Por que agora vou votar em Dilma

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No primeiro turno, votei em Marina Silva. A votação expressiva que ela obteve mostra que o recado foi dado, quebrando a forma-plebiscito que a eleição ameaçava adquirir e colocando na mesa a necessidade de se pensar o país e de se repensar as estratégias políticas. As avaliações que surgiram no primeiro debate (a de que Plínio disputaria o terceiro lugar com ela), e que mesmo desmentidas dia após dia reapareceram ao se subestimar a chamada "onda verde", ridicularizando-a como "marola verde", são sintomáticas de uma miopia na análise política. Essa miopia continua em certa desvalorização do eleitorado da Marina, tão eclético quanto o eleitorado de Dilma (só o eleitorado do Serra é homogêneo: corresponde ao universo de pessoas que habitam o imaginário produzido pela pior revista semanal do mundo). A política funciona assim mesmo: um significante (no caso, Marina ou Dilma) agrupa em torno de si demandas diferentes, através da produção de uma cadeia equivalencial (isto é, unindo-as em uma base ou discurso mais ou menos comum). Basta, reorganizando a cadeira equivalencial, conseguir um quarto desse eleitorado eclético da Marina pra liquidar a fatura no segundo turno. Eu estou nessa fatia.

Na minha declaração de voto à Marina, já estava sinalizado que eu votaria em Dilma no segundo turno: meu post se abre com um balanço das conquistas do governo Lula (as quais eu considerava motivo suficiente para os que votariam em Dilma já no primeiro turno). Não há nenhuma linha sobre o Serra. Jamais votaria naquele que quer fazer voltar, nas palavras certeiras de Plínio, o governo do "pessoal que tem nome e sobrenome" sobre os "que não têm nome". Não voltar ao regime político-econômico tucano que sequestra a cidadania, como o regime militar antes sequestrava os corpos, é motivo mais do que suficiente para mim votar em Dilma no dia 31 de outubro.

53 Comentários

Deus me livre de patrulhar voto alheio, mas aposto que você tem argumentos melhores do que dizer que 30% do país lê Veja e é contra a bondade.


Meu argumento não é esse que v. aponta, Upiara. Eu disse que o eleitorado do Serra coincidia com o do imaginário o qual a Veja ecoa e produz na forma de uma caixa de ressonância: esse imaginário não é só anti-petista, mas neoliberal ("moderno" no eufemismo da revista). Não há bem ou mal em jogo aqui, como não havia quando eu justifiquei o voto em Marina. O que está em jogo são os parâmetros da gestão político-econômica: os parâmetros tucanos promovem a exclusão, ou, se preferir, não privilegiam a inclusão na cidadania de setores marginalizados da sociedade. Não é uma abstração moral, é uma constatação: basta comparar os governos FHC e Lula. E essa história de que Serra é diferente, de que ele é "desenvolvimentista", de que ele é de esquerda, pra mim permanece um mito: o governo Serra em São Paulo foi digno de FHC. Além do mais, já conhecemos o "esquerdismo" do PSDB por meio do governo Covas (que, se foi infinitamente melhor que o de Serra e Alckmin, lançou as bases de ambos e tinha o segundo como vice), ainda que Covas fosse provavelmente o melhor quadro do PSDB, a quilômetros na frente de Serra.

A mudança dos parâmetros de gestão político-econômica promovida por Lula, porém, não foi tão longe quanto eu gostaria a ponto de repensar as bases dessa gestão. Por isso votei em Marina no primeiro turno. Muito do antigo status quo se manteve ou se agravou com Lula: a política ambiental, a política agrária, os modos de diálogo político com o Congresso, etc. Mas ainda acho preferível Dilma à Serra, ainda mais que agora ela terá que dialogar e incorporar o que a Marina representa, coisa que eu acho que o Serra não será capaz de fazer, pois ele não tem um projeto para o país, a não ser que salário mínimo de R$600,00, décimo-terceiro do Bolsa-Família e aumento de 10% para os aposentados signifique um programa. Ou ele não tem um projeto que possa incorporar o que Marina representa, ou ele tem vergonha de apresentá-lo (e prefere escondê-lo por meio das promessas eleitoreiras) porque o projeto é o neoliberalismo, incapaz de incoporar minimamente a plataforma de Marina.

Além disso, se você ler o que eu escrevi quando declarei o voto em Marina, verá que muito tem a ver com o que o PT representava até 2003. O PT, apesar de ter se distanciado de si mesmo e ficado dependente da figura de Lula, continua mais próximo do que era, muito mais próximo do que o PSDB ou o DEM jamais podem sonhar.

Se não te convenci, subscrevo os motivos que o Celso apontou para votar em Dilma.


Por mais que eu me esforce para resistir às representações binárias, reconheço que não consigo não imaginar o confronto entre Serra e Dilma como um confronto entre civilização, que não compreendo como progresso, e barbárie. Ao final, não importa muito se Serra tem ou não tem um projeto político e um programa de governo, tendo ou não tendo, a via que ele nos convida a percorrer conduz à barbárie. Com todos os problemas, desacertos e limitações que possa ter, a via de Dilma nos possibilita avançarmos em nossas (reduzidas) conquistas civilizacionais. A via de Marina também é civilizatória, evidentemente. Do cruzamento das vias de Dilma e de Marina, que será necessário para que a candidata do PT se eleja, podem surgir horizontes promissores.

Um abraço!


"e é contra a bondade."

Upiara, estamos a eleger políticos e não padres.


Bom eu vou votar no SERRA 45 e não Dilma e seus amiguinhos corruptos. Seu voto na Marina não discuto mas querer votar em Dilma por uma justificativa tão frouxa só lamento.


Não estou tão seguro desta transferência pra Dilma. Com a midia que temos, com o presidente do PV já tendo declarado que irá apoiar serra, com a virada ter tido muito a ver com a questão religiosa, corre-se o risco de elegermos o pior. Acho que este segundo turno deu respaldo ao serra para achar que é um grande político e que a estratégia dele (conchavo com a midia, nenhum programa apresentado e promessas pouco provável de serem cumpridas) é vencedora. Caberá ao PT avaliar melhor sua política e estratégia e responsabilizarmos mais por nossas escolhas.


