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PARA TAPAR O BURACO

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Está aberta a temporada de soluções para tapar o buraco! Desde o derramamento de óleo (na verdade de petróleo) no golfo do México, algumas soluções já foram colocadas em prática. Cito algumas delas:

 

Plano1: tapar o buraco com uma barra de concreto para que o óleo ficasse represado e não vazasse mais.

Resultado: falhou

 

Plano 2: o mesmo do 1, só que com um concreto maior ainda.

Resultado: o gás comprimido saiu pela culatra;

 

Plano 3: colocar uma grande soma de detergente para dissolver o óleo e minimizar os danos.

Resultado: esta medida não evitaria uma catástrofe ambiental e não poderia ser aceita isoladamente;

 

Plano 4: colocar fios de cabelo para que o óleo derramado fosse agregado aos fios de modo a reduzir a emissão de poluentes no mar.

Resultado: como o plano 3, não seria suficiente;

 

Plano 5: colocar um imenso tubo de mais de um quilômetro até atingir o buraco e enchê-lo com bolas de golfe e restos de borracha para drenar e solidificar uma barreira à saída de óleo.

Resultado: não funcionou simplesmente;

 

Plano 6: colocar um enorme funil para conseguir levar todo o gás e demais materiais para uma única direção e assim controlar a saída e até aproveitar o petróleo.

Resultado: Teve êxito parcial, mas ainda sobrou boa parte de óleo saindo pelas laterais. * Nota: na verdade esta solução já havia sido pensada pelo filho de 4 anos do meu amigo poucos dias antes.

 

Plano 7: chamar o Kevin Costner (que inclusive trabalhou em um filme em uma plataforma - Waterworld) para trazer máquinas dos sonhos (dream machines) capazes de separar o óleo da água. Para quem acha que é mentira: http://bit.ly/c4UjDq

Resultado: o contrato foi fechado com a British Petroleum, mas ainda não foi posto em prática.

 

Plano 8: O Obama sugeriu colocar uma série de super robôs para trabalhar em águas profundas para que fossem reparadas saídas de óleo e assim se pudesse melhor manusear o problema.

Resultado: já houve uma colisão entre robôs e a tampa de contenção levando os esforços à estaca zero;

 

Plano 9: Colocar material absorvente para retirar o óleo da água e salvar os peixes. Resultado: assim como os planos 3 e 4, trata-se de uma solução meramente paliativa.

* Nota: esta solução já havia sido prevista por minha mãe antes mesmo do plano 4 aparecer.

 

 

Novos planos poderão ser acrescentados à medida que forem surgindo. Caso o leitor tenha alguma solução em vista, a sugestão será bem-vinda aos comentários.


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A VOCAÇÂO BRASILEIRA

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Agência Estado 15 de maio de 2008:

"Agência Senado - E quanto à proposta do chanceler Celso Amorim, de o Brasil abrir seu mercado para os produtos manufaturados e, em contrapartida, os europeus e americanos reduzirem, substancialmente, os subsídios pagos aos seus produtos agrícolas?

Kátia Abreu - Eu acho  importante que isso aconteça. Eu acredito que tenha que haver perdas

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e ganhos. Então, o que o Brasil sabe fazer de melhor? Eu não vou contrariar minha vocação: se eu me acho competente como psicóloga, para que eu vou fazer Engenharia? Se o Brasil é competitivo na produção de alimentos - ele é imbatível! - para que vai brigar para produzir aquilo em que não tem competência? Nós temos que trabalhar para fortalecer a indústria nacional - que é importantíssima para o país - importando bens de capital e tecnologia, qualificando a mão-de-obra e criando linhas de financiamentos, se for preciso, sem juro nenhum. Bens de capital deixam a empresa nacional competitiva. Você vai perder em não cobrar juros no empréstimo, mas você vai ganhar muito mais porque ela vai produzir muito mais e isso significa impostos que o Estado recebe. Agora, nós temos que expandir o nosso mercado, porque nós podemos produzir muito mais do que produzimos hoje, para exportar. Não adianta a gente produzir muito alimento e depois não ter para onde mandar. Esses mercados têm que ser abertos, é um objetivo nosso."


Palácio Real d'Ajuda 1785:

Eu a rainha. Faço saber aos que este alvará virem: que sendo-me presente o grande número de fábricas, e manufaturas, que de alguns anos a esta parte se tem difundido em diferentes capitanias do Brasil, com grave prejuízo da cultura, e da lavoura, e da exploração das terras minerais daquele vasto continente; porque havendo nele uma grande e conhecida falta de população, é evidente, que quanto mais se multiplicar o número dos fabricantes, mais diminuirá o dos cultivadores; e menos braços haverá, que se possam empregar no descobrimento, e rompimento de uma grande parte daqueles

