É tudo questão de forma (ou, o ganho duplo da Globo)

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Quem esperava que o casal 20 da Rede Globo deixasse de lado a postura PittBull que exibiu diante de Dilma e Marina pra entrevistar Serra, se enganou - e se esqueceu que tal postura já se revelou com todos os candidatos na série de entrevistas de 2002 e/ou 2006. Pode ser que tenha havido mais boa vontade com Serra, mas o tom inquisitivo, como se tivessem questionando um acusado, se mostrou também diante do candidato tucano. É uma forma de, supostamente, demonstrar independência, igualando "independência" à ferocidade de um inquérito policial (e uma tendência no "jornalismo" que se vê também em programas estúpidos como o Pânico ou o CQC). Mesmo assim, as entrevistas da Vênus Platinada trabalharam, de "forma" "independente", contra Lula. Para os dois candidatos não-petistas, foram feitas perguntas sobre o "mensalão petista", ainda que até hoje não se saiba o que foi aquilo que chamam de "mensalão". Pouco importam as respostas dos entrevistados. O que importa é recolocar em circulação um significante que, independente de seu significado concreto, possui uma carga negativa e produz uma associação imediata ("mensalão" = corrupção; mensalão aconteceu no governo Lula; Governo Lula é corrupto). A maior amenidade da Globo com Serra pouco importa quando a Vênus Platinada, mostrando "independência", recauchuta um significante vazio que só beneficia um dos lados da disputa. 

4 Comentários

Maravilha, Alexandre, na mosca.
Abração


Sim, sim, olhando a postagem, a discordância que eu levantei no twitter foi falsa, penso o mesmo. Desculpe.


Não sei se me engano, mas acho que mensalão, pelo menos da boca do Bonner, era sempre "mensalão petista", por mais que a questão fosse sobre o PTB; o que muniu Serra de fazer análise quantitativa do número de réus de um e outro partido no processo criminal e desviar o foco. E mesmo que o "petista" sugerisse a existência de algum outro tipo de mensalão, um não-petista, Eduardo Azeredo e emenda da re-eleição (agora voltou o hífen, né não?) não entraram jamais neste significante, o que reforça o seu argumento.


Felipe: exato. Com as eleições cada vez mais mediatizadas, os significantes em si importam cada vez mais.

João e Hugo: agradeço a concordância. Risos.

Abraços


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"Direito de ser traduzido, reproduzido e deformado
em todas as línguas"

Alexandre Nodari

é doutorando em Teoria Literária (no CPGL/UFSC), sob a orientação de Raúl Antelo; bolsista do CNPq. Desenvolve pesquisa sobre o conceito de censura.
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