janeiro 2011 Arquivos

Gente! Eu ia dar uma pausa, né? Mas tive que abrir uma exceção porque no meio do caminho veio o resultado do vestibular da minha irmã mais nova. O bebezão da casa e tal. E, saibam: ELA PASSOU! E que coisa linda ela ter passado no vestibular. No primeiro vestibular dela, para Biologia, na Universidade Federal de Santa Catarina. Eu sou capaz de repetir essa notícia por uma semana com o mesmo sorriso e com a mesma vibração. \o/

Tudo isso representa o começo de uma nova etapa na minha casa. Minha irmã do meio, jornalista, esse ano conseguiu o emprego que ela tanto queria e, muito merecidamente, está lá trabalhando como louca e feliz da vida. Eu qualifico minha tese em breve. E no começo do ano que vem devo receber meu título de doutora. E agora, o bebezão da casa, ai meu deus, saber que eu troquei as fraldas dessa menininha, entra na universidade.

Mas deixa eu explicar a nova etapa: na minha casa, meus pais nos educaram com uma severidade singular: estudo e independência. Eram essas as metas que ambos tanto martelaram nas nossas cabeças. A velha história: não temos herança para vocês exceto a educação e isso ninguém pode tirar, sabe? Então! Lá em casa isso foi repetido à exaustão. Tivemos uma educação muito boa na escola e em casa. Tanto é que, se alguém perguntar porque sou entusiasta do feminismo eu poderia tranquilamente atribuir aos meus pais boa parte dele porque eles nunca acharam que a nossa posição deveria ser de submissão ou nos ensinaram que a ordem do mundo era essa mesmo e que tínhamos que obedecer e tal. Ou se fizeram, minha memória e minha felicidade podem me trair, trabalharam tão bem as possibilidades de subverter a ordem que seguimos por esse caminho, as três. Meu pai é tão orgulhoso de ter três filhas e sempre nos impulsionou para mais e mais; e minha mãe tem um ímpeto libertário que muitas feministas não tem. Ambos não chegaram a universidade, o que não reduz em nada a visão do mundo que eles têm porque, definitivamente, a universidade não é vacina. Mas, claro, eles mantinham esse desejo para as três filhas.

É minha mãe que sempre me conta uma história triste: quando ela dizia para algumas pessoas, as imbecis e reacionárias que não enxergam nada além do seu quadrado, que queria ter três filhas e que as três iriam para a universidade, essas pessoas riam dela dizendo que "até parece que isso será possível". O que vocês quiserem colocar aqui de machista e escroto, podem colocar porque era assim. Minha mãe foi criada num ambiente hostil que tentou colocá-la um pouco mais abaixo do chão. Quiseram acabar com o sonho da minha mãe e ela, tão linda, não deixou. Ao contrário, nos criou longe disso tudo, embora não nos protegesse disso tudo porque, né? o mundo é bem complexo e nos deparamos com essas situações mais do que gostaríamos. Mas minha mãe e meu pai construíram, para eles e para nós, o mundo que eles sonharam. E, olha, não foi fácil. Sou a filha mais velha e acompanhei tudo mais de perto e digo sem titubear que a coragem dos meus pais é uma das coisas mais admiráveis que já vi na minha vida.

Pois bem, a mami conseguiu realizar seu "sonho impossível": as três filhas na universidade, as três filhas na Universidade Federal (esse é um dado importante, primeiro porque, sem dúvida, as federais são excelentes universidades, e depois porque faz parte do imaginário esse lance todo de federal, da dificuldade, etc. Meus pais nunca vão dizer: minhas duas filhas são  formadas e uma acabou de entrar na faculdade, eles dirão: elas todas  estudaram/estudam na FEDERAL, sabe como é, uma gracinha eles, não?). Nem posso mensurar o que se passa na cabeça da minha mãe agora, nesse exato momento, poucas horas depois de eu ter ligado lá e contado que a Bibi passou (eu contei pra minha irmã do meio e queria contar pra a mais nova também, porque né? irmã mais velha coruja absoluta \o/). O que eu consegui dizer para os meus pais é que eles conseguiram. E, puxa! Como conseguiram!

