A tela do cinema como prótese de percepção
Susan Buck-Morss

A tela do cinema como prótese de percepção
Autora: Susan Buck-Morss
Tradução de Ana Luiza Andrade
Coleção PARRHESIA, 46pgs, 2009.
(Livro de bolso)
Preço: R$10,00
Em A tela do cinema como prótese de percepção, deparamo-nos com o método característico da cientista política estadunidense Susan Buck-Morss: a identificação de uma constelação histórica em que a “invenção” de conceitos não pode ser separada das práticas ou acontecimentos político-culturais que lhe são contemporâneos. Assim, a fenomenologia de Husserl é lida como uma verdadeira teoria do cinema: o “puro ato de ver” aconteceria não na solidão do gabinete, na abstração intelectual, mas na sala de cinema, onde as massas descobririam um novo “órgão” sensorial.
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Fragmento
"A coletividade do século XX, que constrói sua identidade na base da imagem ao invés da palavra, é, ao menos potencialmente, uma verdadeira comunidade internacional, como bem sabiam os produtores e distribuidores dos primeiros filmes mudos. Esta é a vantagem política do cinema como prótese de cognição. Mas se esta coletividade é de conformismo e não de consenso, se a uniformidade substitui a universalidade, abre-se a porta para a tirania. Se as “verdades” são universais porque são experimentadas em comum mais que percebidas em comum porque são universais, então a prótese cinemática se torna um órgão de poder, e a cognição se torna doutrinamento. Quando a audiência de massa tem uma sensação de identidade imediata com a tela do cinema, e a própria percepção se torna consenso, desaparece o espaço para o debate crítico, intersubjetivo, e a discussão."
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