"O que ocorreu na Venezuela não foi um simples golpe de Estado que tirou do poder o coronel Hugo Chavez. Foi - assim como ocorreu no Brasil em 1964 - uma reação cívica a um governo que, eleito em pleito livre em conseqüência do cansaço popular com partidos que já não tinham representação e se excediam na corrupção, se esmerou, uma vez no poder, em eliminar progressivamente todo e qualquer vestígio daquilo que se poderia chamar de institucionalidade democrática."
(O fim do golpismo chavista (editorial), O Estado de S. Paulo, 13 de abril de 2002)
LEGENDA
"A expressão 'Estado de Direito' pode ter tantos significados diferentes quanto a própria palavra 'Estado' (...) É compreensível que propagandistas e advogados de todo tipo adorem recorrer ao termo, com o fim de difamar o adversário, fazendo-os passar como inimigo do Estado de Direito".
(Carl Schmitt, conservador e breve aliado do nazismo, Legalidade e Legitimidade, 1932)


E ai Nodari, tudo bem?
Vi apenas hoje meu outro e-mail para descobrir que você já tinha lançado o Blog. Li o texto sobre o que é o terror... Fiquei atordoado com sua ligação entre consenso e terror, levou Foucault a um limite. A “imagem dialética” da Folha de São Paulo e do Schmitt deveria ser a primeira pichação daquela ponte sobre o Rio Pinheiros.
Um abração
Rodrigo
Pois é, o Brasil não é só o país da piada pronta, como diz o Zé Simão, mas da cara de pau. Os direitistas assumidos são de uma fraqueza conceitual, que se limitam a repetir Frases Feitas. O problema engloba parte da esquerda, também, se é que essa ainda existe: segundo lemos em uma excelente entrevista do Agamben, depois da Segunda Grande Guerra, a grosso modo só há na esquerda social-democracia que se converge com o liberalismo: os conflitos sociais se resolvem pelo acordo, pela mediação, etc, em suma (e aí chegando na relação entre consenso e terror), na idéia de que a comunicação resolve tudo. Desaparecendo o antagonismo, cria-se um inimigo de significante absoluto e significado vago, que pode ser qualquer um e todos: o terrorismo (tema do outro texto meu aqui do blog). Mas, assim como (segundo um agropecuarista), o "meio-ambiente é uma ciência", isto é, um saber que pode ser gerenciado procidementalmente, este novo inimigo também é: e como todos nós somos virtualmente terroristas ou bandidos, aparelhos biométricos pra todo lado (tema que pretendo abordar ém breve aqui no blog), que o problema se resolve.
Obrigado pela visita e pelo comentário. Abraço!