Uma nova etapa começa e, infelizmente, ela veio com a perda de um grande homem, o meu avô, que nos deixou recentemente e de forma tão repentina. Meu avô era um homem lindo. Aos 88 anos ele conversava sobre homossexualidade, desigualdade, meio-ambiente, política com os olhos de um menino, cheios de esperança e de sonho. Ele queria tanto que a Dilma ganhasse a presidência, embora eu ligasse para ele pra dizer que a Marina Silva era uma excelente candidata. Puxa, vô! eu dizia, a Marina é ambientalista (meu avô era super sensível às causas ambientais, daí meu argumento)! Como o senhor não vai torcer pela ambientalista!
Ele até dizia que sim, que o importante era que ganhasse uma mulher. Mas ele queria mesmo a Dilma, mulher forte e de coragem. E ele a viu ganhar e tenho certeza que chorou com aquele discurso em que ela dizia que " a mulher pode"! Meu avô admirava as mulheres como poucos homens e tinha tanto orgulho de nós três. Ele achava tão incrível estudarmos, estarmos na universidade (meu avô era apaixonado por livros, mas não teve muito estudo formal. Desde pequena meu sonho era levá-lo para a Itália - que eu não realizei - mas quando eu dizia para ele alguma coisa relacionada à viagem e tal ele dizia: não preciso viajar, eu conheço o mundo todinho pela televisão. Olha que coisa mais linda! Meu avô tinha os olhos e o olhar mais lindos do mundo!). Eu dediquei minha dissertação de mestrado a ele porque ele sempre acreditou no "mundo-abrigo" (nome de um projeto incrível do Hélio Oiticica que foi inspirado em seu avô anarquista), porque ele sempre sonhou com um mundo melhor e mais justo. E, caramba! Ele estaria tão, tão, mas tão feliz com a notícia que a Bibi passou no vestibular! E tenho certeza que quando minha mãe lembrasse de quando as pessoas pisotearam seu sonho ele diria: "tá vendo?" E hoje sei, pela sua generosidade, que um sonho dele estaria se realizando só por ser um sonho da minha mãe e do meu pai. Então, vô, estamos aqui vendo tudo isso de pertinho e com seus olhos lindos. E saiba que eu continuarei indo atrás dos seus sonhos, porque os compartilho com você, porque eles são meus também. 
 
Essa nova etapa, apesar da dor da perda, se abre com a felicidade do sonho (im)possível: com a celebração dos meus pais e com enormes parabéns para minha irmãzinha que estudou tanto. E, não menos importante, com um grande vai tomar no cu para quem debochou desse sonho.



PS: Eu consegui a proeza de ser estudante universitária ao mesmo tempo que as minhas irmãs. No dia da formatura da minha irmã mais nova eu ainda disse: você vai entrar na universidade, a Rafa já saiu, e eu ainda estou lá \o/ (e lá continuarei!)

PS2: A pausa continua, mas eu não podia deixar de compartilhar essa felicidade aqui. Volto logo =)



Uma paradinha rápida

| | Comentários (2)
Queridos leitores e queridas leitoras (a Dilma realmente contagia \o/)

Farei uma pequena pausa aqui e no tuíto. É bem rapidinha, então não se animem muito porque eu já volto! Tenho que qualificar minha tese e tenho poucos dias para finalizar tudo.

Uma viagem inesperada, os atrasos habituais, o tempo de maturação das idéias (cabem aqui todas as desculpas procrastinadoras também) exigem de mim um trabalho muito intenso agora. So, wish me luck!