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extensos domínios, que ainda se acha inculta, e desconhecida: nem as sesmarias, que formam outra considerável parte dos mesmo domínios, poderão prosperar, nem florescer por falta do benefício da cultura, não obstante ser esta a essencialíssima condição, com que foram dadas aos proprietários delas. E até nas mesmas terras minerais ficará cessando de todo, como já tem consideravelmente diminuído a extração do ouro, e diamantes, tudo procedido da falta de braços, que devendo empregar-se nestes úteis, e vantajosos trabalhos, ao contrário os deixam, e abandonam, ocupando-se em outros totalmente diferentes, como são os das referidas fábricas, e manufaturas: e consistindo a verdadeira, e sólida riqueza nos frutos, e produções da terra, as quais somente se conseguem por meio de colonos, e cultivadores, e não de artistas, e fabricantes: e sendo além disto as produções do Brasil as que fazem todo o fundo, e base, não só das permutações mercantis, mas da navegação, e do comércio entre os meus leais vassalos habitantes destes reinos, e daqueles domínios, que devo animar, e sustentar em comum benefício de uns, e outros, removendo na sua origem os obstáculos, que lhe são prejudiciais, e nocivos: em consideração de tudo o referido: hei por bem ordenar, que todas as fábricas, manufaturas, ou teares de galões, de tecidos, ou de bordados de ouro, e prata. De veludos, brilhantes, cetins, tafetás, ou de outra qualquer qualidade de seda: de belbutes, chitas, bombazinas, fustões, ou de outra qualquer qualidade de fazenda de algodão ou de linho, branca ou de cores: e de panos, baetas, droguetes, saietas ou de outra qualquer qualidade de tecidos de lã; ou dos ditos tecidos sejam fabricados de um só dos referidos gêneros, ou misturados, tecidos uns com os outros; excetuando tão somente aqueles dos ditos teares, e manufaturas, em que se tecem, ou manufaturam fazendas grossas de algodão, que servem para o uso, e vestuário dos negros, para enfardar, e empacotar fazendas, e para outros ministérios semelhantes; todas as mais sejam extintas, e abolidas em qualquer parte onde se acharem nos meus domínios do Brasil, debaixo da pena do perdimento, em tresdobro, do valor de cada uma das ditas manufaturas, ou teares, e das fazendas, que nelas, ou neles houver, e que se acharem existentes, dois meses depois da publicação deste; repartindo-se a dita condenação metade a favor do denunciante, se o houver, e a outra metade pelos oficiais, que fizerem a diligência; e não havendo denunciante, tudo pertencerá aos mesmos oficiais.


           Dado no Palácio de Nossa Senhora da Ajuda, em cinco de janeiro de mil setecentos oitenta e cinco.





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They tried to make

me go to Brazil,

But I said

NO, NO, NO.





Gilmar Mendes se encanta com mostra em Brasília

Presidente do STF visita a Casa Cor com sua Guimar e o advogado José Antonio Toffoli

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Acostumados a lidar com temas densos em sua rotina, o ministro Gilmar Mendes (54), presidente do Supremo Tribunal Federal, e José Antonio Toffoli (41), advogado Geral da União, apreciaram as belezas dos 63 ambientes que ocupam os 18 mil m2 da Casa Cor Brasília 2009, realizada no Clube do Servidor. Acompanhado da mulher, a advogada Guiomar Feitosa Mendes (57), com quem é casado há três anos, Gilmar passeou pelos espaços e ficou especialmente impressionado com o Quarto do Bebê, projetado por seus enteados, Arnaldo Pinho (26) e Daniele Feitosa (33). "Ficou lindo, aconchegante e, principalmente, seguro para um bebê. Os dois são muito talentosos", ressaltou ele. "Me orgulha essa parceria dos dois. Eles sempre foram muito unidos e se completaram neste projeto", elogiou Guiomar.


Encantado com a transformação do Clube do Servidor, que abrigará a Escola da Advocacia Geral da União e atividades da Casa da Justiça e da Cidadania, Toffoli não economizou elogios. "Estou impressionado. A Casa Cor promoveu a restauração de um patrimônio histórico do DF", disse ele, com a noiva, Roberta Rangel (37). "Os jardins são um capítulo à parte, o projeto de iluminação os valoriza ainda mais à noite", elogiou Roberta.

Na ocasião, a subsecretária de Informações, Promoções e Turismo do Governo do DF, Solete Foizer (47), sua sogra, Isaura Canhedo (72), e a sobrinha Ana Luiza Canhedo (8) também visitaram a mostra e foram ciceroneadas por Moema Leão (64) e Eliane Martins (44), sócias do empreendimento que presta homenagem ao paisagista Roberto Burle Marx (1909-1994), que completaria seu centésimo aniversário este ano.


Fonte: http://www.caras.com.br/edicoes/833/textos/gilmar-mendes-se-encanta-com-mostra-em-brasilia/

Os jornais (agência EFE) divulgaram a notícia, ok. Mas só aqui no Quarentena há uma tradução eletrônica da carta dos comunistas de São Petesburgo enviada a Madonna, que trata sobre a sua apresentação na antiga Leningrado a ser realizada em breve. Entre outras reivindicações, o grupo pede que Madonna cante canções revolucionárias e que experimente a culinária russa. Versão original disponível no site http://kplo.ru/



