"É para sublinhar uma situação infelizmente típica - e politicamente muito grave - numa conjuntura que não hesitarei em qualificar de mundial e histórica; quer dizer que não se poderia exagerar o seu alcance e ela merece sérias análises. Em toda parte, em particular nos Estados Unidos e na Europa, são os supostos filósofos, teóricos e ideólogos da comunicação, do diálogo, do consenso, da univocidade ou da transparência os que pretendem lembrar sem cessar a ética clássica da prova, da discussão e da troca, são eles que o mais das vezes dispensam-se de ler e estudar atentamente o outro, dão prova de precipitação e dogmatismo, não respeitam mais as regras elementares da filosofia e da interpretação, confundem ciência com tagarelice, como se não tivesse sequer o gosto pela comunicação, ou antes, como se tivessem medo dela, no fundo. Medo de quê, no fundo? Por quê? Eis a boa questão."
Uma boa questão levantada por Derrida, no seu debate com Habermas (o qual, aliás, não cita o desconstrucionista nem obra alguma dele em nenhuma das trinta páginas em que se dedica a rebatê-lo), mas que continua atual e válido para a blogosfera.



Derrida bateu forte.
E bateu bem. Creio que a assertiva "(...)dão prova de precipitação e dogmatismo, não respeitam mais as regras elementares da filosofia e da interpretação(...)" é o ponto central da crítica a ser feita a esses teóricos. A ideia básica da Filosofia é de que vivemos em um mundo de aparências, de que há coisas que enconbrem o nosso discernimento das coisas e de que podemos construir instrumentos mediante os quais podemos supera-las. O problema de pensadores como Habermas é que eles invertem isso, o horizonte da Filosofia se torna seu ponto de partida e no lugar de trabalhar para atravessar as cortinas de fumaça, ele procura apenas construir uma argumentação cujo fim é persuardir as pessoas a acreditar que elas não existem. Isso é, com efeito, a dogmática - a arte de doutrinar - e não Filosofia.
Alexandre,
Gostei de visitar o teu espaço virtual, irei voltar mais vezes.
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Uma bela passagem, sem dúvida! Em vários sentidos, aplicável também ao próprio Derrida, heheh