Peraí, cara. Primeiro tu diz que o "regime político-econômico tucano que sequestra a cidadania, como o regime militar antes sequestrava os corpos". Depois tu diz que não é questão de bem ou mal. Ou é uma coisa, ou é outra...


Seiti: eu não sabia que o PT tinha inventado a corrupção no Brasil. Talvez porque não leia a Veja.

Cláudio: é claro que o PT tem que repensar sua estratégia e deixar a cantilena repetida por Dilma em absolutamente todas as perguntas de todos os debates ("o que você acha da maravilha do governo Lula?") e jogar a linha de corte para mais além (pra isso que a candidatura Marina e a votação massiva que teve serviram: deslocar a linha que definia os pólos - sem sua candidatura seria a continuidade ou não do projeto lulista; com ela, se trata de integrar, ao menos, outras variantes nesse projeto). Agora, quanto à transferência, é claro que não são todos os votos de Marina que vão pra Dilma, mas 1/4 deles são suficientes. O apoio do PV, que tende a ir a Serra, é meio inócuo, pouco expressivo. E Marina já deu um chega pra lá nessa decisão apressada que se anunciava quando disse, em seu discurso ontem, que a decisão de apoio não deveria passar apenas pelo partido, mas pelos setores que apoiaram e fizeram sua candidatura. Até agora, de todos os eleitores de Marina com quem tive contato, apenas um não deve votar na Dilma.

Gabbardo: sequestra-se a cidadania não por maldade congênita, mas por modelos político-econômicos. Se v. ler a resposta que dei ao Upiara, isso fica bem claro.


Oi, Alexandre,

Não me parece que seja possível dizer que o eleitorado do Serra é "homogêneo" (tampouco que coincida com o leitorado ideal ou efetivo da Veja), enquanto os eleitorados da Dilma e da Marina são ecléticos. E esta é precisamente a questão: se este projeto que agora leva o nome de "Dilma" quiser ganhar no segundo turno, terá de 1) conservar os votos que teve no primeiro turno (e que estão ameaçados pela radicalização crescente dos discursos sobre religião, sexo e "terrorismo"); 2) conquistar votos até entre os eleitores menos conservadores do Serra (para contrabalançar aqueles que inevitavelmente perderá entre seus próprios eleitores). Não será fácil. O que precisamos compreender de uma vez por todas é que, até a hora da urna, a imensa maioria dos votos não está consolidada. Daí que haja tanta variação nas pesquisas. Daí também que mesmo os índices de rejeição dos candidatos possam oscilar tanto - o que, a princípio, deveria ser absurdo. Afinal, como um sujeito pode dizer que JAMAIS votaria em determinado candidato e depois votar exatamente naquele candidato? Isto é mais comum do que se pensa.

Abraço,
Eduardo


É engraçado um caluniador (Seiti) vir falar em argumentos "frouxos". Frouxas devem ser as sinapses entre os neurônios dele, se é que ele tem algum. Quem tem amiguinhos corruptos é o Serra, que participou do governo FHC, aquele período das privatizações fraudulentas, do Daniel Dantas, do Gilmar Mendes, do engavetador Brindeiro, da compra de votos para a reeleição, da desindexação do salário dos trabalhadores (quando as tarifas continuaram indexadas) e de tantas outras patranhas. Serra é aquele que, um ano depois, resolveu fazer um escândalo com o vazamento do sigilo da filha, aquela mesma que é sócia de outra Verônica (a irmã do Dantas) em uma empresa que violou o sigilo de 35 milhões de CPFs. Quem tem telhado de vidro…


Dilma e Serra são mais parecidos que Marina e Dilma.
O eleitorado brasileiro que decide a eleição - aquele que não vota em partido - vota com o bolso.Quando a economia vai bem: fica quem está. Quando a ecconomia vai mal: mudança.
Foi assim nas últimas eleições presidenciais e continuará sendo por um bom tempo no Brasil.Isso é a lógica.
Agora, culpar veja pelos atos de corrupção do PT e igual aquele cara que encontra a mulher o traindo no sofá sa sala e resolve vender o sofá!
Não sou partidário. Mas sou contra qualquer tipo de corrupção.


Eu votei Marina!!! Agora não sei em quem votar! Sou contra votar em branco ou anular o voto, acredito que assim estou deixando os outros escolherem por mim.
Confesso que estou à procura de motivos para votar na Dilma no segundo turno, ate mesmo porque acredito que com Serra as tendencias não serão boas!!!


Lendo esses comentários, senhores, eu percebo que nossa democracia infante já evoluiu de tal forma que não nos resta outra coisa a não ser concordar com o Bonner quando diz que as eleições brasileiras são "a festa da democracia"!!! Consistência no texto do Nodari, consistência nos posts... Maravilha!!! O debate é esse e ele é saudável. Precisamos só avançar um pouquinho mais nas informações que detemos sobre cada um dos candidatos. Avaliar suas bases e correligionários... Passados governistas, passado político, história pessoal e luta de cada um. A Veja, eu lamento concordar, presta um serviço desqualificado ao país. É SÓ minha opinião... Sou assinante mesmo assim!! Não sou filiada ne simpatizante de partido político algum, apenas gosto de POLÍTICA e vejo crescer entre nós este mesmo gosto, o que é bom e eu torço ver consolidado na maioria das "cabeças brasileiras". Viva o povo brasileiro e sua vontade de ser cada vez mais democrático!! Você que votou em MARINA, vota DILMA no 2º Turno...São velhas companheiras com um passado de lutas e que podem, juntas, impulsionar mais ainda este GIGANTE rumo ao Progresso "Ssutentável"!!!