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[KKOMMUNISTY] TURNED TO THE MADONNA Press E-mail 28.07.2009 g. In connection with the assigned to the 2nd of August concert of madonna over the palace area, the Communists of Petersburg and Leningrad region turned themselves to west priest- wonder with the open letter: Madonna! You arrive to Russia and intend to sing over the palace area. We, Communists, although we are not the worshippers of your creation, recognize after you talent and popularity among the music lovers, and we also respect you for the sympathy to the children of Africa. And although many representatives of Russian of community issued a call to forbid your concert, we decided to relate by your arrival with restraint. Sing. Image However, you do understand, in what place you will sing, make counter on the head, bridge, be missed on the fifteen-meter metallic uvula and stare eyes?! These are not only the historical center of the most beautiful city of peace, this place, where occurred the Great October Socialist Revolution, the assault of winter, arrest by revolutionary soldiers and by the sailors of cursed provisional government. Specifically, here, where workers now erect your expensive [nekrizisnuyu] scene, began for the entire world 1917- m to year new era. And you must understand your responsibility, fulfilling [shlyagery] in this place. Here it is not possible to twirl [popoy], to be lightly dressed, to be twisted on six and to [privechat] [lesbiyanok]. It is necessary to dress modestly, to sing melodiously and to remember about the standards of morals. We greatly request you, madonna, to include in our repertoire over the palace area any revolutionary song in the honor of participants in the assault of winter. For example, boldly comrades into the foot, the international or you by victim fell in the fight of fateful. Well, or at least Marseillaise. In its time of Edith [Piaf] sang it on the cruiser the aurora and you at least from the principle must not yield to Frenchwoman. We propose to you to include cap with the red ribbon, seaman pea jacket, vest and Mauser in our stage cloakroom. And, the certainly Red Banner of labor. You be sequential to the end - indeed you compared [Makkeyna] with Hitler, scolded war in Iraq and praised Martin Luther King. Before the performance of revolutionary songs to you remained one step. And then we will arrive on your concert, if party payments are sufficient. We want to also directly express our criticism to you. You superficially approached the acquaintance with Russia. Instead of that word,withwhich you would turn herself to the Russian worshippers, better would learn name "Lenin" or USSR these words know in our country and it is old and the Mladas. Furthermore, us offends the fact that you you will bring with yourself your food. Russian kitchen is one hundred times better than the English, where one viscous bunting alone and cloying puddings. Try our pancakes, cabbage soups and fresh milk and you will understand, as much lost into [zhizni]" Bureaus of the Central Committee KP


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"OU, PELO MENOS, A MARSELHESA"


Essa acaba de sair no Estadão e merece destaque, já que demonstra a que ponto de desespero chegou a tucanagem e a mídia.

FHC diz estar disposto a ampliar diálogo com Lula

RENATO ANDRADE - Agencia Estado

terça-feira, 7 de julho de 2009

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso se mostrou disposto a ampliar o diálogo com o governo Luiz Inácio Lula da Silva, mas disse que a iniciativa tem de ser tomada por quem está no Poder. Durante a solenidade de comemoração dos 15 anos do Plano Real, no plenário do Senado, o líder do PT na Casa, Aloizio Mercadante (SP), defendeu uma conversa frequente entre Lula e FHC. "Quem pode dizer ''vamos juntos'' não sou eu, é quem está por cima", respondeu Fernando Henrique. "Quando estive por cima, eu tentei", acrescentou, referindo-se às tentativas de diálogo com o PT durante seus dois mandatos.

 

Será que FHC ou os jornais tucanos perderam a noção do ridículo?

 

 

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                                  "... Jesus,  o que é que essa mala vai querer dizer agora ..."

 

Quando alguém nos pergunta se vamos bem quando nos encontra na rua, por politesse, respondemos de pronto: "Tudo vai bem e com você?" Ou seja, ainda que a vida esteja um caos, dizemos umas mentirinhas para não ser desagradáveis, mesmo quando aquele que nos interpela é uma "mala". E depois disso vai cada um pro seu lado pensar em outra coisa e levar sua vida. Parece, no entanto, que o Fernando Henrique levou completamente a sério a sugestão palaciana de Mercadante, achando que os petistas estão morrendo de vontade em escutar as palavras de sabedoria do PSDB. Mais do que isso, o presidente aposentado tem um ego tão grande e ridículo que acha que sua companhia é um privilégio ou que o país estaria melhor com seus conselhos. Tudo bem, até concordo que por política ou politesse alguns encontros intrapartidários possam ocorrer, mesmo que por puro espetáculo. Daí essas fotos de Dilma com Serra, Lula com Sarney, Heloísa Helena com ACM, etc. Mas achar que mala do FHC seja uma figura política atualmente proeminete é cômico demais.

Em seu blog, o colunista da Veja Reinaldo Azevedo diz publicamente que defende o golpe em Honduras e que o verdadeiro golpe fera a política de Zelaya. Como está no blog "A Torre de Marfim" eu também digo que não sabia nada sobre Honduras ou sobre o presidente. No entanto, o mínimo para um liberal e democrata decente seria defender que, caso a Suprema Corte tenha sido desrespeitada, que um processo de Impeachment se inicie no Congresso do país. Defender a deposição de um presidente por meio de armas é algo impensável de ser apoiado.

 Agora acho que vou começar a falar da Veja e do Estadão (que publicou notícias bem tendenciosas) segundo a nomenclatura proposta pelo Pauo Henrique Amorim, ou seja, esses atuantes da mídia são o PIG (Partido da Imprensa Golpista). Ainda mais que meu blog teve recentemente várias alusões a porcos. Antes que eu me esqueça aqui vai uns trechos do Azevedo:

Quem é mesmo o golpista em Honduras? POR ENQUANTO, Forças Armadas garantem Constituição democrática

domingo, 28 de junho de 2009 | 16:52

(leia primeiro o post abaixo)
Quem é golpista em Honduras? Os militares? Por enquanto, não! Por enquanto, eles estão cumprindo sua função constitucional. Constatar o que digo é fácil: basta saber ler. Manuel Zelaya, presidente que foi levado à Costa Rica pelos militares, é um palhaço chavista, teleguiado por Caracas. Tentou reproduzir em Honduras o modelo de instalação de ditaduras posto em prática na Venezuela, na Bolívia e no Equador. O Beiçola de Caracas lidera uma fila de delinqüentes que decidem recorrer à democracia para implementar regimes de força.

Zelaya queria fazer um referendo que foi declarado ilegal pelo Congresso, pela Promotoria e pelo Poder Judiciário. Nada menos. No seu próprio partido, o apoio não foi unânime. Deu ordens aos militares consideradas inconstitucionais pela Justiça. Nesses casos, fazer o quê? Boa questão, não é mesmo? É preciso chamar a democracia de uniforme se todo o resto vai para  o brejo.


CHAMAR A DEMOCRACIA PELO UNIFORME!!!! Vejam a que ponto o PIG chegou.

O BRASIL NUNCA TEVE UMA DIREITA DECENTE. Talvez tenhamos tido alguns conservadores (penso no Centro Dom Vidal, uns retrógrados em um país de miseráveis, mas inteligentes sem dúvida) que de forma alguma era idiotas, mas Liberais mesmo está difícil de achar.

Se algum leitor tiver uma sugestão fico grato em receber.

De um lado, o descolado...


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Ex-presidente da República THC, na 3ª Reunião da Comissão Latino-Americana sobre Drogas e Democracia defende a descriminalização da maconha. Diz o aposentado que "Nosso objetivo é abrir o debate para acabar com o tabu. Essa história de guerra contra as drogas não resolve. É preciso ter outras ações que levem à redução da demanda".











Enquanto isso, no plácio da justiça...


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Super José Serra está mais do que nunca empenhado na GUERRA CONTRA O TABACO, que remonta desde a sua permanência no Ministério da saúde. O governador conseguiu que a Assembléia Legislativa de SP aprovasse o projeto de Lei que proíbe o cigarro em ambientes fechados, desde fumódromos em restaurantes até casas noturnas. O bom é que ela vem para salvar os próprios fumantes. Vitória da Medicina. Para saber exatamente o que e onde fica proibido clique aqui.









E como se não bastasse...


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"Vou querer três. Mas é da boa?" "Tás me chamando de ladrão seu f*&ho da p#%a ?" "Não, não, me vê logo então... Quanto dá" "ta um real cada bolacha". Joãozinho, da terceira série, cuja mãe não permite que ele se perca na vida e acabe com sua saúde, apela a Pedrinho, da quarta, para comprar clandestinamente algumas bolachas que ele consegue trazer ao recreio. O cenário já é completamente possível com a aprovação por unanimidade no dia 15 de Abril de 2009 pela Assembléia Legislativa de São Paulo do projeto de Lei 1356/07, o qual proíbe a venda de refrigerantes, coxinhas e bolacha recheada nas cantinas das escolas. Trata-se de uma proibição de alimentos com baixo valor nutricional ou que contenham substâncias maléficas à saúde, como a gordura trans. Uma boa forma de se ensinar  responsabilidade as crianças: não pode e pronto. O que deveria vir de casa e ser um progressivo ensino de moderação, acaba por ser um novo decreto que pretende impor a saúde goela abaixo. As autoridades esqueceram o porquê das crianças gostarem de biscoitos ou refrigerante: comem porque é saboroso. Quem não gosta de algo que sacia o paladar? Estaremos salvando as crianças de seus apetites? Não. Eles continuarão lá. É ilusório pensar que se pode proteger seres humanos de serem humanos e assustador observar que a cada dia essas políticas sanitaristas se mostram mais evidente.. Por um lado, coloca-se um cardápio na escola que prima somente pela científica classificação de valor nutritivo ou pela utilidade do alimento. Pois bem: NÃO  SE VIVE APENAS DE NECESSIDADE. Ao contrário dos bichos, que vivem bem com ração (que controla os nutrientes), não creio que submeter pessoas a um cardápio regulado desenvolva seu senso de responsabilidade ou que respeite a sua dignidade de buscar comer algo mais agradável do que o estritamente necessário. Agora elas não podem comer "porcarias" dentro dos muros da escola. Mas nada as impede de ir comprar no bar da próxima esquina na saída. E, sobretudo, não se retira o desejo delas. A estratégia então se converte em nem mesmo deixar conhecer algo que possa desviá-las do caminho certo, da saúde. Um outro cenário sombrio: talvez iremos ver surgir o tráfico do biscoito recheado no recreio de escolas cada vez mais saudáveis. Uma transgressão dos pequenos para que possam continuar a ser gente, tal como os jovens do Irã trapaceiam os aiatolás para poder ter o mínimo de bebidas em festas. A não! Já dei mais uma idéia para o Médico Maluco! Melhor parar por aqui...





FLASHBACK GUERRA FRIA

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Satélites da Rússia e dos EUA colidem no espaço - (BBC Brasil)



 

Dois satélites de comunicação - um da Rússia e um dos Estados Unidos - colidiram no espaço na última terça-feira, segundo informações divulgadas pela Nasa, a agência espacial americana.

A colisão ocorreu cerca de 780 km acima do território da Sibéria, na Rússia, e é a primeira já registrada entre satélites.

Um dos equipamentos pertencia à companhia americana Iridium, e orbitava em alta velocidade quando bateu em um satélite russo desativado.

Segundo a Nasa, o impacto produziu uma gigantesca "nuvem" de escombros, que poderiam atingir e até destruir outros satélites.

Mas, de acordo com a agência americana, o risco para a Estação Espacial Internacional e seus três astronautas é pequeno, já que ela orbita a Terra a uma distância de 435 km abaixo da rota da colisão.

O acidente também não deve interferir nos planos da agência de lançar um ônibus espacial no final de fevereiro.

Rastreamento

O satélite russo que estaria desativado foi lançado em 1993 e pesava 950 kg, enquanto o Iridium pesava 560 kg e foi lançado em 1997.

A Nasa acredita que ainda vai levar algumas semanas para conhecer melhor a magnitude da colisão. Mas as centenas de destroços já estaria sendo rastreadas.

Segundo o correspondente da BBC na Flórida, Andy Gallacher, espera-se que a maior parte desses escombros acabe se queimando na atmosfera terrestre.

As agências espaciais monitoram dezenas de objetos no espaço rotineiramente.

Cerca de 6 mil satélites já foram colocados em órbita desde 1957.

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O PORCO LIGHT

 

Em um ensaio intitulado "O DNA espartano", publicado no jornal A Notícia de Joinville em 4 de Setembro de 2005, o governador do Estado de Santa Catarina Luís Henrique da Silveira levanta a questão para a bravura e a força da opulenta cidade-estado grega de forte tradição militar em razão da seleção que era imposta às crianças que nasciam. Aquelas que não se demonstrassem aptas o suficiente, eram livremente mortas porque sua vida poderia significar um perigo à manutenção da polis. Segundo o governador, no entanto, atualmente é possível procurar a saúde espartana com as novas técnicas da ciência, a qual não teria parado de evoluir desde a célebre teoria de Darwin. Neste sentido, diz o governador:

 

Biotecnologia, engenharia genética, manipulação de embriões são alguns dos nomes das novas especialidades que vêm fazendo, com incrível velocidade, o que a natureza levou séculos e milênios para fazer. Quando era menino, na década de 50, meu ao e nossos vizinhos disputavam para ver quem obtinha mais latas de banha, ao abaterem um de seus porcos. Hoje, o chamado porco light é quase só carne e zero de banha. A ciência vem garantindo uma redução fantástica nas perdas agrícolas, não só por oferecer informações precisas sobre o clima, rastreadas da terra do satélite artificial, como também por produzir sementes mais produtivas imunes às pragas.

 

A clonagem já garante a reprodução de espécies homogêneas. Logo, logo, vai também representar uma evolução ainda mais aprimorada dos rebanhos. Os estudos, avançados, do genoma já nos sinalizam para a cura das doenças provocadas pela desorganização celular. Certamente, começará com medidas preventivas, como a vacinação contra Aids, câncer. Mas avançará na cura, em qualquer estágio da doença, pela simples intervenção genética, na recomposição da célula. As pessoas poderão se valer da ciência, para evitar que seus filhos nasçam feios, deformados, deficientes ou idiotas. Ou até mesmo - e essa vai ser a grande questão do século - escolher para que crianças nasçam clones de algum gênio ou adônis. Nesse mundo de notícias tão ruins, esta é a mais alvissareira de todas: a eugenia, doravante, vai ficar por conta dos prodígios da ciência, não da barbárie das adagas.

 

Giorgio Agamben, em Homo Sacer, relembra a carne de porco como objeto de estudo na obra Lectures on the religion of the semites, do autor Robertson Smith, que foi inspirador tanto de Emile Benveniste como de Freud. A carne de porco seria apenas um exemplo do que é muito comum nas religiões semíticas, qual seja, a ambivalência do sacro entre a pureza e a impureza. Em um sentido mais corriqueiro, o porco é visto como insalubre e fedido. Inclusive é considerado tabu no islamismo. Por outro lado, é notório que em boa parte do ocidente o porco simbolize prosperidade, tanto que é o prato preferido nas ceias de reveillon, e também é geralmente a um porquinho que as crianças depositam a confiança de suas primeiras moedinhas. Chegar-se-ia, assim, à conclusão de que a sacralidade está fundada nesta ambivalência entre um pertencimento ao mesmo tempo sagrado e profano.

