Drops

No número 91 da Revista Fórum, tive o privilégio de substituir Idelber Avelar na coluna "Outro olhar". Abaixo, o ínicio do meu texto:


"O que diferencia o pior arquiteto da melhor abelha é que o arquiteto ergue a construção na imaginação antes de erguê-la na realidade" (Karl Marx)

Uma sugestão para a próxima Bienal de São Paulo: deixar a curadoria a cargo de juristas. Afinal, a cada edição que passa, ela fica mais dependente da ação de advogados e promotores. Há dois anos, ficou marcada pela prisão de pixadores que decidiram ocupar por conta própria o segundo andar do prédio, que a organização optou por deixar vazia. A recém-aberta edição de 2010, voltada para a relação entre arte e política, já se notabilizou pela censura. Primeiro, foi o pedido da seccional paulista da OAB para que não fosse exposta a "Série Inimigos", de autoria de Gil Vicente, que retrata o artista matando pessoas notórias, como FHC e Lula. A justificativa para a proposta de censura foi da mesma estirpe daquela utilizada contra as Marchas da Maconha: incitação ao crime.

Além disso, houve protestos contra o uso de urubus vivos em uma instalação de Nuno Ramos. Mas o caso mais pernicioso foi o da autocensura da própria Bienal à instalação El alma nunca piensa sin imagen, organizada por Roberto Jacoby: um espaço, delimitado por dois painéis enormes com fotos de Dilma e Serra, no qual artistas argentinos (a "Brigada Argentina por Dilma") realizariam uma campanha fictícia, produzindo material de propaganda e promovendo debates e discussões artístico-políticas. Poucos dias antes da abertura, e já tendo incluído a imagem dos painéis no catálogo, a organização da Bienal consultou a Procuradoria Eleitoral e decidiu cobrir os painéis, censurando a instalação por violar o marco legal da propaganda política em época de eleições.

(...)

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Com alguns dias de atraso, devido ao fim de mês corrido em outubro (eleições e o Seminário Direito e Ditadura, ao qual a Flávia dedicou um post - pretendo fazer o mesmo, se possível ainda hoje), o Sopro 38 está no ar.

Nesse número, apresentamos, na seção Arquivo, uma entrevista que Osman Lins concedeu em 1973 ao Jornal do Commercio de Recife, publicada com o sugestivo título de "meios eletrônicos são liquidificadores mentais". Mesmo que se discorde do diagnóstico ali apresentado pelo escritor, a analogia que propõe me parece incontestável e muito útil ainda hoje.

Além da entrevista, publicamos, por sugestão de Eduardo Sterzi (a quem agradecemos mais uma vez), um pequeno fragmento do poeta angolano Luís Quintais, intitulado Uma forma de poder sobre a vida, instigante reflexão sobre a questão mais crucial para quem trabalha ou se interessa por literatura, a saber, o que é poesia? O texto foi publicado originalmente nas páginas finais do livro de poemas Riscava a palavra dor no quadro negro (Lisboa: Cotovia, 2010).

É possível visualizar o Sopro 38 também em .pdf, formato que apresenta uma diagramação mais bem acabada.

Lembro, por fim, que colaborações para o Sopro (preferencialmente na forma de resenhas ou verbetes), podem ser enviadas para sopro@culturaebarbarie.org


Sopro 37

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O Sopro 37 está no ar, com o belíssimo texto de María Zambrano: Uma metáfora da esperança: As Ruínas (publicado originalmente na revista Lyceum - vol VIII, n. 26, Havana (Cuba), maio de 1951 -, da qual Rodrigo Lopes de Barros Oliveira o extraiu e traduziu). O desenho ao lado é de autoria de Eko, artista que gentilmente o cedeu para a capa. O texto integra a seção de Arquivo do Sopro, na qual já publicamos Walter Benjamin, Carl Einstein, Salvatore Satta, Furio Jesi, Flávio de Carvalho, Roberto Jacoby, Severo Sarduy, Guy Debord, etc.

Além do texto de Zambrano, o Sopro 37 traz o verbete Rio, de George França, uma leitura, via Heráclito, do topos do rio na poesia, em especial a modernista brasileira.

