991, p 31.



9  CASSIN, Efeito Sofístico, 2005.  p. 278.


10  CASSIN, Efeito Sofístico, 2005.  p. 16-17.


11  HEIDDEGER, 1997. p. 48.


Diabo Legal!

| | Comments (0) | TrackBacks (0)
Preocuparia deus(es) a obediência a regras? Não questiono se o onipotente tudo pode, ou se o onipresente sempre está, ou se deus(es) tem a caligrafia correta, mesmo que escreva durante um ataque epilético.

Nem implico que para deus(es) não há regra. Destarte, se houvessem deuses, e não apenas um, haveria ética, ou limite de poder - devido sua concretude ser comparada a termos humanos -, que resulta no mesmo: inter-relação entre iguais exige costume, ou seja, moral e ética.

Diversidade de compreensão sistemática se encontra nos termos aplicados após meta. Como a meta-política, meta-física. Sem contudo englobarem colóquios chatos sobre o que não existe. Veja o "suplicio do papai noel" (Levi-strauss), e encontre objetivo - mitos, conforme seu objetivo, e não por seus termos; e envolto por paradigmas implementados como sabedoria, mas em parábolas!

Inferno, diriam uns, significa abaixo, referindo-se aos que estão enterrados a 7 palmos, para 'descansar', sem concluir que estejam cansados, mas que já viveram em absoluto. Não pressupõe um lugar, tampouco calor. Há supostas verdades cuja data de criação, ou melhor, de concepção, possa ser localizada ao longo dos anos de existência da fervorosidade religiosa, e mitológica.

Diabo e deus são reconhecimentos individuais da socialização! É social o ambiente em que seres questionam sobre certo e errado, costumeiro ou prejudicial. Kohlberg "identificaria" 6 níveis de consciencia humana, passando de fases em que apenas se copia o que os outros fazem, ou que apenas se revolta contra o que os outros fazem, até que a atitude provenha da consciência e da racionalidade do próprio. Habermas institui um sétimo nível, de racionalização social versus racionalização cultural.

Mas veja, a lei tenta evitar o diabo contido em cada individualidade - por que os humanos não são bons ou maus, mas coniventes ou revoltados com a situação social (cultural) que presenciam na ocasião da vida. Assim, apenas o diabo é legal, pois, se não for, vai preso. Deus, que seria representado pela ética, afasta-se da lei, ao ponto de, inútil lhe seja a ética, deixar de existir, senão por fervorosidade.

A lei deveria ser o parâmetro? Se ética, (e)ou costume(s), bastasse(m), não haveria lei, pois sequer seria preciso.

Porém, criando-se a lei, extingue-se a ética, não por causa literária, mas porque a ética não é mais reprimível, pois o ilegal, apenas, é reprovavel. O anti-ético, é apenas uma liberdade de escolha para viver em sociedade. Obvio, o que rege cada chamada personalidade.

A medida do correto não seria a lei, pois esta representa a medida do incorreto. O correto deveria existir junto à ética. Mas, cá pra nós, quem se preocupa com a ética, se a lei já predileciona o incorreto, criando para o correto uma referência torpe?
129_2518-neo.jpg

NÃO COMPREENDA

| | Comments (0) | TrackBacks (0)

NÃO COMPREENDA!

O palimpsesto surge para amparar semanticamente a pior grafia do, e no, ser humano.

Fosse marcado a ferro e fogo, e ainda cognitivamente, apenas o jugo físico subsistiria. É o cérebro humano um simples expressivo alvo de acepções inconstantes e retroalimentares.

Não fosse capaz de entender, ainda assim qualquer cérebro humano seria capaz de assumir.

Quanto mais informações, mais abaladas suas importâncias eidéticas. Assim, o reformular não é, senão, sendo, o oposto de suficiência. E se "ser" fosse oponível, não seria o cérebro humano qualquer relação de si mesmo, mas de expressões momentâneas corrigidas pela raspagem da velha cera ou do papiro.

O papel, e atualmente os bytes, são não empíricas e verdadeiras memórias, e fonte de orgulho humano - em demasiado para historicistas. Assumem função de reescrever o cérebro humano.

"A tradição (diria Marx) de todas as gerações mortas oprime como um pesadelo o cérebro dos vivos".

A melhor grafia do cérebro, então, só o é se dele externado, sem, contudo, conseguir lhe comunicar. Destarte uma pessoa educada forçosamente já esqueceu muita coisa!

About this Archive

This page is a archive of recent entries in the Não Compreenda! category.

Música is the previous category.

Raspagem de Inteligência is the next category.

A crescente alternância de opiniões, gosto, receios e desejos, leva o cérebro a reforçar sentimentos, e desejos, escondendo insanidades para contrabalancear, encolhendo a si mesmo.

Links: