No número 91 da Revista Fórum, tive o privilégio de substituir Idelber Avelar na coluna "Outro olhar". Abaixo, o ínicio do meu texto:
Uma sugestão para a próxima Bienal de São Paulo: deixar a curadoria a cargo de juristas. Afinal, a cada edição que passa, ela fica mais dependente da ação de advogados e promotores. Há dois anos, ficou marcada pela prisão de pixadores que decidiram ocupar por conta própria o segundo andar do prédio, que a organização optou por deixar vazia. A recém-aberta edição de 2010, voltada para a relação entre arte e política, já se notabilizou pela censura. Primeiro, foi o pedido da seccional paulista da OAB para que não fosse exposta a "Série Inimigos", de autoria de Gil Vicente, que retrata o artista matando pessoas notórias, como FHC e Lula. A justificativa para a proposta de censura foi da mesma estirpe daquela utilizada contra as Marchas da Maconha: incitação ao crime.
Além disso, houve protestos contra o uso de urubus vivos em uma instalação de Nuno Ramos. Mas o caso mais pernicioso foi o da autocensura da própria Bienal à instalação El alma nunca piensa sin imagen, organizada por Roberto Jacoby: um espaço, delimitado por dois painéis enormes com fotos de Dilma e Serra, no qual artistas argentinos (a "Brigada Argentina por Dilma") realizariam uma campanha fictícia, produzindo material de propaganda e promovendo debates e discussões artístico-políticas. Poucos dias antes da abertura, e já tendo incluído a imagem dos painéis no catálogo, a organização da Bienal consultou a Procuradoria Eleitoral e decidiu cobrir os painéis, censurando a instalação por violar o marco legal da propaganda política em época de eleições.
(...)
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"O que diferencia o pior arquiteto da melhor abelha é que o arquiteto ergue a construção na imaginação antes de erguê-la na realidade" (Karl Marx)
Uma sugestão para a próxima Bienal de São Paulo: deixar a curadoria a cargo de juristas. Afinal, a cada edição que passa, ela fica mais dependente da ação de advogados e promotores. Há dois anos, ficou marcada pela prisão de pixadores que decidiram ocupar por conta própria o segundo andar do prédio, que a organização optou por deixar vazia. A recém-aberta edição de 2010, voltada para a relação entre arte e política, já se notabilizou pela censura. Primeiro, foi o pedido da seccional paulista da OAB para que não fosse exposta a "Série Inimigos", de autoria de Gil Vicente, que retrata o artista matando pessoas notórias, como FHC e Lula. A justificativa para a proposta de censura foi da mesma estirpe daquela utilizada contra as Marchas da Maconha: incitação ao crime.
Além disso, houve protestos contra o uso de urubus vivos em uma instalação de Nuno Ramos. Mas o caso mais pernicioso foi o da autocensura da própria Bienal à instalação El alma nunca piensa sin imagen, organizada por Roberto Jacoby: um espaço, delimitado por dois painéis enormes com fotos de Dilma e Serra, no qual artistas argentinos (a "Brigada Argentina por Dilma") realizariam uma campanha fictícia, produzindo material de propaganda e promovendo debates e discussões artístico-políticas. Poucos dias antes da abertura, e já tendo incluído a imagem dos painéis no catálogo, a organização da Bienal consultou a Procuradoria Eleitoral e decidiu cobrir os painéis, censurando a instalação por violar o marco legal da propaganda política em época de eleições.
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