Se, reformulando Gramsci, a política é a disputa pela esfera da imaginação pública, e se, como argumenta Guy Debord, a sociedade do espetáculo é a mediação social total pelas imagens, então poderíamos dizer que só hoje existe, de fato, um Estado, na medida em que só hoje existe um (weberiano) monopólio legítimo da imaginação por parte dos mass-media?
Tese sobre política
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Alexandre Nodari
é doutorando em Teoria Literária (no CPGL/UFSC), sob a orientação de Raúl Antelo; bolsista do CNPq. Desenvolve pesquisa sobre o conceito de censura.
Editor do SOPRO.
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- Paulo Moreira comentou no post Tese sobre política: Não acho que valha a pena estender artificialmente os limites do Estado, Alexandre. Acho que uma coisa é a hegemonia dentro da sociedade civil e outra coisa é a hegemonia dentro do estado. Com o Estado estendido assim, a gente perde de vista as origens do poder que nos governa de fato. O poder não é originado dentro do Estado, mas sim emanado de de
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Depende do que você considera por "Estado", Alexandre: Eu, por exemplo, considero Estado como o núcleo normatizador de uma certa coletividade humana em um dado momento histórico - a própria territorialidade é acessória, na minha perspectiva. Ele existe porque, de modo que a produção e a troca material são necessárias e intrínsecas ao Homem, logo os conflitos decorrentes da produção e da troca também são inerentes à sua existência, o que demanda um núcleo normatizador cuja forma pode variar consideravelmente de lugar para lugar. O Estado é uma organização imanenete e inerente à nossa espécie, portanto, sempre existiu e continuará existindo - com as mais diversas configurações, claro. O que há hoje é uma determinada forma de Estado. Sim, eu sei, é um pouco hegeliano, diria, quase...
Hugão: na verdade, a tese é uma tentativa de, empurrando a idéia de hegemonia de Gramsci até (além d)o limite, reformular o conceito weberiano de Estado. Se Weber define o Estado como monopólio legítimo da violência, talvez hoje devamos prestar mais atenção na legitimidade que na violência - nas sociedades de massas, a mediação é essencial para obter e/ou construir a legitimidade. Se a política, portanto, é a disputa por essa legitimidade, pela hegemonia (eu sei, tô forçando um pouco a barra, mas pretendo desenvolver melhor isso na minha tese de doutorado) da imaginação pública, talvez só hoje tenhamos um verdadeiro monopólio dela (talvez o nazismo e o stalinismo tenham conseguido também tal monopólio - mas tal paralelo é ainda mais alarmante) - por parte da mediação realizada pelos meios de comunicação. Ou seja, a disputa é só pelos meios.
Agora, que papo é esse de que o Estado sempre vai existir? Péssimo comunista você é... Risos. Um abraço
Os meios de comunicação de massa funcionam como os principais enunciadores do discurso hegemônico na sociedade, pois a mídia pauta a política (tanto so movimentos sociais que atuam na política, quanto o governo). Para a chegada no poder é necessário a desconstrução de um discurso hegemônico em troca de outro. Sendo, assim os mass-media são impresindíveis para a tomada de poder, para o exercício do monopólio legítimo da violência e, não só, mas também,a hegemonia do discurso ideológico.
Hehehe ultimamente ando apanhando muito por conta disso.
Não acho que valha a pena estender artificialmente os limites do Estado, Alexandre. Acho que uma coisa é a hegemonia dentro da sociedade civil e outra coisa é a hegemonia dentro do estado. Com o Estado estendido assim, a gente perde de vista as origens do poder que nos governa de fato. O poder não é originado dentro do Estado, mas sim emanado de dentro do capital financeiro, das grandes corporações, etc. Lembre-se da carta do PT e da decisão de apontar Meireles para o BC ainda durante a campanha: os dois gestos apontavam para o continuísmo onde ele verdadeiramente interessa aos poderes hegemônicos, continuísmo que gerou a "tolerância" de quem realmente interessava. Essa história de que a mídia no Brasil faz oposição precisa ser muito relativizada, porque a mídia só tem poder de influência mesmo no Jornal da Globo. A histeria da Veja tem a ver com a ansiedade produzida pela constatação de que a influência palpável da revista não vai além do reacionarismo da nossa ainda minúscula pequena burguesia.
Paulo: acho que devemos ultrapassar um pouco o horizonte marxista: não adianta só tomar o aparato estatal e/ou mudar os meios de produção, há um outro ator político no jogo, um ator puramente mediador. Todavia, esta mediação tem certo grau de independência, mas não é nada neutra. Lembremos do "poder de agenda" - mas além disso, lembremos que toda disputa hegemônica necessariamente hoje passa pela mediação do "quarto poder", que não inclui só a imprensa tradicional, mas os meios de comunicação de massa em geral. Por isso, Lula teve de publicar o que os empresários e o setor financeiro já sabiam: que ele pactuaria com o status quo. A utilização destes meios implica certa formatação, certa homogeneização da forma. Pra não ficarmos só na divergência, concordo que podemos relativizar a idéia de que a mídia só faz oposição. Mas quando o faz, é com fortes tons golpistas. Abraço