Aos interessados em História Ambiental, ao impacto das migrações humanas nos ecossistemas (e vice-versa), bem como aos distintos modos culturais de concepção e relação com a natureza, recomendo o evento Simpósio Internacional de História Ambiental e Migrações, que acontecerá de 13 a 15 de setembro aqui em Florianópolis. As inscrições de trabalhos vão até segunda, dia 3 de maio.

Sopro 26

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O Sopro 26 está no ar, com Metropolis, intervenção de Giorgio Agamben em um seminário sobre a multidão e a metrópole, realizado em Veneza, em 2006, e com o verbete Intrusos (II), de Jonnefer Barbosa.

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Sopro 25

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O Sopro 25 está no ar, com "Mensagem no Di Tella", panfleto escrito por Roberto Jacoby e distribuído no Experiências 68, no Instituto Di Tella em Buenos Aires, 1968 - a tradução foi feita por Flávia Cera; e "Um requiém para a escrita?", resenha de A escrita, de Vilém Flusser, feita por mim. Disponível em três formatos: HTML | PDF | Flash

Recentemente, foi lançado, pela Boitempo, O que resta da ditadura, organizado por Edson Telles e Vladimir Safatle. Os artigos dos livros apresentam várias faces da persistência do entulho autoritário. A meu ver, uma das principais - não sei se abordada no livro, já que não terminei a leitura ainda - é a lógica binária do Terror, que produz uma cisão no interior do povo (e, no limite, no interior do próprio sujeito) entre amigo e inimigo, e em que qualquer gesto que tenha a possibilidade mínima de ressoar como falta de engajamento é encarado como hostilidade e conivência. (Sobre o assunto, Ana Longoni escreveu um excelente livro, Traiciones, no qual mostra como sobreviver a um regime bárbaro e testemunhar contra ele pode ser lido como um sinal de traição pela resistência). Por isso, a ditadura permanece não só quando Agripino Maia vê uma imoralidade no fato da Dilma ter mentido sob tortura, mas também quando um "intelectual" petista compara o exílio do então presidente da União Nacional dos Estudantes José Serra a um "abandono" da resistência ou quando um blogueiro, que acha que auto-crítica é criticar os outros, afirma que Caetano Veloso foi preso pela ditadura porque quis aparecer (pois deveria ter se exilado antes). A lógica da ditadura, a lógica do Terror, faz ver ameaças por todo o lado. Diante do outro, só vê duas opções - amigo ou inimigo. Invocá-la para fins eleitorais não é só perversão. É, daí sim, conivência com um modo terrorista de pensar.

P.S.: Pra que fique claro: uma Comissão da Verdade (ou melhor, a punição dos torturadores e da cadeia de comando que vai deles até o alto escalão - basta ler as atas das reuniões do Conselho de Segurança Nacional pra que fique claro o quão ciente ele estava do que ocorria no país) NÃO segue uma lógica do Terror. Esta lógica é produzida intencionalmente, é fruto de uma decisão. A lógica do Terror se impõe aos sujeitos (e é internalizada neles) através de um imenso aparato, que vai do discursivo-censório ao policial-torturador. A identificação dos agentes instituidores e mantenedores desta lógica é essencial ao seu desmonte.


Sopro 24 (e 23)

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O último número do Sopro está no ar, com "A resistência passiva no altiplano", texto de Flávio de Carvalho escrito em 1947. 

No número anterior (23), publicamos Caráter, verbete de Emanuele Coccia; uma resenha, escrita por Flávia Cera, de A vida sensível, escrito pelo mesmo filósofo italiano e publicado pela editora Cultura e Barbárie; e uma teses minhas sobre a política, que já haviam aparecido aqui no blogue.


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Educação


"As pessoas não querem vingança e, sim, justiça"
(Francisco Cembranelli, promotor, durante o julgamento dos Nardoni - Fonte)

Legenda
"Se o Nardoni não for condenado, a gente mata ele aqui fora"
(Um dos participantes do circo, ou auto-da-fé, montado do lado de fora do Fórum onde ocorria o julgamento - Fonte)


"Cotas raciais - Acreditem: um juiz decidiu cumprir a Constituição!!!"
(Reinaldo Azevedo, em seu blog, no dia 30 de novembro de 2007, referindo-se ao juiz Carlos Alberto da Costa Dias, que, em decisão judicial de 29 de novembro de 2007, concedeu liminar cancelando as cotas na Universidade Federal de Santa Catarina).