Vale lembrar que o Sopro pode ser visualizado no formato .PDF.

Além disso, aos que se interessaram pelo Seminário Direito e Ditadura, recomendo a leitura do debate que realizamos no Sopro sobre a questão da Anistia no Brasil.



Escrevi um texto pro Amálgama explicitando melhor porque depois de ter votado na Marina Silva no primeiro turno, irei de Dilma agora no segundo: aqui.

De 25 a 29 de outubro, no Auditório do Fórum Norte da Ilha (UFSC - Florianópolis), acontece o Seminário Direito e Ditadura (o site do evento é um dos sites mais bonitos de eventos acadêmicos que já vi), organizado pelo PET do Direito da UFSC. O evento será excelente, com gente boa vinda de todo o país; uma oportunidade excelente para fazermos algo que pouco se faz nesse país: debatermos a nossa mais recente ditadura militar, seus antecedentes, suas conseqüências, seu modus operandi. A programação definitiva já está disponível. É difícil destacar alguma coisa. Já a conferência de abertura, na segunda, dia 25, é muito boa: será feita por Carlos Fico, que destrinchou muitos arquivos. Na terça, 26, de manhã, fala Beatriz Kushnir, que escreveu Cães de Guarda, livro em que relata a participação do grupo da Folha na ditadura. Também terça, mas à noite, o Pádua Fernandes falará sobre a atuação de alguns juristas no regime militar, a partir da pesquisa de arquivo que faz no DEOPS de São Paulo. Na quarta à tarde, estarei numa mesa junto com Flávia Cera e o Murilo Duarte Costa Corrêa, e à noite, Vladimir Safatle falará sobre "O direito à violência como base da democracia". Na quinta, os destaques vão para a fala de Raúl Antelo (sobre "Consciência e estratégia", que contraporá as leituras de Roberto Schwarz e Ernesto Laclau sobre o fenômeno ditatorial na América Latina), pela manhã e para a de Flávia Piovesan. Por fim, na sexta, além do encerramento com Marcelo Ridenti, o escritor Salim Miguel falará pela manhã. Salim, além de bom escritor, tem muito a contar sobre a ditadura. Foi preso logo após o golpe de 64, e a livraria que levava informalmente seu nome foi fechada e teve seus livros queimados. Quando eu estava na graduação e editava, junto a colegas, a revista RECRIE, entrevistamos Salim para o primeiro número, em que ele relata essas histórias.

Além de tudo isso, haverá também 15 mesas de comunicações na terça e quarta à tarde. Vieram mais de 70 trabalhos de todas as regiões do país, o que comprova a importância e a relevância do evento. A lista com as mesas de comunicações, que foram organizadas tematicamente, está disponível aqui. Quatro delas são dedicadas à Justiça de Transição, que tratarão os fundamentos teóricos das comissões de verdade e memória, que compararão a experiência brasileira com as de outros países, que abordarão a correlação de forças envolvidas na disputa pela anistia (focando o recente caso do PNDH-3), etc. Haverá também uma mesa sobre a persistência da tortura na democracia, uma sobre Literatura e Ditadura, e muitas outras. De minha parte, coordenarei uma mesa chamada "A exceção que se excede na normalidade: restos da ditadura", em que a perniciosa permanência da exceção na democracia será discutida. Falarão na mesa, entre outros, Leonardo D'Ávila, e Victor Cândido, que apresentará um trabalho, que estou ansioso para ouvir, sobre como a Lei do Ficha-Limpa reorganiza "democraticamente" não só um topos legitimador da ditadura, a corrupção, mas também uma prática, o controle da escolha. Todos sabemos que quando se abre a porteira, não dá pra controlar os bois. E a recente proposta de estender o Ficha-Limpa a outras atividades da vida pública dota o trabalho de Victor de mais relevância. Entender o que está, de fato, em jogo é essencial.

Ah, para os que não são de Florianópolis ou não virão ao evento, ele será transmitido ao vivo pelo site.