No entanto, o próprio Giorgio Agamben chega logo após a exemplificar que os porcos que eram mortos pelos romanos podiam tanto ser denominados puri ou mesmo sacres. Portanto, antes de se insistir naquela distinção teológica da ambivalência, e "de contradizer a insacrificabilidade do homo sacer, o termo aqui indica uma zona originária de indistinção, na qual sacer significa simplesmente uma vida matável" (p. 93). Ou seja, há simplesmente um corpo à mercê de um poder de morte e que, segundo Agamben, é a relação que marca o nómos central da política contemporânea, a qual, bem para além dos porcos ou dos lobos, pode ser exemplificada no direito dos pais decidir sobre a vida e a morte de seus varões sem cometer sacrilégio ou homicídio. Esta zona de indistinção representada pela vida nua, que aproxima o homem do bicho, tanto daquele que mata quanto do que é morto, é, assim, por excelência um espaço de exceção dentro do ordenamento jurídico que marca o nascimento da soberania, ou seja, quando uma vida nua específica toma a decisão sobre a sacralidade da vida. No entanto, diferentemente do poder vitae necisque, o soberano é o meio-homem meio porco que é capaz de abarcar toda a vida natural sob seu jugo, para, a princípio, promover a vida dos homens, ainda que ao custo de abandonar os que não se adequam a seus ditames. Estes espaços de exceção são, para Giorgio Agamben o paradigma da política contemporânea, e podem ser melhor observados nos campos de concentração, espaços de suspensão da lei onde todo tipo de barbaridade é possível sem que haja alguma imputação jurídica. Em última instância, linguagem e realidade nunca coincidem. E para sanar esta ruptura é que existem tais espaços os quais não consistem em uma anomalia dentro dos ordenamentos jurídicos, mas simplesmente a força que é capaz de garantir a normalidade necessária às suas permanências.

 

O deslocamento crescente entre o nascimento (a vida nua) e o Estado-nação é o fato novo da política do nosso tempo, e aquilo que chamamos de campo é seu resíduo. A um ordenamento sem localização (o estado de exceção, no qual a lei é suspensa) corresponde agora uma localização sem ordenamento (o campo como espaço político de exceção). O sistema político não ordena mais formas de vida e normas jurídicas em um espaço determinado, mas contém em seu interior uma localização deslocante que o excede, na qual toda forma de vida e toda norma podem virtualmente ser capturadas. O campo como localização deslocante é a matriz oculta da política em que ainda vivemos, que devemos aprender a reconhecer através de todas as suas metamorfoses, nas zones d'attente de nossos aeroportos bem como em certas periferias de nossas cidades. Este é o quarto, inseparável elemento que veio a juntar-se, rompendo-a, à velha trindade Estado-nação (nascimento) - território. (AGAMBEN, 2002, p. 182)

 

A vida nua vira, portanto, o fator político primordial da política enquanto biopolítica. Em tal contexto já não se produz um corpo social a partir de regulamentações que tenham por fim a correção das imperfeições, o que geraria a repressão do indesejado por meios jurídicos. Muito pelo contrário, o soberano promove a vida em geral e abandona toda a potencial diferença. No entanto, o abandono não é algo que se assemelha ao exílio. Isto porque o exílio é algo legalmente reconhecido e que exclui a persona non grata. Já o abandono não afasta, mas aproxima e inclui o homo sacer se bem que dentro de sua própria exclusão. Não é, portanto, por uma pena capital que se contrói o corpo político, mas por uma vida capital, ou seja, a exclusão-inclusiva de uma vida que não merece viver em espaços que igualmente estão e não estão nas próprias cidades ou proximidades, cuja ordem consiste em uma fusão entre direito e fato. Assim, dentro do estado de exceção não existe necessidade de norma, porque justamente não há a possibilidade de imputação de responsabilidade por homicídio, mas mera decisão sobre a vida nua, o que é prática existente em toda sociedade.

É verdade, porém, que essas relações que têm na decisão sobre a vida uma função de soberania não se dão somente em âmbito mais restrito dentro da sociedade atual. Muito pelo contrário, são a principal motivação e estrutura dos estados nacionais os quais assentam-se não mais no homem livre, mas no simples nascimento do vivente. A subjetivação jurídica, portanto, somente pode ser compreendida por um viés que considere uma constante inclusão e exclusão da vida nua para dentro das decisões políticas.

Se for, portanto, observada a soberania como aquilo que decide entre a vida e a morte do homo sacer, pode-se melhor compreender porque a separação constante da carta de 1789 entre direitos do homem e do cidadão não é contingente. O que se evidencia é que no estado nação moderno a vida, muito embora esteja na generalidade submetida ao soberano, pode ser diferenciada a ponto de se estabelecerem distinções entre aqueles que têm um direito efetivo e os que têm apenas uma vida formalmente reconhecida.

Na Alemanha nazista, por exemplo, tinha-se como critério básico para o reconhecimento de um cidadão como autêntico a partir de dois critérios básicos: blot und boden: sangue e solo. No entanto, não é meramente coincidência o fato de que todos os estados nação sejam regidos pela mesma lógica, a saber os institutos de jus soli e jus sanguinis. Este tipo de critério, vale frisar, toma força quando a população passa a ser um problema relevante para o controle do Estado. Quando surge a população, surge também a necessidade de se defini-la a partir de critérios e moldá-la a partir de políticas públicas. O maior problema, contudo, surge não da indagação do sejam os cidadãos, mas do que fazer com os que não são identificados como tal. A partir daí se reconhece o contexto que gerou os direitos humanos bem como as cartas que os tutelam na esperança de que sejam cumpridos.

