maio 2009 Arquivo

 

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Florianópolis ganha definitivamente um atestado de província com a notícia das cidades sede escolhidas para a Copa de 2014. Pesou para a comissão a mobilidade urbana e o transporte público na Capital de Santa Catarina, tidos como dos piores do país. As autoridades se dizem chocadas. Não têm eles razão? Afinal era tão fácil ajeitar a cidade: basta arrumar uma ponte centenária, construir uma nova Beira-mar, abrir um túnel debaixo d'água, fazer um metrô, rever os acessos à BR-101, construir um estádio novinho no meio de um aglomerado urbano (para isso só tinham que desapropriar metade de um bairro), fazer um acesso decente ao Aeroporto... Ah, me esquecia: teria que só construir um novo aeroporto. Sem dúvida veremos antes de 2014 o Amin tomando banho na Beira-mar Norte e o Luís Henrique passando na ponte. Nessa história toda, o transporte coletivo nunca foi posto em questão, ainda mais agora nas proximidades da revisão dos contratos.

Não que eu não desejasse uma Copa em Florianópolis, ainda que fosse para ter um jogo de Camarões contra Equador. Mas não basta para isso fazer grandes planos na última hora. A cidade NUNCA foi levada à sério pelas suas elites decadentes (mas ainda com força nas instituições). Não seria hoje que isso seria possível. Não basta contratar com um ou outro mafioso pra trazer Bolshoi ou complexo turístico estilo mini-Dubai ao lado da BR (vide Ganchos: agora que na Espanha esses investidores já foram presos). E nem pagar uma ou outra folha da veja para elogiar a cidade... E o que mais irrita é que o transporte coletivo, a solução mais simples e mais urgente, nunca foi colocada a sério, aliás nem vai porque é muito estranha a enorme quantidade de subsídios que se pagam a esse sistema deficiente (aí tem...). Ainda têm a cara de pau de dizer na propaganda que a cidade tem o melhor transporte urbano. Quanto a cidade não perdeu de investimentos de verdade por causa dessa cambada? Por fim, com o resultado da divulgação a cidade somente teve o que sempre mereceu: um atestado de província.

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Curioso...

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Apesar de ter mais desalojados, NE recebe (muito) menos ajuda


Qui, 21 Mai, 09h45

Há seis meses Santa Catarina foi atingida por chuvas fortes e os morros inteiros desmoronaram, na segunda maior tragédia natural na história da região. O País acompanhou comovido histórias das familiares. Dezenas de helicópteros levavam doações, senadores faziam reuniões de emergência e toneladas de roupas e comida eram enviadas ao Estado. Comparando números da tragédia de SC com da que acontece agora no Nordeste, parece que o fato ocorre em países diferentes. Apesar de ter 4 vezes mais desalojados, a região conta com menos doações e a verba pública só foi liberada ontem.


Santa Catarina teve 63 cidades afetadas, 137 mortes, 51 mil desalojados e 27 mil desabrigados. No total, a estrutura de suporte para lidar com as enchentes contou com 24 helicópteros e 4 aviões da Força Aérea. Doações da sociedade totalizaram R$ 34 milhões e o governo federal e o Congresso Nacional prometeram a liberação de R$ 360 milhões. Apesar de registrar um número menor de mortos até o momento, 45, o Nordeste tem 299 cidades afetadas, 200 mil desalojados e 114 mil desabrigados.

Mesmo assim, com um número 4 vezes maior de pessoas que precisam urgentemente de ajuda, só 3 helicópteros e 3 aviões atuam na região. E as doações não alcançam R$ 4 milhões. Só ontem, quase dois meses após o início das tempestades, o governo federal destinou verba ao Nordeste, por meio de medida provisória assinada pelo presidente em exercício José Alencar, que liberou R$ 880 milhões - incluindo ajuda às vítimas da seca no Sul. As cidades atingidas ainda esperam repasse de R$ 23 milhões desde as enchentes do ano passado, referente a empenhos do Orçamento de 2007. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
porcos.jpegIngênuo é quem pensa que este código ambiental louco de Santa Catarina vai ser declarado inconstitucional e que, por esta via, a justiça será feita através do bom funcionamento das instituições. A lei foi feita de forma completamente absurda, mas sem o intuito de vigorar indefinitivamente. Em outras palavras, a pouca vergonha foi tão grande que nem se pensou em fazer uma lei que desse um "jeitinho" de burlar a legislação federal. O que se passou foi um texto que entrou em vigor para ser declarado inconstitucional mas que, durante um mês ou dois, vai vigorar. Isto é tempo mais do que suficiente para adaptar as construções de forma que os porcos light defequem diretamente nos rios (ou a 5 metros dele) ou que se contrua casas na beira do rio Itajaí-Açu ou ainda que se acabe com as matas de restinga no litoral. Depois que a lei for revogada as obras estarão lá e daí são uns 20 anos no judiciário para discutir direito adquirido ou ato jurídico perfeito visto que será dito que na época existiam 2 leis sobre o tema e que um delas (a mais específica) permitia determinada construção. Este é um caso flagrante de uma norma feita com uma função específica de privilegiar um ou outro interessado.
Resumo: todos ficam felizes! O empresariado tem o que quis, o governador se orgulha da consistência dos leitões e o Ministério Público acha que riu por último.