Eleitoreiras (II): Linguagem, de novo

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No final do post anterior, eu tentei ressaltar o funcionamento de armadilha que a linguagem pode adquirir no terreno do debate: definir os termos de uma discussão é ganhá-la de antemão - a surra histórica que Dilma deu em Agripino Maia no Senado se explica um tanto por isso: o demo-arenista levou o debate pra relação entre democracia e ditadura, e aí levou pau. Defender, mesmo que veladamente, a tortura, é algo que só as "raposas políticas" do PFL são capazes de achar que funciona.

O #DilmaFactsbyFolha (aos que não acompanharam, este post do Idelber explica o que foi o movimento) correu esse risco de dar munição ao "inimigo", usando a linguagem que ele queria. Em "essência", o #DilmaFactsbyFolha não visava apoiar Dilma, mas apontar a desmoralização da Folha de S. Paulo, mostrando o quão longe - às raias do absurdo, ou além dele - o jornal era capaz de ir para tentar derrubar aquele que não é seu candidato. Eleitores do Plínio, da Marina, eleitores não muito entusiasmados da Dilma participaram do "movimento", que não era expressão de uma estratégia organizada de campanha, tudo que a Folha queria que fosse pra poder desmoralizar o movimento, e taxá-lo de obra de "zumbis petistas incitados por lideranças". Pois bem, e não é que alguma grande "inteligência" ligada ao PT decidiu dar isso de bandeja? O responsável pelo twitter @ptnacional incitava as pessoas a usarem a tag #ondavermelha em todos os tweets relacionados ao #DilmaFactsbyFolha. Além disso, o sujeito se apropriava de tweets alheios sem dar crédito, como se ele (o @ptnacional, que não é um twitter oficial do partido, mas dá a impressão de que seja) fosse o autor, como se o #DilmaFactsbyFolha fosse estratégia de campanha. Por sorte, a força do movimento foi mais forte do que a tentativa (contraproducente) de apropriação, a ponto de ser o assunto da coluna de hoje do Ombudsman da Folha de S. Paulo. Mas é uma pena que se tenha dado margem para que o movimento fosse mitigado:

"O movimento batizado de #Dilmafactsbyfolha virou um dos assuntos mais populares ("trending topics") do Twitter em todo o mundo, impulsionado, em parte, pela militância política -segundo levantamento da Bites, empresa de consultoria de planejamento estratégico em redes sociais, 11 mil tuítes usaram um #ondavermelha, respondendo a um chamamento da campanha do PT na rede. Até o candidato a governador Aloizio Mercadante elogiou quem engrossou o coro contra o jornal.
Mas é um erro pensar que apenas zumbis petistas incitados por lideranças botaram fogo no Twitter. O partido não chegou a esse nível de competência computacional.
Na manada anti-Folha, havia muito leitor indignado, gente que não queria perder a piada, além de velhos ressentidos com o jornal."

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Eu li o texto da ombudsman mais cedo e também fiquei um pouco decepcionado com isso, de usarem a tag #ondavermelha junto.

O lulismo tem sido uma coisa de cara feia, rancorosa, mesmo com a vitória quase assegurada da Dilma. O pessoal, em vez de incorporar o otimismo da campanha, fica só atacando o "PIG" com sangue nos zóio. Parece são-paulino gritando "se f**eu corintiano", depois de uma vitória no campo.

O #DilmaFactsbyFolha era um ar fresco nesse clima, mas para alguns, o humor leve e descompromissado não basta.


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"Direito de ser traduzido, reproduzido e deformado
em todas as línguas"

Alexandre Nodari

é doutorando em Teoria Literária (no CPGL/UFSC), sob a orientação de Raúl Antelo; bolsista do CNPq. Desenvolve pesquisa sobre o conceito de censura.
Editor do
SOPRO.

Currículo Lattes







Alguns textos

"a posse contra a propriedade" (dissertação de mestrado)

O pensamento do fim
(Em: O comum e a experiência da linguagem)

O perjúrio absoluto
(Sobre a universalidade da Antropofagia)

"o Brasil é um grilo de seis milhões de quilômetros talhado em Tordesilhas":
notas sobre o Direito Antropofágico

A censura já não precisa mais de si mesma:
entrevista ao jornal literário urtiga!

Grilar o improfanável:
o estado de exceção e a poética antropofágica

"Modernismo obnubilado:
Araripe Jr. precursor da Antropofagia

O que as datilógrafas liam enquanto seus escrivães escreviam
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Um antropófago em Hollywood:
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Bartleby e a paixão da apatia

O que é um bandido?
(Sobre o plebiscito do desarmamento)

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(Resenha de A prova dos nove)

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  • Marcus comentou no post Eleitoreiras (II): Linguagem, de novo: Eu li o texto da ombudsman mais cedo e também fiquei um pouco decepcionado com isso, de usarem a tag #ondavermelha junto. O lulismo tem sido uma coisa de cara feia, rancorosa, mesmo com a vitória quase assegurada da Dilma. O pessoal, em vez de incorporar o otimismo da campanha, fica só atacando o "PIG" com sangue nos zóio. Parece são-paulino grita








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