Contudo, duas dificuldades devem ser sanadas com esta conclusão: a primeira consiste no fato de que, os direitos do homem, ainda que prescrevam um reconhecimento à vida e a direitos básicos, não são efetivamente protegidos, ameaçados ou violados. Como já se salientou, os homens que são tomados apenas em sua vida natural são abandonados. A segunda questão é decorrente da primeira no sentido de que, por mais que alguns sejam apenas formalmente humanos, isto não indica que os cidadãos sejam necessariamente protegidos. Ao contrário, são também potencialmente homines sacri, desde que suas vidas deixem de ter seu merecimento, seja por decorrência de algumas atitudes do sujeito ou mesmo de uma necessidade estatal.

 

As declarações dos direitos representam aquela figura original da inscrição da vida natural que, no antigo regime, era politicamente indiferente e pertencia, como fruto da criação, a Deus, e no mundo clássico era (ao menos em aparência) claramente distinta como zoe da vida política (bíos), entra agora em primeiro plano na estrutura do Estado e torna-se aliás o fundamento terreno de sua legitimidade e de sua soberania. (p. 134)

 

O fato da vida permanecer sempre em questão é, portanto, flagrante na modernidade e, o mais curioso neste contexto é que, justamente por não haver mais alguma figura jurídica de um ser se torna apenas vida nua, tal como o homo sacer, leva à compreensão de que, em vez desta figura ter desaparecido com o tempo, o que aconteceu foi justamente o pior: somos hoje todos homines sacri. Assim, não é porque hoje alguém é tutelado pelo direito que amanhã o será. Um bom exemplo deste tipo de acontecimento pode ser visto nas leis de desnacionalização: 1915 na França, 1922 na Bélgica; 1926 na Itália; e 1933 na Áustria. Neste tipo de decisão, as quais não precisam ser oficiais ou mesmo constar em estatísticas, formam-se corpos supérfluos abandonados à própria sorte e passíveis de morrerem por decorrência de uma decisão de vida e morte, tal como acontecia com os meninos de Esparta ou com os porcos de Roma.

Esse tipo de prática, se olhado pelo lado do poder soberano, aquele que decide o estado de exceção, dá ensejo a uma problemática sobre a potência de decidir sobre a vida e a morte no sentido de que o soberano está ao mesmo tempo dentro e fora do ordenamento, o que significa que a lei, para ser efetiva dentro de um estado de normalidade, prescinde de uma suspensão de seus próprios princípios quando são estes insuficientes: em outras palavras, o direito somente se aplica desaplicando-se. Dois corpos, portanto, tradicionalmente coexistem na figura do soberano. Um corpo é aquele tão matável quanto o de um porco romano, ou seja, mera vida nua e outro, por sinal, transcende o corpo biológico para um plano imaginário que garante a continuidade do nómos. Enquanto o corpo biológico representa um paralelo ao ordenamento, o outro diz respeito a uma infinita potência, que dá ensejo à contingência e à decisão capital. É, contudo, uma potência pura, que não se traduz em ato, ou seja, é a potência de poder ser, imprevisível e justiceira, já que constitui uma decisão que prescinde de lei. O que se revela, no entanto, é, por um lado, um excesso de potência da parte do soberano interessado em criar espaços de bando para toda e qualquer potência que confronte consigo. É neste conflito que o soberano, tão insacrificável como os porcos puri, retira suas energias para continuar a sobreviver. Assim sendo, homo Sacer e poder soberano têm em comum a insacrificialidade

Em "A Revolução dos bichos", George Orwel curiosamente fez dos porcos os dirigentes da fazenda quando os animais se rebelaram. Justificavam que precisavam de mais alimentos que os outros por serem dirigentes e conseguirem com isso regular a vida em comum. Assim, os porcos soberanos exigiam as calorias dos outros animais, o que justamente dava mais energia para que eles continuassem com suas práticas autoritárias.

O poder soberano em nosso mundo atual, é claro, não pode ser identificado diretamente com um corpo ou uma pessoa direta, mas simplesmente na decisão sobre o estado de exceção: seja ela a de um médico, de uma corporação, de um político ou de um policial, somente para se dar alguns exemplos. Portanto, quando o governador de Santa Catarina diz que "as pessoas poderão se valer da ciência, para evitar que seus filhos nasçam feios, deformados, deficientes ou idiotas", e que tal proeza vai ficar por conta dos prodígios da ciência, não da barbárie das adagas, já se pode imaginar qual seja o papel da ciência em tal contexto.

Se o soberano, contudo, é o que decide sobre o valor da vida, "na biopolítica este poder tende a emancipar-se do estado de exceção, transformando-se em poder de decidir sobre o ponto em que a vida cessa de ser politicamente relevante. (AGAMBEN, 2002, p. 149) Tal demonstra que, cada vez menos, o porco é light: a exceção vira a regra e a biopolítica se transforma em tanatopolítica. Cada vez mais existem situações em que a vida nua e a norma entram em espaço de plena indistinção. E é justamente onde menos se espera que tal poder se encontra, visto que, pelo fato de se tratar de uma potência infinita porém com ambições de conservação de um direito cujo uso tem a ambigüidade de promover a vida e instituir o bando, os métodos políticos são erigidos em uma simbiose entre legalidade e abandono em uma sorte de estado de exceção desejado, campo híbrido de direito e fato. Assim, a divisão entre estados totalitários e democracias vai cada vez mais perdendo sua importância. Se ainda se pode fazer distinções, estas se dão por apenas um critério, qual seja, a escolha da forma que melhor se adeqüe para a decisão sobre a vida nua.


