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Sem contar algumas salas de cinema perdidas por aí, não se pode dizer que Coffe and Cigarettes, (2003) do diretor Jim Jarmusch, tenha tido uma estréia de impacto no Brasil. Nem poderia. O propósito maior nem seria o de chamar público ou mesmo manter o espectador mudo perante a tela. Curiosamente, aquele que gosta de matar tempo com pequenos atrativos é que se identifica com estas onze cenas em preto e branco filmadas durante 17 anos as quais, em grande parte, estão no Youtube. Com um elenco vasto e de peso, que vai de Roberto Benigni a Iggy Pop, e de Alberto Molina a Cate Blanchett, o propósito da película não é tão grandioso: simplesmente sentar, fumar um cigarro e tomar um cafezinho o que, no final das contas, significa dar um tempo. E não se trata de rever a vida ou divagar sobre a identidade pessoal, mas simplesmente dar um tempo no sentido mais popular do termo. Um coffee break mesmo. No entanto, por mais que se pudesse considerar este filme como um basta para a produção, pressa ou besteirol, o que parece mais evidente é que o espectador assiste a tais cenas com uma certa nostalgia, o que é muito mais sintomático da morte do ócio do que seria recriminá-lo. Em tempos de "guerra contra o tabaco", simples atitudes como fumar no sossego, mais do que ir contra a maré sanitária, possibilita um estranhamento com a própria ação e, por mais que não haja assunto, não se pode negar que sentar para tomar um cafezinho sempre é um bom pretexto para estar em companhia. Sem compromisso.