Volto em breve. Beijos e abraços em todos. Até =)


PS: Se alguém quiser falar comigo, me mandar correntes de motivação coisas do tipo "você é capaz", "não desista", "tudo vai dar certo", ou se quiserem saber se estou sobrevivendo com sanidade, ou se já materializei Hélio Oiticica que ainda é um amigo imaginário etc, etc, etc, deixo meu e-mail flaviabc arroba gmail ponto com
Minha tese é sobre a tropicália e suas sobrevivências, como já deve ter dado para perceber, e certo dia uns amigos iam discutir um texto clássico e deveras marxista sobre o tropicalismo que o criticava em pontos decisivos. Pontos estes que serviam para a sua potencialização política, incompreendida até hoje, ou compreendida como festiva, desordeira, alienada, enfim, uma putaria. E como eu gosto de uma putaria, me embrenhei nesse momento/movimento tropicalista que, a cada dia, percebo mais contemporâneo. E foi assim que surgiu o partido imaginário da esquerda libidinosa: eu estava um pouco assustada com a adesão dos meus colegas aquele texto de marxismo duro e massificante, que excluia o desejo, a singularidade, que queria fazer a revolução levando aos ignorantes a consciência da opressão, etc. O texto realmente tira tudo de bom do tropicalismo para contrapor a uma coisa tão distante da sua proposta. Daí, em defesa da tropicália e um pouco receosa de não me fazer clara falando da importância do corpo, etc, eu disse: essa esquerda não tem libido! Pra ver se eu causava um choque e tal =)

Tenho pensado muito sobre o tema e conclui que um dos maiores prejuízos do pensamento de esquerda no Brasil foi não ter apreendido a proposta política da tropicália que tinha como norte a ética radical da singularidade. Eu escrevi um texto enorme para explicar tudo isso, mas não publiquei aqui com o temor de causar tédio e horror embora seja um assunto delicioso. Quem sabe publico em doses homeopáticas ou alguma coisa menor no dia em que meu poder de síntese for ativado pelo poder divino. Em minha defesa argumento que está nos detalhes as propostas mais bonitas da tropicália, por isso é quase impublicável em um post. Tentarei ser breve.
 
Como todos devem saber a tropicália sofreu uma patrulha ideológica que reverbera até hoje nas esquerdas. Qualquer desvio de conduta, pimba! é de direita não sabe bem o que quer, de que lado está, etc. Basicamente sua proposta era acabar com as regras morais de comportamento que reprimiam os corpos e os modos de vida. Do mais reacionário ao mais libertário, todos seriam vistos em sua singularidade. O que não tolhia um movimento, desorganizado, claro, que combatia duramente as estruturas do poder.
 
Minha leitura, creio, é sintetizada magnificamente por Hélio Oiticica em 1968 quando ele define a arte (de maneira decisiva de tão aberta e potente) como a criação de possibilidades de vida. Os parangolés de Oiticica eram isso: a singularidade dos corpos em contato com capas coloridas cuja autoria era completamente apagada quando alguém se apropriava delas. O que Hélio queria, entretanto, era que isso se estendesse para o cotidiano, que toda roupa fosse uma capa, que toda capa projetasse as imagens desses corpos singulares para o mundo. Não é a toa que se eles se confundiam com a moda que ao contrário do que se pensa não é massificante, ao contrário, é o meio pelo qual projetamos as imagens no mundo para compô-lo e nos apropriamos das imagens do mundo para compor-nos. Por isso diz-se cada um ao seu modo, à sua moda.

Mas o que quero dizer é que toda a lógica do dever ser, praticada inclusive pela "esquerda oficial", o Partidão, era apagada para fazer devir o desejo de cada sujeito. Isso era visto, ainda é visto, como uma forma impraticável de se organizar em sociedade. Como lidar com as diferenças e os desejos, ou seja, com a singularidade, na civilização Freud já se perguntava no "Mal-estar da cultura". E não é fácil, embora seja a única saída: tem muito conflito porque tem o outro; e porque tem o outro, tem desejo; e porque tem desejo é singular. Era essa dimensão singular que não seria apagada em nome da massificação em classes, por exemplo. Era tudo ao mesmo tempo com a exacerbação radical das diferenças para que se alcançasse, um dia, um estágio de indiferença. Ou seja, pouco importa o que você é ou deixa de ser, importa que você é assim, um ser tal qual você é, ao seu modo, singular. Parece redundante, mas é a chave para entender a ética que eu dizia anteriormente.