Sopro 36

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O Sopro 36 está no ar com uma resenha de Eduardo Sterzi de Maria com Marcel. Duchamp nos trópicos, livro de Raul Antelo recém lançado pela Editora da UFMG. Antelo é um dos maiores críticos literários em atividade, e o Sopro já publicou, no número de estréia, uma resenha minha de um livro seu anterior, o Crítica Acéfala.

Além de "Com Maria e Marcel, à margem" (título da resenha assinada por Sterzi), o Sopro apresenta o verbete "Xeque-mate", de Victor da Rosa.

O Sopro 36 também pode ser lido em .PDF, e os números anteriores do panfleto político-cultural que co-edito com Flávia Cera podem ser visualizados aqui.


Sopro 35

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O Sopro 35 está no ar com o belíssimo ensaio Uma linguagem sem precursores da professora argentina Silvia Schwarzböck, traduzido por mim. O original foi publicado na revista Todavía no mesmo número em que saiu um excelente texto de Idelber Avelar sobre o heavy metal brasileiro.

Além disso, o novo número do Sopro traz o verbete Moldura Barroca, de Evandro de Sousa.

[Clique aqui para visualizar o Sopro 35 em PDF]


Direito e ditadura

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O pessoal do PET do Direito aqui da Universidade Federal de Santa Catarina está organizando um belo congresso sobre um tema que precisa ser discutido sistematicamente e com a profundidade que merece: a relação entre Direito e a ditadura brasileira. O evento acontecerá de 25 a 29 de outubro, e já estão confirmados grandes palestrantes, como Carlos Fico, Flávia Piovesan, Beatriz Kushnir, Gilberto Bercovici, entre outros - acredito que, em breve, a programação completa estará disponível. A chamada de trabalhos pra apresentação nas mesas de comunicação já foi lançada

P.S.: Se alguém da blogosfera afora decidir vir, me avise pra que possamos marcar um chope ou um café.


Sopro 34

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O Sopro 34 apresenta:

"Repensando a trajetória de Oswald", texto de Luiz Costa Lima (um dos maiores teorizadores brasileiros da literatura), recém-publicado no livro Luiz Costa Lima. Uma obra em questão (Garamond, 2010), organizado por Dau Bastos (clique aqui para ver o índice e as páginas iniciais do livro);

"Misturar desejo com história", resenha de Uma fome (Record, 2010), livro de Leandro Sarmatz, escrita por Flávia Cera.

[Visualizar o Sopro 34 em PDF]




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"Direito de ser traduzido, reproduzido e deformado
em todas as línguas"

Alexandre Nodari

é doutorando em Teoria Literária (no CPGL/UFSC), sob a orientação de Raúl Antelo; bolsista do CNPq. Desenvolve pesquisa sobre o conceito de censura.
Editor do
SOPRO.

Currículo Lattes







Alguns textos

"a posse contra a propriedade" (dissertação de mestrado)

O pensamento do fim
(Em: O comum e a experiência da linguagem)

O perjúrio absoluto
(Sobre a universalidade da Antropofagia)

"o Brasil é um grilo de seis milhões de quilômetros talhado em Tordesilhas":
notas sobre o Direito Antropofágico

A censura já não precisa mais de si mesma:
entrevista ao jornal literário urtiga!

Grilar o improfanável:
o estado de exceção e a poética antropofágica

"Modernismo obnubilado:
Araripe Jr. precursor da Antropofagia

O que as datilógrafas liam enquanto seus escrivães escreviam
a História da Filha do Rei, de Oswald de Andrade

Um antropófago em Hollywood:
Oswald espectador de Valentino

Bartleby e a paixão da apatia

O que é um bandido?
(Sobre o plebiscito do desarmamento)

A alegria da decepção
(Resenha de A prova dos nove)

...nada é acidental
(Resenha de quando todos os acidentes acontecem)

Entrevista com Raúl Antelo


Work-in-progress

O que é o terror?

A invenção do inimigo:
terrorismo e democracia

Censura, um paradigma

Perjúrio: o seqüestro dos significantes na teoria da ação comunicativa

Para além dos direitos autorais

Arte, política e censura

Censura, arte e política

Catão e Platão:
poetas, filósofos, censores






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