Sobre essa questão da corrupção é simples: acredito que essa marcação cerrada (poderia dizer "serrada") da imprensa imprensa com o PT fará com que o governo Dilma tenha que ter vigilância reforçada possíveis focos de corrupção (tenho inclusive a impressão de que a Dilma será um "rottwailler" - usando a metáfora tucana - em cima disso, pois está sentido bem a pressão). Já o Serra (e antes FHC e toda a patota) nunca teve e nunca terá essa preocupação, pois o histórico de convivência e apagamento midiático das maracutaias é histórico (vide as Ilhas Cayman, privatizações, Daniel Dantas, Verônica Serra) - aparece só uma coisa vez aqui, vez lá, e invariavelmente despolitizado. Corrupção no sistema de poder brasileiro é estrutural, assim não tem essa de no "meu governo não existirá corrupção" a menos que se fizesso mudanças radicais na estrutura de poder (o que nem Marina, nem Serra, nem o Pt irão fazer). Entonces, acho esse papo de que "não voto no PT porque foi conivente com o mensalão e afins" e vota no Serra beeeem furado.


Dentre as muitas coisas que poderiam ser argumentadas e ditas, só digo uma: votar em Dilma baseado no governo do Lula é um grande erro, pra não dizer estupidez. O mesmo para não votar em Serra por causa de FHC. E sobre FHC, todos deveriam saber que Lula bem que colheu muitos frutos do final do governo deste. Mas isso ninguém tem interesse em divulgar né?


Meus parabéns! A tempo não vejo uma analise bem ponderada sobre o que fazer 'com o seu voto'.

Apoio esta idéia, contudo, lamentar que a direção dos Verdes não concordem em apoiar a Dilma.

Postei sobre este assunto hoje em meu blog. De uma passada lá qualquer coisa!

abraços e parabens novamente! Que muitos sigam seu exemplo!


Medo.

Eu votei Marina. E voto Serra.

E por todas as comunidades que ando o votantes de Marina estão indo para Serra.

Abre o olho.


Bem são detalhes da disputa.

“Na verdade, tenho uma cara só, o que na vida pública é muito importante para que a população possa se fazer autenticamente representada”

“Eu queria me congratular com Marina Silva pela votação expressiva”.

José Serra, na primeira declaração após o resultado do 1° turno

“Não use a sua régua para medir os outros. Se eu fosse usar a minha régua, eu diria que você e a Dilma têm muito mais coisas parecidas que qualquer outro candidato aqui. Você ficou no PT até há pouco, você estava no governo do mensalão, não saiu, você ficou lá como ela.”

José Serra dirigindo-se a Marina Silva, no último debate da Globo


Caro Eduardo, eu estava fazendo uma boutade com a homogeneidade. Candidato presidencial tucano ou petista sempre tem seus 30% de saída. É difícil fazer menos voto que isso. Os eleitores de Serra tendem a se encaixar no imaginário "moderno" de que a Veja é a caixa de ressonância.

Quanto à discussão sobre corrupção, não dá pra entrar no debate sobre quem rouba mais. É preciso criar mecanismos institucionais para freá-la, o que não aconteceu no governo FHC, e o que aconteceu pouco (mas muito comparado a FHC) no governo Lula. Marina tentou no meio do escandâlo da Erenice e da quebra de sigilos da receita pautar a discussão propondo mecanismos objetivos que mitigassem as chances de acontecer. Corrupção, lembra o Badiou, é antes de tudo corrupção da virtude - a corrupção material é conseqüência. E infelizmente não criaram um virtudômetro viável.

Segundo turno: é claro que há eleitores de Marina que irão para Serra. Normal. Agora, dos que eu conheço e com quem já conversei, todos, exceto um, votarão na Dilma. E todos os eleitores de Plínio, idem. É gente do meio universitário, claro, mas as universidades federais deram uma baita fortificada no governo Lula. O que aconteceu é que a eleição estava pra ser um mero plebiscito entre a continuidade do governo Lula ou não. Daí o Serra não ter discurso ou projeto, porque quem demarcou essa linha divisória que determinava os dois lados da disputa foi Lula. A candidatura de Marina e sua votação expressiva modificou por onde passava essa linha. A linha que antes demarcava Lula e não-Lula se deslocou para o interior da candidatura Marina, que, nesse sentido, é de "centro": a linha divisória passa pelo interior de seu eleitorado. Daí a incapacidade de setores de Dilma de compreender o que estava acontecendo, e certo maniqueísmo que não passa de ressentimento por não mais ter o desenho topográfico da disputa em seu poder (quem escolhe o terreno, leva vantagem, sempre); maniqueísmo contra-producente: Emir Sader, "intelectual" petista e suplente do Lindberg há dias da eleição dá uma entrevista ridicularizando Marina como direitista - isso é de uma cegueira brutal (não sei como o PT ainda dá espaço pro Sader, é uma bomba atrás da outra). Jogar Marina pro lado de lá é, possivelmente, perder votos dela que são do lado de cá.

Tenho sérias dúvidas quanto ao peso do evangelismo no resultado das urnas. Não dá pra dizer isso pelos emails recebidos, teria que se estudar a geografia das urnas. Tenho uma tese mais sutil: o desempenho de Dilma no Nordeste, apesar de bom, não foi o esperado. Era ali que ela podia contrabalançar a onda verde que já estava clara - a não ser para quem pensa como Sader. Mas por algum motivo, talvez excesso de confiança, talvez pelos governadores aliados dedicarem mais esforços à própria reeleição, provavelmente uma conjugação dos dois, isso não se deu.

Abraços


O mais engraçado no comentário da Upiara foi sobre a "bondade". Li o texto de novo pra ver de onde ela tinha tirado isso e percebi que foi da própria cabeça.

Aí, estarrecido, me dou conta: tem gente que acha que o Serra é bonzinho. Meu Deus do céu, onde vamos parar...


O mais engraçado no comentário da Upiara foi sobre a "bondade". Li o texto de novo pra ver de onde ela tinha tirado isso e percebi que foi da própria cabeça.

Aí, estarrecido, me dou conta: tem gente que acha que o Serra é bonzinho. Meu Deus do céu, onde vamos parar...


1. Seiti, procura a Lista do Ficha limpa(suja) e conta quantos amiguinhos da Dilma estão relacionados e quantos do Serra.
De 2000 a 2007 houve mais de 623 cassações de mandatos políticos por corrupção.
O ranking da corrupção no Brasil:
1º Democratas (antigo PFL), com 69 casos -20,4% do total.
2º PMDB, com 66 casos, ou 19,5%,
3º PSDB, com 58 casos, ou 17,1%.
4º PP, com 26 casos, ou 7,7%
5º PTB com 24 casos, ou 7,1%
6º PDT com 23 casos, ou 6,8%
Procura mais e te informa o percentual dos "amiguinhos da Dilma.
2.Guilherme Bonaldi , acontece que a corrupção dos partidos tradicionais não nos afetam mais, ela é diária e nem percebemos. A do PT é que é novidade, imaginávamos que não havia. Junto um bando de pessoas em torno de alguma associação, partido ou seja lá o que for, vai ter SEMPRE uma parcela de corruptos. Infelizmente é inerente ao ser humano, assim como o vírus da tuberculose está sempre presente em nosso organismo.
3.Ana Carolina , se tu gostas de política como tu diz troca de revista. Sugiro que assine a CartaCapital.
4.Vanessa, os frutos que Lula colheu do FHC foram os frutos que o FHC não soube colher, quebrando o Brasil três vezes, pedindo penico ao FMI, nas crises da Rússia, Turquia e México. O Lula enfrentou a maior crise desde 1929, com a quebradeira dos bancos americanos. O país, diante da MAROLINHA, entrou por ultimo e saiu primeiro, com a geração de emprego bombando.
5.Raquel , abre olho com as comunidades que tu anda, acho que não são verdes, são azuis. Tu por acaso é daltônica?
6.Pra refrescar a memória, em 19 de janeiro de 1995 o governo do PSDB/PFL fincou o marco que mostraria a sua conivência com a corrupção. FHC extinguiu, por decreto, a Comissão Especial de Investigação, instituída no governo Itamar Franco e composta por representantes da sociedade civil, que tinha como objetivo combater a corrupção. Em 2001, fustigado pela ameaça de uma CPI da Corrupção, FHC criou a Controladoria-Geral da União, órgão que se notabilizou por abafar denúncias(lembram do engavetador Geraldo Brindeiro?). A CGU, no governo Lula, passou a ocupar um papel central no combate à corrupção.
7.Algumas corrupçõesinhas e mazelas da turma FHC/Serra daquela época:
CONCORRÊNCIA DO SIVAM/SIPAM
UMA PASTA ROSA MUITO SUSPEITA
DESVALORIZAÇÃO DO REAL
O ESCÂNDALO DA TELEBRÁS
A COMPRA DE VOTOS PARA A REELEIÇÃO DE FHC
A ESCANDALOSA DOAÇÃO DA COMPANHIA VALE DO RIO DOCE
DENGUE, O FRACASSO NA SAÚDE
A FARRA DO PROER
SUDAM E SUDENE , POUCO ESCÂNDALO É BOBAGEM
APAGÃO, UM CASO DE INCOMPETÊNCIA GERENCIAL
Operação Casa-Descasa,o processo de privatização implicou em não-pagamento de impostos da ordem de R$ 10 bilhões.
IRB no governo FHC .


È logico que há mais afinidade entre Marina e Dilma , a Marina veio do PT , Assim como sua ideologia nasceu no "PT de Chico Mendes" no acre ,o PT tem seus erros inclusive o de deixar a pauta Verde no segundo plano ... agora... Serra ??? o cara anda com os mais retrogados do agronegocio, não fez em são paulo que ascenasse para a sustanbilidade e tem uma visão neoliberal que foi uma tragedia que esse pais teve que engolir por 10 anos (Collor ate Palloci).
Os Neoliberais só se importam com "o Mercado" quando defendem uma causa verde é de maneira fake como muitas empresas fazem (vide caso Microsoft) ,


O fato de que a vitória da Dilma se consolida apenas nas regiões em que, nas palavras do Lula, "o povo vota com a barriga e não com a cabeça" talvez seja sintomático de algo.

Pode ser que simplesmente estejam reconhecendo que a vida dos pobres efetivamente melhorou, não se trata apenas de assistencialismo barato.

Pode ser também que a região sul e sudeste do Brasil se resuma a um bando de imbecis que pensa conforme a Veja/Folha e não consegue admitir um analfabeto rico e bem-sucedido.

O mais engraçado é que há poucos anos atrás o que impedia a vitória do PT era o argumento de que nas regiões pobres imperava o coronelismo, não havia a massa crítica dos centros urbanos que permitiria a um governo de esquerda superar "o voto com o estomago". Hoje, os centros urbanos representam a elite nefasta, porque convém. Receber votos dos pobres do Nordeste em troca de um pratos de comida mensais hoje é prova de sensibilidade social.


Alexandre,

vi seu comentário no blog da Flávia Cera. Estamos juntos. Pra mim, e já disse isso no blog do Idelber, o discurso da continuidade é o mais despolitizado da campanha. Isso mesmo, despolitizado, exatamente do que acusam os dilmistas a nós, marinistas. Toda conquista tende a ser assimilada ao hábito, repeti-la só convence o eleitor já decidido. Se a continuidade dos sucessos de Lula é importante, mais ainda é manter aceso - correrei o risco da pieguice - o sonho. Marina representou isso quando incorporou novidades significativas ao discurso de continuação de Lula. Dilma, a quem admiro, infelizmente não se soltou na campanha: mostrou-se apenas gerencialista.

Bem, poderão dizer que sonho é sonho, o que importa é o factível. O Murilo Corrêa disse que o voto em Dilma agora é "o realismo desejante dos famintos que não se saciam da fome de roer o impossível". Claro, tem de ser isso, pois isso é política - articulação de forças para mover sonhos. Impressiona que o PT creia agora ser esse discurso algo bobinho, o PT do Lula, o cara que só conseguiu tirar trinta milhões da miséria porque sonha alto. O sonho se veste do impossível, mas é a medida do porvir que atualiza a cada passo o passado. O gerencialismo que a Dilma mostrou no primeiro turno não é capaz disso, pois todo passo nessa cantilena é modesto. Além disso, é o sonho, a imaginação de que fala Viveiros de Castro, que tem a potência irromper mundos, novas cadeias de significante, novas formas de lidar com a própria liberdade.