O combate a opressão, por seu turno, não era entendido pela tropicália como uma questão revolucionária de tomada de poder. Ao contrário, era no cotidiano que se pretendia inserir essas possibilidades de vida das quais Hélio falava. E isso era também Caetano cantando no programa do Chacrinha: uma atuação dentro das estruturas para reverter as estruturas. Sabia-se da audiência, sabia-se da repressão. A abordagem política era feita, portanto, através da linguagem e da imagem que já havia se tornado independente dos corpos (isso acontece com os meios de comunicação em massa mais facilmente, por isso eles não são o horror na terra, as emissoras é que são, seus donos é que são, etc).

Mas é claro que a tropicália não vingou como proposta política, afinal onde já se viu o desbunde, a desinstitucionalização, servirem como mote político? Infelizmente no meio do caminho se perdeu muita coisa. A mais significativa delas foi deixar de entender a política como esfera não separada, a linguagem como esfera não separada, o corpo como esfera não separada. Ou seja, deixaram de entender que autonomizar as esferas (o corpo, a política, a arte, a linguagem) é a estratégia do poder para que tenhamos que acessar essas esferas através de alguma coisa que nos autorize a atuar nelas. É foi justamente nisso que o espetáculo se aperfeiçoou: criando uma suposta unidade das esferas que só reúne enquanto separado, já dizia Debord. E é nessa instância que o capitalismo atua separando infinitamente até nosso estranhamento transformando-se, como dizia Benjamin, em uma religião sem dogma, de puro culto. Como sair daí, né? Difícil, mas vou tentar.

Equivocadamente as críticas que se opõe ao sistema identificam o problema em uma excessiva superficialidade e aí entra o que quiserem: a aparência, a beleza, as relações, etc. A superficialidade das imagens e dos corpos (as imagens e os corpos são superfícies, os efeitos das imagens nos tocam a pele) nunca foi tão importante como é hoje (Agamben chega a afirmar que a pornografia e a publicidade são as parteiras inconscientes de um novo corpo da humanidade). É essa superficialidade que é capaz de reverter essa separação incessante que privilegia o culto ao uso, a sacralização ao contato. Contudo, os corpos são cada vez mais aprisionados, não raro vemos nos portais da internet aconselhamentos relacionados a sexualidade que tem uma amplitude incrível e vão desde "a mulher deve transar no primeiro encontro" até promessas do pote de ouro no fim do arco-íris se mantivermos a abstinência sexual. Ou seja, uma aparente liberdade coordenada por instrumentos de controle que estimulam e reprimem indiscriminadamente o uso do corpo.

As reações feministas, que geralmente são de esquerda, ou assim se denominam, à imagem de Marcela Temer não foram diferentes. A confusão entre o julgamento moral e a sexualidade subiu e reinou tão indiscriminadamente quanto os aconselhamentos dos portais da internet. Jogar com as mesmas categorias que nos são oferecidas aos berros para oprimir é um erro clássico e nocivo. Dizer que beleza, juventude, gostosura, cobiça (olha as coisas que eu tenho que apontar... pareço uma carmelita!) - a imagem, essa coisa que nos faz confundir os valores (ai, jisuis!) - é superficialidade e o que importa mesmo é a "profundidade" da inteligência e competência não faz sentido para mim como tentativa de "emancipar" as mulheres. As identificações midiáticas sempre vão acontecer, sempre. É preciso que esses discursos sejam desarticulados ao invés de colaborar com eles.
 
