O telefone tocava novamente. O exercício militar parara - só para ser retomado no dia seguinte. As pastas de processos continuavam intocadas - mas lhe reavivaram o sonho de um amigo.
Trancafiado no último andar do Fórum, como represália de algum superior - cuja motivação se desconhecia -, J. estava confinando a ser arquivista. Rodeavam-no pilhas e pilhas de processos, estantes e mais estantes abarrotadas deles. A mesa, idem. Somente a cadeira permanecia vazia. Não ousava sentar nela, com medo de encarar aquela infinidade de processos, todos antigos. Não lhe haviam dado nenhuma incumbência. Parecia estar ali para guardar a memória da lei. Veio a noite - ou melhor, o sono, já que a quantidade de pastas, papéis e poeira tapava todas as janelas, tornando impossível saber as horas. Entediado, decidiu tentar cochilar na cadeira. Foi seu erro. Os processos começaram a se abrir e se fechar, como se fossem bocas ameaçadoras. Os pés das estantes ganharam vida, elas começaram a andar na direção de J., cercando-o.
O sonho se interrompia com um telefonema da secretária do desembargador.
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(Dia do Juízo é uma ficção que publicarei, paulatinamente, aqui no blog, às sextas-feiras.)
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P.S.: Estou tendo alguns problemas com SPAM nos comentários. Na busca de soluções, talvez algum comentário seja retido. Caso isso aconteça, peço que me enviem email para alexandre[ponto]nodari[arroba]gmail[ponto]com


Falando em militares e processos, dia desses vi um daqueles processos relacionados ao Massacre da Lapa. Coisa horrível, anos e anos de dor somado a um Judiciário lento e inepto...
já leste do sergio sant'anna
o despertar de gregório barata ?
vale a pena.
abraço
Não li não Cristiano, vou atrás. Brigadão pela dica.