Vocabulário de política contemporânea: Gabeirismo

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Doença infantil do conservadorismo. Movimento pelo qual a Nova Direita elege como arauto da moralidade alguém que até pouco tempo atrás não passava para ela de um viado (por usar tanguinha na praia) e maconheiro (por propor a descriminalização). Udenismo 2.0 que se utiliza de arroubos para não explicar a convergência paradoxal que faz entre ambientalismo e neoliberalismo. Tem problemas com eleições pois os seus adeptos preferem viajar no feriadão a defender a própria causa. Até agora se cristalizou em quatro ações: Cansar (de si mesmos?) - EnXOtar (impostos que ajudaram a criar) - Gabar (-se da sua própria apoliticidade) - Anular (os votos para não ter de queimar os seus dois neurônios ao tentar lembrar em quem votaram).

Obs.: O termo "gabeirismo", que inaugura este Vocabulário, foi cunhado por Idelber Avelar.

7 Comentários

Gostei tanto que reeditei o post. A segunda ocorrência do termo "gabeirismo" agora aponta pra cá.


Concordo, o tal movimento é de um moralismo atroz. E por detrás de um moralista sempre encontramos um hipócrita, como dizia meu avô, filho de italiano, daqueles italianos que saíram no pau com a polícia em 1917 e se recusavam a reconhecer qualquer autoridade. Sou neto do meu avô, e me dói votar. Como essa coisa se espalhou, já a estão confundindo com a legítima opção política do voto nulo. Parece-me que não se trata disso, o que não ficou claro no seu texto.


Por Marx, Alexandre, só consegui comentar agora, depois de quase deslocar o meu maxilar de tanto rir diante do doença infantil do conservadorismo.

Gabeira, lá no seu cantinho, é um emblema, um sintoma da nossa época que se materializa nessa peculiar mistura da esquerda gauche-caviar com a derecha da República Morumbi-Leblon - ambas saudosas dos bons tempos do udenismo -, numa união que se assemelha a um ornitorrinco alado que dança tango de botas :-))



"Anular (os votos para não ter de queimar os seus dois neurônios ao tentar lembrar em quem votaram)".
Quem tem dois neurônios tem mais é que anular o voto e deixar para os "sabidos" a escolha dos governantes.
abs.
rodrigo


Marcelo e Rodrigo: não generalizei não, o voto nulo é uma opção legítima. Tava criticando aqueles que depois de terem se cansado (me refiro ao Cansei!), EnXOtarem impostos (Xô CPMF), se gabarem (candidatura Gabeira), criaram a esdrúxula campanha do não reeleja ninguém - os argumentos e fundamentos (se é que ela os tem) já foram desmontados aqui. De minha parte, não sou nem contra o voto, sou contra o Estado mesmo; mas isso é estratégia, taticamente continuo votando.


Valeu Alexandre.
Ⓐbraço.


Valeu Alexandre.
Ⓐbraço.


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"Direito de ser traduzido, reproduzido e deformado
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Alexandre Nodari

é doutorando em Teoria Literária (no CPGL/UFSC), sob a orientação de Raúl Antelo; bolsista do CNPq. Desenvolve pesquisa sobre o conceito de censura.
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