Agora, no segundo turno, não sei se Dilma fará esse papel. Mas Serra já está fora dele há muito, o PSDB não tem a capacidade de encampar o novo, é gerencialista por vocação. Já o papo de garante contra a corrupção não cai bem para um governo que sufocou todo tipo de CPI na Assembleia paulistana e que mantém relações íntimas demais com assinaturas seletivas de jornais e revistas. Aliás, mais grave que qualquer tipo de corrupção, é o esforço nulo do governo estadual contra a violência policial - não há nenhuma investigação das execuções policiais de 2006, nas vinganças policiais aos ataques do PCC, que tenha progredido. Isso sim se encaixa no sequestro da cidadania que você mencionou, e passa batido porque há uma insensibilidade nefasta dos que apoiam Serra aos figuras arquetípicas dos que são submetidos a controle social e do corpo, em campos de concentração relegados ao conveniente esquecimento do seu eleitor de costume. Serra, além de não ter sonhos, porta pesadelos.


Eu sou ateu e deixei de justificar meu voto a 30 metros de casa para viajar 300 km e votar em Marina Silva. Ademais, minha antipatia a coligação PSDB/DEM aumentou com a declaração do Ìndio da Costa: que chamou a candidata Dilma de Atéia. Como se isso fosse um demérito. Daí dá para concluir que meu voto deve migrar para Dilma. Isso, claro, se os Emir Saderes da vida derem uma pausa em ridicularizar os eleitores de Marina. Do contrário, devo andar os 30 metros e justificar o voto. Afinal, posso ser um sujeito obtuso, mas não gosto que as pessoas fiquem me dizendo isso.


André: não é bem assim. Aliás, não é nada assim. Uma coisa é votar em troca de uma cesta básica pra sobreviver, outra é votar por causa de um programa de governo que te permite comer todos os dias e ascender socialmente. No primeiro caso há um vínculo pessoal nefasto, no segundo um vínculo político. É claro que o vínculo político pode se converter em vínculo pessoal (com chantagens de que não votar no candidato governista se perderá a Bolsa Família), mas mesmo assim não é um vínculo tão direto como o coronelista.

Caro Felipe: estou plenamente de acordo. Não tenho muito a acrescentar. Lula, cuja genialidade política, por maior que seja, não pode ser superestimada, apostou no mero continuísmo e numa figura tecnocrata, uma excelente tecnocrata diga-se. Acho que nenhum dos lados vai conseguir mobilizar o desejo, o que, ainda assim, favorece a Dilma, se não houvesse o ódio que Serra tende a mobilizar. Pra contrapô-lo é preciso incorporar, além da plataforma de Marina, o seu modo, o que talvez seja muito difícil. O seqüestro da cidadania tucano é global: vai da política econômica ao trato com os descontentes. É o que caracteriza o PSDB: o que eles chamam, eufemisticamente, de "modernização". O Safatle escreveu hoje um texto chutando a Marina como se ela tivesse esse discurso "moderno", quando, na verdade, o discurso dela é o da alteridade possível, o de "outra" forma, "outro" modelo, etc. Entre o "moderno" e o "outro", há uma distância infinita, que se quer ignorar para não ter de ver os próprios erros. E não percebê-la pode custar caro.

Abraço


Pois é rodrigo, a bola tá com a Dilma e cia. E pelo jeito, tem alguns querendo jogá-la fora em lugar de fazer a autocrítica. Abraço


Leio por aí que a pra quem se apresenta como gestora a Dilma quase que não tirou o PAC do papel.
Ao mesmo tempo moro em São Paulo e tenho que admitir que o governo Serra não foi ruim.
Lembro quando a TELESP dominava o mercado de telefones e a gente esperava 2 anos por uma linha e não entendo porque o PT demonizou tanto as privatizações. Independente de afinidade política acho que os méritos das pessoas devem ser louvados e não desmerecidos e ignorados. ME chateia ouvir o Presidente falando de "herança maldita" quando seu governo manteve praticamente as mesmas bases econômicas. E realmente achei muita cara de pau chamar a oposição de "turma do contra", quem se lembra do PT na oposição lembra bem o que era fazer oposição apenas para atrapalhar.
Vou de Serra.


@Neto Feres

O PT nunca demonizou privatizações. Ele demonizou a VENDA do país através da PRIVATARIA: doação da Vale, Daniel Dantas, escandâlo da Telebrás com o ENGAVETADOR OFICIAL DA REPÚBLICA, o Geraldo Brindeiro. O MP "não exisita". A PF era uma polícia política.


Parabéns pelos post, indiquei no meu facebook.


Sou petista jurássico e fiquei totalmente desconcertado com o resultado do primeiro turno. No entanto, já li alguns comentários como o seu com os quais sou obrigado a concordar: o pragmatismo, a arrogância e a despolitização do PT foram longe demais; o recado está dado e espero que não fique só nisso.
Agora, um fato é inegável: a eventual eleição de José Serra configurará uma tragédia para toda a esquerda, e não só no nosso País. Se o PT aliou-se a tristes figuras, em nome do pragmatismo, José Serra, por seu turno, rendeu-se ao que há de pior, de mais reacionário e antidemocrático no cenário político.
Gostei demais de suas ponderações.
Um abraço


Leitura decisiva para a minha escolha. Antes Marina, agora Dilma. Não votaria em Serra, mas como o amigo Rodrigo, justificaria meu voto. Grato ao Nodari pelos textos e a todos pelos comentários. Grande abraço.


