abril 2010 Arquivo

Sopro 25

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O Sopro 25 está no ar, com "Mensagem no Di Tella", panfleto escrito por Roberto Jacoby e distribuído no Experiências 68, no Instituto Di Tella em Buenos Aires, 1968 - a tradução foi feita por Flávia Cera; e "Um requiém para a escrita?", resenha de A escrita, de Vilém Flusser, feita por mim. Disponível em três formatos: HTML | PDF | Flash

Recentemente, foi lançado, pela Boitempo, O que resta da ditadura, organizado por Edson Telles e Vladimir Safatle. Os artigos dos livros apresentam várias faces da persistência do entulho autoritário. A meu ver, uma das principais - não sei se abordada no livro, já que não terminei a leitura ainda - é a lógica binária do Terror, que produz uma cisão no interior do povo (e, no limite, no interior do próprio sujeito) entre amigo e inimigo, e em que qualquer gesto que tenha a possibilidade mínima de ressoar como falta de engajamento é encarado como hostilidade e conivência. (Sobre o assunto, Ana Longoni escreveu um excelente livro, Traiciones, no qual mostra como sobreviver a um regime bárbaro e testemunhar contra ele pode ser lido como um sinal de traição pela resistência). Por isso, a ditadura permanece não só quando Agripino Maia vê uma imoralidade no fato da Dilma ter mentido sob tortura, mas também quando um "intelectual" petista compara o exílio do então presidente da União Nacional dos Estudantes José Serra a um "abandono" da resistência ou quando um blogueiro, que acha que auto-crítica é criticar os outros, afirma que Caetano Veloso foi preso pela ditadura porque quis aparecer (pois deveria ter se exilado antes). A lógica da ditadura, a lógica do Terror, faz ver ameaças por todo o lado. Diante do outro, só vê duas opções - amigo ou inimigo. Invocá-la para fins eleitorais não é só perversão. É, daí sim, conivência com um modo terrorista de pensar.

P.S.: Pra que fique claro: uma Comissão da Verdade (ou melhor, a punição dos torturadores e da cadeia de comando que vai deles até o alto escalão - basta ler as atas das reuniões do Conselho de Segurança Nacional pra que fique claro o quão ciente ele estava do que ocorria no país) NÃO segue uma lógica do Terror. Esta lógica é produzida intencionalmente, é fruto de uma decisão. A lógica do Terror se impõe aos sujeitos (e é internalizada neles) através de um imenso aparato, que vai do discursivo-censório ao policial-torturador. A identificação dos agentes instituidores e mantenedores desta lógica é essencial ao seu desmonte.


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"Direito de ser traduzido, reproduzido e deformado
em todas as línguas"

Alexandre Nodari

é doutorando em Teoria Literária (no CPGL/UFSC), sob a orientação de Raúl Antelo; bolsista do CNPq. Desenvolve pesquisa sobre o conceito de censura.
Editor do
SOPRO.

Currículo Lattes







Alguns textos

"a posse contra a propriedade" (dissertação de mestrado)

O pensamento do fim
(Em: O comum e a experiência da linguagem)

O perjúrio absoluto
(Sobre a universalidade da Antropofagia)

"o Brasil é um grilo de seis milhões de quilômetros talhado em Tordesilhas":
notas sobre o Direito Antropofágico

A censura já não precisa mais de si mesma:
entrevista ao jornal literário urtiga!

Grilar o improfanável:
o estado de exceção e a poética antropofágica

"Modernismo obnubilado:
Araripe Jr. precursor da Antropofagia

O que as datilógrafas liam enquanto seus escrivães escreviam
a História da Filha do Rei, de Oswald de Andrade

Um antropófago em Hollywood:
Oswald espectador de Valentino

Bartleby e a paixão da apatia

O que é um bandido?
(Sobre o plebiscito do desarmamento)

A alegria da decepção
(Resenha de A prova dos nove)

...nada é acidental
(Resenha de quando todos os acidentes acontecem)

Entrevista com Raúl Antelo


Work-in-progress

O que é o terror?

A invenção do inimigo:
terrorismo e democracia

Censura, um paradigma

Perjúrio: o seqüestro dos significantes na teoria da ação comunicativa

Para além dos direitos autorais

Arte, política e censura

Censura, arte e política

Catão e Platão:
poetas, filósofos, censores






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