Drops: setembro 2009 Arquivo

agamben.jpgSaiu recentemente pela Editora Argos, de Chapecó, uma reunião  de três ensaios de Giorgio Agamben ("O que é o contemporâneo?", "O que é um dispositivo" e "O amigo"), traduzidos pelo meu colega e amigo Vinícius Honesko, que também assina, ao lado de Susana Scramim, a apresentação deste O que é o contemporâneo? e outros ensaios. Como se sabe, Agamben é um grande crítico do que ele chama, maliciosamente, de "pseudo-filosofias da comunicação", ou seja, de Habermas & cia. Em O Reino e a Glória (que está sendo traduzido e deve sair em breve pela Boitempo), Agamben argumenta que mesmo uma genealogia sumária de consenso revelaria o seu parentesco com a aclamação (e não com o diálogo). Por isso, em "O amigo", Agamben prefere falar - fato ressaltado na Apresentação - no "com-sentimento" como dimensão primeira da política: não a unicidade, mas também não o conflito, e sim a co-existência. É interessante que aqui Agamben também se afasta de elaborações como as de Jacques Rancière - para quem a política pressupõe um dano fundamental, uma "partilha do sensível" (do espaço e das coisas, mas também do modo de encará-las, bem como a própria partilha) - e, se ainda restava dúvidas para alguém (sim, porque existem aqueles que acham que citar um autor é endossá-lo), Carl Schmitt, que dizia que toda política nasce da tomada, divisão e contagem (o Nomos), o que implica a definição de um inimigo (e, por tabela, a definição do amigo). É evidente que Rancière e Schmitt tiram conclusões diferentes: aquele diz que a política nasce quando o "erro de contagem" vêm à tona com a emergência dos sem-classe, que embaralham a partilha existente; enquanto este  afirma a política como decisão soberana sobre a divisão. Todavia, em ambos, a dimensão do conflito que sucede a divisão é essencial (e talvez esse seja um dos motivos pelo deslumbramento de certos pensadores de esquerda por Schmitt). Já para Agamben, existe uma "condivisão que precede toda divisão, porque aquilo que há para repartir é o próprio fato de existir, a própria vida". Esta condivisão é o que ele chama de "amizade", "E é essa partilha sem objeto, esse com-sentir originário que constitui a política".

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Flávia Cera escreveu um excelente post, sobre a prevalência do racismo na forma de organização das sociedades contemporâneas. O papel da mídia nesse processo não é pequeno: nesse sentido, acredito que ela faz parte do que podemos chamar de Estado, isto é, a formatação da imaginação pública - e o jurista Pedro Estevam Serrano argumenta justamente que este poder imaginário-simbólico dela a torna um "poder imperial". O melhor da literatura brasileira (e talvez da latino-americana) contemporânea tem se debruçado sobre esta falência dos modelos de organização social e do conhecimento, enfim, das comunidades, explorando outras formas. É o caso das ficções de Verônica Stigger, analisadas com este enfoque por Caio Moreira. Os filósofos também tem essa questão como central - e, Agamben, por exemplo, advoga a transformação da vida em uma obra de arte sem autor.

O Notícias de três linhas, do amigo Victor da Rosa, está de casa e cara nova, aqui no culturaebarbarie.org: http://www.noticias.culturaebarbarie.org 

Sopro 16

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sopro16.gif
Está no ar, com um certo atraso devido a problemas técnicos, o Sopro 16 (o link é para o formato flash; para a versão em PDF, clique aqui). Neste número: uma resenha ("As assinaturas de uma política que vem") de Signatura rerum, livro de Giorgio Agamben (há uma tradução francesa disponível para download aqui), escrita por Vinícius Honesko; e a segunda parte do verbete "Vestígios", escrita por Cristiano Moreira (a primeira parte pode ser lida aqui). No próximo número, que deve sair dentro de uma semana, publicaremos a tradução de um pequeno, mas curiosíssimo texto de Walter Benjamin sobre Mickey Mouse.

P.S.: Amanhã acontece o debate sobre o livro Cinismo e falência da crítica, do Safatle. Se tudo der certo, já nessa madrugada dou o pontapé inicial da discussão.


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"Direito de ser traduzido, reproduzido e deformado
em todas as línguas"

Alexandre Nodari

é doutorando em Teoria Literária (no CPGL/UFSC), sob a orientação de Raúl Antelo; bolsista do CNPq. Desenvolve pesquisa sobre o conceito de censura.
Editor do
SOPRO.

Currículo Lattes







Alguns textos

"a posse contra a propriedade" (dissertação de mestrado)

O pensamento do fim
(Em: O comum e a experiência da linguagem)

O perjúrio absoluto
(Sobre a universalidade da Antropofagia)

"o Brasil é um grilo de seis milhões de quilômetros talhado em Tordesilhas":
notas sobre o Direito Antropofágico

A censura já não precisa mais de si mesma:
entrevista ao jornal literário urtiga!

Grilar o improfanável:
o estado de exceção e a poética antropofágica

"Modernismo obnubilado:
Araripe Jr. precursor da Antropofagia

O que as datilógrafas liam enquanto seus escrivães escreviam
a História da Filha do Rei, de Oswald de Andrade

Um antropófago em Hollywood:
Oswald espectador de Valentino

Bartleby e a paixão da apatia

O que é um bandido?
(Sobre o plebiscito do desarmamento)

A alegria da decepção
(Resenha de A prova dos nove)

...nada é acidental
(Resenha de quando todos os acidentes acontecem)

Entrevista com Raúl Antelo


Work-in-progress

O que é o terror?

A invenção do inimigo:
terrorismo e democracia

Censura, um paradigma

Perjúrio: o seqüestro dos significantes na teoria da ação comunicativa

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Arte, política e censura

Censura, arte e política

Catão e Platão:
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