Pois é, Alexandre. Agora espero que Marina consiga vender bem caro seu apoio, ou seja, que o PT lulista [que hoje domina "como nunca antes nesse país" um partido que tinha sido concebido como plural] tenha que se comprometer com ir além dos limites desses últimos oito anos.
Espero, por exemplo, que um novo governo trate com mais seriedade as relações e práticas políticas corrompidas que alguns ainda insistem em fingir não ver. Essas relações e práticas corrompidas são aliás continuidade do governo anterior, do PSDB, mas não basta ficar reclamando do uso oportunista da imprensa dessas relações corrompidas. Se é verdade que os "pragmáticos" de ontem são os "indignados" de hoje, também há que admitir que os indignados de ontem calçaram rapidinho as sandálias do pragmatismo que tanto criticavam. Gostaria também que a Marina conseguisse, com o cacife que ganhou nesse primeiro turno, forçar ao máximo a restauração de uma pluralidade de vozes e opiniões que o PT já teve um dia. Mas temo que a festa dure apenas 30 dias e que, com a eleição ganha, tudo volte ao estado de antes na política.


Eu sempre me impressiono com certas comparações entre o governo Lula e o governo FHC. Os tucanos defendem que o Lula apenas "continuou" com a política anterior, o que é um absurdo, no mínimo.

Quando o PSDB nem sonhava com isso, o PT já fazia essas políticas nos municípios que governava. Mas enfim, acredito que esse não seja o comentário pertinente para esse post.

E votei na Dilma no primeiro turno, e sou petista há muitos anos (bem antes de 2002) e vejo como lúcida a análise que a Marina representava o sonho nessa eleição. Confesso que gostaria muito que ela fosse ao segundo turno com a Dilma, tenho muito que admirar a Marina e vejo uma origem guerreira para as duas candidatas.

Os votos vão se dividir, é claro, mas acho que essa era uma boa chance da Marina capitalizar a pauta que foi levantada com a sua votação, que é a do Meio Ambiente. Colocar para Dilma algum documento que ela assine pra se comprometer com certas metas que a Marina tinha. Isso sim seria excelente, e uma aproximação importante.

Não sei como será o jogo político, já que o PV tem clara preferência ao candidato Serra, mas a Marina não saiu do PT como a Heloísa Helena (brigada), mas ainda tem muito respeito entre ela e o partido.

Parabéns pelo seu post, o indicarei.


Desculpem pelo comentário repetido, mas em tempo, Dilma ganhou na maioria dos estados, e não apenas no nordeste!

A Marina venceu no Distrito Federal.

E a votação mais expressiva do Serra foi no Sul. Ele venceu em 8 estados, mesmo no Norte e Centro-Oeste (Rondônia, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul).


Thiago: que bom que o debate suscitado aqui, mesmo que o post seja curto (devo me explicar melhor até o começo da semana que vem) te ajudou na definição. Acredito com o Paulo que a Marina não conseguirá impor muito de sua agenda para além do dia 31, mas o pouco que conseguir, e o recado de sua votação vão ficar: a despolitização (a aposta no pragmatismo) pode ser ameaçada por alguém com um minuto de tempo na TV, pouco dinheiro, mas com desejo e um projeto de mudança das bases da gestão econômico-política. O PT - apesar de alguns teóricos duvidosos, e de militantes raivosos que sempre têm um bode expiatório na mão para não terem de fazer autocrítica - já acordou: gente boa como Tarso e Wagner realçaram a necessidade de ouvir a Marina. Seja como for, estou com o ruy: evitar o governo dos tucanos e dos PFLs, que insistem em seqüestrar a cidadania já na eleição, negando-se até mesmo a expor ao eleitor um programa para o país (ou não têm, ou querem escondê-lo), é motivo suficiente para meu voto no dia 31. Não será um voto entusiasmado, mas será um voto que considero necessário para o país.

Ana: muito obrigado pelo teu comentário. Estou de acordo com ele. Quanto ao segundo, de minha parte, eu não disse que a Dilma ganhou só no Norte e Nordeste, mas que lá era onde ela esperava ter uma vantagem suficiente pra se contrapor à onda verde e garantir a vitória no primeiro turno. Hoje mesmo, o Cid Gomes se queixou de que Lula fez pouca campanha no Nordeste. Era ali que a sangria poderia ser detida mais facilmente pela alta aprovação de Lula e pela popularidade dos governadores aliados. Mas, enfim, o segundo turno foi importante pra que Lula, Dilma e o PT revissem seus conceitos, programas e estratégias. Marina não é mais apenas uma ministra de uma área considerada menor em que a Dilma pode dar pito com o aval do Lula. Marina é uma força independente, a maior líder socioambientalista do mundo e caminha para ser tão importante quanto Lula é hoje. Um abraço a todos


Bom, vindo de alguem que escreve :"Pra mim votar em Dilma" não estou realmente surpresa


Não deveria ter subestimado o papel pedagógico das apostilas da editora Abril.


Muito bem argumentado.

Também acho que há muito mais semelhanças entre Marina e Dilma que com o Serra.

A única coisa que espero dessa eleição é que a Marina não declare seu apoio a ninguém. Seria péssimo para uma futura candidatura da ex-senadora.

Abs!
Tiago


MUAHAHAHAHAHAHAH...
Os mortos-vivos invadem vão invadir a sua casa e comer o seu cérebro!!! Cuidado... Abram os olhos. Qualquer um pode ser um deles! Seu irmão, seu filho, seu melhor amigo pode ser um... petralha prestes a comer o seu cérebro. MUAHAHAHAHHAHAH... Somente a Soninha Jovovic pode te salvar...

****THE END****

Letícia, que argumento definitivo. Você me convenceu, menina. Onde você aprendeu a argumentar assim, minha filha! Você é uma verdadeira discípula de Aristóteles. Não vou nem votar no Serra, vou votar em você. Letícia para estrelar o próximo President Evil.