AGAMBEN, Giorgio. Homo Sacer: o poder soberano e a vida nua. Tradução de Henrique Burigo. Belo Horizonte: UFMG, 2002.

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Recentemente entrou em vigor a "lei seca", a qual, conforme consta, dá penas muito mais duras para os motoristas que tenham consumido qualquer quantidade de álcool. Muito melhor do que eu relatar o que ela dispõe, é dar o link direto para que todos os leitores possam lê-las. Trata-se da lei 11.705, número que raramente apareceu nas notícias de jornais. O endereço é o seguinte:

http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2008/Lei/L11705.htm

 

Entre outros dispositivos que modificaram o Código de Trânsito, destacam-se os seguintes:

 

"Art. 165.  Dirigir sob a influência de álcool ou de qualquer outra substância psicoativa que determine dependência: 

Infração - gravíssima; 

Penalidade - multa (cinco vezes) e suspensão do direito de dirigir por 12 (doze) meses;

 Medida Administrativa - retenção do veículo até a apresentação de condutor habilitado e recolhimento do documento de habilitação.

Art. 276.  Qualquer concentração de álcool por litro de sangue sujeita o condutor às penalidades previstas no art. 165 deste Código.

 Parágrafo único.  Órgão do Poder Executivo federal disciplinará as margens de tolerância para casos específicos." (NR) 

É curioso de se notar como novamente se tenta redimir a falha da aplicação da lei anterior através de uma nova lei muito mais dura. No entanto, onde fica a proporcionalidade de tudo isso? Um casal que tome cada um uma taça de vinho em um restaurante já está sujeito a perder a CNH, Uma multa de R$900,00 e, ainda por cima, ter seu carro apreendido e, dependendo da situação ser preso, já que são ambos potenciais assassinos. A culpa já não está, portanto, em ter se embriagado, mas em  possivelmente se embriagar já que não seria lógico dizer que a antiga lei permitia a bebedeira ao volante. Proíbe-se que se beba duas latinhas de cerveja porque supostamente o motorista, ao bebê-las estará disposto a beber a terceira. O que a nova lei pretende, ao instituir o zero, é garantir o medo do motorista em ser preso, e não fazê-lo arcar com a sua irresponsabilidade. Já que nunca se aplicou de forma séria a lei antiga, talvez até funcionasse essa nova lei em diminuir o numero de acidentes (duvido, no entanto, que um dia esses números saiam). Mas vem a pergunta: duas latas de cerveja justificam que alguém pague quase mil reais, perca a habilitação, tenha seu carro apreendido e vá preso? Independentemente da posição que se tome, não se pode negar que a lei hoje já não parte do pressuposto da responsabilidade pela lei, mas da prevenção vertical visto que, ao sujeito, já não se possibilita a possibilidade de ter responsabilidades, ou seja deveres. Previne-se seu comportamento porque sua culpa não está em seus atos, mas em existir.  

 

 

 

Em uma postagem anterior cheguei a afirmar que estávamos no ápice da sociedade light. Agora tenho de me corrigir porque o termo mais novo é ZERO. Isto porque o light significa uma perda de prazer em troca de um bem estético, ou seja, o gosto é horrível e politicamente correto. Em outros termos, perde-se gordura imediata em troca de um câncer futuro causado pelo aspartame. O Zero, contudo, é algo que supostamente evita a absorção de calorias sem haver nenhum gosto diferente do normal. Não é, portanto, uma Coca que não engora, mas uma autêntica Coca que não é coca. Uma Coca que já não é amarga e, ao mesmo tempo, não tem nenhuma quantidade de substância malévola. O problema todo se demonstra na briga entre o 1 (algo) e o 0 (nada). O light eu entenderia como  ½.

 

 

A Lei 11.705 é ZERO porque o zero só é possível em uma sociedade que não mais conheça direitos e deveres, mas simplesmente conforto de um mundo já dado, limpo, seguro e regular. Somente uma massa estúpida e politicamente correta é que, além de abdicar de seu prazer, impede o prazer alheio. A massa, portanto, goza em sua monotonia. A sociedade atual, assim, não pode ser definida como light, porque o light abdica de uma parcela de gozo para viver com suas manias e ter o mínimo de prazer. O light é (1/2), mas meio já é algo, já é uma fração de 1. Já na sociedade zero, o maior valor é o nada, já não sabe mais o que é prazer (prazer, diferentemente de gozo, acarreta em responsabilidade). Ela apenas obedece o que parece proteger sua vidinha e apaziguar seu medo.

 

Mas nem tudo é tão fácil assim, porque, na proliferação desenfreada de leis dada por novas normas, interpretações assistemáticas e decisões paranóicas, a Lei perde seu valor. Dois destinos parecem estar dados às leis feitas às pressas e que são decorrências diretas dos fatos: ou ela não "pega", e assim chegaríamos em uma Lei Zero, ou ela servirá para gerar propinas como nunca se viu neste país, o que geraria uma força de lei sem lei, ou seja, pura decisão corrupta de um agente do estado (policial) cuja fundamentação está assentada sobre algo muito simples: NADA.