"Acho que a Venezuela vive um sistema totalitário. Não importa se o presidente foi eleito. Hitler também foi eleito, não? Voto não garante democracia. Na hora que um sujeito tem voto popular para ficar o tempo que quiser no poder, para mim, se trata de uma ditadura."
(Luiz Felipe Pondé, 09 de março de 2009, FSP)
Legenda
Hitler foi NOMEADO chanceler - a sua eleição é um dos mitos mais toscos que perseveram, ainda que até no Wikipedia seja possível encontrar a informação correta.
Chavez está no poder há dez anos. No "ranking" ditatorial, ainda está um ano atrás de Margaret Thatcher (1979-1990) e alguns meses de Tony Blair para ficar na comparação só com a Inglaterra.


Esse discurso conservador têm antecedentes explosivos. Dou dois exemplos: os termos são bem familiares aos do discurso infame do Coronel Jurandir Mamede em 1955, quando ele defendia abertamente um golpe militar para impedir a posse de JK, contra o que ele chamava de "farsa democrática" e também me lembram o triste discurso feito por Jorge Luis Borges em sua visita infame ao Chile de Pinochet:
“Para mí la democracia es un abuso de la estadística. Y además no creo que tenga ningún valor. ¿Usted cree que para resolver un problema matemático o estético hay que consultar a la mayoría de la gente? Yo diría que no; entonces ¿Por qué suponer que la mayoría de la gente entiende de política? La verdad es que no entienden, y se dejan embaucar por una secta de sinvergüenzas, que por lo general son los políticos nacionales. Estos señores que van desparramando su retrato, haciendo promesas, a veces amenazas, sobornando, en suma. Esto no lo digo contra ningún político en particular. Digo en general, que una persona que trate de hacerse popular a todos parece singularmente no tener vergüenza…”
A continuação lógica está no discurso de Borges quando recebeu a medalha de Honra ao Mérito das mãos do próprio Pinochet defendendo "la clara espada" contra "la furtiva dinamita" que estavam livrando Chile e Argentina do pântano populista em que se encontravam.
Paulo, bom te ver por aqui. Não conhecia essa do Borges. O que assusta não é tanto o conteúdo desse tipo de declaração, mas como v. bem sublinhou, o contexto. E no debate ideológico atual, o casamento entre o revisionismo da nossa história combinado com as críticas à democracia latino-americanas cheira muito mal. Nada disso aconteceu quando FHC comprou a reeleição - mas a idéia do terceiro mandato do Lula tem de nascer natimorta, esse é o cálculo (menos nefasto) por trás da estratégia. Abraço