Legenda
"Determinada aposentadoria compulsória de juiz federal de SC por falsificação e uso de documento falso"
(Notícia fresquinha, referente ao mesmo juiz que "decidiu cumprir a constituição" - Fonte)


Finalmente, depois de muitos anos, um projeto antigo, que vem desde os tempos de graduação, quando conheci Rodrigo Lopes de Barros Oliveira, Leonardo D'Ávila, Diego Cervelin e, last but not least, Flávia Cera, sai do papel: a Editora Cultura e Barbárie. Nossos dois primeiros títulos - A tela do cinema como prótese de percepção, de Susan Buck-Morss, e A vida sensível, de Emanuele Coccia - já estão a venda no site (e haverá o lançamento de A vida sensível quinta-feira, às 18 horas, aqui em Florianópolis, no Auditório da Reitoria da UFSC, com a presença do autor). Os dois títulos integram a nossa primeira coleção, PARRHESIA, dedicada a ensaios de pensadores contemporâneos. 


Acredito, como bom leitor de Foucault, que os dispositivos de poder (sempre relacionados a um saber) estão embrenhados até nos recônditos menos esperados da vida cotidiana - o que inclui o futebol. Talvez só a modalidade do esporte bretão conhecida como "futebol brasileiro" (Mauro Cezar Pereira sempre adverte que ele não deve ser confundido com o "futebol" que se pratica no resto do mundo - não pela sua beleza, mas pelas suas idiossincrasias) conheça a figura no comentarista de arbitragem - um ex-árbitro - em suas transmissões televisivas. (E provavelmente só aqui os jogadores chamem os técnicos de "professores"). É ele e só ele que tem acesso à lei, aos meandros da lei, ao seu conteúdo, seu sentido e sua aplicação. É como se a lei fosse uma dimensão inacessível sem a mediação de alguém que já a aplicou, que já foi árbitro não só aos telespectadores, mas também ao narrador e ao comentarista do futebol "propriamente dito". Aos outros, só cabe especular sobre a lei - mas a sua verdade mais profunda só é conhecida pelo ex-juiz. Às vezes, essa submissão ao saber-poder do comentarista de arbitragem beira o absurdo, como nos casos em que o narrador pergunta a ele se a bola tocou ou não na mão do jogador - como que duvidando da própria visão. Em uma sociedade autoritária, o acesso à lei - mesmo a lei de apenas 17 regras que rege o futebol - é sempre mediada por um guardião, que, no fundo, como na parábola de Kafka, tem como função evitar a entrada na lei daquele a quem supostamente ela seria destinada.

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"Direito de ser traduzido, reproduzido e deformado
em todas as línguas"

Alexandre Nodari

é doutorando em Teoria Literária (no CPGL/UFSC), sob a orientação de Raúl Antelo; bolsista do CNPq. Desenvolve pesquisa sobre o conceito de censura.
Editor do
SOPRO.

Currículo Lattes







Alguns textos

"a posse contra a propriedade" (dissertação de mestrado)

O pensamento do fim
(Em: O comum e a experiência da linguagem)

O perjúrio absoluto
(Sobre a universalidade da Antropofagia)

"o Brasil é um grilo de seis milhões de quilômetros talhado em Tordesilhas":
notas sobre o Direito Antropofágico

A censura já não precisa mais de si mesma:
entrevista ao jornal literário urtiga!

Grilar o improfanável:
o estado de exceção e a poética antropofágica

"Modernismo obnubilado:
Araripe Jr. precursor da Antropofagia

O que as datilógrafas liam enquanto seus escrivães escreviam
a História da Filha do Rei, de Oswald de Andrade

Um antropófago em Hollywood:
Oswald espectador de Valentino

Bartleby e a paixão da apatia

O que é um bandido?
(Sobre o plebiscito do desarmamento)

A alegria da decepção
(Resenha de A prova dos nove)

...nada é acidental
(Resenha de quando todos os acidentes acontecem)

Entrevista com Raúl Antelo


Work-in-progress

O que é o terror?

A invenção do inimigo:
terrorismo e democracia

Censura, um paradigma

Perjúrio: o seqüestro dos significantes na teoria da ação comunicativa

Para além dos direitos autorais

Arte, política e censura

Censura, arte e política

Catão e Platão:
poetas, filósofos, censores






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