Há uma diferença fundamental entre os blogs e o Twitter, algo que transcende a limitação de caracteres: enquanto existe um número ilimitado de blogs (o blog é "só" uma forma, com plataformas infinitas), só existe um Twitter (forma e plataforma se confundem) - criar O blog seria algo como o projeto mallarmaico de escrever O livro. O sentido dessa diferença é algo a ser explorado (e para além da mera concentração econômica). Esta semana, Daniel Link identificou, na "decadência do blog" ocasionada pelo Twitter e pelo Facebook, um "limiar de transformação". Hoje, em artigo para o DC Cultura, Victor da Rosa reflete sobre "A invenção do Twitter" por parte de Félix Fénéon, crítico francês, que publicava "Notícias/Novelas de três linhas", em que fato e ficção, devido a forma em que eram enunciados, se tornavam indiscerníveis. Caberia notar que os pintores pontilhistas, aos quais Fénéon era próximo (como nota Victor), "nada mais faziam" que pintar em pixels. A história só se repete como farsa, isto é, como ficção. À "literatura" não cabe exclusividade alguma nesse papel. Falta só os críticos literários e professores de literatura - que, em sua maioria, preferem não saber o que são os blogs e o que é o Twitter - entenderem isso.
Os blogs e o Twitter
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3 Comentários
Alexandre Nodari
é doutorando em Teoria Literária (no CPGL/UFSC), sob a orientação de Raúl Antelo; bolsista do CNPq. Desenvolve pesquisa sobre o conceito de censura.
Editor do SOPRO.
Currículo Lattes


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"Modernismo obnubilado:
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O que as datilógrafas liam enquanto seus escrivães escreviam
a História da Filha do Rei, de Oswald de Andrade
Um antropófago em Hollywood:
Oswald espectador de Valentino
Bartleby e a paixão da apatia
O que é um bandido?
(Sobre o plebiscito do desarmamento)
A alegria da decepção
(Resenha de A prova dos nove)
...nada é acidental
(Resenha de quando todos os acidentes acontecem)
Entrevista com Raúl Antelo
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- Alexandre Nodari comentou no post Os blogs e o Twitter: A pergunta é boa, Hugão, mas não faço a menor idéia da resposta. Agora, concordo com o Daniel Link de que o Twitter coloca a blogosfera num limiar de transformação. É preciso reinventá-la, mas, sinceramente, tenho medo de que a esterilização que 2010 já insinua mate a seção brasileira dela.
- Hugo Albuquerque comentou no post Os blogs e o Twitter: Alexandre, O Twitter provocou um fenômeno paradoxal na blogosfera brasileira: Se por um lado ele tornou a difusão das postagens mais rápida e eficiente, por outro, ele tornou o debate mais evanescente e menos papável. Daí eu fico me perguntando: Logo depois que o Twitter se massificou entre os blogueiros brasileiros, um fenômeno de bloguicídio em
- Hugo Albuquerque comentou no post Os blogs e o Twitter: Alexandre, Na minha avaliação, o twitter mudou mesmo a blogosfera; se por um lado a chance de difusão de uma postagem foi potencialiazada, por outro, houve um esvaziamento do debate - é quase como uma contrapartida. O que mais me chama atenção é que paralelamente ao fenômeno de massificação do Twitter entre blogueiros brasileiros, começou a aconte
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Alexandre,
Na minha avaliação, o twitter mudou mesmo a blogosfera; se por um lado a chance de difusão de uma postagem foi potencialiazada, por outro, houve um esvaziamento do debate - é quase como uma contrapartida. O que mais me chama atenção é que paralelamente ao fenômeno de massificação do Twitter entre blogueiros brasileiros, começou a acontecer um bloguicídio em massa. Será fruto dessa evanescência trazida pela twittagem ou são fenômenos sem interligação?
Alexandre,
O Twitter provocou um fenômeno paradoxal na blogosfera brasileira: Se por um lado ele tornou a difusão das postagens mais rápida e eficiente, por outro, ele tornou o debate mais evanescente e menos papável. Daí eu fico me perguntando: Logo depois que o Twitter se massificou entre os blogueiros brasileiros, um fenômeno de bloguicídio em massa se deu em nosso meio. Coincidência ou isso está interligado?
A pergunta é boa, Hugão, mas não faço a menor idéia da resposta. Agora, concordo com o Daniel Link de que o Twitter coloca a blogosfera num limiar de transformação. É preciso reinventá-la, mas, sinceramente, tenho medo de que a esterilização que 2010 já insinua mate a seção brasileira dela.