****MUAHAHAHAHAHAH*****

Alexandre, flawless victory. Marina mandou bem. O resto é choro. Se eu fosse a Marina, agora, apoiava Dilma e explico:
1) Apoiar Serra é por demais bizarro para quem tem a sua história e a preza (diferente do Gabeira). Fora a criatura representar o que há de mais atrasado no país, sabemos que Serra NÃO CUMPRE SEUS COMPROMISSOS. Ele irá jurar de pé junto que aplicará a política de Marina, mas nunca o fará. E, no momento exato em que Serra assumisse, Marina perderia a tribuna que a imprensa vem lhe oferecendo. Ou alguém acha que a Veja vai dar espaço pra Marina cobrar de Serra compromissos assumidos?

2) Ficar neutra é a melhor opção pessoal, mas também significa não usar seu súbito poder para interferir na política de meio-ambiente pelos próximos 4 anos.

3) Apoiar Dilma, por outro lado, significa manter uma tribuna constante, pois a mídia terá todo o interesse em cultiva Marina como crítica da gestão Dilma. Por outro lado, Dilma terá que ser fiel aos compromissos estabelecidos, caso não queira enfrentar uma Marina 2.0 em 2014.


Para Leticia Barbosa -> para bom entendedor, Leticia, o autor escreveu corretamente.

"é motivo mais do que suficiente para mim votar em Dilma no dia 31 de outubro." (leia-se: é motivo mais do que suficiente, PARA MIM, votar em Dilma no dia 31 de outubro.)

Googla aí, Leticia, e vc vai descobrir o por quê.


Excelente análise. Me enquadro nos que acreditavam na supremacia do PT. Fiquei um tanto surpreso com o resultado do primeiro turno. Entretanto, investigando mais a fundo, acredito que o PT foi novamente ingênuo. Não acreditaram na capacidade dos adversários em levantar falsidades para desmoralizar a candidata Dilma. É triste ver como muitas pessoas simplesmente acreditam nos e-mails com "power point" do tipo corrente, com conteúdo difamatório a respeito de algum candidato. É triste ver pessoas ingratas a um governo que tanto fez por elas. Falo isso pois sou de uma região pobre de SC.Vi, ao longo desses 8 anos, o que um governo preocupado com as questões sociais pôde fazer. Na minha opinião, acreditar que apenas a continuidade do plano de governo de lula é pouco para votar em Dilma é uma falta de consideração.


Caro Alexandre Nodari, fiz menção ao seu post em meu blog e por isso te passo o link se quiseres conferir: http://bit.ly/9q6V7J

Abs


Respondo em seu blog a pergunta que fizeste no do Idelber: não há fuzilamento, no máximo algum desprezo, talvez nem isso, só um sentimento ruim porque você, como tantos outros, na fuga do consenso, abriram uma má oportunidade, que poderá nos ser trágica. Portanto, seu voto é necessário, mas não carece de bajulá-lo para obtê-lo. Fica com tua própria consciência, aliás já decidida, um tanto tardiamente, mas fazer o que?


Nodari, estou indicando seu post no meu twitter e no orkut!! Excelente o nível da discussão, da reflexão, dos pontos de vista, não só o seu, mas de todos os comentaristas (até de sua revisora: Letícia)!! Espero que outros vejam e debatam aqui também. Antonio-SC, vou assinar CartaCapital!! Na verdade, a VEJA "acredita" apenas em um modelo político (diga-se de passagem nenhuma prova há que seja o único ideal), e tenta enfiá-lo goela abaixo na gente!! E é bonito ver o brasileiro votando em Marina, demonstrando um princípio de desgarramento com as estruturas consolidadas na política brasileira. O Voto pela proposta e não o voto pelo cabresto. Mas, Marina aliada a Serra é bem mais acachapante do que um tsunami na primavera!! Deus nos livre!!


marcos: os dilmistas estão falando tanto em pastores e padres que são incapazes de ver o que tem de religioso em seu próprio discurso: "fica com tua própria consciência". Pecado, culpa, oração, arrependimento, penitência - esse é o caminho segundo você. Não me arrependo NADA de ter votado na Marina no primeiro turno. E não quero ser bajulado para votar na Dilma. Se dependesse de muitos dilmistas na internet eu votaria nulo. Sorte da Dilma que eu os desprezo como eles desprezam o outro; aliás, foi essa soberba lulo-petista é o que levou a eleição ao segundo turno. Ah, não, foram os eleitores da Marina que fizeram o jogo da direita, né? Tá bom.


Pô, cara, enquadramento errado.

Quando escrevi pra você ficar com tua consciência", quis dizer "fique lá com suas ideias", fazer o que;

Sou ateu inclusive em política, acredito tanto em Lula quanto em ecochato;

Mas acho que seria fácil de entender: por mais que você tenha em sua consciência que o voto em Marina foi mais qualificado, bem que poderia também ter em seguida de "qualificado" a palavra "inútil": ela não tinha nenhum chance de ir para o 2º turno, e só;

Portanto, votar na Marina em 1º turno foi abrir possibilidade para a eleição de Serra, além de dar oportunidade para os reacionários do PV pularem para a candidatura demotucana com o aval subliminar de Marina;

Entenda como quiser, com sua "consciência";

Ademais, como aludi acima, tenho muitas restrições ao governo Lula e à sua candidata; voto neles por realpolitik, pois as outras candidaturas ou nada são ou só tinham o escopo de provocar o segundo turno, inevitavelmente com os dois candidatos mais fundamentados eleitoralmente, e Serra simplesmente não existe, pois já vivi essa hegemonia demotucana antes e não guardo nenhum boa lembrança dela, e, é claro, não vejo porque acreditar que agora Serra faria um governo com formato diferente, por mais que ele diga o contrário, como fala em aumentar salário mínimo e, de matar de rir, asfaltar a Transamazônica;

No fim da história, você também, do alto de sua soberba esverdeada, também (ué, estou me incluindo nessa?) não quer entender os outros. Tá bem na busca do disenso e afirmação de sua querida individualidade. Então tá, cara, então tá;