O limiar que se compartilha com o poder quando se quer pensar o corpo é muito tênue e delicado. É preciso estar preparado para não alimentar o que se quer combater para não colocar os corpos, novamente, em trilhas massificantes que advogam um dever ser quando existe ali o desejo. E existe alguma coisa do desejo, alguma coisa do sujeito, que não sucumbe ao poder, é essa singularidade, essa coisa sem significante e inapreensível, que guarda secretamente as possibilidades de mudança. Ao invés de suprimir a libido em nome de uma causa, é mais interessante alimentá-la até o limite do insuportável, até o ponto de se transformar em uma imagem independente do corpo que possa ser apropriada livremente por qualquer pessoa.
 
O texto de que eu falava no início do post foi escrito em meados dos anos 70. Em 2011 ainda é preciso dizer que os movimentos de esquerda, whatever, precisam de libido, precisam criar possibilidades de vida, apostar nas singularidades e não na categorização fundamentada num dever ser que acaba por oprimir os corpos.

 
   
PS: Ontem conversando com o @Andre_V no tuíto falávamos sobre a quase exigência de que gays se comportem bem. Que não sejam barulhentos, nem espalhafatosos, nem afeminados, nem masculinizadas, porque isso passa dos limites. Acho que entra nessa mesma leitura. Existe um medo enorme dessas imagens se tornarem independentes e apropriáveis que, para poder conformar as diferenças, se impõe disciplina e controle de novo. Gay sim, pero no mucho. A homofobia travestida de compreensão das diferenças clássica que ouvimos por aí: "ai, eu não tenho nada contra gays, desde que eles sejam discretos". É isso: para que não vire um contágio, para que o mundo não seja tomado por esse outro, insuportável para as "pessoas de bem" que não querem excluir, e essas imagens passem a ser usadas livremente, se dá limite.
 
PS2: A Aline e a Lu escreveram lindo sobre o assunto posse da Dilma, Marcela Temer, etc. Aqui e aqui.
 

Da felicidade simples

| | Comentários (5)
somewhere2.jpg

Acabei de assistir Somewhere de Sofia Coppola, o primeiro presente de 2011. Eu não entendo muito de cinema, mas não resisti e escrevi umas linhas sobre esse filme bonito.

Somewhere é um filme sobre coisas simples. É também um filme sem lição. A ausência de sentido na vida de um astro hollywoodiano, seus excessos esvaziados de prazer, são tão clichês quanto nossos dias tediosos. Mas não porque o filme tem um viés realista ou de identificação, e sim pela sua capacidade de narrar uma história singular fazendo com que prestemos atenção no seu modo. Trata-se, portanto, de falar sobre como viver junto, como se estabelece uma relação que, embora seja com a própria filha, não é natural, nem óbvia, é sempre construída. Sofia Coppola fala sobre como fazer, e não sobre o que fazer mantendo a normalidade dos acontecimentos sem nenhuma ruptura brusca para que se repense a vida, o comportamento, os hábitos, etc. Por isso, é um filme sem lição.

É o cotidiano trazido à superfície imagética tão visível quanto invisível aos nossos olhos. Tão recheado de acontecimentos e possibilidades que sequer percebemos ou aproveitamos. As decisões tomadas, os compromissos cumpridos tudo segue cotidianamente dentro de uma vida normal sem muitas explicações (como as sensacionais mensagens do celular). Mas há a experiência e o sentido construído sempre depois dela. A diferença é que em Somewhere, a excepcionalidade dos acontecimentos, porta aberta para a felicidade, não é catártica; ela surge quando se torna possível ver uma parte do mundo embaixo d'água. É uma mudança de perspectiva. E assim é nosso cotidiano: incrivelmente tedioso e potencialmente mágico. O mágico, no caso de Somewhere, é que Coppola consegue inserir na superficialidade e aparente automatismo do dia-a-dia uma felicidade simples, que está sempre ali, à espreita: somewhere, sometime.

PS: Leando Calbente, que sabe, de verdade, sobre cinema, escreveu lindamente sobre Somewhere aqui.