Por fim, mesmo sem qualquer conexão cristã ou religião qualquer que nada valha, eu vivo me arrependendo das coisas que fiz, porque reconheço que errei inúmeras vezes, e continuarei errando mesmo tentando acertar, até porque o cálculo de nossos atos tem um baita problema de interseção com os números alheios (esse cruzamento normalmente dá choque);

Portanto, infiel, arrepende-te, ao menos da própria soberba que demonstraste tão inadvertidamente! (aproveita porque o Natal tá chegando e só assim você poderá ganhar mais e melhores presentes); e nunca, nunca mesmo, confunda ironia com expressão da verdade.


marcos: em 1989, o candidato de esquerda da realpolitik, inclusive nas pesquisas, era Brizola. Quem foi ao segundo turno? Lula quebrou a polaridade pré-ditadura (liberais-entreguistas X trabalhistas-nacionalistas) e inaugurou uma nova fase da política brasileira. Mas talvez se tivesse apoiado o Brizola no primeiro turno, não teria havido Collor, consequentemente, não teria havido Itamar, não teria havido plano Real e FHC, muito menos haveria Serra. Mas também não teria havido Lula. Estratégia eleitoral não é só estratégia eleitoral, é estratégia política de médio e longo prazo.

Não foi só v. que viveu o demotucanato, meu caro. Mantenho soberbamente minha soberba diante daqueles que creditam o fracasso do próprio investimento político-afetivo no investimento político-afetivo alheio. Enquanto no andar de cima já se entendeu o recado, no andar de baixo continua o nhé-nhé-nhé que não passa da ante-sala de um discurso que vai explicar uma possível derrota. Portanto, é derrotismo.

Segundo turno: meu caro, o que leva a eleição pro segundo turno é a forma da democracia. O PT alimentou eleitoralmente por 20 anos o discurso da necessidade do segundo turno pra se discutir a fundo o país; o PT alimentou por 20 anos o discurso anti-corrupção; o PT ainda ontem vibrava quando Marina lançava sua candidatura e os jornalistas só perguntavam sobre aborto e casamento gay (ter incensado essas questões, que podiam afastar o eleitorado "intelectual" de Marina, volta agora como um bumerangue).

Apesar de você - e não tem nada a ver com a sua pessoa, mas com um modo de pensar simplista e binário - votarei na Dilma.


Acho que os 20% da Marina são uma lição (na falta de palavra melhor vai essa mesmo) ao PT de hoje, que em alguns momentos cruciais esqueceu de suas primeiras convicções. Marina nada mais fez do que manter os ideias de luta do primeiro PT, dos movimentos sociais e populares que são sua base. E foi por isso que obteve resultado tão expressivo.
Os 80% de popularidade de Lula foram conquistados (com muito mérito) por conta das ações governamentais que se mantiveram fiéis a esse projeto social petista. Assim como Dilma não ganhou no primeiro turno em decorrência daquilo que o PT renegou de seu passado, daquilo que esqueceu em sua diplomacia de bagre ensaboado.
Marina jogou na cara do PT que não é preciso fazer alianças espúrias, se juntar aos ruralistas e abrir mão da luta pelo meio-ambiente para ganhar eleições.
Mais entranho do que o Lula não ver sua foto na urna eletrônica (como ele disse no dia das eleições) foi ver parte da esquerda (a qual me incluo) votar em um número que não era o 13. Estranho, mas não triste ou ruim, porque agora podemos votar num 13 pós-Marina, com a esperança de que o PT tenha percebido que a política brasleira sofreu uma reviravolta tão grande ou tão intensa (para lembrar Flávia Cera e sua política de intensidades - http://www.culturaebarbarie.org/mundoabrigo/) quanto aquela da vitória do Lula em 2002. Aliás, para mim (um pequeno desabafo autobiográfico), mais importante e muito mais intensa, porque em 2002 as alianças já estavam dadas e a empolgação já não era a mesma. Para se ter idéia, em 2006, cheguei a cogitar a idéia de assumir na prática meu apreço teórico pelo anarquismo. Mas com Marina voltei a desejar a urna, inclusive para digitar novamente o 1 e o 3.


Como poderia votar em alguém que é aliado ao FHC, presidente que chamou os aposentados de preguiçosos/vagabundos? Vc sabweria me dizer com que idade o FHC se aposentou? Por favor, me informe... sem falar no tal do fator previdenciário que roubou em muito os direitos(já míseros...) adquiridos.


Beckett já dizia que "crítica literária não é contabilidade", mas, mesmo assim, também confio neste um quarto dos Marinistas.


Votei Dilma, e continuo Dilma


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"Direito de ser traduzido, reproduzido e deformado
em todas as línguas"

Alexandre Nodari

é doutorando em Teoria Literária (no CPGL/UFSC), sob a orientação de Raúl Antelo; bolsista do CNPq. Desenvolve pesquisa sobre o conceito de censura.
Editor do
SOPRO.

Currículo Lattes







Alguns textos

"a posse contra a propriedade" (dissertação de mestrado)

O pensamento do fim
(Em: O comum e a experiência da linguagem)

O perjúrio absoluto
(Sobre a universalidade da Antropofagia)

"o Brasil é um grilo de seis milhões de quilômetros talhado em Tordesilhas":
notas sobre o Direito Antropofágico

A censura já não precisa mais de si mesma:
entrevista ao jornal literário urtiga!

Grilar o improfanável:
o estado de exceção e a poética antropofágica

"Modernismo obnubilado:
Araripe Jr. precursor da Antropofagia

O que as datilógrafas liam enquanto seus escrivães escreviam
a História da Filha do Rei, de Oswald de Andrade

Um antropófago em Hollywood:
Oswald espectador de Valentino

Bartleby e a paixão da apatia

O que é um bandido?
(Sobre o plebiscito do desarmamento)

A alegria da decepção
(Resenha de A prova dos nove)

...nada é acidental
(Resenha de quando todos os acidentes acontecem)

Entrevista com Raúl Antelo


Work-in-progress

O que é o terror?

A invenção do inimigo:
terrorismo e democracia

Censura, um paradigma

Perjúrio: o seqüestro dos significantes na teoria da ação comunicativa

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